O que é Frutose e quando ela pode fazer mal à saúde

Frutose Faz Mal à Saúde?

O que é Frutose e quando ela pode fazer mal à saúde

O açúcar, ou sacarose, assim como o xarope de milho presente em diversos alimentos, constituem uma grande parte das calorias ingeridas por nós diariamente. Ambas as substâncias são compostas basicamente por dois tipos de açúcares: a glicose e a frutose.

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A glicose é encontrada também em outros alimentos, como no amido das batatas, ou é produzida naturalmente pelo nosso próprio corpo. Já a frutose não é vital para o nosso corpo. Os seres humanos não produzem frutose em seu metabolismo usual e o consumo desse açúcar, historicamente, nunca foi feito em excesso.

O consumo de frutose pelos nossos ancestrais era única e exclusivamente obtido através de frutos maduros em determinadas épocas do ano. Atualmente, a frutose está presente não só nos frutos, mas também nos mais diversos alimentos industrializados, e existem especialistas que defendem que o consumo da frutose faz mal à saúde.

Vamos mostrar evidências científicas e discutir se a frutose faz mal à saúde e o que podemos fazer para melhorar o valor nutritivo da nossa dieta.

Todo açúcar é um vilão?

Como já mencionado, existem vários tipos de açúcar, sendo que a glicose é essencial para nossa sobrevivência, enquanto que a frutose não desempenha nenhum papel vital. Sendo assim, podemos fazer um pré-julgamento de que tudo que contém glicose é saudável e tudo que apresenta frutose não é bom para a saúde. Porém, não é assim que as coisas funcionam.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão diária de açúcares livres de no máximo 10% da ingestão total de calorias, o que equivale a cerca de 12 colheres de chá de açúcar por dia.

Nos dias de hoje, não só ultrapassamos essa recomendação como o consumo de açúcar vem crescendo em ritmo exponencial. E com ele aumenta também a incidência de doenças como obesidade, diabetes do tipo 2, cáries dentárias, dentre outros. Provavelmente, o problema está no excesso no consumo de açúcar, independentemente do tipo.

Frutose faz mal à saúde?

Vamos continuar a discussão e responder a essa pergunta falando um pouco sobre o nosso metabolismo. Basicamente, a glicose e a frutose são metabolizadas de forma muito diferente pelo organismo. A principal diferença está no fato de todas as células presentes no nosso corpo poderem usar a glicose, enquanto que a frutose só pode ser metabolizada em quantidades significativas pelo fígado.

Assim, quando alguém segue uma dieta rica em calorias provenientes da frutose, o fígado acaba ficando sobrecarregado e começa a transformar a frutose em excesso em gordura, e todos sabemos que o acúmulo de gordura de fontes não saudáveis é extremamente prejudicial à saúde.

Desse modo, os pesquisadores da área acreditam que o consumo específico de frutose em excesso pode ser o principal fator que desencadeia diversas doenças graves atuais como a obesidade, diabetes do tipo II, doenças cardíacas e até alguns tipos de câncer.

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Estudos

De acordo com estudos científicos, listamos abaixo os principais efeitos que levam ao fato de que o excesso de frutose faz mal à saúde.

  • Seu fígado passa a produzir e acumular mais gordura, que é transportada na forma de colesterol, que pode aumentar os níveis de triglicérides e colesterol sanguíneos, além de acumular gordura ao redor de outros órgãos. Tudo isso gera um fator de risco maior para o desenvolvimento de doenças cardíacas;
  • Os triglicérides formados devido ao excesso de frutose podem ser liberados na corrente sanguínea, causando crescimento e acúmulo de gordura nas paredes das artérias, o que causa doenças cardíacas;
  • Ocorre o aumento dos níveis sanguíneos de ácido úrico, responsável por doenças como a gota, pedras nos rins e a hipertensão arterial, já que o ácido úrico pode interferir na produção de óxido nítrico, essencial para proteger as paredes das artérias contra possíveis danos;
  • Pode ocorrer o acúmulo de gordura no próprio fígado, o que causa doença hepática grave do tipo não alcoólica;
  • O excesso de frutose pode causar resistência à insulina, o que leva a doenças como obesidade e diabetes do tipo II. Além disso, a resistência à insulina pode resultar em um aumento do fator de crescimento de insulina em todo o corpo, o que pode causar câncer;
  • A frutose não sacia do mesmo modo que a glicose, o que faz com que você sinta mais fome ao ingerir muita frutose e aumente a ingestão diária de calorias;
  • O excesso de frutose pode causar resistência a outro hormônio chamado leptina, que altera a regulação de gordura corporal e pode contribuir para a obesidade;
  • A frutose em demasia também pode aumentar a liberação de radicais livres, espécies altamente reativas que podem danificar estruturas celulares, enzimas e genes.
  • O açúcar vicia e esse é um grande fator de risco que prejudica a sua dieta e pode potencializar os problemas de saúde aqui listados, além de afetar a função adequada do cérebro.

A resistência à leptina, insulina elevada e o vício em açúcar podem juntos contribuir para problemas como compulsão alimentar, o que em consequência leva ao acúmulo de gordura e causa diversas doenças.

  • Veja mais: Frutose engorda? O que é, alimentos ricos e dicas.

Veredicto

É importante lembrar que a frutose proveniente de frutas não é prejudicial, já que a fruta contém nutrientes como vitaminas além da presença de água e fibras e baixo teor calórico. Assim, ao consumir uma fruta, seu corpo está se beneficiando de diversas substâncias essenciais para o organismo.

Portanto, o que faz mal à saúde é o consumo de frutose proveniente do açúcar, principalmente em excesso, que não traz absolutamente nenhum benefício à saúde e não adiciona nenhum tipo de nutriente na dieta, apenas adiciona calorias que serão convertidas em gordura, diferente das frutas e vegetais que apresentam açúcares naturais e outras fontes de energia.

Apesar de alta ingestão de frutose estar associada a condições como obesidade e diabetes, ainda não há ensaios clínicos suficientes que comprovem que a frutose faz mal à saúde nesse sentido.

Também é importante lembrar que a glicose, apesar de ser usada por praticamente todas as células do corpo como fonte de energia, se em excesso também não faz bem ao organismo, podendo causar picos de açúcar no sangue que são tão prejudiciais quanto à frutose em excesso.

Ainda há o fator adicional de que muitos alimentos são compostos por sacarose, que nada mais é que uma mistura de glicose e frutose.

Assim, raramente é possível ingerir um tipo de açúcar sem o outro, já que na maioria dos alimentos há os dois tipos.

Esse é mais um argumento que suporta o fato de que o problema realmente está no excesso e no consumo de alimentos ricos em açúcar sem valor nutritivo significante.

Deste modo, o consumo de frutas está liberado. A quantidade de frutose presente nas frutas é relativamente baixa em comparação com produtos industrializados. Além disso, as frutas representam uma fonte natural de antioxidantes poderosos, substâncias fitoquímicas e vitaminas como a vitamina C, vitamina A, ácido fólico, dentro outros.

Assim, é preciso ter uma dieta balanceada e evitar o açúcar em excesso, optando sempre por fontes naturais e evitando bebidas e alimentos industrializados com altos teores de açúcar.

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Você já tinha ouvido falar que a frutose faz mal à saúde? Acredita que consome teores muito altos do nutriente em sua dieta? Comente abaixo!

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Источник: https://www.mundoboaforma.com.br/frutose-faz-mal-a-saude/

O que é frutose?

O que é Frutose e quando ela pode fazer mal à saúde
Imagem: de Guilherme Martins, está disponível no PxHere

A frutose ou “açúcar de fruta” é um importante monossacarídeo, assim como a glicose. Ela é naturalmente encontrada em frutas, no mel, no agave e na maioria dos vegetais de raiz. Além disso, é comumente adicionada a alimentos processados ​​na forma de xarope de milho ou xarope de frutose.

Seu nome é originário da palavra latina fructus, já que as frutas são uma importante fonte de frutose. Por estar presente em frutas e vegetais, ela é ingerida regularmente. A frutose também é sintetizada no organismo a partir da glicose, via sorbitol, e esse processo se relaciona com a manutenção do equilíbrio óxido-redutivo.

Apesar de ser muito utilizada pela indústria como um adoçante artificial para substituir o açúcar comum, a frutose tem sido ligada ao aumento de problemas de saúde como obesidade, colesterol alto e diabetes, tornando-se um importante objeto de estudo da atualidade.

Alimentos ricos em frutose

A frutose está naturalmente presente em alimentos como frutas, beterraba, cenoura, e até na ervilha e no feijão, não causando problemas para a saúde. No entanto, os alimentos industrializados e ricos em frutose devem ser evitados.

Refrigerante, suco de caixinha ou em pó, molho industrializado, caramelo, mel artificial, chocolate, bolo, pudim, fast food, alguns tipos de pão, salsicha e presuntos são alguns exemplos de itens com alta taxa de frutose e que merecem ser excluídos da dieta.

Além disso, é preciso estar atento aos rótulos e evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados que contenham frutose, xarope de frutose ou xarope de milho em sua composição.

A frutose presente nas frutas não faz mal

Os efeitos nocivos da frutose se aplicam à pessoas que possuem uma dieta baseada em alimentos industrializados e ultraprocessados que contém esse carboidrato. Isso não se aplica aos açúcares naturais encontrados em frutas e vegetais.

Apesar de serem ricas em frutose, as frutas não trazem malefícios para a saúde porque contêm baixas concentrações desse açúcar e são ricas em fibras, o que ajuda a controlar o efeito de ganho de peso que o açúcar causa. Além disso, elas são ricas em vitaminas, minerais e antioxidantes, elementos que atuam na regulação do metabolismo e evitam os efeitos ruins que o açúcar pode causar.

Dessa maneira, uma dica é consumir as frutas sempre com casca e com bagaço, quando possível, preferindo também o consumo de sucos naturais sem adição de açúcar e sem coar, para que as fibras não sejam perdidas. Além disso, é importante dar preferência para o consumo de alimentos orgânicos, já que os não orgânicos podem conter agrotóxicos.

Por que a frutose presente em alimentos industrializados faz mal?

A glicose e a frutose são metabolizadas de maneira muito distinta pelo corpo. Embora todas as células do corpo possam usar glicose, o fígado é o único órgão que pode metabolizar a frutose em quantidades significativas. Quando as pessoas possuem uma dieta rica em calorias e frutose, o fígado fica sobrecarregado e começa a transformar a frutose em gordura.

Muitos pesquisadores acreditam que o consumo excessivo de alimentos industrializados que contém frutose pode ser um fator chave para muitas das doenças da atualidade. Isso inclui obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardíacas e até câncer. Porém, são necessários mais estudos para que essas evidências sejam confirmadas em humanos.

Os efeitos nocivos do excesso de frutose

Embora o excesso de frutose presente em alimentos ultraprocessados seja prejudicial à saúde, seus efeitos são controversos. No entanto, há um corpo considerável de evidências que justificam as preocupações. Comer muita frutose na forma de açúcares adicionados pode:

  • Prejudicar a composição dos lipídios do sangue. A frutose presente em alimentos industrializados pode aumentar os níveis de colesterol VLDL, levando ao acúmulo de gordura ao redor dos órgãos e, potencialmente, doenças cardíacas;
  • Aumentar os níveis de ácido úrico no sangue, levando à gota e pressão alta;
  • Causar deposição de gordura no fígado, podendo levar à doença hepática gordurosa não alcoólica;
  • Provocar resistência à insulina, que pode levar à obesidade e diabetes tipo 2;
  • Impedir o funcionamento adequado do sistema imunológico, facilitando a ocorrência de processos inflamatórios;
  • Gerar resistência à leptina, perturbando a regulação da gordura corporal e contribuindo para a obesidade.

Para comprovar todos esses efeitos, são necessários mais estudos sobre a frutose presente em alimentos industrializados.

Veja também:

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Cuidado com o excesso de frutas!

O que é Frutose e quando ela pode fazer mal à saúde

Que as frutas fazem bem à saúde, isso todo mundo já sabe. Mas não se engane achando que as frutas, por serem naturais, podem ser consumidas sem restrições.

As frutas, em geral, são alimentos saudáveis ricos em fibras, vitaminas e minerais; responsáveis em nos dar energia e regularizar nosso organismo, podendo ser ingeridas na forma de sucos, vitaminas, saladas ou in natura.

Da mesma forma, também fazem bem ao organismo as frutas secas (ameixa seca, damasco, passas e tâmaras, por exemplo), mas estas também precisam ser ingeridas de forma controlada.

Porque as frutas em excesso podem fazer mal?

As frutas, quando consumidas em quantidade adequada, só trazem benefícios à saúde.

O problema é com a quantidade: ao comer muitas frutas ao longo do dia, o nível de glicose, além de subir rapidamente a cada ingestão, permanece sempre alto no sangue.

Isso faz com o organismo tenha uma sobrecarga de trabalho, produzindo mais e mais insulina (para “limpar” o sangue) e causando uma serie de problemas de metabolismo (inclusive diabetes tipo II).

Deve-se ter cuidado com o açúcar naturalmente contido nas frutas, a frutose. A frutose é rapidamente metabolizada na forma de gordura, bem mais rápido e direto do que glicose, muitas vezes promovendo o armazenamento de gordura, particularmente na região abdominal.

Em excesso, a frutose pode alterar o equilíbrio de eletrólitos em seu corpo, sobrecarregando os rins — um problema importante para quem já tem algum problema renal.

Quem tem problemas intestinais e estomacais também deve prestar atenção à quantidade de frutas que comem. O excesso de frutose é transformado em gordura pelo fígado. Com o excesso, essa gordura não é eliminada do corpo adequadamente, e pode acabar obstruindo as artérias e causando problemas cardíacos. Devido a esta mesma causa, pode ver aumento de pressão e ganho de peso.

O Maior Vilão do Excesso: Sucos de Fruta

O consumo mundial de refrigerante está em grande declínio nos últimos anos. Isso vem como uma excelente notícia para a saúde mundial: é muito bom que todos estejam percebendo que refrigerante é uma bomba (principalmente os ditos “light”).

O problema é que muita gente que largou o refrigerante e quis opções mais saudáveis, acabou migrando para os sucos de fruta como opção primária de bebida.

Não se engane: suco de fruta em geral é saudável, sim. O problema é que o suco normalmente contém muito mais frutas do que se consumíssemos essas frutas em estado bruto (é muito fácil, por exemplo, um suco conter 6 laranjas; e muito difícil comer essas mesmas 6 laranjas em estado natural). Com isso, a chance de consumir frutas em excesso fica muito alta.

Além disso, ao fazermos um suco, separamos a fruta (fibras) de seus fluidos. Isso faz com que esse açúcar seja absorvido muito mais rapidamente, aumentando os níveis de açúcar e insulina no sangue.Então, sucos — apesar de serem uma opção muitas vezes saudável — devem ser considerados com muita cautela principalmente para quem quer queimar gordura ou diabéticos.

Agrotóxicos e Pesticidas

Um outro ponto que temos que considerar é sobre o uso de pesticidas nas frutas. Infelizmente, o Brasil é o maior usuário de pesticidas no mundo, desde 2008. Ou seja, a não ser que você tenha acesso a frutas orgânicas, um consumo excessivo de frutas, especialmente em sucos, vai significar um consumo razoável de agrotóxicos e pesticidas.

Além da alta carga de agrotóxicos, o Brasil libera o uso de diversos tipos de pesticidas já proibidos há anos em local como a União Europeia. Isso traz ainda mais suspeitas sobre a segurança no consumo dessas frutas e vegetais. Por isso é tão importante, dentro da possibilidade de cada um, buscar soluções orgânicas.

Qual a quantidade ideal de frutas para ser consumida?

Devemos ingerir em média de 2 a 4 porções de frutas por dia. Cada porção equivale mais ou menos a uma fruta média (1 maçã, 1 banana, 1 laranja, etc..), ou uma xícara pequena de frutas picadas. Lógico: se você comer mais frutas em um dia, não vai acontecer nada: o problema é o excesso quando acontece dia após dia.

Uma maneira interessante de consumir as frutas para que não haja a elevação muito rápida de insulina no sangue, é consumir juntamente com fibras, ou com castanhas, nozes, amêndoas e avelãs que possuem gorduras. Fibras e gorduras ajudam o corpo a absover o açúcar das frutas de maneira mais lenta e gradual.

Quais as melhores frutas para consumo?

Se você gosta de frutas e não abre mão de uma boa quantidade diariamente, prefiras as frutas mais cítricas, as que tem menos açucar e menos carboidrato.

Alguns exemplos são: morango, abacaxi, acerola, ameixa, amora, caju, laranja lima, limão, framboesa, groselha, jabuticaba, mirtilo, maçã verde e maracujá.

Sempre que possível, opte por orgânicos, especialmente para as frutas na “lista negra” de mais contaminadas.

As frutas com mais quantidade de açúcares são: banana, figo, maçã vermelha, mamão, manga e tâmara.

Então é isso: não deixemos de consumir frutas mas, assim como tudo na vida, cuidado com os exageros!

Источник: https://belezaesaude.com/excesso-de-frutas/

Frutose: um açúcar sob suspeita

O que é Frutose e quando ela pode fazer mal à saúde

Se existisse um tribunal da alimentação, os açúcares ocupariam constantemente o banco dos réus. Vira e mexe, integrantes desse grupo, caso da sacarose e da lactose, são julgados e condenados ao exílio nos cardápios ditos saudáveis.

A encrencada da vez é a frutose, o açúcar natural das frutas. Com um vasto inquérito, a substância tem sido uma das principais indiciadas pela crescente epidemia de obesidade nos Estados Unidos.

Paira sobre ela, ainda, a acusação de desencadear danos às artérias. A ficha supostamente suja tem feito pessoas excluírem itens antes reverenciados, como banana, uva e companhia, do menu diário.

Mas faz sentido virar a cara para a frutose? É hora de ouvir defesa e acusação e desfazer injustiças.

Quimicamente falando, a frutose é um monossacarídeo, ou seja, uma combinação de átomos que formam um carboidrato simples — aquele que, em excesso, faz a gente engordar e ficar mais predisposto a perrengues como o diabete.

“Seu nome é originário da palavra latina fructus”, ensina a nutricionista Renata Juliana da Silva, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

A designação foi escolhida porque os frutos são sua fonte mais importante, embora também seja encontrada no mel e nas hortaliças.

Esse açúcar tem lá suas particularidades. Além do alto poder adoçante, apresenta capacidade de absorver e reter água. Tais predicados despertaram a atenção de cientistas, que o isolaram em laboratório lá no século 19.

Sua popularidade aumentou mesmo nos idos de 1960, com o surgimento dos xaropes de milho — os pesquisadores descobriram que era possível usar o cereal para obter o ingrediente açucarado.

Desde então, a frutose passou a competir com a sacarose, vinda da cana-de-açúcar e da beterraba, na composição de refrigerantes, sucos, molhos prontos, bolos, entre outros alimentos processados. Com acesso fácil e custo baixo, a curva de consumo entre os americanos disparou.

Curiosamente, essa ascensão acompanha a escalada de ganho de peso observada nas últimas décadas naquela população.

Leia também: 5 porções de fruta ajudam a evitar doenças

“Teoricamente, a frutose adicionada aos produtos industrializados é igual à versão in natura. Trata-se da mesma molécula”, afirma o nutricionista Caio Eduardo Reis, professor da Universidade de Brasília. Os efeitos nocivos, segundo diversos estudos, estão associados ao abuso no consumo.

E é por isso que nenhum entendido condena um cacho de uvas ou uma maçã por contribuir com a obesidade. Ora, seria necessário devorar bacias e bacias para alcançar o teor de uma bebida industrializada, por exemplo.

“Além de apresentar quantidade bem inferior de frutose, as frutas são ricas em fibras”, defende a nutricionista Nicole Trevisan, mestre pela USP. Não bastasse aquela forcinha ao intestino, o montante fibroso favorece o controle da glicose no sangue.

Ainda que a frutose seja definida como um carboidrato simples, a parceria com as fibras dentro dos vegetais anula potenciais impactos negativos. “Por isso, sempre que possível, o ideal é comer as frutas com casca e bagaço”, sugere.

Outro fator que limpa a barra dos vegetais é a riqueza em antioxidantes. “Essas substâncias ajudam a combater o estado pró-inflamatório provocado pelo excesso de açúcar e pelo aumento da gordura corporal”, resume o biólogo Fernando dos Santos, do Instituto do Coração, o InCor, em São Paulo.

Sob a casca ou na embalagem

Para ser adicionada ao alimento industrializado, a frutose pode vir de várias fontes e sob diferentes formas.  E vale frisar: costuma ser bem concentrada.

“Há a cristalina que, geralmente, é extraída de tubérculos e passa por processos químicos para
ser purificada”, exemplifica a nutricionista Nadine Marques, da RG Nutri, em São Paulo.

Já o famoso xarope de milho, conhecido pela sigla HFCS (do inglês high fructose corn syrup), resulta da quebra de moléculas de glicose que são convertidas em frutose.

Exagero de frutose

“Quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza.” O velho ditado é bastante atual e entrega um cenário de excessos que deixa um rastro amargo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo da frutose nos países desenvolvidos subiu 250% nas duas últimas décadas.

Claro que muito desse percentual se deve ao já citado exagero nas doses de xarope de milho, sobretudo na terra do Tio Sam. Entretanto, há que pôr na conta a quantia oriunda de outra fonte importante, a sacarose.

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Sim, o açúcar branco que vai no cafezinho tem culpa no cartório e merece ser arrolado no processo. Afinal, se voltarmos às aulas de química, sua fórmula nada mais é do que a junção de moléculas de glicose e, olha ela aí, a frutose.

E não é de hoje que o brasileiro tem fome de doce. Graças à fartura de cana-de-açúcar no tempo em que éramos colônia portuguesa, nosso paladar foi moldado de forma bem mais adocicada do que deveria.

Melou o rótulo

Para diminuir o risco de açucarar demais a dieta, vale adotar um olhar atento às embalagens. É verdade que as tabelas nutricionais não costumam mostrar explicitamente a designação da frutose isolada ou de qualquer outro parente edulcorante.

Mas algumas pistas podem delatar a substância, como o aparecimento dos nomes xarope de milho (de novo!), sacarose e até mesmo açúcar.

Segundo Renata Juliana, se esses termos despontarem em primeiro lugar na lista de ingredientes, é sinal de que o alimento extrapola na doçura.

“O consumo não precisa ser abolido, mas, sim, moderado. Aliás, como tudo quando pensamos em equilíbrio nutricional”, sentencia a nutricionista Maristela Strufaldi, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes. Ir devagar no ingrediente ajuda a poupar todo o organismo.

“Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas, é possível afirmar que o abuso colabora para o acúmulo de gordura na região da cintura”, comenta a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

Esse tipo de estoque engordurado não destrói apenas o desejo de desfilar de sunga ou biquíni no verão. Vai muito além da estética: ele eleva o risco de diabete e de problemas cardiovasculares.

O nutrólogo Hélio Vannuchi, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP ainda chama a atenção para o perigo da esteatose hepática.

“A frutose pode ser considerada uma substância lipogênica”, afirma o especialista, que também é membro do conselho científico do ILSI Brasil — International Life Institute. Assim, adocicar a rotina além da conta facilita a deposição gordurosa em vários órgãos, principalmente no fígado.

Manchando a reputação da molécula doce, os achados do pesquisador Fernando dos Santos, no InCor, confirmam seu elo com a elevação dos níveis de triglicérides e das taxas de colesterol, além do aumento da pressão arterial e da resistência à insulina em animais. É um combo de encrencas capaz de lesar os vasos sanguíneos e provocar inflamações que servem de gatilho para o entupimento deles.

Ressalte-se, mais uma vez, que todas as provas expostas até agora estão ligadas à ingestão desmedida do ingrediente. Ou seja, penalizar as frutas seria uma injustiça. Ainda mais em uma realidade como a nossa: estima-se que apenas 10% dos brasileiros consumam as cinco porções de vegetais indicadas pela OMS — daí o corpo padece com a falta de fibras, vitaminas, minerais…

O fato é que existe só uma situação que requer quase que a exclusão completa desse açúcar do cardápio: é a chamada intolerância à frutose.

Mas essa é uma condição rara, em que, por questões hereditárias, falta a enzima necessária para processar a substância. De resto, nenhum juiz bateria o martelo contra o pote de mel ou a fruteira.

O veredicto: são inocentes, até que se exagere na dose.

A quantidade de frutose de alguns alimentos*

IndustrializadosXarope de milhode 42 a 55 gMolho barbecue17,5 gCereal matinalde milho com açúcar12,3 gSuco de uva7,3 gCookie de chocolate6,3 gMaionese4,5 gBolinho recheadocom creme2,5 gMolho de tomate

1,6 g

Источник: https://saude.abril.com.br/alimentacao/frutose-um-acucar-sob-suspeita/

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