O que é hipertireoidismo subclínico, causas, diagnóstico e tratamento

Hipotireoidismo Subclínico: sintomas e tratamento

O que é hipertireoidismo subclínico, causas, diagnóstico e tratamento

Hipotireoidismo é o nome da doença provocada pelo funcionamento deficiente da glândula tireoide, responsável pela produção de hormônios que controlam o nosso metabolismo.

O hipotireoidismo subclínico, foco deste artigo, é uma forma branda de hipotireoidismo, geralmente sem sintomas, mas já detectável através de exames laboratoriais.

Funcionamento da tireoide normal

A tireoide é um órgão localizado na base do pescoço, que tem como função produzir os hormônios responsáveis por controlar a velocidade do nosso metabolismo. Os hormônios da tireoide são chamados de triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). Um aumento da concentração sanguínea desses hormônios acelera nosso metabolismo; já uma redução causa efeito contrário, letificando-o.

Hipotireoidismo é a doença provocada pela falta de T3 e T4, enquanto que hipertireoidismo é a doença provocada pelo seu excesso.

O funcionamento da tireoide e, consequentemente, a produção de T3 e T4 são controlados por outro hormônio, chamado TSH, produzido na glândula hipófise do cérebro.

Portanto, de forma bem simplificada, quando o organismo precisa acelerar seu metabolismo, o cérebro aumenta a liberação de TSH, que por sua vez estimula a tireoide a produzir T3 e T4. Por outro lado, se o corpo precisa desacelerar o metabolismo, a liberação de TSH cai e a tireoide passa a produzir menos T3 e T4.

A liberação de TSH é feita de forma bem controlada, de forma a manter a tireoide produzindo somente a quantidade de T3 e T4 necessárias, sem provocar excesso ou carência destes hormônios.

Funcionamento da tireoide

A compreensão deste mecanismo é essencial para se entender o que é o hipotireoidismo subclínico. Se você achou essa explicação muito confusa e precisa de mais informações, sugiro a leitura do texto: TSH E T4 LIVRE | Exames da tireoide.

O que é hipotireoidismo subclínico?

No hipotireoidismo clássico o paciente costuma ter níveis baixos de T3 e T4 e níveis elevados de TSH. Isso ocorre porque os pacientes possuem uma glândula tireoide doente, incapaz de produzir mais hormônios, mesmo que estimulada por níveis elevados de TSH. Por mais que a hipófise aumente a liberação de TSH, a tireoide mostra-se incapaz de responder a este hormônio.

Em boa parte destes pacientes a doença é progressiva, sendo, com o passar do tempo, necessários níveis cada vez maiores de TSH para que a tireoide se mantenha funcionando adequadamente.

A doença progride até o ponto onde a glândula está tão doente que já não é mais capaz de produzir quantidades mínimas de hormônios, mesmo quando estimulada por níveis bem elevados de TSH. Neste momento, o paciente já não apresenta mais hipotireoidismo subclínico, mas sim hipotireoidismo franco.

O hipotireoidismo subclínico é uma espécie de “pré-hipotireoidismo”, uma fase anterior ao surgimento do hipotireoidismo franco.

A tireoide está doente, mas ainda é capaz de produzir hormônios tireoidianos se estimulada por níveis elevados de TSH.

Então, temos uma situação onde o paciente apresenta níveis de TSH acima do normal, mas seus níveis de T4 e T3 ainda estão normais (na prática clínica, só precisamos dosar os níveis sanguíneos de T4 livre, como explicarei mais à frente).

Cerca de 5 a 10% da população é portadora de hipotireoidismo subclínico, boa parte dela desconhece tal situação. O hipotireoidismo subclínico é mais comum em mulheres do que em homens. A incidência também é maior em brancos e em idosos. As causas são basicamente as mesmas do hipotireoidismo franco, sendo a tireoidite de Hashimoto a principal.

Diagnóstico

O hipotireoidismo subclínico é um diagnóstico laboratorial, pois, uma vez que o paciente ainda tenha níveis normais de hormônios da tireoide, ele não apresenta nenhum (ou quase nenhum) sintoma.

Como já dito acima, o paciente com hipotireoidismo subclínico possui níveis normais de T4 livre e níveis elevados de TSH, em geral entre 5 e 10 mU/L (alguns locais usam 4,5 e 15 mU/L como limites).

Habitualmente, quando o TSH já está muito acima de 10 mU/L, o paciente já não tem mais hipotireoidismo subclínico, pois o T4 livre costuma estar baixo e o paciente já apresenta sintomas de hipotireoidismo.

Portanto, o hipotireoidismo subclínico geralmente apresenta TSH elevado, mas nunca muito superior a 10 ou 15 mU/L.

Sintomas

É importante salientar que para ser considerado hipotireoidismo subclínico, o paciente não pode ter sintomas francos de hipotireoidismo.

No hipotireoidismo subclínico, os níveis de T4 livre são normais e o paciente apresenta, quando muito, apenas sintomas brandos e inespecíficos, como um leve cansaço, uma discreta falta de vontade para realizar tarefas ou uma pequena intolerância ao frio. Todos estes sintomas são comuns e podem ocorrer a qualquer um determinados momentos da vida, principalmente em períodos de estresse, excesso de trabalho, início de viroses, etc.

Portanto, no hipotireoidismo subclínico não há sintomas clínicos relevantes que ajudem no diagnóstico. O diagnóstico só pode ser feito com exames laboratoriais.

Progressão do hipotireoidismo subclínico para hipotireoidismo franco

Uma grande parte dos pacientes com hipotireoidismo subclínico, eventualmente, irão desenvolver hipotireoidismo franco. Estudos mostram que após 10 a 20 anos até 55% dos paciente com hipotireoidismo subclínico já terão evoluído para a forma completa da doença.

O risco de progressão está relacionado com a concentração inicial de TSH (pacientes com valores mais elevados de TSH, entre 12 e 15 mU/L possuem maior risco) e a presença de anticorpos contra a tireoide, como o anti-TPO.

A doença de base também tem elevada influência no risco de evolução para hipotiroidismo franco.

Os pacientes com doença autoimune da tiroide, como tireoidite de Hashimoto, ou que tenham recebido radioiodoterapia ou radioterapia em altas doses tendem a evoluir para hipotireoidismo.

A recuperação espontânea também tem sido descrita em pacientes com hipotireoidismo subclínico, embora a frequência real desse fenômeno ainda não esteja totalmente esclarecida.

Há pacientes com critérios para hipotireoidismo subclínico que, após alguns anos, apresentam normalização dos exames laboratoriais sem que nenhum tratamento tenha sido estabelecido.

Em geral, são pacientes com TSH persistentemente menor que 10 mU/L e com pesquisa negativa para anticorpos contra a tireoide.

Como boa parte dos pacientes com hipotireoidismo subclínico é assintomática, muitos deles podem desenvolver o problema, não tomar conhecimento, e após alguns anos curar-se espontaneamente, novamente sem tomar ciência da situação. Estes casos, obviamente, não viram estatísticas, o que dificulta a determinação da real incidência da cura espontânea do hipotireoidismo subclínico.

Consequências

Apesar de não provocar sintomas e de, em alguns casos, desaparecer espontaneamente, o hipotireoidismo subclínico não parece ser um problema totalmente inócuo.

Há vários estudos que sugerem uma relação entre hipotireoidismo subclínico e um maior risco de doenças cardiovasculares, como angina e infartos, principalmente nos pacientes com TSH maior que 10 mU/L.

Pacientes com hipotireoidismo subclínico também costumam apresentar níveis de colesterol mais elevados que a população geral.

Tratamento

Além dos problemas cardiovasculares, os pacientes com hipotireoidismo subclínico, principalmente aqueles com TSH mais elevado, apresentam também maior risco de esteatose hepática.

A maior dúvida que nos deparamos ao diagnosticar um hipotireoidismo subclínico é quanto à necessidade ou não de iniciar tratamento com levotiroxina, a forma sintética do hormônio T4 (leia: LEVOTIROXINA (Puran T4) – Indicações e Efeitos Colaterais).

Atualmente, nenhum trabalho mostrou benefícios relevantes do uso de levotiroxina nos pacientes assintomáticos com TSH entre 4,5 e 10 mU/L. O tratamento do hipotireoidismo subclínico nestes casos é bem controverso.

Os que defendem o uso da levotiroxina argumentam que não há dados que demonstrem haver danos com a reposição do hormônio, além da possibilidade de melhora de sintomas não previamente reconhecidos, como cansaço e alterações discretas do humor.

O consenso atual, porém, recomenda apenas a monitorização dos níveis de TSH a cada 6 a 12 meses neste grupo de pacientes, a não ser que o paciente tenha sintomas que possam ser facilmente atribuídos ao hipotireoidismo.

Em algumas situações, a decisão de não tratar não é tão simples. Isso inclui os pacientes com colesterol elevado, alto risco de doenças cardiovasculares ou com anticorpos positivos contra a tireoide. Mulheres que querem engravidar e não conseguem também podem apresentar melhora da fertilidade se tratadas com levotiroxina.

Nos pacientes com hipotireoidismo subclínico e TSH acima de 10 mU/L a controvérsia é bem menor. A maiorias das sociedades internacionais de endocrinologia recomendam o uso de levotiroxina nestes casos, pois o tratamento ajuda a prevenir a progressão para hipotireoidismo franco.

A dose da levotiroxina deve ser sempre a menor possível capaz de manter o TSH entre os valores de 0,5 e 2,5 mU/L nos pacientes jovens e 3 a 5 mU/L nos pacientes idosos.

Hipotireoidismo subclínico na gravidez

Durante a gravidez, a fisiologia dos hormônios da tireoide altera-se completamente, fazendo com que os valores normais de TSH sejam diferentes neste grupo.

Durante o primeiro trimestre de gravidez, hipotiroidismo subclínico é definido como valores de T4 livre normais associados a um TSH acima de 2,5 mU/L.

No segundo e no terceiro trimestre consideramos hipotiroidismo subclínico valores de TSH acima de 3 mU/L.

Como os hormônios tireoidianos são essenciais para o desenvolvimento neurológico do feto, o consenso atual é tratar todas as gestantes que tenham critérios para hipotireoidismo subclínico.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/endocrinologia/hipotireoidismo-subclinico/

Hipertireoidismo

O que é hipertireoidismo subclínico, causas, diagnóstico e tratamento

Versão original publicada na obra Fochesatto Filho L, Barros E. Medicina Interna na Prática Clínica. Porto Alegre: Artmed; 2013.

Caso Clínico

Uma paciente do sexo feminino, 42 anos, branca e tabagista, procura o serviço de emergência por sentir palpitações. Também apresenta astenia, emagrecimento, tremores nas mãos, sudorese excessiva e aumento do número de evacuações há cerca de cinco meses. A paciente relata que sua irmã tem hipertireoidismo.

Ao realizar exame físico, constata-se exoftalmia, pele quente e úmida, bócio tireoidiano levemente lobulado e com sopro audível, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 150/80 mmHg, lesão de pele tipo placa de coloração violácea e aspecto semelhante ao de casca de laranja na região pré-tibial.

 Em vista do quadro clínico, solicitam-se dosagens séricas de hormônio tireoestimulante (TSH), tiroxina livre (T4L) e tri-iodotironina (T3).

Definição

O hipertireoidismo é o funcionamento excessivo da tireoide, resultando na produção excessiva de hormônio tireoidiano, seja por estímulo tireotrófico ou por função autônoma do tecido tireoidiano. O excesso circulante de hormônio tireoidiano causa a síndrome clínica denominada tireotoxicose.

A tireotoxicose é a síndrome clínica ocasionada devido ao excesso de hormônio tireoidiano circulante, que pode decorrer tanto do funcionamento excessivo da tireoide (hipertireoidismo) quanto da liberação de hormônios tireoidianos por destruição da glândula (tireoidites).

As principais etiologias de tireotoxicose são estados de hipertireoidismo, como os seguintes:

•Doença de Graves

•Bócio multinodular tóxico

•Adenoma tóxico

Epidemiologia

A incidência de hipertireoidismo é mais frequente em mulheres (cinco para cada homem) e em tabagistas. A prevalência geral, que é de aproximadamente 1%, aumenta para 4 a 5% em mulheres idosas. O hipertireoidismo subclínico ocorre em 0,3 a 1% da população e em 2% dos idosos.

Entre as diversas causas de hipertireoidismo, a doença de Graves representa a etiologia mais comum, correspondendo a 60 a 80% dos casos de tireotoxicose. Sua prevalência é incerta, mas estima-se que afete 0,4 a 1% da população. Essa doença é de 5 a 10 vezes mais frequente em pacientes do sexo feminino, sendo seu pico de incidência entre os 20 e os 40 anos.

A prevalência do bócio nodular tóxico é, em geral, maior em áreas com carência de iodo na alimentação, podendo corresponder a mais de 30% dos casos de hipertireoidismo, ao contrário das regiões suficientes em iodo, nas quais a doença de Graves é bem mais prevalente. Além disso, a prevalência de bócio nodular tóxico aumenta com a idade.

Etiologia

As duas causas mais comuns de hipertireoidismo, em ordem decrescente, são a doença de Graves e o bócio nodular tóxico. Nas duas situações, há produção autônoma de hormônios tireoidianos – tri-iodotironina(T3) e tiroxina (T4) –, ou seja, independente do estímulo do hormônio estimulador da tireoide (TSH).

As principais causas de tireotoxicose estão citadas no Quadro 22.1.

Na doença de Graves, imunoglobulinas estimuladoras da tireoide produzidas pelos linfócitos B ligam-se e ativam o receptor de TSH, promovendo secreção de hormônio tireoidiano e crescimento da glândula tireoide. Na Figura 22.1, tem-se um esquema da patogênese do hipertireoidismo na doença de Graves.

O fenômeno de Jod-Basedow é o hipertireoidismo induzido por iodo.

Ele remete especificamente à doença de Graves induzida pelo iodo, mas é utilizado com frequência para fazer referência a qualquer tipo de hipertireoidismo induzido por essa substância.

Esse fenômeno ocorre a partir de dois padrões de disfunção tireoidiana subjacentes: pacientes com bócio nodular com áreas de autonomia e indivíduos com anticorpos antirreceptor do TSH do tipo estimulatório.

A gonadotrofina coriônica humana, uma glicoproteína com alta homologia com o TSH, pode causar hipertireoidismo gestacional transitório. Esse tipo de hipertireoidismo pode também ocorrer na presença de coriocarcinoma, gestação molar ou tumor de células germinativas.

Sinais e Sintomas

A sintomatologia depende da gravidade da tireotoxicose, da duração da doença, da suscetibilidade individual ao excesso de hormônio tireoidiano e da idade do paciente.

Os principais sintomas, sinais e achados de exames complementares, que não os de função tireoidiana, estão citados no Quadro 22.2.

hipertireoidismo apatético: quadro mascarado de tireotoxicose que ocorre em idosos. Caracteriza-se por astenia, emagrecimento, depressão e ausência de sinais simpaticomiméticos, como taquicardia e tremores.

Fonte: Adaptado de Goldman e Ausiello.¹

Crise tireotóxica: síndrome resultante de tireotoxicose grave e sustentada, que pode ser precipitada por doença aguda, cirurgia ou tratamento com iodo radioativo. Caracteriza-se por febre, taquiarritmias atriais, insuficiência cardíaca, náusea e vômito, diarreia e convulsões. Podem haver alterações do estado mental, como agitação, delirium, psicose e coma.

Os achados clínicos, como os que estão a seguir, também podem fornecem uma indicação da causa da tireotoxicose:

Doença de Graves: oftalmopatia e dermopatia são patognomônicos. No Quadro 22.3, constam os achados específicos dessa doença.

Bócio nodular tóxico: um ou mais nódulos discretos podem ser palpados.

Tireoidite subaguda: tireoide modestamente aumentada, muito sensível e firme. Uma gravidez recente sugere a possibilidade de tireoidite indolor. (Ver Capítulo Tireoidites.)

Adenomas hipofisários secretores de TSH: sinais e sintomas decorrentes da presença de uma massa selar expansiva, síndromes associadas a cossecreção de outros hormônios de hipófise anterior (hormônio de cresci mento, prolactina ou hormônio adrenocorticotrófico) ou hipopituitarismo.

Figura 22.1

Esquema da patogênese do hipertireoidismo na doença de Graves.

Caso Clínico Comentado

O caso relatado neste capítulo é caracterizado por achados clássicos de hipertireoidismo e especificamente de doença de Graves. O sopro tireoidiano, a exoftalmia e a lesão pré-tibial (mixedema pré-tibial) são achados típicos dessa doença autoimune. O tabagismo e a história familiar são considerados fatores de risco para doença de Graves.

Níveis suprimidos de TSH e elevados de T4 livre e T3 confirmaram o diagnóstico de hipertireoidismo, e presença de anticorpos antirreceptor do TSH (TRAb) e captação difusamente aumentada e homogênea de radiotraçador na cintilografia de tireoide corroboraram para o diagnóstico clínico de doença de Graves.

Com relação ao tratamento da doença de Graves, de 10 a 20% dos pacientes apresentam remissão espontânea, e cerca de 50% tornam-se hipotireóideos após 20 a 30 anos sem qualquer tratamento (por destruição da tireoide pelo processo autoimune).

Leituras Recomendadas

Bandeira F, Graf H, Griz L, Faria M, Lazaretti-Castro M, editores. Endocrinologia e diabetes. 2. ed. Rio de Janeiro: Medbook; 2009.

Gregory A. Clinical practice. Graves’ disease. N Engl J Med.2008;358(24):2594-605.

Kasper D, Fauci A, Longo DL, Braunwald E, Hauser SL, Jameson JL, editor. Harrison´s principles of internal medicine. 16th ed. New York:McGraw-Hill; 2005.

Kronenberg HM, Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR, editors. Williams tratado de endocrinologia. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010.

Pearce EN. Diagnosis and management of thyrotoxicosis. BMJ.2006;332(7554):1369-73.

Vilar L, editor. Endocrinologia clínica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.

Warrell DA, Cox TM, Firth JD, Benz EJ Jr, editors. Oxford textbook of medicine. 4th ed. Oxford: Oxford University; 2005.

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5607/hipertireoidismo.htm

Hipertireoidismo Subclínico: TSH baixo e T4 livre normal

O que é hipertireoidismo subclínico, causas, diagnóstico e tratamento

As disfunções hormonais muito leves são aquelas que não atingem os critérios diagnósticos da forma completa são denominadas formas subclínicas. Elas podem ser assintomáticas e evoluir ou não para a formas clínicas, quando o quadro clínico da disfunção é mais evidente e a vantagem em se tratar é evidente.

Nas formas clínicas das doenças da tireoide, os critérios diagnósticos e indicação de  tratamento são bem estabelecidos, mas já não são assim tão claros nas disfunções subclínicas.

Neste texto, o enfoque será sobre o hipertireoidismo subclínico, que é caracterizado por TSH baixo e T4 livre normal.

Sinais e sintomas das doenças tireoidianas na forma clínica

A decisão de tratar o hipertireoidismo subclínico vem sendo revista nos últimos anos. Não existem estudos clínicos bem desenhados para indicar com segurança quais os pacientes que se beneficiam de tratamento quando a doença tireoidiana é muito leve.

As recomendações das grandes organizações profissionais são baseadas em estudos não randomizados ou opinião de especialistas. Esses dois tipos de estudo têm menor valor na escala de evidência científica e a recomendação que deriva deles é fraca.

Complicações do hipertireoidismo subclínico

O hipertireoidismo subclínico pode estar associado com uma série de problemaspotenciais, principalmente em pessoas acima dos 65 anos e mulheres na pós-menopausa:

  • Doenças cardiovasculares (fibrilação arterial, insuficiência cardíaca, doença coronariana)
  • Perda óssea e fraturas
  • Demência

Nem todos os pacientes precisam ser tratados.

Estudos observaram que o risco desenvolvimento dessas complicações também a progressão para a forma completa da doença é maior nos pacientes que apresentam o TSH menor que 0,1mU/L em qualquer idade quando comparado aos pacientes que tem os valores de TSH entre 0,1 e 0,4 um/L ou em pessoas de mais idade. Dessa forma, o artigo de revisão utilizado aqui como referência resumiu as recomendações sobre o tratamento que serão vistas mais adiante.

Causas do hipertireoidismo subclínico

O hipertireoidismo subclínico pode ser causado por doenças da tireoide (endógeno) – as mesmas que levam à forma clínica – ou pela ingestão maiores quantidades de hormônio tireoidianos (exógeno).

O hipertireoidismo subclínico exógeno é muito mais comum que o endógeno e é resultado do sobretratamento de forma inadvertida ou também intencional para suprimir os níveis de TSH em alguns casos de seguimento de câncer de tireoide. Ainda pode ser causada de forma iatrogênica (que causam mais dano que benefício) pela ingestão de hormônio tireoidiano contido em fórmulas magistrais para emagrecimento.

Antes de dar o diagnóstico de hipertireoidismo subclínico, outras causas de redução de TSH  devem ser afastadas:

  • Primeiro trimestre de gestação
  • Hiperêmese gravídica – náuseas e vômitos intensos durante a gestação
  • Doença psiquiátrica
  • Doenças graves não tireoidianas
  • Administração de medicações que diminuem o TSH, tais como:
    • Dopamina
    • Altas doses de corticoides
    • Dobutamina
    • Análogos de somatostatina
    • Anfetaminas
    • Bromocriptina, utilizada para tratamento de prolactinomas
  • Idade avançada – mudanças do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide em áreas geográficas com deficiência de iodo

Diagnóstico e classificação do hipertireoidismo subclínico

Pacientes mais idosos podem ser assintomáticos. Já os pacientes mais jovens podem ter sintomas de hipertiroidismo como palpitações e tremores além de achados compatíveis com doença tireoidiana como aumento da glândula (bócio) e protusão dos olhos (exoftalmo).

O diagnóstico laboratorial é realizado com a dosagem de TSH, T4 e T3 livres.

Hipertireoidismo sublcínico leve

  • TSH entre o limite inferior do método e ≥ 0,1mU/L
  • T3 e T4 livres normais

Hipertiroidismo subclínico grave

  • TSH < 0,1mU/L
  • T3 e T4 livres normais

É aconselhável repetir os exames hormonais em três meses, já que os valores anormais podem ser transitórios em até metade dos pacientes e no diagnóstico diferencial das tireoidites.

Se confirmados, exames adicionais para determinar a causa, como anticorpos antitireoidianos e exames de imagem devem ser solicitados.

As doenças mais comuns são Doença de Graves e presença de nódulos de tiroide funcionantes.

Avaliação das complicações

Além dos exames para avaliar a tireoide, outros para avaliar o risco associado de doença cardiovascular, tais como eletrocardiograma, holter, ecocardiograma em pacientes com sintomas, especialmente os acima de 65 anos.

Em pacientes que já têm o diagnóstico de fibrilação atrial, deve-se avaliar o risco de tromboembolismo. Uma das formas é o cálculo do escore CHAD₂DS₂ – VASc AVC  para definir necessidade de terapia anticoagulante.

A saúde óssea deve ser avaliada através da densitometria em:

  • Mulheres na pós-menopausa
  • Homens > 65 anos
  • Pacientes com fatores de risco para baixa massa óssea

Tratamento do hipertireoidismo subclínico

Como já comentado, nem todos os casos precisam de tratamento. De acordo com o nível de TSH, idade e fatores de risco, há maior ou menor recomendação de tratar.

A figura abaixo resume algumas recomendações para o tratamento do hipertireoidismo subclínico:

  • nos pacientes com mais de 65 anos e TSH menor que 0,1mU/L , a recomendação é tratar sempre;
  • nos pacientes com mais de 65 anos e TSH entre 0,1mU/L e o limite inferior do método e também nos pacientes mais jovens com TSH

Источник: https://drasuzanavieira.med.br/2019/04/02/hipertireoidismo-subclinico-tsh-baixo-t4-livre-normal/

O que é hipertireoidismo: causas, sintomas, prevenção e tratamento

O que é hipertireoidismo subclínico, causas, diagnóstico e tratamento

O hipertireoidismo é caracterizado por uma disparada na produção dos hormônios da tireoide — a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Esse aumento acelera o metabolismo e causa diferentes sintomas, afetando até as batidas do coração e o funcionamento do sistema nervoso. O tratamento depende de suas causas.

O que é hipertireoidismo

A tireoide é uma glândula em formato de borboleta que fica na região do pescoço e mede cerca de 5 centímetros. Seu funcionamento repercute em todo o organismo e interfere no ritmo dos órgãos. A liberação dos hormônios ocorre a partir de um comando da hipófise, estrutura localizada no cérebro.

Embora seja produzido em menor quantidade, o hormônio T3 é que atua de fato no metabolismo. Já o T4, fabricado em maior volume, é menos potente — e, durante seu trajeto pelo corpo, acaba transformado em T3 para agir nas células.

Com o aumento da quantidade de T3 e T4 na corrente sanguínea, o hipertireoidismo provoca uma aceleração de todo o organismo. O coração, por exemplo, fica agitado e bate mais rápido, o que favorece episódios de taquicardia.

A sobrecarga hormonal também mexe com o cérebro e promove quadros de ansiedade, insônia e nervosismo. A doença ainda pode desregular a digestão e causar intolerância ao calor.

Outra manifestação comum da doença é a exoftalmia, uma alteração nos músculos da parte de trás dos olhos. Não se sabe ainda as causas do problema, mas água e proteínas começam a se acumular no local. Esse volume extra empurra o globo ocular para a frente – o que dá uma impressão de que ele está saltado.

Com o metabolismo acelerado, quem sofre com a disfunção tem um consumo de energia elevado. Para suprir essa constante demanda por combustível, o corpo começa a se desfazer dos estoques de gordura no tecido adiposo. O indivíduo emagrece bastante e de forma rápida.

Um dos gatilhos mais comuns do hipertireoidismo é a doença de Graves, um distúrbio autoimune em que o próprio sistema de defesa ataca a tireoide. Outro motivo da encrenca é a falta de iodo na dieta. Felizmente, esse mineral passou a ser obrigatório no sal de cozinha, o que reduziu o número de casos provocados pela deficiência da substância.

O bócio, um inchaço na altura da garganta, é uma das evidências da falha da tireoide e pode propiciar o hipertireoidismo. O inchaço evidente na região do pescoço é resultado de uma massa que comprime a traqueia e dificulta a respiração.

O quadro, que também está relacionado à falta de iodo, pode ter origem em doenças autoimunes, tumores ou no uso de alguns medicamentos.

Sinais e sintomas

– Olhos saltados

– Taquicardia

– Perda de peso rápida

– Unhas frágeis e quebradiças

– Queda de cabelo

– Agitação

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– Impaciência

– Depressão

Fatores de risco

– Doença de Graves

– Nódulos na tireoide

– Uso irregular de medicamentos contra o hipotireoidismo

– Bócio

A prevenção

O fator alimentar mais importante para a formação dos hormônios T3 e T4 é a ingestão adequada de iodo. Para resguardar a tireoide, são necessários 150 microgramas por dia.

O mineral aparece em boa quantidade no sal de cozinha, em frutos do mar e em peixes como a cavala, o salmão, a pescada e o bacalhau.

O diagnóstico

Além da avaliação clínica e do histórico do paciente, o médico pede exames de sangue para medir as taxas de T3 e T4 na circulação. Se a tireoide estiver acelerada, os hormônios estarão em quantidade elevada.

Geralmente, esses aumentos não são detectados nos primeiros estágios da doença. Para tirar a dúvida, é possível medir os níveis do TSH, hormônio produzido pela hipófise que incentiva o trabalho da tireoide. No hipertireoidismo, o TSH aparece abaixo do normal.

O tratamento

Após o diagnóstico, o endocrinologista leva em consideração as causas do distúrbio, a idade e o estado geral de saúde do paciente para prescrever medicamentos.

Remédios de uso oral bloqueiam a liberação exagerada de hormônios pela tireoide. O esquema de tratamento exige cuidados e um acompanhamento de perto, já que as drogas podem provocar efeitos colaterais na pele e no estômago.

Dependendo do estágio do hipertireoidismo, é possível recorrer à cirurgia para retirar a tireoide ou realizar uma terapia com iodo radioativo, que destrói parte da glândula. Só o especialista poderá definir a melhor estratégia.

Para controlar a exoftalmia, ou a projeção dos olhos, o ideal é procurar o endocrinologista e o oftalmologista. Enquanto o primeiro médico controlará os níveis hormonais, o segundo analisa as estruturas do olho e pode indicar a aplicação de colírios e pomadas lubrificantes que diminuem o desconforto ocular.

Quer um resumo sobre o que é o hipertireoidismo? Nós temos um vídeo sobre isso:

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-hipertireoidismo-causas-sintomas-prevencao-e-tratamento/

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