O que é hipertireoidismo, causas e como é feito o diagnóstico

Hipertireoidismo

O que é hipertireoidismo, causas e como é feito o diagnóstico

Versão original publicada na obra Fochesatto Filho L, Barros E. Medicina Interna na Prática Clínica. Porto Alegre: Artmed; 2013.

Caso Clínico

Uma paciente do sexo feminino, 42 anos, branca e tabagista, procura o serviço de emergência por sentir palpitações. Também apresenta astenia, emagrecimento, tremores nas mãos, sudorese excessiva e aumento do número de evacuações há cerca de cinco meses. A paciente relata que sua irmã tem hipertireoidismo.

Ao realizar exame físico, constata-se exoftalmia, pele quente e úmida, bócio tireoidiano levemente lobulado e com sopro audível, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 150/80 mmHg, lesão de pele tipo placa de coloração violácea e aspecto semelhante ao de casca de laranja na região pré-tibial.

 Em vista do quadro clínico, solicitam-se dosagens séricas de hormônio tireoestimulante (TSH), tiroxina livre (T4L) e tri-iodotironina (T3).

Definição

O hipertireoidismo é o funcionamento excessivo da tireoide, resultando na produção excessiva de hormônio tireoidiano, seja por estímulo tireotrófico ou por função autônoma do tecido tireoidiano. O excesso circulante de hormônio tireoidiano causa a síndrome clínica denominada tireotoxicose.

A tireotoxicose é a síndrome clínica ocasionada devido ao excesso de hormônio tireoidiano circulante, que pode decorrer tanto do funcionamento excessivo da tireoide (hipertireoidismo) quanto da liberação de hormônios tireoidianos por destruição da glândula (tireoidites).

As principais etiologias de tireotoxicose são estados de hipertireoidismo, como os seguintes:

•Doença de Graves

•Bócio multinodular tóxico

•Adenoma tóxico

Epidemiologia

A incidência de hipertireoidismo é mais frequente em mulheres (cinco para cada homem) e em tabagistas. A prevalência geral, que é de aproximadamente 1%, aumenta para 4 a 5% em mulheres idosas. O hipertireoidismo subclínico ocorre em 0,3 a 1% da população e em 2% dos idosos.

Entre as diversas causas de hipertireoidismo, a doença de Graves representa a etiologia mais comum, correspondendo a 60 a 80% dos casos de tireotoxicose. Sua prevalência é incerta, mas estima-se que afete 0,4 a 1% da população. Essa doença é de 5 a 10 vezes mais frequente em pacientes do sexo feminino, sendo seu pico de incidência entre os 20 e os 40 anos.

A prevalência do bócio nodular tóxico é, em geral, maior em áreas com carência de iodo na alimentação, podendo corresponder a mais de 30% dos casos de hipertireoidismo, ao contrário das regiões suficientes em iodo, nas quais a doença de Graves é bem mais prevalente. Além disso, a prevalência de bócio nodular tóxico aumenta com a idade.

Etiologia

As duas causas mais comuns de hipertireoidismo, em ordem decrescente, são a doença de Graves e o bócio nodular tóxico. Nas duas situações, há produção autônoma de hormônios tireoidianos – tri-iodotironina(T3) e tiroxina (T4) –, ou seja, independente do estímulo do hormônio estimulador da tireoide (TSH).

As principais causas de tireotoxicose estão citadas no Quadro 22.1.

Na doença de Graves, imunoglobulinas estimuladoras da tireoide produzidas pelos linfócitos B ligam-se e ativam o receptor de TSH, promovendo secreção de hormônio tireoidiano e crescimento da glândula tireoide. Na Figura 22.1, tem-se um esquema da patogênese do hipertireoidismo na doença de Graves.

O fenômeno de Jod-Basedow é o hipertireoidismo induzido por iodo.

Ele remete especificamente à doença de Graves induzida pelo iodo, mas é utilizado com frequência para fazer referência a qualquer tipo de hipertireoidismo induzido por essa substância.

Esse fenômeno ocorre a partir de dois padrões de disfunção tireoidiana subjacentes: pacientes com bócio nodular com áreas de autonomia e indivíduos com anticorpos antirreceptor do TSH do tipo estimulatório.

A gonadotrofina coriônica humana, uma glicoproteína com alta homologia com o TSH, pode causar hipertireoidismo gestacional transitório. Esse tipo de hipertireoidismo pode também ocorrer na presença de coriocarcinoma, gestação molar ou tumor de células germinativas.

Sinais e Sintomas

A sintomatologia depende da gravidade da tireotoxicose, da duração da doença, da suscetibilidade individual ao excesso de hormônio tireoidiano e da idade do paciente.

Os principais sintomas, sinais e achados de exames complementares, que não os de função tireoidiana, estão citados no Quadro 22.2.

hipertireoidismo apatético: quadro mascarado de tireotoxicose que ocorre em idosos. Caracteriza-se por astenia, emagrecimento, depressão e ausência de sinais simpaticomiméticos, como taquicardia e tremores.

Fonte: Adaptado de Goldman e Ausiello.¹

Crise tireotóxica: síndrome resultante de tireotoxicose grave e sustentada, que pode ser precipitada por doença aguda, cirurgia ou tratamento com iodo radioativo. Caracteriza-se por febre, taquiarritmias atriais, insuficiência cardíaca, náusea e vômito, diarreia e convulsões. Podem haver alterações do estado mental, como agitação, delirium, psicose e coma.

Os achados clínicos, como os que estão a seguir, também podem fornecem uma indicação da causa da tireotoxicose:

Doença de Graves: oftalmopatia e dermopatia são patognomônicos. No Quadro 22.3, constam os achados específicos dessa doença.

Bócio nodular tóxico: um ou mais nódulos discretos podem ser palpados.

Tireoidite subaguda: tireoide modestamente aumentada, muito sensível e firme. Uma gravidez recente sugere a possibilidade de tireoidite indolor. (Ver Capítulo Tireoidites.)

Adenomas hipofisários secretores de TSH: sinais e sintomas decorrentes da presença de uma massa selar expansiva, síndromes associadas a cossecreção de outros hormônios de hipófise anterior (hormônio de cresci mento, prolactina ou hormônio adrenocorticotrófico) ou hipopituitarismo.

Figura 22.1

Esquema da patogênese do hipertireoidismo na doença de Graves.

Diagnóstico

Quando há sintomas clássicos de tireotoxicose, incluindo perda de peso mesmo com muito apetite, intolerância ao calor, palpitações, tremores e hiperdefecação, o diagnóstico clínico é mais fácil. No entanto, ele pode ser dificultado por apresentação de sintomas comuns inespecíficos.

No adenoma hipofisário secretor de TSH, também são evidenciados níveis elevados de subunidade alfa do TSH (Tab. 22.1), bem como tumor hipofisário na tomografia computadorizada ou na ressonância magnética.

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Fonte: Adaptada de Paauw.²

Na Figura 22.2, tem-se um fluxograma para avaliação diagnóstica de pacientes com hipertireodismo.

Confirmado o diagnóstico de tireotoxicose, é importante definir sua causa de base para determinar o tratamento mais adequado.

A presença de anticorpo antirreceptor do TSH (TRAb) é específica para doença de Graves, indicando doença ativa.

A ultrassonografia de tireoide pode confirmar a presença de um nódulo solitário ou múltiplos nódulos tireoidianos. Radiografia e tomografia de tórax podem evidenciar um bócio subesternal.

Na cintilografia de tireoide, a captação de radiotraçador pode ajudar a definir o diagnóstico (Tab. 22.2).

Figura 22.2

Fluxograma para avaliação diagnóstica de pacientes com hipertireoidismo.

diminuído; aumentado; normal.

Fonte: Adaptada de Goldman e Ausiello.¹

Tratamento

Para a escolha do tratamento, deve-se considerar a etiologia de base da tireotoxicose.

As principais modalidades terapêuticas são as seguintes:

Betabloqueadores: ajudam a aliviar as manifestações simpaticomiméticas (p. ex., palpitações, tremores, ansiedade) da tireotoxicose, independente da etiologia de base.

Drogas antitireoidianas: o mecanismo de ação das tionamidas (metimazol e propiltiouracil) está esquematizado na Figura 22.3.

O propiltiouracil e o metimazol inibem a função da tireoperoxidase, reduzindo a oxidação e a organificação do iodo.

Em vista disso, ambos são utilizados para o tratamento de tireotoxicose causada por produção glandular excessiva de hormônio tireoidiano em casos em que há possibilidade de remissão do hipertireoidismo ou quando a tireotoxicose deve ser atenuada antes do tratamento com radioiodo ou cirurgia.

Iodo radioativo: causa destruição progressiva das células tireoidianas e pode ser usado como tratamento inicial ou em recaídas após terapia com drogas antitireoidianas.

Outras drogas: solução de Lugol (potássio iodado), contrastes radiológicos iodados e glicocorticoides são administrados em combinação com tionamidas para tratar pacientes com tireotoxicose grave.

Tratamento cirúrgico: indicado em casos de bócios muito volumosos, presença de sintomas compressivos locais, nódulos com suspeita de malignidade, preferência do paciente, contraindicação a outras terapias.

Os principais efeitos adversos dos tratamentos para tireotoxicose estão listados na Tabela 22.3.

O tratamento da oftalmopatia inclui lágrimas artificiais, óculos escuros, cabeceira da cama elevada e tam pões oculares para dormir, glicocorticoides, irradiação da órbita, cirurgia.

O tratamento da dermopatia da doença de Graves inclui curativos com glicocorticoides tópicos.

Figura 22.3

Mecanismo de ação das tionamidas.

Caso Clínico Comentado

O caso relatado neste capítulo é caracterizado por achados clássicos de hipertireoidismo e especificamente de doença de Graves. O sopro tireoidiano, a exoftalmia e a lesão pré-tibial (mixedema pré-tibial) são achados típicos dessa doença autoimune. O tabagismo e a história familiar são considerados fatores de risco para doença de Graves.

Níveis suprimidos de TSH e elevados de T4 livre e T3 confirmaram o diagnóstico de hipertireoidismo, e presença de anticorpos antirreceptor do TSH (TRAb) e captação difusamente aumentada e homogênea de radiotraçador na cintilografia de tireoide corroboraram para o diagnóstico clínico de doença de Graves.

Com relação ao tratamento da doença de Graves, de 10 a 20% dos pacientes apresentam remissão espontânea, e cerca de 50% tornam-se hipotireóideos após 20 a 30 anos sem qualquer tratamento (por destruição da tireoide pelo processo autoimune).

Referências

1.Goldman L, Ausiello D, editors. Cecil medicine. 23rd. ed. Philadelphia: Saunders; 2008.

2.Paauw D, editor. Basic boards 2: enhancement to MKSAP. Philadelphia: ACP; 2009.

Leituras Recomendadas

Bandeira F, Graf H, Griz L, Faria M, Lazaretti-Castro M, editores. Endocrinologia e diabetes. 2. ed. Rio de Janeiro: Medbook; 2009.

Gregory A. Clinical practice. Graves’ disease. N Engl J Med.2008;358(24):2594-605.

Kasper D, Fauci A, Longo DL, Braunwald E, Hauser SL, Jameson JL, editor. Harrison´s principles of internal medicine. 16th ed. New York:McGraw-Hill; 2005.

Kronenberg HM, Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR, editors. Williams tratado de endocrinologia. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010.

Pearce EN. Diagnosis and management of thyrotoxicosis. BMJ.2006;332(7554):1369-73.

Vilar L, editor. Endocrinologia clínica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.

Warrell DA, Cox TM, Firth JD, Benz EJ Jr, editors. Oxford textbook of medicine. 4th ed. Oxford: Oxford University; 2005.

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5607/hipertireoidismo.htm

Hipertireoidismo e Hipotireoidismo

O que é hipertireoidismo, causas e como é feito o diagnóstico

Hipertireoidismo e hipotireoidismo são doenças que incidem mais nas mulheres. Conheça os sintomas de cada uma das condições.

A tireoide é uma glândula endócrina importantíssima para o funcionamento harmônico do organismo. Os hormônios liberados por ela, T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina), estimulam o metabolismo, isto é, o conjunto de reações necessárias para assegurar todos os processos bioquímicos do organismo.

Veja também: Leia aqui uma entrevista sobre essas duas condições

Os principais distúrbios da tireoide são o hipotireoidismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) e o hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios), doenças que incidem mais nas mulheres do que nos homens. A tireoide também pode ser afetada por nódulos tireoidianos.

Sintomas do hipotireoidismo e do hipertireoidismo 

a) Hipotireoidismo

  • Cansaço;
  • Depressão;
  • Adinamia (falta de iniciativa);
  • Pele seca e fria;
  • Prisão de ventre;
  • Diminuição da frequência cardíaca;
  • Decréscimo da atividade cerebral;
  • Voz mais grossa como a de um disco em baixa rotação;
  • Mixedema (inchaço duro);
  • Diminuição do apetite;
  • Sonolência;
  • Reflexos mais vagarosos;
  • Intolerância ao frio;
  • Alterações menstruais e na potência e libido dos homens.

b) Hipertireoidismo

  • Hiperativação do metabolismo;
  • Nervosismo e irritação;
  • Insônia;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Intolerância ao calor;
  • Sudorese abundante;
  • Taquicardia;
  • Perda de peso resultante da queima de músculos e proteínas;
  • Tremores;
  • Olhos saltados;
  • Bócio;
  • Comprometimento da capacidade de tomar decisões equilibradas.

Causas do hipotireoidismo e do hipertireoidismo

a) Hipotireoidismo

  • Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que provoca a redução gradativa da glândula;
  • Falta ou excesso de iodo na dieta.

b) Hipertireoidismo

  • Doença de Graves, doença hereditária que se caracteriza pela presença de um anticorpo no sangue que estimula a produção excessiva dos hormônios tireoidianos;
  • Bócio com nódulos que produzem hormônios tireoidianos sem a interferência do TSH, hormônio produzido pela hipófise.

Diagnóstico de hipotireoidismo e do hipertireoidismo

O diagnóstico pode ser feito pela dosagem do hormônio TSH produzido pela hipófise e dos hormônios T3 e T4 produzidos pela tireoide.

Níveis elevados de TSH e baixos dos hormônios da tireoide caracterizam o hipotireoidismo. TSH baixo e alta dosagem de hormônios da tireoide caracterizam o hipertireoidismo.

Tratamento do hipotireoidismo e do hipertireoidismo

Em ambos os casos o tratamento deve ser introduzido assim que o problema é diagnosticado e depende da avaliação das causas da doença em cada paciente.

No hipotireoidismo, deve começar de preferência na fase subclínica com a reposição do hormônio tireoxina que a tireoide deixou de fabricar. Como dificilmente a doença regride, ele deve ser tomado por toda a vida, mas os resultados são muito bons.

No hipertireoidismo, o tratamento pode incluir medicamentos, iodo radioativo e cirurgia e depende das características e causas da doença. Deve começar logo e ser prescrito principalmente na terceira idade a fim de evitar a ocorrência de arritmias cardíacas, hipertensão, fibrilação, infarto e osteoporose.

Recomendações

  • Não se assuste com a ideia de epidemia de problemas na tireoide. Avanço nas técnicas de diagnóstico explica o aumento do número de casos;
  • A ingestão regular do iodo contido no sal de cozinha evita a formação de bócio;
  • A dosagem do TSH deve ser medida depois dos 40 anos com regularidade;
  • Hormônios tireoidianos não devem ser tomados nos regimes para emagrecer (produzem maior queima dos músculos do que de gordura);
  • Procure adotar uma dieta alimentar equilibrada. É engano imaginar que o hipotireoidismo seja fator responsável pelo ganho de peso, porque as pessoas costumam ter menos fome quando estão com menor produção dos hormônios tireoidianos;
  • Atividade física regular é indicada nos casos de hipotireoidismo, mas contraindicada para pacientes com hipertireoidismo;
  • Fumar é desaconselhável nos dois casos;
  • Não minimize o mau funcionamento da tireoide. Discuta com o médico a melhor forma de tratamento para seu caso e siga suas orientações.

Perguntas frequentes sobre hipotireoidismo e hipertireoidismo

Hipertireoidismo tem cura? E o hipotireoidismo?

Tanto o hipo como o hipertireoidismo podem ter cura, mas depende da causa. O hipertireoidismo causado pela doença de Graves, por exemplo, tem tratamento, mas não cura.

É verdade que quem tem hipotireoidismo engorda e quem tem hipertireoidismo emagrece?

De fato, o processo metabólico de quem tem hipotireoidismo é mais lento; portanto, a pessoa pode ganhar um pouco de peso. No entanto, o ganho em geral é discreto ou nem chega a ocorrer.

No hipertireoidismo acontece o contrário: a tireoide produz um excesso de hormônios, o que acelera o metabolismo e gera perda de peso, que pode ser acentuado.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/hipertireoidismo-e-hipotireoidismo/

Hipertireoidismo: o que é, causas e diagnóstico

O que é hipertireoidismo, causas e como é feito o diagnóstico

O hipertireoidismo é uma condição caracterizada pela produção excessiva de hormônios pela tireoide, levando ao desenvolvimento de alguns sinais e sintomas, como ansiedade, tremores nas mãos, suor excessivo, inchaço das pernas e pés e alterações no cilo menstrual, no caso das mulheres.

Essa situação é mais comum de acontecer em mulheres entre 20 e 40 anos, apesar de também poder ocorrer em homens, e normalmente está associada à doença de Graves, que é uma doença autoimune em que o próprio organismo produz anticorpos contra a tireoide. Além da doença de Graves, o hipertireoidismo pode também ser resultado do consumo excessivo de iodo, superdosagem de hormônios tireoidianos ou ser devido à presença de nódulo na tireoide.

É importante que o hipertireoidismo seja identificado e tratado de acordo com a recomendação do endocrinologista para que seja possível aliviar os sinais e sintomas relacionados com a doença.

Causas de hipertireoidismo

O hipertireoidismo acontece devido ao aumento da produção de hormônios pela tireoide, o que acontece principalmente devido à doença de Graves, que é uma doença autoimune em que as próprias células do sistema imunológico atuam contra a tireoide, o que tem como efeito o aumento da produção de quantidades excessivas de hormônios. Conheça mais sobre a doença de Graves.

Além da doença de Graves, outras situações que podem levar ao hipertireoidismo são:

  • Presença de nódulos ou cistos na tireoide;
  • Tireoidite, que corresponde à inflamação da glândula tireoide, que pode acontecer no pós-parto ou devido à infecção por vírus;
  • Dose excessiva de hormônios tireoidianos;
  • Consumo excessivo de iodo, que é essencial para formação dos hormônios tireoidianos.

É importante que a causa do hipertireoidismo seja identificada, pois dessa forma o endocrinologista pode indicar o tratamento mais adequado.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do hipertireoidismo é possível através da dosagem no sangue dos hormônios relacionados com a tireoide, sendo indicada a avaliação dos níveis de T3, T4 e TSH. Estes exames devem ser realizados, de 5 em 5 anos a partir dos 35 anos de idade, principalmente em mulheres, mas pessoas que possuem maior risco de desenvolver a doença devem realizar este exame a cada 2 anos.

Em alguns casos, o médico pode indicar também a realização de outros exames que avaliam a função da tireoide, como dosagem de anticorpos, ultrassonografia da tireoide, autoexame e, em alguns casos, biópsia da tireoide. Conheça os exames que avaliam a tireoide.

Hipertireoidismo subclínico

O hipertireoidismo subclínico é caracterizado pela ausência de sinais e sintomas indicativos de alteração na tireoide, no entanto no exame de sangue pode ser identificado TSH baixo e T3 e T4 estão com valores normais. 

Neste caso, a pessoa deverá realizar novos exames dentro de 2 a 6 meses para verificar a necessidade da toma de medicamentos, isso porque normalmente não é necessário realizar nenhum tratamento, ficando este apenas reservado para quando existem sintomas.

Principais sintomas

Devido à maior quantidade de hormônios da tireoide circulantes no sangue, é possível que surjam alguns sinais e sintomas como:

  • Aumento dos batimentos cardíacos;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Alterações o ciclo menstrual;
  • Insônia;
  • Perda de peso;
  • Tremor das mãos;
  • Suor excessivo;
  • Inchaço nas pernas e pés.

Além disso, há maior risco de osteoporose devido à perda mais rápida de cálcio pelos ossos. Confira outros sintomas de hipertireoidismo.

Hipertireoidismo na gravidez

O aumento dos hormônios da tireoide na gravidez pode causar complicações como eclâmpsia, aborto, parto prematuro, baixo peso ao nascer além de insuficiência cardíaca na mulher.

As mulheres que tinham valores normais antes de engravidar e que foram diagnosticadas com hipertireoidismo logo no início até o final do primeiro trimestre de gravidez, normalmente, não precisam realizar nenhum tipo de tratamento porque é normal um ligeiro aumento de T3 e T4 durante a gestação. No entanto, o médico poderá indicar remédios para normalizar o T4 no sangue, sem prejudicar o bebê.

A dose do medicamento varia de uma pessoa para outra e nem sempre a primeira dose indicada pelo obstetra é a que se mantém, durante o tratamento, porque pode ser necessário ajustar a dose, após 6 a 8 semanas após o início do uso do remédio. Saiba mais sobre o hipertireoidismo na gravidez.

Tratamento para hipertireoidismo

O tratamento para hipertireoidismo deve ser feito de acordo com a orientação do endocrinologista, que leva em consideração os sinais e sintomas apresentados pela pessoa, causa do hipertireoidismo e níveis dos hormônios no sangue. Dessa forma, o médico pode indicar o uso de medicamentos como Propiltiouracil e Metimazol, uso do iodo radioativo ou remoção da tireoide através de cirurgia.

A retirada da tireoide só é indicada em último caso, quando os sintomas não desaparecem e não é possível regular a tireoide alterando a dose dos remédios. Entenda como é feito o tratamento para hipertireoidismo.

Confira algumas dicas no vídeo a seguir que podem ajudar a tratar o hipertireoidismo:

Источник: https://www.tuasaude.com/hipertireoidismo/

Laboratório Richet

O que é hipertireoidismo, causas e como é feito o diagnóstico

25.05.2019

A tireoide é uma glândula que produz hormônios responsáveis pelo controle do organismo.

Fica localizada na parte anterior do pescoço (na frente dos anéis da traqueia), entre o pomo de adão e a base do pescoço, e é tipicamente representada por uma borboleta, por conta de seu formato semelhante a uma letra H, tendo um istmo central e dois lobos, um de cada lado.

Vale destacar também que, em relação a outros órgãos do corpo humano, a tireoide é relativamente pequena, mas é uma das maiores glândulas: pode chegar a até 25 gramas em uma pessoa adulta.

É ela a responsável por produzir os chamados hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina).

A glândula tireoidiana e seus hormônios atuam em todos os sistemas do nosso organismo, regulando funções de importantes órgãos como o coração, o cérebro, o fígado e os rins.

Ela age em diversos controles e ciclos, como os batimentos cardíacos, os movimentos intestinais, a capacidade de concentração do cérebro, o tônus da musculatura, a regulação dos ciclos menstruais, a fertilidade e a respiração celular.

Controla, também, o armazenamento e a utilização de iodo e cálcio. Desta forma, a tireoide pode interferir diretamente no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, bem como numa série de atividades do corpo, como peso, memória, concentração e até mesmo humor e controle emocional.

Problemas na tireoide podem aparecer em qualquer fase da vida, desde o recém-nascido ao idoso, assim como em homens e mulheres. Por isso é fundamental que ela esteja em perfeito estado de funcionamento, para garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo. Quando a glândula não funciona corretamente, ocorrem os chamados distúrbios da tireoide.

Veja também:

 Tireoide: 10 mitos e verdades que você precisa saber 

 Saiba o que é a hipercolesterolemia familiar

 Diabetes: sintomas, fatores de risco, tipos e tratamento

Hipertireoidismo, hipotireoidismo e bócio

Como dissemos acima, os distúrbios da tireoide ocorrem quando a glândula deixa de funcionar corretamente. Esse problema no seu funcionamento faz com que ela possa vir a produzir mais ou menos hormônios do que o normal.

Em outras palavras, quando a tireoide não funciona de maneira correta, ela pode liberar hormônios em excesso (o hipertireoidismo) ou em quantidade insuficiente (o hipotireoidismo).

Em ambas as situações, o volume da glândula pode aumentar, o que é conhecido como bócio.

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo se desenvolve quando há uma produção excessiva dos hormônios da tireoide (T3 e T4), ou seja, quando a produção é maior do que o corpo necessita para desempenhar suas atividades. Nessa condição, tudo no nosso corpo começa a funcionar rápido demais: o coração acelera, o intestino solta.

A pessoa começa a dormir pouco, fica agitada, ansiosa, falando e gesticulando muito. É como se o organismo tentasse estimular cada vez mais o indivíduo, por perceber que ele está com bastante “combustível”.

Uma característica comum é que, nessas circunstâncias, a pessoa se sente com muita energia, mas ao mesmo tempo se sente muito exaurida.

Em sua forma mais branda, o hipertireoidismo pode apenas manifestar sintomas que não são específicos, como fraqueza e sensação de desconforto, ou até mesmo não apresentar quaisquer sintomas perceptíveis. Mas o hipertireoidismo pode ser extremamente grave e pode colocar em risco a vida da pessoa.

  • Sintomas do hipertireoidismo
  • – Aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia) e aumento da pressão arterial;
  • – Irregularidade no ritmo cardíaco (arritmia), principalmente em pacientes com mais de 60 anos;
  • – Nervosismo, ansiedade e irritabilidade;
  • – Sensação de muita energia, mas de muito cansaço ao mesmo tempo;
  • – Dificuldade de dormir;
  • – Mãos trêmulas e sudoreicas;
  • – Aumento de apetite;
  • – Calor e transpiração (sudorese) excessivos;
  • – Queda de cabelo;
  • – Crescimento rápido e descamação das unhas;
  • – Fraqueza muscular;
  • – Intestino solto;
  • – Perda de peso acentuada;
  • – Perda acelerada de cálcio dos ossos, com aumento do risco de osteoporose e fraturas
  • – Em mulheres, pode causar alterações no período menstrual e aumento da probabilidade de aborto;
  • – Em pacientes com a Doença de Graves pode ocorrer olhar fixo, protusão dos olhos (olhos salientes, proeminentes), com ou sem visão dupla.

Hipotireoidismo

É justamente o oposto do hiper: é a produção insuficiente de hormônios, em quantidade menor que o corpo necessita para desempenhar suas atividades de maneira adequada.

Com a falta dos hormônios tireoidianos, tudo começa a funcionar mais lentamente: o coração bate mais devagar, o intestino prende e o crescimento (da criança e do adolescente) pode ser comprometido.

É como se o organismo tentasse “frear” o indivíduo, por perceber que ele não tem “combustível” suficiente a ser gasto e precisa economizar.

  • Sintomas do hipotireoidismo
  • – Diminuição dos batimentos cardíacos;
  • – Diminuição da capacidade de memorização;
  • – Cansaço excessivo;
  • – Dores musculares e articulares;
  • – Sonolência;
  • – Intestino preso;
  • – Pele seca e queda de cabelo;
  • – Ganho de peso;
  • – Aumento nos níveis de colesterol no sangue;
  • – Depressão;
  • – Em mulheres, pode ocorrer menstruação irregular;
  • – Em crianças e adolescentes, pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento.

Bócio

O bócio é um aumento no volume da tireoide, e pode ocorrer tanto no hipertireoidismo como no hipotireoidismo. Pode ser detectado facilmente, através do autoexame.

Nódulos de Tireoide

Um dos problemas mais frequentes da tireoide são os nódulos, que não apresentam manifestações sintomáticas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), calcula-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida, não necessariamente malignos: somente 5% destes nódulos são potencialmente cancerosos.

Embora seja um percentual relativamente pequeno, é preciso ter muita atenção, e recomenda-se a palpação da tireoide, um autoexame simples e fácil de ser feito.

A identificação precoce de um nódulo pode salvar a vida da pessoa, pois, uma vez reconhecido o nódulo, o médico endocrinologista solicitará exames para confirmar a presença ou não de câncer e, se necessário, iniciar o tratamento adequado.

Um dado estatístico importante é que cerca de 10% das mulheres acima de 40 anos, e 20% das que possuem mais de 60, manifestam algum problema na tireoide.

Ainda que não tenha sido descoberta a razão do mau funcionamento da glândula ocorrer aparentemente com mais frequência entre o sexo feminino, os endocrinologistas orientam que mulheres acima dos 40 anos façam o autoexame da tireoide com frequência.

Porém, como já mencionamos acima, é importante estar atento, já que todas as pessoas, independente de idade ou sexo, estão sujeitas a alterações na glândula tireoidiana.

Autoexame da Tireoide

Para realizar o autoexame, você precisará de um copo com água e um espelho (preferencialmente de mão, para segurar mais próximo ao corpo).

  • 1. Segure o espelho e procure no seu pescoço a tireoide, na região logo abaixo do Pomo de Adão (popularmente conhecido como gogó; não confunda-o com a glândula tireoidiana);
  • 2. Estenda a cabeça para trás, de modo que esta região da base do seu pescoço fique exposta. Focalize-a com o espelho;
  • 3. Olhando para o espelho (com ele voltado para a sua tireoide), beba um gole de água e engula;
  • 4. Você perceberá que, com o ato de engolir, a tireoide vai subir e descer. Neste movimento, observe se há alguma protrusão (saliência, proeminência) ou nódulo. Repita o teste várias vezes até se certificar. Ao notar qualquer alteração, procure seu endocrinologista.

Diagnóstico

O diagnóstico dos distúrbios da tireoide pode ser feito com exames que detectam os níveis de TSH (hormônio estimulante da tireoide), e os hormônios T3 e T4. O diagnóstico também pode ser feito através de exame de imagem, com a ultrassonografia com doppler. O Doppler numa análise mais profunda, pois acrescenta mais dados aos exames.

Como o hipotireoidismo também afeta recém-nascidos, a disfunção, nestes casos, é diagnosticada pelo conhecido Teste do Pezinho.

No Richet Medicina & Diagnóstico, você encontra todos os exames disponíveis para diagnóstico de disfunções tireoidianas. Clique nos links abaixo para saber mais sobre os exames disponíveis e realizar seu agendamento:

Exames Tireoide: clique aqui

Exames níveis TSH: clique aqui

Exames níveis T3: clique aqui

Exames níveis T4: clique aqui

Teste do Pezinho: clique aqui

  • Atenção: uma vez identificada a disfunção, o tratamento deve ser iniciado imediatamente.

Tratamento

É importante frisar que o tratamento da doença de tireoide depende do tipo de distúrbio: o tratamento pode incluir apenas acompanhamento clínico, bem como o uso de medicamentos, porém também pode exigir iodoterapia ou até mesmo cirurgia.

Seja qual for a disfunção, é preciso seguir exatamente as recomendações e prescrições médicas, para evitar complicações mais graves.

Dia Internacional da Tireoide – 25 de maio

Para conscientizar a população sobre as doenças da tireoide e os cuidados necessários, foi criado o Dia Internacional da Tireoide, celebrado sempre no mês de maio, dia 25.

 A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e o Departamento de Tireoide realizam atividades durante todo o mês, através de divulgação de informações importantes sobre a glândula.

Para informações e agendamento de exames, entre em contato através de nossos canais de comunicação direta:

– Central de Relacionamento: (21) 3184-3000

– Contato Site: www.richet.com.br/contato-cliente/

– Coleta Domiciliar: www.richet.com.br/agendamento-de-exames/

– Chat Online: http://bit.ly/Chat_Online_Richet

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Fontes: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

EnM Endocrinology and Metabolism

Источник: https://www.richet.com.br/clientes/novidades/tireoide-hipertireoidismo-hipotireoidismo-o-que-sao-causas-sintomas-tratamento-e-diagnostico/

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