O que é policitemia, causas, como identificar e tratar

Policitemia: Principais Causas, Sintomas e Tratamentos

O que é policitemia, causas, como identificar e tratar

As doenças fazem partes de nossas vidas, gostemos delas ou não. Elas existem e é fato que, em algum momento alguma delas acabará por nos pegar. Existem diversos tipos de doenças que aparecem sem razão aparente e podem nos prejudicar bastante, como é o caso da policitemia, por exemplo.

Entre outras diversas doenças que afetam o nosso sangue, a policitemia se destaca pelos efeitos que causa e por não possuir uma cura, apesar de ter tratamento. E apesar de causar muita preocupação, pessoas que possuem policitemia podem ter uma vida tranquila, desde que seja regada e controlada.

Para entendermos melhor como é feito esse controle, é preciso falar mais profundamente sobre o que é a doença, além de quais são as suas principais causas, sintomas e tratamentos.

O que é a Policitemia?

A policitemia, também conhecida como policitemia vera ou policitemia neonatal, é uma doença causada pelo excesso de células vermelhas (hemácias) no sangue. Esse aumento faz com que o sangue fique mais grosso e, por consequência, tenha mais dificuldade para se transportar pelo corpo e chegar aos órgãos.

Os problemas podem se agravar, já que algumas veias ou vasos sanguíneos mais finos podem acabar ficando entupidos, correndo o risco até mesmo de gerar um acidente vascular cerebral, caso isso ocorra no cérebro.

Apesar de aparecer em uma média de uma a cada 50 mil pessoas, a policitemia é preocupante, até porque a doença pode evoluir e se tornar a mielfibrose, uma doença que afeta a produção de sangue na medula óssea e pode causar diversas dificuldades para o corpo humano.

A idade média em que é diagnosticada a policitemia é 60 anos, ocorrendo muito mais em homens do que em mulheres, ainda que existam casos femininos. São extremamente raros os casos de policitemia em pessoas com menos de 20 anos.

Sintomas da Policitemia

Antes de falarmos de quais são os principais sintomas da doença, é importante saber que, em sua fase inicial, a policitemia é silenciosa e não apresenta seus sintomas.

Mas apesar disso, pessoas que possuem a policitemia têm mais riscos de ter um acidente vascular cerebral, embolia pulmonar ou até mesmo um infarto no miocárdio, o que faz com que a doença se torne ainda mais perigosa.

Sabendo disso, podemos dizer que os principais sintomas da policitemia são:

Tais sintomas aparecem quando a doença já está mais avançado. Ainda assim é importante prestar atenção na combinação desses sintomas, já que eles sozinhos podem ser sinais de outras doenças também.

Quais são as Causas da Policitemia?

Apesar de não conhecida em todos os casos da doença, em 95% dos casos de policitemia existe uma mutação genética chamada Jak2, que é a mutação que causa a produção de células sanguíneas em excesso.
Como a medula óssea é a responsável pela produção desse tipo de célula, ela pode acabar apresentando tecido cicatricial e ter dificuldade na produção desse tipo de célula.

Diagnóstico da Policitemia

A doença muitas vezes é descoberta através de exames de rotina, antes mesmo da apresentação de qualquer tipo de sintoma. Através de exames de sangue que avaliam os níveis de hemoglobina e hematócrito, um médico pode perceber alguma alteração na produção de hemácias e avaliar melhor o paciente para descobrir se é ou não um caso de policitemia.

Em algumas ocasiões, quando ainda há dúvidas, o médico pode pedir outros tipos de testes, como o genético ou o de nível plasmático de eritropoietina, por exemplo, para diagnosticar a doença com mais precisão. É sempre importante consultar um médico assim que sentir algum dos sintomas da doença e de forma alguma tentar se automedicar.

Tratamento da Policitemia

Como já dito anteriormente no texto, não existe cura para a policitemia, mas é possível viver uma vida normal através do tratamento. O tratamento da policitemia é feito com o objetivo de manter o nível de células no sangue adequado para que haja uma boa circulação e para que não ocorra nenhum dano no paciente por conta da doença.

Uma das principais formas de tratar a policitemia é através da flebotomia, um processo que consiste na extração de determinada quantidade de sangue de uma pessoa todos os dias (geralmente 500ml), com o intuito de fazer com que a produção de células para o sangue também diminua.

A partir dessa diminuição, os intervalos para essa extração de sangue ficam cada vez maiores, chegando até meses. Em alguns casos mais extremos, a quimioterapia é necessária para combater o número elevado de células do sangue.
É importante que o paciente nunca interrompa o seu tratamento. Sem ele, a média de vida de uma pessoa que possui a policitemia tende a ser de menos de 2 anos.

A policitemia é uma doença que pode ser severa e causar diversos danos à saúde da pessoa, como o acidente vascular cerebral que citamos anteriormente. E mesmo não existindo uma cura específica, é importante saber que o tratamento para a doença pode controla-la e fazer com que ela cause o menor número de danos possível.

Por isso é importante procurar um médico se você sentir os sintomas da doença e realizar o tratamento de maneira adequada. Dessa forma, a sua vida e o seu dia a dia podem continuar de forma tranquila e normal.

Veja Também: Alzheimer Precoce: Como Identificar
Foto: The Armed Forces Institute of Pathology

Источник: https://www.famivita.pt/policitemia/

Policitémia Vera – APCL

O que é policitemia, causas, como identificar e tratar

É uma doença tumoral da medula óssea, em que há uma excessiva produção de globulos vermelhos, ou eritrócitos, com aumento da hemoglobina e do hematócrito; pode existir igualmente um aumento das plaquetas e dos globulos brancos.
Faz parte de um grupo de doenças designadas por Neoplasias Mieloproliferativas.

Há vários tipos de Policitémia?

Policitémia significa aumento dos eritrócitos e pode ser devida a uma causa primária – Policitemia Vera – ou secundária.

Na Policitémia Vera (PV) há uma produção autónoma, não reactiva, de globulos vermelhos e o valor da Eritropoietina é normal.

Na Policitémia secundária há aumento dos eritrócitos como resposta a um estimulo, nomeadamente a diminuição de oxigénio no sangue, como acontece nos fumadores, na bronquite crónica e ainda em outras doenças pulmonares ou cardíacas; nestes casos o valor de eritropoietina está elevado.

 Em algumas doenças renais há aumento de produção de eritropoietina e consequente policitémai.

Algumas alterações estruturais da hemoglobina, hereditárias, podem levar igualmente a uma policitémia, que se poderá encontrar em outros membros da familia.

Qual é a causa?

Na Policitémia Vera, tal como acontece em outras doenças malignas, a causa é uma alteração de um gene; neste caso o gene afectado é o JAK2  ou, muito raramente, o CALR

É uma doença hereditária? É contagiosa?

Não é hereditária mas podem existir vários casos na mesma familia. Não é contagiosa.

É uma doença frequente?

É uma doença rara com uma incidência de 2-3 novos casos /100.000 habitantes/ano.Ocorre mais frequentemente após os 55 anos.

Quais são os sintomas?

Por vezes não existem sintomas e é diagnosticada num hemograma de rotina.

As manifestações mais frequentes são a cor vermelha da face e da mucosa conjuntival e os sintomas habituais são devidos ao facto de o sangue ser mais espesso, pelo excesso de eritrocitos: dores de cabeça, tonturas, alterações visuais, cansaço,  sudorese, aumento da tensão arterial, agravamento de sintomas cardíacos, falta de ar e por vezes prurido após o banho.

Outros sintomas que podem ocorrer são sensação de formigueiro ou adormecimento das extremidades, dores articulares e perda de peso.

Pode haver aumento do baço o que causa sensação de enfartamento, dor no lado esquerdo do abdomen e aumento do perímetro abdominal. Como há maior predisposição para a formação de coágulos sanguineos, pode causar tromboses e enfarto do miocárdio.

Como se diagnostica?

No exame médico pode ser detectada a coloração avermelhada da pele e mucosas, tensão arterial elevada e aumento do baço.
No hemograma há um aumento dos globulos vermelhos, da hemoglobina e hematócrito e por vezes também dos globulos brancos e plaquetas.

Que exames preciso de fazer?

Para além do hemograma são feitas outras análises ao sangue, nomeadamente a pesquisa da alteração do gene JAK2, caracteristica destas doenças. Habitualmente é feito igualmente um exame da medula óssea por mielograma e biópsia óssea.

Para além destes exames que permitem o diagnóstico de PV é importante avaliar outros factores de risco de doença cardio-vascular como a determinação do colesterol e trigliceridos, determinação do ácido úrico e estudo da coagulação.

É feita avaliação cardiológica com electrocardiograma (ECG) e ecocardiograma.

Outros exames como radiografia do torax e ecografia abdominal são habitualmente pedidos.

Qual é o tratamento?

Para reduzir mais rápidamente os valores de hemoglobina pode ser necessário retirar uma determinada quantidade de sangue – flebotomia – como acontece quando alguém vai dar sangue. Nalguns casos a repetição deste procedimento, pode ser suficiente para controlar a situação.

O tratamento habitualmente inclui aspirina em baixa dose, de modo a reduzir a possibilidade de formação de coágulos.

Para diminuir a produção de globulos é utilizado um medicamento anti-neoplásico, a hidroxiureia. Este medicamento é dado por via oral e é habitualmente bem tolerado, mas deverá fazer análises de controlo para ajuste da dose. Se estiver em idade fértil deverá tomar medidas contraceptivas, qualquer que seja o seu sexo, uma vez que este medicamento pode causar malformações no feto.

Nos casos em que a hidroxiureia não é suficiente para controlar a situação está indicado outro medicamento, ruxolitinib (Jakavi).
Para controlar o prurido pode ser necessário a toma de anti histamínicos.

Como é que vai afectar a minha vida? O que posso fazer?

O principal problema na PV é a possibilidade de tromboses ou enfarto do miocárdio. Deve portanto eliminar dentro do possivel os outros factores de risco. Assim é aconselhável:

  1. deixar de fumar! O tabaco causa estreitamento dos vasos sanguíneos e estimula a produção de eritropoietina, factores que promovem a formação de trombos, para além de outras doenças, nomeadamente oncológicas.
  2. fazer algum exercício físico regularmente.
  3. evitar o excesso de peso e adoptar uma alimentação saudável com poucas gorduras e hidratos de carbono.
  4. evitar a posição sentada com pernas dobradas durante muito tempo, pois isso favorece a formação de coágulos nos membros inferiores, como acontece nas viagens de avião prolongadas.
  5. mantenha uma hidratação adequada, particularmente nos ambientes quentes e secos; beba pelo menos 1,5l de água diáriamente.
  6. controle a tensão arterial

Como se avalia o resultado do tratamento?

Deverá sentir diminuição dos sintomas, como desaparecimento dos sintomo como cefaleias ou tonturas e normalização dos valores hematológicos.

Quais são as complicações dos tratamentos?

A aspirina, mesmo em baixa dose pode causar gastrite ou úlcera péptica pelo que deve estar atento a sintomas como azia, dores de estomago ou aparecimento de fezes muito escuras, devido a perda de sangue.

A hidroxiureia causa diminuição de todas as células do sangue, sendo por isso necessárias análises frequentes de controlo. Em casos mais raros pode causar aftas e úlceras dos tornozelos; como referimos pode causar malformações fetais.

O ruxolitinib pode provocar diminuição das células sanguíneas e em alguns casos há aumento do colesterol e triglicéridos. Pode causar hipertensão,tonturas e alterações da função hepática, não devendo ser dado a grávidas ou lactantes.

Como evolui a doença?

A PV é uma doença crónica e muito provavelmente irá de necessitar de tratamento toda a vida, embora possa haver adaptação das doses dos medicamentos. Em casos muito raros pode evoluir para uma leucemia aguda ou para uma mielofibrose, em que há substituição do tecido da medula óssea por fibrose.

Na maioria dos casos a doença é muito bem controlada com a medicação e estilo de vida saudável.

Источник: https://www.apcl.pt/pt/doencas-do-sangue/neoplasias-mieloproliferativas/policitemia-vera

Abordagem do paciente com eritrocitose

O que é policitemia, causas, como identificar e tratar

A eritrocitose ou policitemia é definida por aumento do hematócrito, que pode representar aumento da massa eritrocitária ou diminuição do volume plasmático, o que é denominado de policitemia relativa. Neste segundo caso causas incluem sexo masculino, obesos e fumantes.

São causas de policitemia relativa, portanto com massa eritrocitária normal que têm causas como desidratação, uso de diuréticos, excesso de cafeína, fumo, álcool, hipertensão arterial e policitemia espúria. Em fumantes, 98% de chance de ser por contração volumétrica, pela presença de carboxi-Hemoglobina (carboxi-Hb) ou por queda da saturação de O2.

Alguns pacientes apresentam níveis altos de hemoglobina e hematócrito, mas massa eritrocitária de tamanho normal; apresentam volume plasmático diminuído e portanto não têm uma policitemia real, sendo por este motivo denominada de espúria.

Descartando o diagnóstico de policitemia relativa, temos a chamada policitemia absoluta. Os pacientes com policitemia absoluta pom ser divididas em policitemia primária, que é chamada de policitemia vera, e policitemia secundária.

As policitemias secundárias podem ser consideradas fisiologicamente apropriadas ou inapropriadas.

São consideradas condições em que a policitemia é fisiologicamente apropriada principalmente em condições associadas à hipóxia tecidual, como hipoxemia por doença pulmonar crônica (principalmente a DPOC), à hipoventilação alveolar (obesidade grau 3), aos shunts cardiovasculares e às altas concentrações carboxi-Hb, hemácias com alta afinidade pela hemoglobina. Pacientes submetidos a altitudes maiores que 2200 podem evoluir com eritrocitose, inicialmente sintomas como cefaleia, sonolência, palpitações e até edema pulmonar podem ocorrer até obter a resposta adaptativa de policitemia.

Já condições que são associadas à policitemia considerada fisiologicamente inapropriada, incluem neoplasias como carcinoma renal (produz eritropoetina), hepatoma, hemangioma cerebral, leiomioma de útero, carcinoma de ovário. Várias doenças renais são associadas com policitemia secundária incluindo cistos renais, isquemia renal, hidronefrose, transplante renal, síndrome de Barterr e terapia com andrógenos.

A eritrocitose familiar é uma condição que pode ser associada com policitemia severa, ocasionalmente com níveis de hemoglobina superiores a 20 g/dl, complicações como cefaleia crônica, HAS, doença coronariana e AVC podem ocorrer nestes pacientes. Outra condição descrita na literatura é a chamada de policitemia neonatal que cursa com diminuição da aceitação alimentar, pletora, cianose, desconforto, hipotonia, hipoglicemia e aumento de bilirrubinas.

As chamadas policitemias primárias podem ser divididas em policitemia vera e eritrocitose idiopática, a primeira representando uma condição que será discutida um pouco mais a fundo nesta revisão.

Na avaliação inicial, a história e o exame físico podem ajudar a determinar a causa da policitemia.

Em pacientes com baixa saturação de oxigênio diagnósticos a serem considerados incluem a doença pulmonar obstrutiva crônica, cardiopatias congênitas e obesidade mórbida.

Achados como baqueteamento digital são associados com doenças pulmonares e cardíacas e sugerem estas como a causa da policitemia.

Pacientes com história de tabagismo reforçam a possibilidade de DPOC. Deve-se acrescentar que 3-5% dos tabagistas cursam com policitemia.

A policitemia vera (PV), por sua vez cursa com achados que incluem esplenomegalia, leucocitose e trombocitose, é um diagnóstico raro ocorrendo em 1 a cada 10.000 indíviduos. A doença ocorre em 95% dos casos em pacientes com mais de 40 anos de idade, sendo 85% dos pacientes com mais de 50 anos de idade.

Cerca de 75% dos pacientes apresentam esplenomegalia, trombocitose e leucocitose no Policitemia Vera Study Group.

A PV cursa ainda com complicações como síndrome POEMS (polineuropatia, organomegalia, endocrinopatia, proteína monoclonal e alterações cutâneas) e síndrome de sweet ou dermatose neutrofílica, a PV pode cursar ainda com tromboses e hemorragias, que se presentes em pacientes com policitemia sugerem o diagnóstico de PV.

Pacientes com carcinoma renal podem apresentar sintomas sugestivos, mas a camada tríade do carcinoma de células renais, que consiste em dor em flanco, massa abdominal e hematúria ocorre na minoria dos casos.

O carcinoma renal ocorre em 11 a cada 100.000 indíviduos e destes cerca de 1 a 5% cursam com policitemia.

Pacientes com policitemia secundária a doença renal têm 8 a 10 vezes maior chance de desenvolver HAS e disfunção cardíaca.

A probabilidade do diagnóstico varia conforme os níveis de hematócrito, sendo quanto maior o hematócrito, maior a possibilidade da policitemia vera. A tabela 2 sumariza a chance do diagnóstico de policitemia vera (PV), conforme o hematócrito na apresentação.

Tabela 2: Probabilidade do diagnóstico de policitemia vera conforme o hematócrito.

HomemMulherProbabilidade
=55%89%

Exames complementares

O hemograma mostra leucocitose com mais de 12.000 cels/mm3 em 40% dos casos na PV. As plaquetas por sua vez são maiores que 400.000 cels/mm3 em 60% dos pacientes. Aumentos concomitantes nas três séries hematopoieticas é um achado relativamente específico para o diagnóstico de PV.

Leucocitose também ocorre em outras situações, sendo descrita em 6-20% dos pacientes com carcinoma renal e aproximadamente 10% dos tabagistas. Pacientes com PV apresentam neutrofilia absoluta em 2/3 dos casos e basofilia também em 2/3 dos casos, as plaquetas estão aumentadas em pelo menos 50% dos pacientes e acima de 1.000.000 cels/mm3 em até 10% dos casos.

Em pacientes com suspeita de policitemia espúria, a realização de cintilografia com radiomarcadores para determinar a massa eritrocitária total.

A mensuração da saturação de oxigênio é outro exame necessário na avaliação, em pacientes com saturação de oxigênio menor que 92% ocorre hipóxia tecidual e aumento da produção de eritropoetina.

No policitemia vera study group 11% dos pacientes com saturação de oxigênio menor que 92% tinham policitemia.

Deve-se considerar ainda que pacientes com doença pulmonar estável, que antes tinham hematócrito dentro dos limites da normalidade, que passem a apresentar policitemia sem alterações dos níveis basais de oxigenação têm indicação de investigação de policitemia primária mesmo se níveis de saturação de oxigênio sejam menores que 92%. Outro fator a ser considerado é que alguns pacientes com PV podem ter alterações de saturação de oxigênio, um estudo por exemplo achou estas alterações em 10% dos pacientes com PV.

A carboxi-Hb também deve ser mensurada na investigação. Quando os níveis são superiores a 4% é possível que ocorra policitemia secundária. Outro exame necessário é a mensuração do volume plasmático e a massa eritrocitária.

Quando a massa eritrocitária é normal indica volume plasmático contraído, portanto uma policitemia irreal, no estudo Policitemia Vera Study Group 10% dos pacientes apresentavam massa eritrocitária normal.

Também é recomendada a realização de eletroforese de hemoglobina para descartar altas porcentagens de hemoglobinas com alta afinidade por oxigênio, como a HbF, que justificariam hipóxia tecidual e policitemia secundária.

Na suspeita de PV é necessário avaliar a medula óssea, que se apresenta hipercelular em todas linhagens, principalmente em células vermelhas mas sem achados característicos.

A fosfatase alcalina leucocitária e a vitamina b12 também podem ser solicitadas na investigação, e se encontram aumentados em pacientes com PV.

A tabela 3 sumariza os achados que diferenciam a PV, a policitemia secundária e a policitemia espúria.

Tabela 3: Diagnóstico diferencial das policitemias

AchadosPolicitemia VeraPolicitemia secundáriaPolicitemia espúria
Esplenomagalia+
Leucocitose+
Trombocitose+
Resposta anormal a adrenalina (induz agregação)+
SaO2NormalDimuída ou normalNormal
B12AumentadaNormalNormal
Fosfatase alcalina leucocitáriaAumentaNormalNormal
Medula ÓsseaPan-hiperplasiaHiperplasia eritroideNormal
EritropoetinaDiminuídaAumentadaNormal
Crescimento endogeno c estimulador de formação de colônias erotrocitárias CFU-E+

Critérios diagnósticos para policitemia vera

Os critérios diagnósticos para policitemia vera são divididos em critérios A e B.

São os seguintes:

Critérios A

A1-Poliglobulia com Hb> 18,5 g/dl em homens e 16,5 g/dl em mulheres com volume eritrocitario total > = 36 ml/kg no homem e 32 ml/kg na mulher, ou volume eritrocitário pelo menos 25% a mais que o limite superior da normalidade.

A2- Ausências de causas secundárias de poliglobulia, para isto é necessário:

-SaO2 >92%;

-Ausência de Hemoglobinas de alta afinidade por O2;

-Produção inapropriada de eritropoetina por doença policística renal ou tumor renal;

A3-Esplenomegalia;

A4-Anormalidade citogenética clonal excluindo cromossomo Philadelphia

A5-Formação de colônias eritroides endógenas in vitro B

B1- Trombocitose > 400.000 cels/mm3

B2- Leuccitose > 12.000 cels/mm3 ou 12.500 cels/mm3 em tabagistas sem febre e infecção

B3- Fosfatase alcalina leucocitária > 100pg/ml

B4- B12  > 900 pg/ml

B5- Biópsia de medula óssea com evidência de panmielose com proeminente proliferação eritroide e megacariocítica

B6-Eritropoetina diminuída

PV se todos os A ou A1 + A2 com 2 dos critérios B

Tratamento

Não é o escopo desta revisão discutir o tratamento da PV, mas convém discutirmos alguns princípios básicos. A PV é uma doença que tem uma fase inicial pletórica de duração de vários anos usualmente.

Nesta fase, o tratamento é sintomático com as flebotomias, com remoção 450 a 500 ml de sangue a cada 2-4 dias, com retirada menor se menos de 50Kg de peso, em cardiopatas as retiradas devem ser menores e em intervalos maiores, o objetivo do tratamento é manter o hematócrito menor que 45%.

Devemos lembrar que a flebotomia é associada com perda de ferro que deve ser reposto.

Em pacientes com baixo risco de trombose (< 60 anos, sem episódio trombótico prévio e com Plaquetas

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/6198/abordagem_do_paciente_com_eritrocitose.htm

Policitemia: principais causas, sintomas e como é feito o diagnóstico

O que é policitemia, causas, como identificar e tratar

A policitemia corresponde ao aumento da quantidade de hemácias, também chamadas de glóbulos vermelhos ou eritrócitos, no sangue, ou seja, acima de 5.4 milhões de hemácias por µL de sangue nas mulheres e acima de 5.9 milhões de hemácias por µL de sangue nos homens.

Devido ao aumento no número de hemácias, o sangue fica mais viscoso, o que faz com que o sangue circule com mais dificuldade pelos vasos, podendo causar alguns sintomas, como dor de cabeça, tonturas e até mesmo infarto.

A policitemia pode ser tratada de modo não só a diminuir a quantidade de hemácias e a viscosidade do sangue, mas também com o objetivo de aliviar os sintomas e prevenir complicações, como AVC e embolia pulmonar.

Sintomas de policitemia

A policitemia normalmente não gera sintomas, principalmente se o aumento no número de hemácias não for tão grande, sendo percebida apenas por meio do exame de sangue. No entanto, em alguns casos, a pessoa pode sentir dor de cabeça constante, visão embaçada, pele vermelha, cansaço excessivo e coceira na pele, principalmente após o banho, podendo indicar a policitemia.

É importante que a pessoa faça o hemograma de forma regular e, caso surja qualquer sintoma relacionado à policitemia, vá imediatamente ao médico, pois o aumento da viscosidade do sangue em função do aumento no número de hemácias aumenta o risco de AVC, infarto agudo do miocárdio e embolia pulmonar, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da policitemia é feito a partir do resultado do hemograma, em que é percebido não só o aumento no número de hemácias, mas também aumento dos valores do hematócrito e de hemoglobina. Veja quais são os valores de referência do hemograma.

De acordo com a análise do hemograma e do resultado de outros exames realizados pela pessoa, a policitemia pode ser classificada em:

  • Policitemia primária, também chamada de policitemia vera, que é uma doença genética caracterizada pela produção anormal de células sanguíneas. Entenda mais sobre a policitemia vera;
  • Policitemia relativa, que é caracterizada pelo aumento do número de hemácias devido à diminuição do volume plasmático, como no caso da desidratação, por exemplo, não sendo necessariamente indicativo de que houve maior produção de hemácias;
  • Policitemia secundária, que acontece devido a doenças que podem levar ao aumento não só do número de hemácias, mas também de outros parâmetros laboratoriais.

É importante que seja identificada a causa da policitemia para que seja estabelecido o melhor tipo de de tratamento, evitando o surgimento de outros sintomas ou complicações.

Principais causas de policitemia

No caso da policitemia primária, ou policitemia vera, a causa do aumento da produção de hemácias é uma alteração genética que faz com que haja desregulação no processo de produção das células vermelhas, levando ao aumento de hemácias e, as vezes, de leucócitos e plaquetas.

Já na policitemia relativa, a principal causa é a desidratação, pois nesses casos há perda de fluidos corporais, levando ao aumento aparente do número de hemácias. Normalmente no caso de policitemia relativa os níveis de eritropoietina, que é o hormônio responsável por regular o processo de produção de glóbulos vermelhos, estão normais.

A policitemia secundária pode ser causada por diversas situações que podem levar ao aumento no número de hemácias, como por exemplo doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, obesidade, tabagismo, síndrome de Cushing, doenças hepáticas, leucemia mieloide crônica em fase inicial, linfoma, alterações renais e tuberculose. Além disso, o número de glóbulos vermelhos podem aumentar devido ao uso prolongado de corticoides, suplementos de vitamina B12 e medicamentos utilizados no tratamento do câncer de mama, por exemplo.

Como tratar

O tratamento da policitemia deve ser orientado por um hematologista, no caso do adulto, ou por pediatra no caso do bebê e da criança, e depende da causa do aumento do número de hemácias no sangue.

Normalmente o tratamento tem como objetivo diminuir a quantidade de hemácias, tornar o sangue mais fluido e, assim, aliviar os sintomas e reduzir o risco de complicações. No caso de policitemia vera, por exemplo, pode ser recomendada a realização de flebotomia terapêutica, ou sangria, em que o excesso de glóbulos vermelhos é retirado.

Além disso, o médico pode indicar a utilização de medicamentos, como a aspirina, para deixar o sangue mais fluido e reduzir o risco de formação de coágulos, ou de outros medicamentos, como a Hidroxiureia ou o Interferon alfa, por exemplo, para diminuir a quantidade de hemácias.

Источник: https://www.tuasaude.com/policitemia/

Sobre a Medicina
Deixe uma resposta

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!: