OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

Remédio para emagrecer

OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

Para perder peso rápido, a pratica de atividade física regular, e uma alimentação saudável baseada em alimentos naturais e não industrializados é indispensável, mas apesar disso, em alguns casos, o médico pode sentir necessidade de utilizar remédios que aumentam o metabolismo e a queima de gorduras, que reduzem a absorção de gordura no intestino, que reduzem o apetite ou que combatem a retenção de líquidos, normalmente  quando o peso em excesso coloca em causa a vida e bem estar do paciente.

Dentre as melhores soluções para emagrecer estão o chá verde, a quitosana, a goji berry e os medicamentos Saxenda e Orlistat. Veja a seguir a lista completa e para que serve cada um.

Medicamentos que emagrecem

Alguns dos medicamentos que podem ser usados para perder peso, que são vendidos em farmácias e devem ser prescritos pelo médico e utilizados de acordo com a sua recomendação são:

1. Sibutramina

A sibutramina atua diminuindo a fome e fazendo com que a sensação de saciedade chegue mais rápido ao cérebro, ajudando a controlar a quantidade de comida ingerida. Dessa forma, este remédio pode ser usado como primeiro tratamento em pessoas com obesidade.

Este remédio não deve ser usado por gestantes, mulheres que amamentam e em casos de doenças cardíacas, anorexia, bulimia, uso de descongestionantes nasais e antidepressivos. Veja os efeitos colaterais da Sibutramina.

  • É ideal para: pessoas que estão fazendo dieta, mas têm muita dificuldade em controlar a fome e vontade de comer alimentos mais gordurosos ou açucarados.
  • Como tomar: em geral, a recomendação é tomar 1 cápsula pela manhã em jejum, mas se a perda de peso não ocorrer após 4 semanas de uso, o médico deve ser consultado para reajustar a dose e reavaliar a prescrição.

2. Orlistat

Também conhecido como Xenical, atua impedindo a absorção de gordura no intestino, o que reduz a quantidade de calorias consumidas, ajudando na perda de peso e no controle do colesterol alto e da obesidade.

O orlistat está contraindicado para gestantes, mulheres que amamentam e pessoas com problemas de má absorção intestinal ou tendência a ter diarreia. Veja o resumo da bula completa de Orlistat.

  • É ideal para: ser utilizado em dias em que se fazem refeições ricas em gordura, por exemplo, para diminuir a quantidade de gordura absorvida e ajudar a manter os resultados da dieta. Idealmente, não deve ser usado como solução para ingerir mais alimentos gordurosos no dia-a-dia.
  • Como tomar: é aconselhado tomar 1 comprimido antes da refeição, de forma a diminuir a quantidade de gordura absorvida nos alimentos.

3. Saxenda

O Saxenda é um medicamento em forma de injeção que só pode ser usado sob prescrição médica. Ele atua no centro da fome e da saciedade fazendo com que a pessoa tenha menos apetite. Além disso, um dos efeitos do medicamento é a mudança no paladar que faz com que os alimentos não tenham um sabor tão agradável.

No entanto, não deve ser usado por pessoas que não sejam consideradas obesas, durante a gravidez ou em adolescentes, porque os efeitos do medicamento não foram esclarecidos nesta faixa etária. Veja a bula completa de Saxenda.

  • É ideal para: pessoas a fazer acompanhamento médico e nutricional para tratar obesidade de IMC superior a 30 Kg/m² ou com IMC superior a 27 kg/m2 e doenças associadas, como hipertensão arterial ou diabetes tipo 2.
  • Como tomar: geralmente basta 1 injeção de Saxenda por dia para conseguir uma redução de 10% do peso em 1 mês. A dose poderá ser aumentada gradualmente, caso o médico recomende.

4. Cloridrato de lorcaserina – Belviq

Belviq é um remédio contra obesidade que atua nos níveis de serotonina do cérebro , diminuindo o apetite e aumentando a saciedade, com poucos efeitos colaterais. Com a redução do apetite é possível ingerir menos alimentos, perdendo peso. Veja a bula desse remédio em: Belviq.

  • É ideal para: pessoas a fazer dieta que precisam diminuir o apetite para evitar o consumo de alimentos com muitas calorias, e emagrecer rápido. No entanto, só pode ser utilizado com receita médica.
  • Como tomar: ingerir 2 comprimidos por dia, um no almoço e outro no jantar.

Remédios naturais para emagrecer

Os melhores remédios naturais para emagrecer são à base de ervas e produtos naturais que melhoram o funcionamento do organismo, como:

1. Chá verde

Tem as propriedades de acelerar o metabolismo e favorecer a queima de gordura, podendo ser consumido em cápsulas ou na forma de chá.

Deve-se consumir de 3 a 4 xícaras do chá por dia ou tomar 2 cápsulas pela manhã e pela tarde, mas está contraindicado para pessoas com sensibilidade à cafeína ou problemas cardíacos.

2. MaxBurn

Suplemento feito a partir de chá verde e açaí, tem o poder de aumentar o metabolismo e diminuir o apetite. Deve-se tomar uma cápsula antes do almoço e do jantar, mas é importante lembrar que a venda deste medicamento foi proibida pela Anvisa.

3. Quitosana

A quitosana é feita a partir de fibras presentes no esqueleto de frutos do mar, ela aumenta a saciedade e diminui a absorção de gordura no intestino. Deve-se tomar 2 cápsulas antes do almoço e do jantar, mas está contraindicada para pessoas alérgicas a frutos do mar.

4. Goji berry em cápsulas

Esse remédio é feito a partir do fruto fresco, e atua no organismo como antioxidante e anti-inflamatório, devendo-se tomar 1 cápsula antes do almoço e do jantar.

É importante lembrar que apesar de naturais, esses remédios estão contra-indicados para mulheres grávidas ou que amamentam, crianças e pessoas com pressão alta ou problemas cardíacos, e que, o ideal é que eles sejam prescritos pelo médico ou pelo nutricionista.

Remédios caseiros para emagrecer

Os remédios caseiros para emagrecer são opções mais fáceis e seguras para serem utilizadas para ajuda na dieta, especialmente de quem sofre com obesidade. Dentre os principais, estão:

1. Água de Berinjela

Para preparar, deve-se cortar 1 berinjela em cubos e deixar de molho em 1 litro de água durante a noite. Pela manhã, deve-se bater tudo no liquidificador consumir ao longo do dia, sem adicionar açúcar.

2. Água de Gengibre

Deve-se adicionar de 4 a 5 rodelas ou 2 colheres de sopa de raspas de gengibre em 1 litro de água gelada, bebendo a mistura ao longo do dia. Para obter melhores resultados, o gengibre deve ser trocado diariamente.

3. Chá diurético de ervas

Para preparar este chá, deve-se adicionar 10 g de alcachofra, cavalinha, sabugueiro, louro e anis, em 1 litro de água fervente. Desligar o fogo e abafar a panela, deixando descansar por 5 minutos. Beber o chá ao longo do dia e seguir o tratamento durante 2 semanas.

Além de conhecer os remédios, é importante lembrar que todos esses medicamentos trazem mais resultados quando aliados a uma alimentação saudável e à prática regular de atividade física.

Como emagrecer sem remédio

Controlar o índice glicêmico dos alimentos é uma ótima forma de emagrecer sem ter que tomar remédio e sem sentir fome. A nutricionista Tatiana Zanin explica o que é, como controlar o índice glicêmico nesse leve e bem-humorado vídeo:

Источник: https://www.tuasaude.com/remedio-para-emagrecer/

OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

Obesidade

O tratamento da obesidade com medicamentos pode ser um boa opção quando associado a modificações da dieta, do padrão de atividade física e de hábitos de vida.

No entanto, o papel dos remédios para perda de peso tem sido questionado devido a preocupações com a eficácia, segurança e a observação de que a maioria dos pacientes acaba por recuperar o seu peso quando as drogas são interrompidas.

Neste artigo vamos explicar quais são as principais opções de remédios para perder peso e quando o seu uso está indicado.

Objetivos do tratamento medicamentoso para a perda de peso

Todo paciente submetido a tratamentos para perda de peso deve ser orientado pelo médico a ter um objetivo factível. O desfecho ideal do tratamento da obesidade é um retorno ao peso corporal normal, mas isso não é realista na maioria dos casos.

Em um estudo, a título de exemplo, indivíduos obesos foram questionados antes do início do tratamento sobre quantos quilos eles gostariam de perder.

Meses depois, quando o objetivo sonhado foi comparado com a real perda de peso, nenhum dos participantes do estudo havia atingido o peso idealizado e poucos estavam contentes com a perda de peso que conseguiram.

Portanto, o médico e o paciente precisam chegar a um entendimento mútuo sobre as reais possibilidades de perda de peso para não haver frustrações ao final de alguns meses.

No tratamento medicamentoso da obesidade, perdas de 10 a 15% do peso corporal são considerados excelentes resultados, mesmo que o paciente ainda se encontre longe do peso sonhado. Na verdade, perdas acima de 5% do peso corporal já são suficientes para reduzir substancialmente o risco de diabetes e doenças cardiovasculares.

Existe uma diferença grande entre a perda de peso ideal para melhorar a saúde e a perda de peso necessária para se atingir o atual padrão de beleza imposta pela mídia.

Indicações para o uso de remédios para emagrecer

Todos os pacientes com excesso de peso devem, antes de iniciarem remédios, estabelecer uma dieta adequada, uma programação de exercícios físicos e mudanças nos hábitos de vida.

No final das contas, perder peso é uma simples conta aritmética: calorias gastas – calorias consumidas. Se você ingere mais calorias do que gasta, não existe tratamento que o faça emagrecer. Não existe remédio milagroso e não existe perda de peso sem esforço.

Não é boa prática médica indicar drogas para emagrecer para pacientes que não fazem dietas e/ou exercícios físicos.

Atualmente indica-se o uso de medicamentos para emagrecer em todos os pacientes que já estejam sob dieta, exercícios físicos e se encaixem nos seguintes critérios:

1. Indivíduos com IMC maior que 30 kg/m² .2. Indivíduos com IMC maior que 27 kg/m² que também apresentem diabetes, hipertensão ou colesterol elevado*.

3. Indivíduos com IMC maior que 25 kg/m² que apresentem circunferência abdominal maior que 102 cm nos homens ou 88 cm nas mulheres.

* Para ler sobre essas três doenças:
– DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas
– HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento
– COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS

Sibutramina

A sibutramina auxilia na perda de peso por agir diretamente sob neurotransmissores cerebrais responsáveis pela sensação de saciedade, entre eles, serotonina, dopamina e noradrenalina.

A sibutramina faz com que esses neurotransmissores permaneçam mais tempo circulando no cérebro, fazendo com que o paciente consiga permanecer mais tempo sem ter vontade de comer.

A Sibutramina é, portanto, um moderador do apetite.

Estudos mostram que, se associados a dieta e a exercícios físicos, a sibutramina ajuda a perder em média 10 kg após um ano de tratamento.

Para saber mais detalhes sobre a sibutramina, leia: SIBUTRAMINA | Reductil® | Efeitos e contraindicações

Orlistat

O Orlistat é um medicamento que age inibindo a absorção de gordura pelo intestino. O uso contínuo de Orlistat faz com pelo 1/3 das gorduras ingeridas não sejam absorvidas, sendo eliminadas pelas fezes.

Estudos mostram que, se associados a dieta e a exercícios físicos, o Orlistat ajuda a perder em média 9kg após um ano de tratamento.

O Orlistat apresenta também a vantagem de agir nos níveis de colesterol, podendo haver uma redução de até 10% nos valores do LDL, o colesterol ruim.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão excesso de gases, cólicas abdominais, gotas de gordura nas fezes e incontinência fecal. Geralmente esses efeitos são piores se o paciente não estiver controlando a ingestão de gorduras.

Uma dieta com no máximo 30% de gorduras não costuma causar esses efeitos adversos.

Outros efeitos colaterais são a diminuição na absorção de algumas vitaminas, como as vitaminas A, D, E e K (leia: MITOS E VERDADES SOBRE VITAMINAS) e um maior risco de desenvolver cálculos renais (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

O Orlistat não altera a absorção da maioria dos medicamentos, incluindo anticoncepcionais, anti-hipertensivos, anticoagulantes,  antiepiléticos e digoxina, por exemplo.

Para saber mais detalhes sobre o Orlistat, leia: ORLISTAT – XENICAL.

ATENÇÃO: AS TRÊS DROGAS CITADAS A SEGUIR: FEMPROPOREX, MAZINDOL E DIETILPROPIONA TIVERAM SUA COMERCIALIZAÇÃO SUSPENSA PELA ANVISA EM OUTUBRO DE 2011

Femproporex

O Femproporex é um derivado da anfetamina que age no sistema nervoso central, nomeadamente no hipotálamo, diminuindo a fome. É, portanto, uma droga inibidora do apetite.

O femproporex é proibido na maioria dos países, mas ainda é muito prescrito no Brasil como droga de tarja preta (assim como a Sibutramina). O medicamento é muito efetivo, entretanto, o fato de ter propriedades estimulantes, reduzindo o sono e aumentando a sensação de bem-estar, faz com que a mesma seja irresponsavelmente usada como droga recreativa (a famosa bolinha).

O Femproporex pode criar dependência, por isso, só deve ser utilizado por curtos períodos, geralmente no máximo quatro meses.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão: boca seca, insonia, tremores e irritabilidade. Os derivados da anfetamina também causam aumento da pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos.

Se não houver reais mudanças nos hábitos de vida, o paciente costuma recuperar o peso perdido depois que a droga é suspensa. Uma vez que o efeito anorexígeno do Femproporex desaparece, o paciente volta a ter fome e passa a comer mais novamente.

Anfepramona (dietilpropiona)

A Anfepramona age de modo semelhante ao Femproporex, porém é um inibidor do apetite menos potente. Ao contrário do Femproporex, a Anfepramona é comercializada legalmente em outros países, como EUA, Canadá, Austrália e Suíça.

A Anfepramona apresenta efeitos colaterais muito parecidos com o Femproporex e também é usada inapropriadamente como droga recreativa. Devido ao risco de dependência, também só deve ser prescrita por curtos períodos.

Mazindol

O Mazindol é mais um medicamento anorexígeno com ação semelhante às anfetaminas (apesar de não ser derivado da anfetamina), estimulando o sistema nervoso central e agindo sobre a saciedade. Possui efeitos colaterais semelhantes às duas drogas descritas acima.

Atualmente os dois medicamentos mais prescritos para redução do peso são a Sibutramina e o Orlistat.

Outros remédios que podem ajudar na perda de peso

Os medicamentos de primeira e segunda linha para a perda de peso no Brasil são os 5 descritos anteriormente.

Todavia, existem ainda alguns medicamentos, indicados para outras doenças que podem causar perda peso como efeito secundário.

Os medicamentos listados abaixo não devem ser prescritos unicamente para emagrecimento e não apresentam resultados tão satisfatórios como as drogas descritas acima:

Suplementos alimentares para emagrecer

Não existem evidências cientificas que comprovem a eficácia ou segurança dos inúmeros produtos vendidos como “opções naturais” para perda de peso. As substâncias listadas a seguir são frequentemente vendidas como opções para perder peso, porém não apresentam comprovação científica:

  • Pholia magra
  • Pholia negra
  • Gymnema silvestre
  • Ephedra
  • Guar gum
  • Chitosan
  • Ginseng
  • Erva-de-são-joão
  • Chá-verde
  • Hoodia gordonii
  • Psyllium
  • Ácido Hidroxicítrico
  • Glucomannan
  • L-carnitina

É preciso ter muito cuidado com produtos vendidos como milagrosos emagrecedores. Muitos deles contém escondidos em sua fórmulas medicamentos como anfetamina, diuréticos, hormônios tireoidianos, fluoxetina, ansiolíticos e efedrina.

Suplementos termogênicos

Suplementos termogênico são substâncias que ajudam a acelerar o metabolismo e a aumentar a temperatura corporal, auxiliando na queima de gorduras e na perda de peso. Historicamente os termogênicos eram produtos a base de anfetaminas e cafeína, porém, nos últimos anos as substâncias derivadas da anfetamina foram banidas do mercado.

Temos um artigo específico sobre os termogênicos, que pode ser acessado através do seguinte link: TERMOGÊNICOS | Riscos e efeitos colaterais.

Conclusão

Não existe droga milagrosa, assim como não existe perda de peso sem esforço. Qualquer tratamento que prometa redução do peso de modo rápido e fácil deve ser encarado como fraude. Além de gastar seu dinheiro, você ainda pode estar consumindo substâncias que façam mal.

O tratamento com remédios para perda de peso deve ser feito somente com orientação médica e nunca sem um programa nutricional e de exercícios físicos associados. Se o paciente não estiver disposto a controlar seu consumo de calorias e a aumentar seu gasto calórico através de atividades físicas, a chance de sucesso é muito reduzida.

Источник: https://www.mdsaude.com/obesidade/remedio-para-emagrecer/

Remédio para emagrecer vicia? Como funciona e quais os efeitos colaterais?

OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

De acordo como dados do Ministério da Saúde, quase um em cada cinco brasileiros (18,9% da população) é obeso e mais da metade das pessoas do país (54%) está com excesso de peso.

A obesidade é reconhecidamente uma doença crônica –porta de entrada para outras enfermidades, como pressão alta e diabetes — e tem múltiplas causas, como predisposição genética e estilo de vida. O problema não tem cura, mas controle sim –que deve começar com reeducação alimentar e prática regular de atividade física. 

Tendo em vista que o excesso de peso é uma doença e nem todos conseguem emagrecer com mudanças na rotina, o uso de remédios para perder peso acaba sendo uma alternativa válida para combater esse mal. Mas quem pode usar e quando os medicamentos devem ser adotados como estratégia para tratar o problema? 

Segundo Walmir Coutinho, professor e diretor do departamento de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), remédios para emagrecer são recomendados para adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 –ou de 27 para cima em pessoas com comorbidades associadas, como diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado e disfunções osteomusculares (que prejudicam os movimentos e a locomoção).

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O médico Rogério Friedman, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), acrescenta que os remédios para emagrecer devem ser vistos como parte de um programa de gerenciamento de peso para quem de fato precisa. “O principal é treinar o paciente para que ele adote uma rotina mais saudável. O medicamento seria empregado apenas quando não se consegue o resultado esperado com dieta e atividade física”, diz.

Categorias de remédios para emagrecer

Atualmente, existem no Brasil quatro remédios formalmente indicados para o tratamento da obesidade e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entenda como cada um funciona:

1. Sibutramina

Atua no sistema nervoso central, especialmente sobre os neurotransmissores noradrenalina e serotonina, gerando a sensação de saciedade e ajudando a controlar a fome. 

Efeitos colaterais: entre as implicações colaterais da sibutramina estão aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, ansiedade, insônia, sensação de boca seca e dor de cabeça.

2. Liraglutida (Saxenda)

É o único remédio para emagrecer injetável (as outras são administradas via oral). Essa medicação possui efeitos múltiplos.

Segundo Priscila Cukier, endocrinologista do Hospital Santa Catarina, ela opera tanto no sistema nervoso central quanto no aparelho digestivo.

“Trata-se de um análogo de GLP-1, hormônio que ajuda a reduzir a motilidade do estômago (fazendo com que demore mais para ser esvaziado) e potencializar a secreção de insulina. Isso aumenta a saciedade e faz com que a pessoa coma menos”, explica. 

Efeito colateral: o inconveniente mais comum é náusea.

3. Lorcaserina

Apesar de aprovado, ainda não está disponível no mercado nacional. Assim como a sibutramina, trabalha com a serotonina, mas apenas no receptor do tipo 5HT2C. Localizado no hipotálamo, região do cérebro responsável, entre outras coisas, pelo controle da ingestão de alimentos, esse remédio para emagrecer regula o apetite e a sensação de saciedade.

Efeitos colaterais: dor de cabeça, náusea e constipação são os problemas geralmente relatados por que usa a substância.

É importante entender que qualquer medicamento pode provocar efeitos indesejados, e com os emagrecedores não é diferente. Por isso, o usual é que os remédios para emagrecer sejam prescritos inicialmente em uma dosagem pequena.

Vamos ajustando com o tempo, dependendo da tolerância do paciente e da intensidade dos efeitos colaterais, que, normalmente, desaparecem com o uso“, fala. “Se isso não acontecer, e também se o fármaco não der resultado em poucos meses, trocamos para um de outro tipo”, explica Cukier.

4. Orlistate 

Conhecido pelo nome comercial Xenical,age reduzindo em até 30% a absorção de gordura no intestino. Com isso, impede que o organismo armazene parte da gordura consumida, eliminando-a pelas fezes.

Efeitos colaterais: os mais notórios são gases e diarreia. Para evitar desconfortos, durante o tratamento com a droga é preciso seguir à risca a dieta prescrita pelo especialista e consumir entre 30% e 40% menos gordura do que habitual. O remédio ainda pode aumentar as chances do surgimento de cálculo biliar (pedra na vesícula). 

  • Quer emagrecer? Siga estas dicas comprovadas pela ciência

Remédio para emagrecer vicia?

É preciso destacar que, ao contrário do que muita gente pensa, os remédios para emagrecer atuais não viciam. Isso é um mito.

“O que acontece é que, pela obesidade ser uma doença crônica, é preciso fazer uso deles por longos períodos. Quando o paciente para de tomar, a doença volta a se manifestar com intensidade”, comenta Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). 

Contra a discriminação

Apesar de considerados seguros pelos especialistas consultados, desde que respeitado o perfil do paciente e utilizados nas doses certas e com acompanhamento adequado, os remédios para emagrecer ainda são vistos com ressalva por parte da população –e até da comunidade médica. 

Para Friedman, um dos principais motivos é justamente a questão de gerar ou não vício. “Os primeiros remédios contra obesidade eram da família da anfetamina, que podiam, sim, causar dependência e efeitos colaterais perigosos. A partir daí se construiu um cenário de desconfiança e preocupação que permanece.”

Outro ponto é a frustração mediante o uso. “Mesmo os melhores medicamentos podem não ser 100% eficazes nem funcionar para todo mundo. O problema é que muitos pacientes depositam neles todas as suas expectativas e deixam de se comprometer com a dieta e a atividade física. Aí, quando não percebem resultados, acabam se desmotivando e culpando o remédio.”

Ribas Filho aponta, ainda, o fato de os remédios para emagrecer não poderem curar a obesidade. “Isso acaba desanimando os pacientes. Mas é um erro desistir de tomá-los porque, quando não tratada, a doença desencadeia vários outros males. É um efeito dominó.”

Por fim, Coutinho cita o preconceito com a própria obesidade. “Muita gente ainda acredita que o obeso não emagrece por falta de vontade ou por preguiça, mas não sabe da complexidade da doença e do tratamento. É preciso mudar essa mentalidade e estar aberto para todo tipo de ajuda disponível”, conclui. 

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/11/27/entenda-como-agem-os-remedios-para-emagrecer-disponiveis-no-brasil.htm

Fármacos para emagrecer. Guia para fazer a melhor opção

OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

Entre a comunidade científica, focada no estudo da obesidade, há um dado inquestionável.

Não existe medicamento, por mais eficaz e segura que seja a sua fórmula, que elimine o peso a mais sem a adoção, paralela e mantida no tempo, de uma dieta saudável e a prática de exercício.

Pensar que se pode perder quilos em excesso com recurso exclusivo a fórmulas de emagrecimento é o primeiro passo para falhar o objetivo.

Eliminar gordura de forma equilibrada e duradoura é, como sabe, moroso e implica esforço.

A apologia da inevitável complementaridade entre estilo de vida saudável e medicação é hoje também feita pelos laboratórios que multiplicam a oferta num mercado de enorme procura.

Mas serão os suplementos ou medicamentos a solução para si? A dúvida é frequente. Saiba o que dizem e defendem os especialistas.

Quando a dieta não chega

O recurso a medicação justifica-se, sob vigilância médica, em casos de obesidade, de excesso de peso em que existem complicações associadas (como hipertensão, diabetes e dislipidemia) ou quando a pessoa não consegue emagrecer apenas com recurso à dieta e prática de exercício. Nas farmácias, parafarmácias, ervanárias, em sites da internet e até em programas de televisão irá encontrar inúmeros produtos.

Desconfie de soluções rápidas. Esta é a primeira de todas as regras a seguir. Perder mais de um quilo por semana, habitualmente, não é recomendável, alertam os especialistas.

Tenha também presente que o facto de algumas fórmulas alegarem serem naturais não significa que estejam isentas de riscos.

Não deve iniciar a toma sem aconselhar-se com o seu médico, sobretudo se sofre de alguma doença e/ou está a ser medicado.

Os suplementos que se recomendam

As fórmulas para emagrecer que se enquadram na categoria de suplemento alimentar são de venda livre e, em Portugal, estão sob a alçada do Ministério da Agricultura, do Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. No site da instituição pode ler-se que, para entrarem no mercado, “o operador económico não precisa de requerer uma autorização, sendo suficiente notificar o GPP [Gabinete de Planeamento e Políticas]”.

De acordo com este organismo nacional, “não serão colocados no mercado quaisquer géneros alimentícios que não sejam seguros”. Mas, todavia, essa garantia “é sempre da responsabilidade do operador económico”. O GPP controla os rótulos “por amostragem, verificando a sua conformidade com a regulamentação em vigor”. Em caso de incumprimento, pode dar-se “a retirada do produto do mercado”.

As substâncias mais comuns

O extrato de chá verde, o ácido linoleico conjugado (CLA), a laranja amarga, o quitosano e o crómio são alguns dos principais ingredientes usados nos suplementos alimentares de venda livre para perder peso. Os seus alegados efeitos diuréticos e inibidores de gordura são explorados pelas diferentes marcas que os comercializam. Muitas delas apostam mesmo em campanhas publicitárias mais agressivas.

Alguns têm, contudo, efeitos secundários indejesáveis, pelo que é fundamental consultar um especialista e ler a respetiva bula antes de os começar a tomar.

Uma prática que não deve, de todo, ser aleatória e irrefletida.

A sua ingestão não dispensa, contudo, uma alimentação regrada e equilibrada, associada à prática regular de exercício físico, para potenciar a sua ação, outra das condições essenciais.

Os medicamentos disponíveis

São muitos os suplementos alimentares dietéticos disponíveis no mercado. Em Portugal, em 2013, o único medicamento para emagrecer aprovado pelo Infarmed, Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento, é o Orlistato. Está disponível sob a forma de comprimidos de venda livre (com 60 miligramas de orlistato por comprimido) e de prescrição médica (com o dobro da dosagem).

Ao atuar ao nível de uma enzima pancreática (lípase), impede que 25% da gordura ingerida (no primeiro caso) ou 30% (no segundo) sejam absorvidos pelos intestinos. A versão de venda livre está indicada para adultos com excesso de peso “em associação a uma dieta moderadamente hipocalórica e de baixo teor em gordura”, ajudando a perder “50% mais de peso do que uma dieta por si só”.

Como funcionam estes produtos

A gordura, que o organismo fica impedido de absorver, é eliminada pelas fezes, o que promove a perda de peso mas também obriga a mudanças nos hábitos alimentares.

Se a pessoa ingerir muita gordura poderá ter como efeitos secundários, em muitos casos, “fezes gordurosas ou oleosas, fezes soltas e moles, movimentos intestinais súbitos e flatulência com ou sem descarga oleosa”, alertam os especialistas.

Esse suplemento alimentar está interdito a algumas pessoas (por exemplo, a quem tome ciclosporina) e a sua toma deve ser acompanhada por um profissional em caso de doença dos rins ou se se estiver a tomar medicamentos para a diabetes, hipertensão ou hipercolesterolemia, antiepiléticos, entre outros, como alertam alguns médicos e farmacêuticos, nacionais e internacionais.

Texto: Nazaré Tocha com Cristina Azevedo (farmacêutica) e João Jácome de Castro (endocrinologista)

Источник: https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/farmacos-para-emagrecer

Remédios para emagrecer: a nova geração

OPÇÕES DE REMÉDIOS PARA EMAGRECER

O Brasil está engordando. Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde, mais da metade da população se encontra acima do peso, sendo que ao redor de 20% já é considerada obesa. A tendência não é de melhora e as frequentes tentativas frustradas de vencer o excesso de peso por aí só tornam o cenário mais preocupante.

Por isso não é de estranhar a euforia de médicos e pacientes com a chegada ao país de um novo remédio para emagrecer — medicamentos são prescritos quando, sozinhas, mudanças no estilo de vida não surtem efeito. A bola da vez é a liraglutida, uma injeção subcutânea aplicada com uma espécie de caneta, criada pela farmacêutica Novo Nordisk e comercializada com o nome Saxenda.

Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ela imita, dentro do corpo, a ação de um hormônio natural, o GLP-1. A substância, originalmente fabricada no intestino, atua no sistema digestivo e no cérebro induzindo a sensação de saciedade após as refeições.

Só que a versão de laboratório é bem mais potente e prolonga esse efeito por até 24 horas. “A ideia é que a pessoa não sinta tanta fome ao longo do dia e coma porções menores”, informa Rocio Della Coletta, gerente médica da companhia.

A liraglutida, na verdade, é conhecida de longa data dos endocrinologistas. Ela vem sendo estudada desde os anos 1990, mas com outra finalidade: tratar o diabete tipo 2. Tanto é que a Novo Nordisk e outras empresas do setor desenvolveram análogos de GLP-1 dedicados ao controle da glicemia — eles estão disponíveis há alguns anos na farmácia com outras dosagens e nomes comerciais.

Foi justamente durante seu uso entre diabéticos que os cientistas notaram o potencial emagrecedor. A Novo Nordisk recrutou pesquisadores e voluntários pelo mundo afora e decidiu, então, testar novas formulações da liraglutida em obesos sem diabete.

Ela provou seu valor em um estudo com 3 731 pacientes divididos em dois grupos: um tomou o remédio de verdade; o outro, uma versão de mentira. Todo mundo foi instruído a fazer dieta e exercício. Após um ano e dois meses, 63% dos participantes que usaram a liraglutida haviam perdido peso em comparação aos 27% da turma do placebo.

A média de perda chegou a 7,8 quilos, e a redução na circunferência abdominal foi de 8,2 centímetros. “Pelos resultados, temos uma excelente alternativa terapêutica”, avalia o endocrinologista Walmir Coutinho, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Mas a promessa que cerca a liraglutida não fica restrita à redução de medidas. As picadinhas também apresentaram poucos efeitos adversos.

“Apesar de também agir no cérebro, o medicamento não parece provocar ansiedade, tremores ou insônia, algo que ocorre com outras drogas”, afirma o endocrinologista Marcio Mancini, do Hospital das Clínicas de São Paulo, que participou dos testes clínicos. A reclamação mais comum foi enjoo.

Mas o desconforto pode ser contornado elevando a dose aos poucos, até alcançar os 3 miligramas. Como todo remédio para emagrecer, a nova opção só deve ser receitada a pessoas obesas, com índice de massa corporal (IMC) maior que 30, ou com excesso de peso (IMC maior que 27) e portadoras de problemas como diabete ou hipertensão.

A necessidade de reforços farmacológicos na luta contra a obesidade é antiga. E, até hoje, as maiores promessas deram errado. Em 2008, o rimonabanto, batizado de pílula antibarriga, foi retirado às pressas do mercado após se descobrir sua associação com depressão e suicídio. Em 2011, foi a vez de as anfetaminas serem proibidas.

A partir de 2014, quando começaram a surgir as boas notícias do Saxenda nos Estados Unidos, o ânimo voltou aos consultórios. Antes mesmo da chegada do remédio ao Brasil, a versão da liraglutida para diabéticos passou a ser prescrita para auxiliar no emagrecimento.

Mas, afinal, o produto da Novo Nordisk é mais eficaz que os demais?

Segundo uma revisão publicada no periódico da Associação Médica Americana em cima de 28 estudos englobando 30 mil obesos, a liraglutida só perde para a fenteramina-topiramato, combinação de anfetamina e antiepiléptico não liberada no Brasil — e que, entre os seus reveses, pode afetar a memória. O trabalho incluiu todas as medicações aprovadas por lá que ajudam a perder pelo menos 5% da massa corporal quando utilizadas durante um ano.

Embora a liraglutida tenha levado medalha em eficácia, curiosamente figurou entre os remédios com mais baixas na adesão. Para o médico Rohan Khera, um dos autores da revisão, é provável que alguns usuários se incomodem com a necessidade das picadas diárias.

Terapia complexa

Seguir à risca o plano terapêutico (que ainda envolve o ajuste de hábitos) é uma das grandes dificuldades que pesam no desfecho da guerra com a balança. Segundo os especialistas, o que mais se vê nos consultórios são pessoas que conseguem emagrecer no início do tratamento, mas que, com o passar do tempo, voltam a engordar.

“Em cinco anos, apenas 5% dos pacientes mantêm a perda de peso. É frustrante”, relata a endocrinologista Tarissa Petry, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Além disso, tem a questão do preço das medicações. A caixa do Saxenda deverá custar entre 750 e mil reais, e o tratamento requer duas por mês — um investimento anual de até 24 mil reais.

O papel de protagonista dos medicamentos frente à obesidade também é alvo de debate.

Uma das maiores autoridades em nutrição, o professor David Katz, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, se recusa a enxergar o excesso de peso como doença e acredita que os profissionais deveriam incentivar mais o uso adequado “dos pés e do garfo”. Sob sua óptica, deveríamos apelar menos para fármacos e apostar em programas de alimentação balanceada e atividade física.

No entanto, para a maior parte da comunidade médica, obesidade é, sim, uma doença – e das mais complexas e resistentes. Nos últimos anos, a ciência já mapeou genes e circuitos do corpo que favorecem o acúmulo de gordura e a recuperação dos quilos perdidos.

Parece que apenas uma minoria consegue enxugar a silhueta com a dobradinha dieta e exercício. “É um problema muito complicado e nem sempre só a força de vontade vai resolver”, diz o psiquiatra Adriano Segal, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

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Diante de uma pandemia de obesidade em ascensão, não estão sendo medidos esforços (e engenhos) para bolar estratégias terapêuticas mais eficientes. E olha que tem muita tecnologia e promessa à vista. Entre os procedimentos mais modernos e já em atuação, está um marcapasso para o estômago que libera estímulos elétricos e, bloqueando nervos ligados ao cérebro, reduz a vontade de comer.

O dispositivo, chamado de Maestro, precisa ser inserido por meio de uma pequena cirurgia e se destina, a princípio, a obesos mórbidos.

A própria agência que regula medicamentos e produtos para a saúde em solo americano, a FDA, testou o aparelho em 157 pessoas e constatou que mais da metade delas perdeu pelo menos 20% do seu peso inicial.

O Maestro foi aprovado, mas será acompanhado em análises de longo prazo.

Um tanto mais radical é a técnica Aspire, também liberada pela FDA, em que um buraco é literalmente aberto na barriga do sujeito e se insere nele uma sonda que vai do estômago à área externa do abdômen.

O indivíduo abre uma válvula conectada à sonda após a refeição e permite que parte da comida ingerida seja eliminada na hora — um terço dos alimentos é jogado fora antes que suas calorias sejam absorvidas.

“As pessoas até ficam assustadas quando a gente descreve esse tratamento, mas ele não deixa de ser menos radical que a cirurgia bariátrica”, diz Coutinho. Cabe lembrar que parte da população obesa hoje é candidata às operações de redução do estômago, e os resultados têm sido satisfatórios.

A terceira promessa é bem menos invasiva e envolve a chamada microbiota intestinal, aquela supercolônia de bactérias situada nos confins do aparelho digestivo.

Pesquisadores estão criando cápsulas de fezes congeladas pensando em emagrecer pessoas. É estranho, mas parece funcionar.

A ideia é a seguinte: os seres humanos têm populações diferentes de micro-organismos em seus respectivos intestinos.

E essa diferença é ainda mais gritante quando se comparam amostras de um gordo e de um magro.

De olho nisso, os obesos poderiam ingerir, por meio de cápsulas, bactérias que liberam o mínimo de calorias no processamento das refeições. “É um campo promissor.

Em laboratório, o transplante fecal permite que animais obesos percam bastante peso”, conta Coutinho. Pois é, as cápsulas de fezes serão colocadas à prova em humanos ainda este ano.

De volta para outro futuro

Na seara das soluções, digamos, mais tradicionais, chama atenção um composto brasileiro. Conhecido ainda como BZ043, ele é fruto de um trabalho de pesquisadores da startup carioca Biozeus e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O medicamento em potencial é constituído de proteínas e tem três focos de atuação: diminui a velocidade com que a comida passa pelo estômago, cutuca o sistema nervoso para aumentar a saciedade e, no fígado, estimula a produção de glucagon – com função oposta à da insulina, esse hormônio reduz a sensação de que é preciso encher a pança.

Em experimentos com animais, a substância teve um efeito inesperado e empolgante. “Os ratos que a tomaram preferiram comer depois alimentos menos calóricos. Quer dizer, escolheram comidas mais saudáveis”, revela o endocrinologista Paulo Lacativa, gerente de projetos da Biozeus. O BZ043 ainda deve passar por várias fases de estudo com gente como a gente antes de desembarcar no mercado.

Mesmo com os reforços atuais, caso da liraglutida, e das boas perspectivas, os especialistas ainda acreditam que é preciso conscientizar mais a população sobre os riscos à saúde do excesso de peso.

“E tratar a obesidade com remédios tem que deixar de ser um tabu”, defende Mancini. Da mesma forma, cabe esclarecer que, sozinhos, medicamentos não fazem milagre.

É uma abordagem maior, que até pode se valer de pílulas ou injeções, que trará resultado e afastará a legião de males ligada aos quilos extras.

Os números da obesidade

O Brasil e o resto do mundo estão em ritmo de engorda

82 milhões de brasileiros estão acima do peso, aponta o último levantamento do Ministério da Saúde.

30 milhões de pessoas no país têm índice de massa corporal (IMC) acima de 30, ou seja, já são obesas.

270 milhões de reais foram gastos pelos brasileiros no último ano com drogas antiobesidade, segundo a Interfarma.

2,4% do PIB do país já é empregado pelo governo para lidar com a obesidade, de acordo com o Instituto McKinsey Global.

Remédios que não deram certo (ou trouxeram riscos)

Promessa furada
O rimonabanto, da Sanofi, despontou em 2006 como a “pílula antibarriga”. Agia no cérebro diminuindo o apetite, mas se descobriu depois que favorecia depressão e até suicídio. Foi retirado do mercado.

Os riscos não compensam
Os anfetamínicos estimulam o sistema nervoso central e até ajudam a emagrecer. Só que podem causar arritmia, irritabilidade e dependência. Daí a Anvisa ter proibido sua venda em 2011.

Pesou para o coração
A sibutramina é um antidepressivo usado para perder peso. No início dos anos 2000, constatou-se que trazia riscos cardíacos. Foi vetado nos EUA e, por aqui, só é vendido com receita especial.

Remédios que obtiveram sucesso

Liraglutida
Análogo do hormônio GLP-1, diminui a fome e aumenta a saciedade por meio de picadas com uma caneta. Tem poucos efeitos colaterais – o destaque é a náusea.

Orlistate
Elimina nas fezes 30% da gordura ingerida a cada refeição. A ação do medicamento fica restrita ao intestino, mas a perda de peso é limitada.

Lorcaserina
Age como antidepressivo, diminuindo gatilhos emocionais que levam à compulsão.

Naltrexona-bupropiona
É um remédio antitabagismo que se provou eficaz na redução de peso por diminuir o hábito de beliscar. Só está liberado lá fora.

Fentermina-topiramato
Agrega um anfetamínico com um antiepiléptico. É bastante eficaz, mas pode afetar a memória. O duo ainda não está aprovado aqui.

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/remedios-para-emagrecer-a-nova-geracao/

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