O QUE É LARVA MIGRANS (Bicho geográfico)?

Ancilostomíase: sintomas, transmissão e tratamento

O QUE É LARVA MIGRANS (Bicho geográfico)?

A ancilostomíase, também conhecida como ancilostomose, amarelão ou doença do Jeca Tatu, é uma doença causada por parasitas nematódeos das espécies Necator americanus e Ancylostoma duodenale.

A doença é contraída quando entramos em contato com solo contaminado por larvas desses nematódeos, que penetram ativamente pela pele. As larvas entram na corrente sanguínea, atingem o sistema respiratório, seguem até a faringe, onde são deglutidas, e continuam seu caminho até o intestino, desenvolvendo-se em vermes adultos.

A doença pode causar anemia, o que leva à apatia e queda de produtividade. Em casos de infecções leves, pode apresentar-se assintomática.

Leia mais: Doenças provocadas por vermes

O que é a ancilostomíase?

A ancilostomíase ou ancilostomose é uma verminose causada por parasitas nematódeos das espécies Necator americanus e Ancylostoma duodenale. Esses animais apresentam de um a dois centímetros de comprimento e alojam-se no intestino, desencadeando complicações, como a anemia.

Quais os sintomas da ancilostomíase?

A ancilostomíase é desencadeada por nematódeos parasitas que se fixam no intestino delgado.

A ancilostomíase pode ocorrer de maneira assintomática em infecções mais leves, porém pode ter sintomas em casos mais graves. Na pele, após a penetração da larva, pode ser observada coceira local.

Quando a larva passa pelo pulmão, pode provocar pneumonite (inflamação do pulmão) e hemorragias.

Quando se instala no intestino delgado, pode provocar dores abdominais, diarreia (com sangue ou não), perda de apetite, enjoo e vômito.

Esses vermes provocam nos seres humanos grande perda de sangue, uma vez que utilizam o sangue como alimento e podem provocar feridas ao se fixarem.

Essa perda de sangue pode provocar anemia, o que leva o indivíduo a ficar apático, fraco e pálido (daí o nome amarelão).

Em crianças com infecção intensa, a doença pode provocar atraso no desenvolvimento físico e mental.

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Como a ancilostomíase é transmitida?

A transmissão da ancilostomíase ocorre pelo contato com solo contaminado com larvas dos parasitas das espécies Necator americanus e Ancylostoma duodenale. Os ovos desses parasitas são eliminados com as fezes do indivíduo doente. Se encontrarem um ambiente favorável, os ovos eclodem no solo, tornando-se larvas rabditoides.

Elas se desenvolvem e transformam-se em larvas de segundo e terceiro estágio, sendo essas últimas as capazes de infectar os seres humanos. Elas permanecem ativas no solo, sem se alimentar, até entrarem em contato com a pele do hospedeiro e darem continuidade ao ciclo ou suas reservas nutritivas acabarem e elas morrerem.

Saiba mais: Oxiurose – infecção intestinal pelo nematódeo Enterobius vermiculares

Ciclo de vida do Necator americanus e Ancylostoma duodenale

O homem é o hospedeiro do Necator americanus e do Ancylostoma duodenale.O ciclo tem início quando uma pessoa doente elimina suas fezes e estas atingem o solo. Em condições favoráveis, os ovos do parasita eclodemem 18 h ou até 24 h.

As larvas que saem do ovo, chamadas de rabditoides, encontram-se no seu primeiro estágio. Essas larvas alimentam-se de partículas orgânicas e bactérias encontradas no solo e nas fezes. Elas se desenvolvem então em larvas de segundo e terceiro estágio, atingindo o terceiro estágio em um prazo de, aproximadamente, uma semana.

Observe atentamente o ciclo de vida do Necator americanus e Ancylostoma duodenale.

A larva no terceiro estágio tem a capacidade de infectar os seres  humanos. Ela penetra na pele quando, por exemplo, andamos descalços em solo contaminado.

Após a penetração pela pele, as larvas atingem os vasos sanguíneos e seguem até os capilares pulmonares. Elas entram pelos alvéolos pulmonares e sobem pela árvore brônquica, atingindo a laringe e a faringe.

Na faringe, as larvas são deglutidas, seguindo, via sistema digestório, para o intestino delgado.

No intestino as larvas atingem a fase adulta e fixam-se por meio de seu aparato bucal. É no intestino que as larvas conseguem o sangue necessário para sua alimentação e é nesse local que também ocorre a cópula. Vários ovos são produzidos, sendo eliminados com as fezes. Se as fezes forem eliminadas em locais adequados para a eclosão do ovo, podem reiniciar o ciclo.

Leia também: Platelmintos – podem ter vida livre ou ser parasitas de outros animais

Como a ancilostomíase é tratada?

A ancilostomíase é diagnosticada por meio do achado de ovos no exame parasitológico de fezes. Após o diagnóstico, a doença será tratada com o uso de medicamentos anti-helmínticos (vermífugos), como o mebendazol e albendazol. Em caso de anemia, ela também deverá ser tratada.

Como a ancilostomíase pode ser controlada?

A doença pode ser controlada por meio da adoção das seguintes medidas:

  • Tratar os doentes.
  • Fornecer informações sobre a doença, explicando a importância de eliminar-se as fezes no local adequado e sempre andar calçado.
  • Investir em saneamento básico.

Publicado por: Vanessa Sardinha dos Santos

Источник: https://mundoeducacao.uol.com.br/doencas/ancilostomose.htm

Bicho geográfico: sintomas, como tratar e fotos

O QUE É LARVA MIGRANS (Bicho geográfico)?

Bicho geográfico, também chamada de larva migrans cutânea, é uma infecção causada pelas larvas de parasitas que vivem no intestino dos cães e gatos. Os principais parasitas são Ancylostoma braziliense e o Ancylostoma caninum (mais raro).

Os ovos do parasita estão presentes nas fezes de cães e gatos, e desenvolvem-se em larvas, quando deixados na terra ou areia quente e úmida.

Quando entram em contato com pele sem proteção, eles começam a se locomover pelas camadas da pele e deixam marcas vermelhas de seu caminho, formando desenhos (semelhantes a mapas) que coçam e inflamam, causando bolhas.

Ao coçar essas marcas, podem ocorrer infecções bacterianas secundárias.

Causas

O bicho geográfico é causado pelas larvas dos vermes Ancylostoma brasilienze e Ancylostoma caninum, presentes no intestino de cães e gatos. Quando o animal evacua na terra ou areia os ovos são liberados. Em contato com o solo quente as larvas se desenvolvem e ficam lá. Quando entram em contato com a pele nua, penetram nela, causando a doença.

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De acordo com o dermatologista Fernando Macedo, o primeiro ciclo é no animal. O cachorro e o gato são os hospedeiros do parasita, que penetra no organismo desses animais por meio da pele, migrando para os pulmões e traqueia. O parasita acaba sendo deglutido e seus ovos são eliminados nas fezes dos animais, depositadas muitas vezes em lugares arenosos como praias.

Dessa forma, o verme penetra na pele do homem que esteve em contato direto com o local (areia) contaminado, sendo a planta dos pés, glúteos ou braços as regiões de maior facilidade para a contaminação. Depois de ter contaminado o homem, o parasita costuma demorar cerca de uma semana para se manifestar na pele do homem.

Fatores de risco

O maior fator de risco para bicho geográfico é viver em áreas de risco, como regiões tropicais e com circulação de fezes de animais. Por esse motivo, é essencial andar com calçados neste tipo de local.

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Pode afetar adultos e crianças, sendo mais comum nas crianças, que adquirem a infestação em areia de praia, construção, parques ou jardins, onde os animais infestados depositam suas fezes com os ovos. Esses ovos, sob condições favoráveis de temperatura e umidade transformam-se em larvas, podendo penetrar na pele humana.

Sintomas de Bicho geográfico

O principal sintoma do bicho geográfico são as marcas vermelhas que sinalizam o caminho da larva pela pele. Elas são finas, semelhantes a linhas de um mapa, e isso origina o nome da doença. Esses “túneis” podem avançar até dois a cinco centímetros ao dia. Além disso, elas costumam coçar bastante e podem formar bolhas.

Isso ocorre porque quando a larva do bicho geográfico entra no organismo, ela só consegue se locomover na parte mais externa da pele, se movimentando ao acaso e formando esses caminhos e padrões aleatórios.

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Em alguns pacientes é possível perceber um ou mais pontos de relevo avermelhados na pele onde a larva entrou no corpo.

Em cerca de 75% dos casos a contaminação pelas larvas ocorre nos membros inferiores, como pés e pernas. Mas pode aparecer também nos antebraços e tronco. Crianças que ficam sentadas na praia costumam ser acometidas principalmente nas coxas e glúteos.

Normalmente as marcas do bicho geográfico ocorrem entre dois a cinco dias depois da entrada da larva na pele, mas existem casos em que ela fica incubada por até um mês. Os sintomas costumam se resolver sozinhos, com o tempo as partes mais antigas do túnel vão desinflamando, deixando apenas manchas escuras na pele que tendem a desaparecer mais tarde.

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O problema é que a duração deste processo é variável (podendo se resolver em duas semanas ou demorar meses) e as inflamações são muito incômodas, causando coceiras que podem até mesmo impedir a pessoa de dormir. Coçar os locais pode levar a infecções bacterianas. Pode acontecer também da larva desaparecer espontaneamente e aparecer semanas ou meses depois.

Pode acontecer também da larva desaparecer espontaneamente e reaparecer semanas ou meses depois.

Buscando ajuda médica

Assim que os sintomas semelhantes ao do bicho geográfico aparecerem é importante buscar um dermatologista ou mesmo um pronto socorro para o tratamento dos sintomas.

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Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar um bicho geográfico são:

  • Clínico geral
  • Dermatologista
  • Infectologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

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  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando seus sintomas começaram?
  • Seus sintomas são contínuos ou ocasionais?
  • Quão graves são os seus sintomas?
  • Alguma coisa parece melhorar seus sintomas ou piorar?
  • Você viajou no último mês? Se sim, para qual lugar?

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Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para bicho geográfico, algumas perguntas básicas incluem:

  • Qual é a causa mais provável para os meus sintomas?
  • Que tipos de testes eu preciso fazer?
  • Quais tratamentos estão disponíveis?
  • Em quanto tempo irei me sentir melhor?
  • Existem efeitos a longo prazo desta doença?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

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Diagnóstico de Bicho geográfico

O diagnóstico do bicho geográfico costuma ser clínico, com base nos sintomas da pele, que são muito característicos deste problema. Além disso, o histórico do paciente com o contato com solo ou areia contaminados podem ser determinantes para identificação do problema. A biópsia não é recomendada e pode inclusive piorar o problema.

Tratamento de Bicho geográfico

O tratamento do bicho geográfico normalmente é feito com medicamentos com efeito antiparasitários, normalmente que tenham ação contra os helmintos, uma espécie de verme a qual fazem parte os parasitas Ancylostoma brasilienze e o Ancylostoma caninum.

A infecção desaparece por si só depois de algumas semanas a meses, mas o tratamento alivia a coceira e reduz o risco de infecção bacteriana que às vezes resulta do ato de coçar. Um preparado de tiabendazol em líquido ou creme, aplicado sobre a área afetada, trata a infecção de maneira eficaz. O albendazol ou a ivermectina administrados por via oral também são eficazes.

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Segundo Fernando Macedo, caso não haja tratamento, o bicho geográfico dura, no máximo, quatro semanas e acaba morrendo. No entanto, o incômodo da coceira pode ser muito grande se a doença não for tratada.

Medicamentos para Bicho geográfico

Os medicamentos mais usados são:

  • Tiabendazol (em pomada)
  • Albendazol
  • Ivermectina.

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Bicho geográfico tem cura?

O bicho geográfico dura entre algumas semanas a meses, porém, em áreas de risco as infecções podem ser frequentes e avançar para formas mais graves. No entanto, com o tratamento adequado é possível curar a doença.

Complicações possíveis

Coçar as lesões provocadas pelo bicho geográfico podem causar lesões na pele que aumentam a chance de infecções por bactérias. Esses processos podem levar a celulites infecciosas (diferentes das celulites comuns) e erisipela.

Convivendo/ Prognóstico

O bicho geográfico é um quadro com duração pré-determinada, mas que causa muitos incômodos, principalmente devido a coceira. Os medicamentos indicados pelos médicos podem ajudar a reduzir esse incomodo e é importante levar o tratamento à risca.

Mais sobre Bicho geográfico

Atenção! As fotos a seguir são fortes:

Foto: Reprodução/Shutterstock

Veja exemplo de várias larvas no pé:

Foto: Reprodução/shutterstock

Referências

(1) Fernando Macedo, dermatologista do Fleury Medicina e Saúde

(2) Hermes Higashino, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

(3) Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Disponível em: http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/larva-migrans/78/

(4) Manual MSD – Versão Saúde para a Família. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-da-pele/infec%C3%A7%C3%B5es-parasit%C3%A1rias-da-pele/larva-migrans-cut%C3%A2nea

(5) Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Disponível em: http://www.spsp.org.br/2007/09/24/larva_migrans/

(6) Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/bicho-geografico

Bicho geográfico (larva migrans cutânea)

O QUE É LARVA MIGRANS (Bicho geográfico)?

Larva migrans cutânea, chamado de bicho geográfico, é um parasita presente no intestino e nas fezes de cães e gatos que se hospeda na pele de seres humanos, causando irritação e muita coceira.

A Larva migrans cutânea, conhecida popularmente como bicho geográfico, é um dos parasitas de pele que retiram do organismo humano os recursos necessários para sua sobrevivência.

Esse parasita das espécies Ancylostoma caninum e Ancystoloma brasiliensis, presente no intestino e nas fezes de cães e gatos, provoca uma dermatozoonose que produz irritação e muita coceira no local da lesão.

Esse tipo de dermatite também é conhecida como dermatite serpiginosa e dermatite pruriginosa.

Veja também: Micoses

Existe um tipo semelhante de larva, a Larva migrans visceral, que também tem como hospedeiros naturais cães e gatos.

As espécies mais comuns são a Toxocara canis, a Toxocara leonina e a Toxocara cati, que podem ser transmitidas pela ingestão de água e de alimentos infectados por larvas ou ovos desses parasitas intestinais.

No corpo humano, esses ovos eclodem e liberam larvas, que caem na corrente sanguínea e atingem outros tecidos e órgãos, provocando uma doença chamada granulomatose larval.

Ciclo de vida do parasita

O ciclo de vida dos parasitas intestinais, que dão origem à dermatite serpiginosa, começa quando os cães e gatos ingerem o verme em sua forma adulta junto com água ou alimentos contaminados.

Ou, então, quando as larvas presentes nas fezes dos animais infectados se aproveitam de ferimentos na pele para penetrar no organismo do novo hospedeiro.

É nos intestinos desses animais, que as larvas encontram campo fértil para reprodução e passam a eliminar os ovos dos vermes junto com as fezes.

Encontrando condições favoráveis de calor e umidade para sua evolução, os ovos eclodem e liberam as larvas no solo, que se alimentam de bactérias, enquanto completam as fases evolutivas até se tornarem infectantes para os humanos e outros animais.

Transmissão

Nos cães e gatos, a transmissão pode ocorrer de um animal para outro por via oral, cutânea ou através da placenta.

Nos humanos, a infecção se dá pelo contato direto com as larvas infectantes existentes no solo contaminado por fezes de animais. Elas se aproveitam de um ferimento ou perfuram a pele para penetrar no organismo humano.

Isso feito, começam a deslocar-se pelo tecido subcutâneo, abrindo verdadeiros túneis inflamados, o que lhes confere aspecto semelhante ao contorno de um mapa.

Daí, por analogia, os nomes bicho geográfico ou dermatite serpiginosa para identificar a doença, que acomete especialmente as crianças e pode desaparecer espontaneamente do organismo depois de quatro a oito semanas a contar do início da infecção.

Não existe transmissão da Larva migrans cutânea de uma pessoa para outra.

Embora a contaminação seja frequente nas praias onde cães e gatos circulam livremente, o parasita pode proliferar, desde que encontre as condições adequadas, em qualquer lugar onde esses animais depositem as fezes contaminadas. Por exemplo: gramados, tanques de areia em parques e escolas para recreação, quintais dos domicílios, resíduos de construção, quadras de esporte.

Em geral, o primeiro foco da infecção ocorre nos pés ou nas nádegas, mas pernas, braços, antebraços e mãos são outras partes do corpo que também podem abrigar o parasita, que tem predileção pelas regiões tropicais e subtropicais.

Sintomas

O primeiro sinal da infecção é o aparecimento de um ponto vermelho e saliente no local por onde a larva penetrou. Os outros que podem demorar de minutos até semanas para manifestar-se incluem:

  • Coceira intensa que piora à noite;
  • Linhas tortuosas e vermelhas;
  • Inchaço;
  • Formação de pápulas eritematosas;
  • Sensação de movimento debaixo da pele.

Enquanto isso, a larva permanece como se estivesse adormecida sob a pele. Quando começa a movimentar-se, a lesão progride cerca de 1 cm por dia no tecido subcutâneo, uma vez que a larva não consegue atingir os intestinos do doente, como ocorre nos cães e gatos.

Embora raros, há casos da doença sujeitos a complicações, porque as larvas eliminam toxinas que podem causar quadros graves de alergia, tosse e falta de ar.

Diagnóstico

O diagnóstico do bicho geográfico é clínico baseado nos sinais característicos que a Larva migrans cutânea deixa na pele e no histórico de cada paciente.

É sempre importante levar em consideração a existência de surtos da doença nos ambientes que a pessoa frequenta.

Em alguns casos, pode ser necessário estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças de pele que apresentam lesões eritemopapulosas a fim de orientar o tratamento.

Quanto à infecção pela Larva migrans visceral, a confirmação do diagnóstico depende da realização de uma biópsia para visualizar as larvas ou, então, do resultado de testes sorológicos, como o ELISA.

Tratamento

Em alguns poucos casos, a Larva migrans cutânea dispensa tratamento específico, porque as lesões desaparecem espontaneamente. No entanto, não está afastado o risco de que possam reaparecer tempos depois.

Na fase em que a dermatite serpiginosa está ativa, a aplicação de gelo sobre a lesão na pele ajuda a aliviar a coceira e a diminuir o edema. De maneira geral, está estabelecido que a baixa temperatura ajuda a matar a larva. Por isso, há quem defenda o emprego de neve carbônica (gelo seco) e do cloreto de etila como alternativa terapêutica nas infecções pelo bicho geográfico.

Nos outros casos, dependendo do estágio da doença, o tratamento da infecção por esse parasita intestinal pode exigir a indicação de medicamentos anti-helmínticos e antiparasitários sob a forma de pomadas ou comprimidos (tiabendazol, albendazol). Há restrições para a indicação da ivermectina, que pertence a mesma classe de medicamentos, mas pode produzir efeitos colaterais indesejáveis em crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas.

Anti-inflamatórios e antibióticos são medicamentos necessários quando as lesões dermatológicas provocadas pela migração das larvas são extensas e apresentam sinais de infecção.

Depois de dois ou três dias de iniciado o tratamento, o paciente começa a sentir a melhora dos sintomas. No entanto, a orientação médica deve ser seguida à risca e a medicação mantida até que a infecção esteja completamente debelada.

Prevenção

Algumas medidas simples são essenciais para a prevenção e profilaxia da infecção pelo bicho geográfico, a Larva migrans cutânea. Veja alguns exemplos:

  • Só ande descalço quando tiver informações seguras sobre as condições de higiene do local onde irá pisar;
  • Cubra com uma toalha ou esteira a superfície onde vai sentar ou deitar-se para tomar sol;
  • Leve com regularidade os animais domésticos ao veterinário para diagnóstico, controle e tratamento de possíveis infecções parasitológicas;
  • Não vá com seu animal de estimação à praia. Como não é possível ter absoluta certeza sobre as condições sanitárias, se levar, cuide para que brinque ou caminhe nas áreas periodicamente cobertas pelo avanço da maré;
  • Dificulte ao máximo o acesso de animais aos tanques de areia, onde as crianças brincam. Quando estiverem sem uso, cubra-os com lona ou outro tipo e tecido impermeável;
  • Lave cuidadosamente os pés com água fria, depois de andar descalço na praia ou em terrenos que possam abrigar ovos do bicho geográfico;
  • Recolha imediatamente as fezes dos animais domésticos que defecam nas ruas, calçadas ou em outros locais públicos, para posterior descarte sanitário adequado;
  • Lembre que os gatos costumam cobrir as fezes com terra ou areia, hábito que favorece o desenvolvimento dos vermes que infectam pessoas e outros animais.
  • Lave cuidadosamente as mãos antes e depois das refeições, quando for manipular alimentos, especialmente os que serão consumidos in natura, depois de recolher as fezes do animal ou trocar a areia da caixinha que os felinos usam para suas necessidades;
  • Não se automedique nem medique seu animal de estimação sem antes ouvir a opinião de um profissional especialista, sobre a melhor forma de tratar as lesões deixadas pela dermatite serpiginosa.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/bicho-geografico-larva-migrans-cutanea/

Larva Migrans Cutânea (Bicho Geográfico): epidemiologia, diagnóstico e tratamentos

O QUE É LARVA MIGRANS (Bicho geográfico)?
A infecção humana cutânea pelas larvas de ancilostomídeo provenientes das fezes do cão ou gato ocasiona a larva migrans cutânea.

A doença ocorre com frequência em países tropicais e é bastante prevalente na América do Sul.

As crianças podem adquirir a doença mais frequentemente, pois têm contato da pele com solos contaminados nas brincadeiras em caixas de areia, areia de praia e até mesmo na residência.Leia a seguir nossa revisão e atualize-se sobre o tema.

ASPECTOS GERAIS DA LARVA MIGRANS CUTÂNEA

A larva migrans cutânea (LMC) ocorre por infecção do homem pelas larvas dos ancilóstomos depositadas nas fezes de cães e gatos. Mais frequentemente, o Ancylostoma braziliense ou Ancylostoma caninum são os responsáveis pela infecção, que também pode ser causada por outras larvas de parasitas que não são parasitas humanos naturais [1].

A larva migrans cutânea é causada pela penetração cutânea acidental do nematoide, com subsequente migração de suas larvas pela epiderme, ocasionando erupção cutânea eritematosa, serpiginosa e pruriginosa [2,3].

EPIDEMIOLOGIA DO BICHO GEOGRÁFICO

Mapa da distribuição global de ancilostomíase. Extraído de atualização global da OMS por de Silva et al. (2003 – veja nas referências ao final do texto), que incluiu 494 publicações a partir de 1990 e incorporou dados de 112 países. Adaptado de Brooker et al., 2004.

Os ancilóstomos são encontrados em regiões tropicais e subtropicais (sudeste da Ásia, África, América do Sul, Caribe e partes do sudeste dos Estados Unidos), onde o parasita é mais adaptado às condições ambientais, de clima mais quente [1,4].

A LMC é frequentemente relacionada ao retorno de viajantes de regiões tropicais, onde tiveram exposição ao solo e/ou areia em que provavelmente cães e gatos portadores de ancilóstomos tiveram acesso.

Em pesquisa realizada em população rural no Brasil, a prevalência da LMC durante a estação chuvosa foi de 14,9% entre crianças menores de 5 anos e de 0,7% entre os maiores de 20 anos [4].

As larvas são encontradas em praias de areia, caixas de areia e residências. Indivíduos em maior risco incluem:

  • viajantes,
  • crianças,
  • nadadores e
  • trabalhadores cujas atividades colocam a pele em contato com o solo contaminado [1].

Não há predileção por raça ou sexo. A larva migrans cutânea pode acometer todas as idades, mas tende a ser observada mais frequentemente em crianças, devido à maior exposição a solos contaminados, hábito de andarem descalças e pelo constante manuseio de areia [2].

ETIOLOGIA DA LARVA MIGRANS CUTÂNEA

http://www.ufrgs.br/para-site/siteantigo/Imagensatlas/Animalia/Ancylostoma%20caninum.htm

A larva migrans cutânea tem sido associada a Ancylostoma caninum, A. braziliense e Uncinaria stenocephala, que são todos ancilóstomos de cães e gatos. Bunostomum phlebotomum, um ancilóstomo de gado, também é capaz de causar LMC de ciclo curto em humanos [4].

Etiologias raras incluem: Ancylostoma ceylonicum, Ancylostoma tubaeforme, Necator americanus (ancilostomíase humana), Strongyloides papillosus (parasita de ovelhas, cabras e gado), Strongyloides westeri (parasita de cavalos), Ancylostoma duodenale, Pelodera (Rhabditis) strongyloides, Gnathostorna spinigerum, Strongyloides stercoralis, Bunostornum phlebotomum, Strongyloides myopotami e Strongyloides procy onis [2].

FISIOPATOLOGIA

Os ancilostomídeos maduros se reproduzem no intestino delgado do hospedeiro animal definitivo (cão e gato), onde os ovos são depositados. Os ovos atingem o solo junto com as fezes do hospedeiro definitivo.

Sob condições favoráveis​​ (umidade, calor, sombra), as larvas rabditoides eclodem em 1 a 2 dias.

Após 5 a 10 dias (2 mudas), elas originam larvas filarioides (terceiro estágio), que são infectantes e podem sobreviver de 3 a 4 semanas em condições ambientais favoráveis [1].

Em contato com o hospedeiro animal não humano, as larvas filarioides penetram na pele e são transportadas pelos vasos sanguíneos para os pulmões, onde penetram nos alvéolos pulmonares, sobem na árvore brônquica até a faringe e são engolidas. As larvas atingem o intestino delgado, onde residem e amadurecem até a forma adulta, e se ligam à parede intestinal [1,4].

https://www.cdc.gov/parasites/zoonotichookworm/biology.html

Os seres humanos podem ser infectados quando larvas filarioides presentes no solo penetram parcialmente na pele.

As larvas da maioria das espécies não podem amadurecer no hospedeiro humano (que são, lembremos, hospedeiros intermediários acidentais), pois não possuem colagenase, o que impede que as larvas ultrapassem a membrana basal da pele.

As larvas produzem uma reação inflamatória ao longo do trato cutâneo durante sua migração, que pode continuar por semanas [1,4].

Algumas larvas podem acessar tecidos mais profundos. Raramente, o envolvimento pulmonar ocorre, seja por invasão direta ou secundária a uma reação imunológica sistêmica [1].

QUADRO CLINICO DA LARVA MIGRANS CUTÂNEA

As lesões causadas pela larva migrans cutânea geralmente ocorrem nas porções distais dos membros inferiores, incluindo o dorso dos pés e os espaços interdigitais dos dedos dos pés, mas também podem ocorrer em qualquer local exposto ao parasita como: região anogenital, nádegas, mãos, joelhos e couro cabeludo [2].

Há relatos de lesões que se desenvolveram de semanas até meses após a exposição.

Inicialmente, no local da penetração da cada larva aparece uma pápula eritematosa pruriginosa que, muitas vezes, pode passar desapercebida pelo paciente [1]. Pode ocorrer formigamento no local da penetração já dentro de 30 minutos após a penetração das larvas; o prurido pode surgir após 1 hora [2,3].

Em locais altamente contaminados, até várias centenas de pápulas pruriginosas podem se desenvolver. Após dois a seis dias, surgem “trilhas” marrom-avermelhadas, intensamente pruriginosas, elevadas e serpiginosas, como resultado da migração larvária, e que podem crescer de vários milímetros até alguns centímetros por dia [1].

As lesões têm aproximadamente 3 mm de largura e podem ter comprimento de 15 a 20 mm. A larva geralmente está localizada 1 a 2 cm à frente da erupção [1]. Geralmente, de uma a três lesões estão presentes. Em 10% dos casos, podem ocorrer lesões vesiculobolhosas ou nodulares, o que pode atrasar o diagnóstico [1,3].

As lesões podem se tornar vesiculadas, incrustadas ou infectadas secundariamente.

As lesões desaparecem espontaneamente, geralmente em 2–8 semanas, mesmo na ausência de terapia específica [1].

https://www.news-medical.net/health/Cutaneous-Larva-Migrans.aspxhttp://www.cmaj.ca/content/190/29/E888

foliculite por ancilostomíase é uma manifestação incomum, representando menos de 5% dos casos e consistindo em numerosas pápulas e pústulas foliculares, eritematosas e pruriginosas. Os trilhos serpiginosos podem estar ausentes ou relativamente curtos [1,3].

HÁ RELAÇÃO ENTRE LMC E TOSSE SECA?

Muito raramente pode ocorrer disseminação hematogênica de larvas para os pulmões, levando um quadro de tosse seca, que começa cerca de 1 semana após a penetração cutânea e dura de 1–2 semanas [1].

DIAGNÓSTICO

A larva migrans cutânea é diagnosticada pela história e exame físico [1,2,3]. Geralmente, há história de exposição ao solo ou à areia contaminados e também presença da lesão serpiginosa muito pruriginosa na pele [1]. Alguns pacientes apresentam eosinofilia e aumento dos níveis de imunoglobulina E (IgE) [2].

dermatoscopia pode ser utilizada. Podem ser encontradas áreas sem estrutura, translúcidas e marrons, que são correspondentes aos corpos larvares, além de vasos pontilhados em vermelho, que correspondem a uma toca vazia [1].

ultrassonografia pode demonstrar estruturas subepidérmicas e intrafoliculares pequenas, lineares, hiperecogênicas e hiper-refringentes, sugestivas de fragmentos de larvas. Achados adicionais podem incluir túneis hipoecogênicos dérmicos e hipodérmicos com inflamação, refletindo a dilatação do ducto linfático [1].

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Entre as doenças que devem fazer parte do diagnóstico diferencial destacam-se:

TRATAMENTO PARA LMC

As opções de tratamento para larva migrans cutânea incluem ivermectina ou albendazol oral [1,2,3].

tratamento de escolha é a ivermectina (liberada para crianças ≥15 kg, na dose 200 mcg/kg 1 vez ao dia, máximo de 12 mg/dose, por via oral, por 1–2 dias) [1,2, 5]. Uma dose única de ivermectina resulta em taxas de cura de 94 a 100% [1] .

Outra opção terapêutica é o albendazol. Para lactentes ≥8 meses e crianças com peso ≤10 kg, dados muito limitados são disponíveis, mas as recomendações são de 200 mg por via oral 1 vez ao dia, por 3 dias.

Para crianças com peso >10 kg e adolescentes, os dados disponíveis também são limitados, mas as recomendações são de 400 mg por via oral 1 vez ao dia, administrado juntamente com refeição gordurosa, por 3 dias. É um tratamento alternativo aceitável [1,2]. A bula do albendazol no Brasil preconiza seu uso somente nos maiores de 2 anos [7].

Para pacientes com lesões extensas ou múltiplas, um curso de sete dias de albendazol pode ser administrado [1].

Os sintomas geralmente desaparecem dentro de uma semana após o tratamento.

Os casos de foliculite por ancilostomíase devem ser tratados com duas doses de ivermectina e podem ser necessários ciclos repetidos de agentes anti-helmínticos orais [1].

Os agentes tópicos são uma opção alternativa de tratamento, principalmente para lactentes jovens, pois existem dados limitados para uso de antiparasitários por via oral [1].

O tiabendazol pomada 15%, aplicado 2–3 vezes ao dia por 5 dias, mostrou-se eficaz no tratamento da larva migrans cutânea.

O uso de albendazol creme 10% ou ivermectina creme também se mostraram eficazes no tratamento da LMC [1,2].

O uso de anti-histamínicos pode ser útil no controle do prurido. Em pacientes com reações alérgicas graves, pode ser administrado tratamento sintomático com corticosteroides tópicos [1].

Caso haja infecção bacteriana secundária, antibióticos tópicos ou sistêmicos podem ser utilizados a depender da extensão das lesões.

PROGNÓSTICO

O prognostico é bom. Em raros casos, lesões extensas na face podem necessitar de cirurgia plástica reparadora.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Peter F. Wellwe, MD, MACPKArin Leder, MBBS, FRACP, PhD, MPH, DTMH. Hookworm-related cutaneous larva migrans. UpToDate: updated Jul 29, 2019
  2. David T Robles, MD, PhD, FAAD; Chief Editor: William D James, MD. Cutaneous Larva Migrans. Medscape: updated Sep 10, 2018
  3. Feldmeier, H., & Schuster, A. (2011). Mini review: hookworm-related cutaneous larva migrans. European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases, 31(6), 915–918.
  4. Zoonotic Hookworm – CDC
  5. Ivermectin (systemic): Pediatric drug information. UpToDate
  6. Albendazole: Drug information. UpToDate
  7. Bula Albendazol
  8. Simon Brooker, Jeffrey Bethony and Peter J. Hotez. Human Hookworm Infection in the 21st Century. Adv Parasitol. Author manuscript; available in PMC 2008 Mar 18.
  9. de Silva NR, Brooker S, Hotez PJ, Montresor A, Engels D, Savioli L. Soil-transmitted helminth infections: updating the global picture. Trends in Parasitology. 2003;19:547–551.

Источник: https://tonello.med.br/larva-migrans-cutanea-bicho-geografico-epidemiologia-diagnostico-e-tratamentos/

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