O que é metaplasia intestinal, sintomas e como tratar

Câncer de estômago: comer muito sal e industrializados eleva risco do tumor

O que é metaplasia intestinal, sintomas e como tratar

O câncer de estômago, também conhecido como câncer gástrico, é o quinto tumor mais comum em todo o mundo. No Brasil, ele é o terceiro tipo da doença mais frequente entre os homens e é o quinto no grupo feminino, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Embora a problema tenha diversas causas, está fortemente associado a uma dieta ruim, especialmente rica em alimentos industrializados e/ou em sal (sódio) e pobre em vegetais.

Conheça essa parte do seu corpo

O estômago pode ser definido como um órgão muscular em forma de feijão, situado entre o esôfago e o intestino delgado. A sua função é atuar no processo de digestão. Tudo o que você come entra no estômago por meio do esôfago. O órgão é composto por quatro partes: a cárdia, o corpo, o antro e o fundo (quanto falamos em câncer no entanto, apenas as 3 primeiras regiões são apontadas).

O que é câncer de estômago?

O câncer é uma proliferação anormal de células que podem se desenvolver a partir de qualquer tecido, inclusive no estômago. Quando essas células migram para a corrente sanguínea, pelos vasos linfáticos ou pelas cavidades, elas podem levar ao estabelecimento de uma metástase.

As causas dos tumores gástricos são multifatoriais, isso é, podem decorrer de várias situações, desde ambientais até genéticas. Veja abaixo os fatores de risco associados ao problema:

  • Idade (é mais comum entre pessoas de 60-70 anos, embora esteja avançando entre os jovens também);
  • Tabagismo;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • Infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) – geralmente relacionada à falta de saneamento básico e hábitos de higiene;
  • Lesões pré-cancerosas (como gastrite atrófica e metaplasia intestinal);
  • Histórico familiar –ter parentes de primeiro grau (pai ou mãe, irmãos, tios) — com câncer de estômago pode indicar a propensão para uma síndrome, o câncer gástrico difuso hereditário;
  • Dieta rica em sal, em conservantes como os nitratos (presentes em embutidos e outros alimentos industrializados);
  • Dieta pobre em frutas e vegetais;
  • Consumo de carnes processadas (salsicha, linguiça, hambúrguer industrializado etc.);

Os tipos de tumor no estômago

– Adenocarcinoma “É o tipo de câncer de estômago mais frequente, cuja origem são as células glandulares do revestimento gástrico”, explica Ivan Cecconello, professor titular de cirurgia do aparelho digestivo da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Isso representa 95% dos casos diagnosticados, geralmente em homens com idades entre 50 e 70 anos. Já os outros tipos de tumor gástrico são considerados raros.

– Linfoma Acredita-se que a bactéria H. pylori esteja relacionada.

– Sarcoma Inicia-se nos tecidos que formam os músculos, ossos e cartilagens.

– Tumor estomal gastrointestinal (GIST): a maioria é benigna, mas pode ser agressivo.

Como reconhecer os sintomas

Em geral, quando o tumor é pequeno ele é silencioso. E caso haja algum sinal, pode se confundir com outras manifestações benignas.

Já em caso mais avançado, a depender da localização do tumor, como na parte do esôfago que liga o estômago, ou na região em que o estômago se liga ao intestino (o duodeno), podem ser notados sintomas de obstrução: náusea, vômitos, sensação de plenitude. Anemia, perda de apetite e de peso também podem ser observadas.

Qual médico procurar?

O câncer de estômago, diferentemente do câncer de mama ou do câncer de próstata, por exemplo, não tem um exame de detecção precoce.

Caso os sintomas já mostrados persistam por mais de duas semanas, é preciso procurar o médico para fazer uma investigação. O especialista pode ser um clínico geral, que será capaz de verificar os sinais de alerta, ou um gastroenterologista.

Importante lembrar que o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de cura.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o médico ouvirá sua história e fará um exame físico (palpação), especialmente para verificar as condições da região do abdome.

Na sequência, o especialista deve solicitar uma endoscopia digestiva. Esse exame se utiliza de um tubo flexível para visualizar as condições de aparelho digestivo. Quando os sintomas já existem há muito tempo, essa requisição é considerada obrigatória.

Caso o resultado da endoscopia revele uma lesão, o exame seguinte é a biópsia (retirada de parte do tecido local para análise). Na maioria das vezes, é ela que define o diagnóstico.

A etapa seguinte prevê a requisição de tomografia computadorizada. O objetivo é conhecer a extensão da enfermidade.

Como é feito o tratamento?

A partir do resultado da tomografia, o médico terá informações que definirão as melhores estratégias terapêuticas. A cirurgia para retirada total do estômago (gastrectomia) é considerada a principal delas, o que pode abranger também gânglios ao redor do órgão e suas margens. A quimioterapia, a radioterapia e até a endoscopia (10% dos casos) podem compor o plano de tratamento.

“Importante saber que a tendência atual é que eles sejam sempre associados, isso porque cada tratamento tem um objetivo. A cirurgia age localmente e ao redor do tumor, mas não combate células circulantes, que é a função da quimioterapia”, esclarece Felipe Coimbra, chefe do Departamento de Cirurgia Abdominal do A. C. Camargo Cancer Center.

Os esquemas de tratamento do câncer de estômago

O médico pode adotar as seguintes práticas, a depender do tipo de tumor:

Localizado e pequeno Geralmente, a cirurgia retira a lesão e soluciona o problema. Isso representa 10% a 20% dos casos;

Localizado, maior e tem gânglios ao redor Na maioria das vezes, há chances de existir células circulantes e desenvolvimento de metástase. Aqui, junto à cirurgia que retira total (gastrectomia) ou parcialmente o tumor, faz-se um tratamento quimioterápico (que podem ser dezenas de tipos de medicamentos e combinações). Esse tipo representa 70% dos casos.

Presença de metástase à distância Esta é a situação na qual o câncer se expandiu para outras áreas.

As mais comuns são: o peritônio (a membrana que reveste os órgãos abdominais por dentro); o fígado, o pulmão e ovário (nas mulheres).

Representam 30% dos diagnósticos de tumores em estágio avançado (a metástase geralmente está associada a um tumor maior, por isso a soma dos percentuais vai passar dos 100%).

Tumores inoperáveis Quando já não é possível realizar uma intervenção para retirada do câncer, a solução é o tratamento paliativo, cuja função é aliviar sintomas ou evitá-los, melhorando a qualidade de vida do paciente. Apoio psicossocial para o enfermo e sua família são essenciais.

Novos tratamentos

Nos últimos anos, novas terapias têm sido desenvolvidas para prolongar a sobrevivência de pacientes com câncer gástrico. São elas: a terapia alvo e a imunoterapia, fármacos compostos por substâncias que identificam e atacam as células cancerígenas e ajudam o sistema de defesa do corpo a reconhecer e combater o câncer, respectivamente.

“Contudo, ainda são poucos os pacientes que podem ser beneficiados por esses novos tratamentos, porque seu uso depende do tipo, da presença de biomarcadores que indiquem chance de resposta, além do estágio do tumor”, relata Gabriel Prolla, oncologista clínico e professor da Escola de Medicina da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Apesar disso, os estudos que acompanham pacientes que utilizaram essas novas terapias classificam seus resultados como promissores e ainda confirmam sua segurança e eficácia.

Depois da cirurgia, posso ter um novo câncer?

Um dos desafios dos oncologistas é tentar entender o grau do avanço da doença e, com base nessa informação, avaliar a probabilidade de uma metástase se desenvolver.

Para garantir que células tumorais que continuam circulando pelo corpo sejam detidas, indica-se a quimioterapia antes ou depois de uma cirurgia. Apesar dessas providências, pode ocorrer uma recidiva.

Em geral, não se trata de um novo tumor no estômago, mas de um tumor à distância, ou seja, uma metástase. Isso porque é comum que o órgão tenha sido retirado. Esse quadro costuma acontecer nas síndromes hereditárias.

Quais são as chances de sobrevivência?

Muitos fatores estão envolvidos nessa estimativa. Quando a cirurgia e a combinação de tratamentos foram adequadas e o tumor estava em seu estágio mais inicial, a chance de sobreviver é de 90%. Nos demais casos, o prognóstico dependerá do quanto o câncer penetrou no estômago ou em outras partes do corpo.

Como vou comer após a cirurgia?

O principal impacto na vida diária são as mudanças na dieta. A reabilitação alimentar é uma das primeiras fases do período pós-operatório, e a ajuda de uma nutricionista é essencial.

Esse apoio serve para desmistificar crenças sobre alimentação. Ao contrário do que se pensa, quem passou por uma cirurgia como essa poderá comer de tudo, respeitadas as particularidades de cada indivíduo.

Na maioria das vezes, ocorre a retirada total do estômago e se faz uma ligação entre o esôfago e o intestino delgado. Sem o órgão que servia de reservatório, a quantidade do que se come é reduzida. Consequentemente, o peso também, o que é normal e esperado. O papel do nutricionista é auxiliar no controle dessas perdas.

O que entra no cardápio pós-cirúrgico

A reintrodução alimentar é gradual e parte de itens líquidos, passa pelos pastosos, até chegar à dieta normal, devendo ser evitados itens que fermentam (feijão, por exemplo) para prevenir desconforto no abdome, gases e sensação de empachamento.

Um detalhe é a mastigação, que passa a ter uma função mais importante para a digestão: o bolo alimentar agora deve se formar já na boca.

Thaís Manfrinato Miola, nutricionista especializada em nutrição oncológica do A.C. Camargo Center, afirma que no começo é difícil, mas, no decorrer de seis meses a um ano, a alimentação volta a ser prazerosa. “Há pacientes que voltam a comer até feijoada. Claro que em quantidades menores e fracionadas, e com boa mastigação para garantir a digestão adequada”, diz.

Vou precisar de suplementos?

Uma das peculiaridades dessa cirurgia é que o duodeno acaba sendo retirado, justamente ele que tem a tarefa de absorver os nutrientes como ferro e cálcio, por exemplo. Aliás, quem faz a retirada total do estômago precisa de reposição de vitamina B12 a cada dois ou três meses.

A suplementação é a alternativa para ajudar a repor vitaminas e minerais, e ainda garante mais energia para se adaptar à nova dieta. Quando isso acontece e se observa o equilíbrio de vitaminas e minerais, os suplementos são retirados. Esse processo pode levar de seis a 12 meses.

Como prevenir o câncer de estômago

A ciência ainda não encontrou a receita para prevenir o câncer de estômago, mas sabe-se que algumas atitudes reduzem o risco para o desenvolvimento de tumores. Confira:

  • Evite alimentos ricos em sal (inclusive carnes e peixes), conservas, itens defumados;
  • Aposte em frutas cítricas ou ricas em vitamina C, como limão, acerola, laranja, kiwi, abacaxi e morango;
  • Aumente o consumo de vegetais de cor verde-escura;
  • Procure consumir ao menos 2 e ½ copos de frutas e vegetais (de todos tipos) todos os dias;
  • Mantenha o peso sob controle;
  • Pratique atividade física regularmente;
  • Evite fumar;
  • Submeta-se a um teste para saber se há infecção por H. pylori;
  • Conheça mais sobre a história da saúde de seus familiares. A Síndrome do Câncer de Estômago pode ser herdada de seus parentes de primeiro grau.

Fontes:Ivan Cecconello, professor titular de cirurgia do aparelho digestivo da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e membro da G (Federação Brasileira de Gastroenterologia); Felipe Coimbra, chefe do Departamento de Cirurgia Abdominal do A. C. Camargo Cancer Center; Gabriel Prolla, oncologista clínico da Oncoclínica de Porto Alegre e professor da Escola de Medicina da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul); Thaís Manfrinato Miola, nutricionista especializada em nutrição oncológica do A. C. Camargo Cancer Center e mestre em ciências pela mesma instituição. Revisão técnica: Gabriel Prolla.
Referências: INCA (Instituto Nacional de Câncer); American Cancer Society (acessos em julho/2018); Rawla P, Barsouk A. Epidemiology of gastric cancer: global trends, risk factors and prevention. Prz Gastroenterol. 2019; Aaron C. Tan, David L. Chan, Wasek Faisal, and Nick Pavlakis. New drug developments in metastatic gastric cancer. Therap Adv Gastroenterol. 2018; Yusefi AR, Bagheri Lankarani K, Bastani P, Radinmanesh, Kavosi Z. Risk Factors for Gastric Cancer: A Systematic Review. Asian Pac J Cancer Prev. 2018.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/10/cancer-de-estomago-causas-sintomas-e-o-que-fazer-ao-descobrir-a-doenca.htm

Autor: Ana Lídia Dias, Lília Castelo Branco

Última atualização: 2017/08/31

Palavras-chave: Gastrite, Dispepsia, Endoscopia digestiva alta

Gastrite é a inflamação do estômago. Pode ser classificada em aguda ou crónica. Na sua maioria, a gastrite crónica é assintomática. Quando presentes, os sintomas mais frequentes são enfartamento, azia, e desconforto na região do estômago. Em Portugal, a prevalência não é conhecida. Contudo, sendo o Helicobacter pylori a principal causa de gastrite crónica ativa no mundo, e sendo este muito comum em Portugal, estima-se que possa ultrapassar os números conhecidos nos Estados Unidos, onde afeta cerca de 30% da população com mais de 50 anos. O diagnóstico passa pela realização de endoscopia digestiva alta com biópsia e rastreio de infeção por Helicobacter pylori. O tratamento compreende a erradicação da infeção por Helicobacter pilory e controlo dos sintomas.

Gastrite crónica

Gastrite é a inflamação da mucosa do estômago e pode ser classificada em aguda, quando o processo inflamatório é transitório, ou crónica, quando irreversível.

Não se conhece a prevalência em Portugal de gastrite.

Contudo, sendo o Helicobacter pylori a principal causa de gastrite crónica ativa no mundo, e atingindo em Portugal mais de 70% da população, estima-se que a prevalência de gastrite crónica possa ultrapassar a dos Estados Unidos (30% da população com mais de 50 anos).

O estômago é dividido anatomicamente em: cárdia (junto ao esófago), corpo, fundo, e antro gástrico (junto ao duodeno). As células produtoras de ácido gástrico (células parietais) encontram-se principalmente nas glândulas gástricas do corpo e fundo. A principal proteína envolvida nessa produção é a bomba H/K.

As células parietais produzem ainda fator intrínseco, que é fundamental para a absorção de vitamina B12. O ácido gástrico além de ter as funções de digestão dos alimentos e de barreira às infeções, também é importante para a absorção de iões como o ferro, o cálcio e o magnésio.

A diminuição da sua produção pode afetar a absorção destes iões. Os principais estímulos para a produção de ácido gástrico são: a histamina, produzida por células neuroendócrinas dispersas pelo estômago, gastrina produzida pelas células especiais no antro gástrico e acetilcolina com origem no sistema nervoso central.

Patogénese

A gastrite surge de um desequilíbrio entre mecanismos protetores e agressores.
O principal fator de risco é a infeção por Helicobacter pylori, presente em 90% dos casos e representando um risco 2,4 a 7 vezes maior de vir a desenvolver gastrite crónica. Nos doentes sem infeção, o risco é muito baixo.

Outra causa é a gastrite autoimune em que o sistema imunológico começa a produzir anticorpos contra as células do estômago de forma descontrolada.

Com o envelhecimento há uma redução na secreção de moléculas protetoras, denominadas mucinas, o que pode justificar um aumento de suscetibilidade à gastrite na população idosa.

Do ponto de vista celular, microscópico, a gastrite manifesta-se por inflamação que pode ser ativa ou não consoante a presença de determinadas células inflamatórias na parede do estômago.

Um quadro inicial de gastrite superficial, com inflamação apenas na mucosa e glândulas gástricas intactas, pode evoluir para uma gastrite atrófica, com destruição das glândulas e, mais tarde, para atrofia gástrica, em que já não há inflamação nem glândulas gástricas. Esta evolução normalmente é lenta, demorando anos.

Quando há uma destruição severa das células parietais, o que ocorre sobretudo na gastrite com atrofia do corpo e fundo, pode ocorrer:

  • Défice de vitamina B12 que se pode manifestar por anemia megaloblástica com fadiga, sintomas neurológicos como perda de sensibilidade nas extremidades e fraqueza muscular, alterações do humor, perturbação da memória, e glossite (língua inflamada).
  • Défice de cálcio com evolução para osteoporose e osteomalácia
  • Défice de magnésio com fadiga e fraqueza muscular
  • Défice de ferro com anemia ferropriva

Como é que sei que tenho uma gastrite?

Muitas vezes a gastrite não dá quaisquer sintomas. Quando presentes, são dominados pela dispepsia (dor ou desconforto subesternal, na região do estômago, saciedade precoce, enfartamento após as refeições e azia), pelas náuseas, e ocasionalmente vómitos.

Estes sintomas não são específicos de gastrite e podem ocorrer noutras doenças, como na dispepsia funcional ou nas úlceras. As hemorragias são raras. A gastrite crónica tem sintomas menos intensos que a gastrite aguda, mas mais persistentes.

Não há sintomas conclusivos de gastrite nem da sua severidade, pelo que iremos necessitar de outros exames para fazer o diagnóstico:

  • Endoscopia digestiva alta com biópsia
  • Rastreio de infeção por Helicobacter pylori
  • Deteção de autoanticorpos comuns na gastrite autoimune

Risco de cancro

A gastrite atrófica pode progredir para metaplasia intestinal, que pode evoluir para displasia intestinal e posteriormente para adenocarcinoma gástrico, com uma incidência de 1-3% nos doentes com gastrite atrófica.

Tratamento

O tratamento compreende a erradicação da infeção por Helicobacter pylori, quando presente, e a suplementação dos défices nutricionais.

Para controlo dos sintomas podem ser utilizados fármacos que reduzem a produção de ácido gástrico, como antiácidos, inibidores da bomba H/K ou anti-histamínicos (que reduzem o estímulo basal para a produção de ácido gástrico). Contudo estes fármacos não tratam a gastrite crónica.

Conclusão

A gastrite crónica é uma situação comum e muitas vezes assintomática, mas que pode evoluir para situações mais complicadas. Estar atento aos sintomas e consultar o médico assistente que orientará a situação pode fazer a diferença.

Referências recomendadas

Tem alguma dúvida? Fale connosco

Ana Lídia Dias • Lília Castelo Branco

Источник: http://www.metis.med.up.pt/index.php/Gastrite_cr%C3%B3nica

Esôfago de Barrett: sintomas, tratamentos e causas

O que é metaplasia intestinal, sintomas e como tratar

Esôfago de Barrett é uma doença na qual ocorre uma mudança nas células do revestimento da porção inferior do esôfago, com transformação do epitélio escamoso normal do esôfago para epitélio colunar (típico do estômago e do intestino), chamada metaplasia intestinal.

O esôfago de Barrett é duas vezes mais frequente em homens brancos que em mulheres e tem incidência aumentada em alcoólatras e tabagistas. É raro entre descendentes de africanos e asiáticos.

Causas

O esôfago de Barrett é causado por uma agressão da porção inferior do esôfago durante muitos anos, pelo refluxo gastroesofágico, que é quando o conteúdo ácido do estômago volta para o esôfago. Ocorre como uma reação de defesa do organismo em resposta à agressão decorrente do refluxo.

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O esôfago não possui revestimento da mucosa para resistir à ação do ácido, como tem o estômago, por isso ocorre uma inflamação quando o ácido reflui do estômago, a esofagite.

A persistência desse refluxo por um longo período de tempo causa uma transformação das células que revestem o esôfago, ficando parecidas com as do estômago, dessa forma resistem melhor ao ácido.

Esse esôfago modificado é denominado esôfago de Barret.

Fatores de risco

A presença de hérnia de hiato é um fator de risco para esôfago de Barret, pois favorece o refluxo gastroesofágico, com exposição prolongada do esôfago distal ao conteúdo ácido proveniente do estômago, causando esofagite e com o passar do tempo ocorre a transformação das células.

O esôfago de Barrett é encontrado em cerca de 10% dos pacientes com doença do refluxo gastroesofágico.

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Sintomas de Esôfago de Barrett

Não existem sintomas específicos do esôfago de Barret, os sintomas são decorrentes do refluxo gastroesofágico e da esofagite.

Entre os sintomas mais frequentes estão azia, queimação, ou pirose, regurgitação (quando volta ácido e comida para o esôfago), sensação de desconforto em região do tórax, que chamamos retroesternal, dor na “boca do estômago”, dor na garganta, sensação de entalo. O refluxo pode ocorrer durante a noite, causando falta de ar, com sensação de estar sufocando.

Outros sintomas menos frequentes, também decorrentes do refluxo são tosse crônica, rouquidão, sensação de irritação na garganta e pigarro.

Buscando ajuda médica

Como o esôfago de Barret não tem sintomas específicos, a presença de sintomas frequentes sugestivos de refluxo leva o paciente a procurar um médico.

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Diagnóstico de Esôfago de Barrett

O diagnóstico de esôfago de Barret é feito através da endoscopia, realizada para avaliação de paciente com sintomas de refluxo. Identifica-se área de mucosa “cor salmão” ou “cor vermelho-róseo”, semelhante a uma invasão digitaliforme de mucosa gástrica no esôfago distal. A endoscopia sugere a alteração, mas a realização de biópsias é sempre necessária para confirmar o diagnóstico.

A análise histológica mostra uma substituição do epitélio estratificado pavimentoso próprio do esôfago por células gástricas, por epitélio colunar definido como metaplasia intestinal, ou por uma mistura dos dois tipos de células. Além de confirmar o diagnóstico deve identificar e graduar a presença de displasia, que é o principal marcador de risco para o desenvolvimento de câncer de esôfago.

A evolução do esôfago de Barret para o adenocarcinoma resulta de eventos genéticos e agressão das células que progridem na seguinte sequência: metaplasia intestinal, displasia de baixo grau, displasia de alto grau e adenocarcinoma.

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O acompanhamento com endoscopia digestiva alta com múltiplas biópsias é essencial no seguimento desses pacientes para avaliar a presença de displasia, a progressão da doença e para prevenir possíveis complicações.

Tratamento de Esôfago de Barrett

O tratamento com medicamentos não é específico para o esôfago de Barrett, nem leva à regressão da doença, tem por objetivo tratar a doença do refluxo gastroesofágico, com alívio dos sintomas, prevenção do refluxo e evitar a piora da doença. Além dos medicamentos o refluxo gastroesofágico deve ser tratado com medidas que envolvem mudanças de estilo de vida.

Durante as fases iniciais, quando na biópsia não tem displasia, ou é leve, de baixo grau, utiliza-se a medicamentos para inibir acidez.

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Os medicamentos utilizados no tratamento do refluxo são:

  • Antiácidos: neutralizam o ácido gástrico e aliviam os sintomas da azia
  • Antagonistas de receptores H2 da histamina: inibem a produção de ácido pelo estômago
  • Inibidores da bomba de prótons: que reduzem a produção de ácido pelo estômago.

Nas fases avançadas, com displasia de alto grau, e risco de transformação para uma lesão maligna, podem ser feitas outras opções de tratamento por via endoscópica como:

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  • Mucosectomia – que é uma remoção de mucosa esofágica afetada. Depois o paciente é mantido com medicação que inibe a secreção de ácido, o que permitirá a regeneração natural da mucosa
  • Fotoablação com laser – o tecido comprometido pode ser retirado usando raios laser, eletrocauterização ou Crioterapia
  • Terapia fotodinâmica que usa um dispositivo laser especial, chamado de balão esofágico, juntamente com uma droga chamada Photofrin.

Em alguns casos pode ser indicada a realização de cirurgia para correção de hérnia de hiato, ou para fortalecer o esfíncter inferior do esôfago que fica na transição com o estômago, com o objetivo de reduzir o refluxo gastroesofágico. Porém o seguimento mostra que cerca de 80% dos doentes operados para tratar o refluxo gastroesofágico não apresentam regressão do epitélio colunar, podendo aparecer adenocarcinoma mesmo após a correção do refluxo.

Uma cirurgia para remoção parcial ou total do esôfago, chamada esofagectomia, pode ser recomendada em casos mais graves, com displasia grave (de alto grau), ou câncer, dessa forma substituindo o esôfago por um segmento do intestino, ou modificando a localização do estômago.

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Medicamentos para Esôfago de Barrett

Os medicamentos mais para o tratamento de esôfago de Barrett são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo/ Prognóstico

É muito importante a mudança no estilo de vida para controle da doença. Deve-se ter uma vida mais saudável, com reeducação alimentar, controle de peso, fazer atividade física, evitar tabagismo e bebidas alcoólicas.

A pessoa deve alimentar-se com maior frequência e em menores quantidades, comer devagar, evitar alimentos fermentativos, fritos e gordurosos, chocolate, café, frutas ou sucos cítricos, molho de tomate, condimentos, evitar ingerir muito líquido às refeições e bebidas gasosas.

Depois do jantar, esperar pelo menos uma hora antes de se deitar, não fazer nenhuma refeição abundante nas três horas antes de deitar.

Em alguns casos, principalmente quando ocorrer refluxo noturno, deve-se elevar a cabeceira da cama.

Complicações possíveis

O esôfago de Barrett possui importância clínica por ser considerado uma lesão pré-maligna, ou seja, que pode evoluir para câncer de esôfago do tipo adenocarcinoma, por isso deve ter um acompanhamento médico para detectar o câncer precocemente.

A maioria dos pacientes com esôfago de Barrett não irá desenvolver câncer de esôfago, que ocorre em cerca de 0,5 a 1% dos casos, embora pareça um percentual pequeno, em relação à população em geral, isso representa um risco 30 vezes maior.

A evolução do quadro é lenta, porém deve ser acompanhada de perto.

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Nos últimos 10 anos, a incidência de câncer de esôfago cresceu 10 vezes. E isso se deve ao aumento no número de pessoas com refluxo e esôfago de Barrett. Essa mudança está diretamente relacionada aos hábitos alimentares do mundo moderno: a comida não é mais fator de sobrevivência, mas é fonte de prazer. E geralmente é uma dieta gordurosa, rica em glúten e lactose que pode levar ao refluxo.

Esôfago de Barrett tem cura?

Apesar do tratamento adequado geralmente não ocorre regressão do esôfago de Barret, ou seja não ocorre a cura, mas pode-se controlar e evitar a piora e progressão para câncer de esôfago

Referências

Cibele Ferrarini, gastroenterologista e doutora na área de Gastroenterologia Clínica na Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina) – CRM-SP 47.359

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/esofago-de-barrett

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