OTITE EXTERNA (ouvido de nadador)

OTITE EXTERNA (ouvido de nadador)

OTITE EXTERNA (ouvido de nadador)

Otite externa é nome que damos à inflamação da porção externa do ouvido, chamada também de orelha externa.

A otite externa pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em crianças entre 7 e 12 anos.

O que é o ouvido externo?

O ouvido externo é composto pela pavilhão auricular (orelha) e pelo canal auditivo, terminando na membrana timpânica. Após o tímpano, inicia-se a região do ouvido médio.

Quando há uma inflamação em qualquer parte do ouvido externo, damos o nome de otite externa. Quando a inflamação ocorre após o tímpano, chamamos de otite média.

O canal auditivo externo é um ducto cilíndrico com mais ou menos 2,5 cm de comprimento e 1 cm de diâmetro. Inicia-se na orelha e termina na membrana timpânica.

A parte mais externa do canal auditivo é revestida por uma pele mais grossa com numerosas estruturas anexas, como glândulas que produzem cerume, glândulas sebáceas e folículos pilosos.

A porção interna do canal, mais próxima do tímpano, contém uma pele fina e frágil, sem tecido subcutâneo. A pele nesta área está em contato direto com o osso subjacente. Deste modo, inflamações mínimas ou instrumentação do canal (como uso de objetos para coçar o ouvido) são capazes de provocar dor significativa e/ou ferimentos.

Apenas como curiosidade, a nomenclatura mais correta não é ouvido externo, mas sim orelha externa. Antigamente chamava-se de orelha o pavilhão auricular (a parte externa e visível do órgão auditivo) e ouvido a parte interna.

Desde 2001 o nome mudou e o termo ouvido já não é mais usado. O correto agora é orelha externa (pavilhão auricular + canal auditivo) e orelha média.

Entretanto, como esse site é voltado para a população em geral, e para que não haja confusão, manterei os termos orelha e ouvido como todos conhecem.

Fatores de proteção do ouvido

O nosso canal auditivo possui alguns mecanismos de defesa intrínsecos que dificultam a ocorrência de infecções.

A própria anatomia da orelha já é protetora, pois ela cobre parcialmente o canal auditivo, dificultando a entrada de objetos estranhos.

Outro fator que impede a entrada de objetos estranhos é o fato do canal auditivo apresentar uma área mais afinada, o que impede, por exemplo, o dedo de chegar até o tímpano.

A presença de pelos na região mais externa do canal auditivo também age como barreira.

A produção de cerume também é essencial, pois além da barreira física, ela causa uma diminuição do pH do canal auditivo, inibindo o crescimento de fungos e bactérias. O cerume também é uma substância hidrofóbica, o que ajuda a diminuir a umidade dentro do ouvido.

O ouvido é um órgão “autolimpante”. A pele do canal auditivo cresce de dentro para fora, o que vai naturalmente empurrando as sujeiras, o excesso de cera e a descamação da pele para fora do ouvido.

Falamos sobre otite média em um texto à parte, que pode ser acessado neste link: OTITE MÉDIA AGUDA

Causas

Assim como várias regiões do nosso organismo, o canal auditivo possui sua própria flora de bactérias, que normalmente não causam problemas de saúde e ainda dificultam a chegada de bactérias mais agressivas. Feridas no canal auditivo podem facilitar a penetração de bactérias para tecidos mais profundos, causando infecções.

A maioria das otites externas são causadas pela bactéria Pseudomonas aeruginosa,  uma bactéria invasora que normalmente não coloniza o canal auditivo. Das bactérias que normalmente habitam o ouvido, o Staphylococcus aureus é aquela que mais causa otite, principalmente se houver uma ferida na pele do canal do ouvido.

Fatores de risco

A otite externa costuma surgir quando algum desses sistemas de proteção citados acima é quebrado.

Exposição à água

Exposição à água é um fator de risco bem documentado para otite externa. Excesso de umidade leva à maceração da pele e à quebra da barreira de cerume, mudando a microflora do canal do ouvido, favorecendo o crescimento de bactérias que causam a otite. A otite externa é também conhecida como a otite do nadador.

Traumas no ouvido

Pequenos traumas, tais como limpeza excessiva (ou agressiva) do ouvido, não só removem cerume, mas também podem criar escoriações ao longo da fina camada de pele no canal auditivo, permitindo que bactérias tenham acesso aos tecidos mais profundos.

Além disso, parte de um cotonete pode soltar-se ou um pequeno pedaço de papel tecido pode ser deixado para trás no canal do ouvido; esses resquícios podem causar uma reação cutânea grave, levando à infecção.

Uso de cotonete

O uso de cotonete mais empurra o cerume para dentro do canal do que o remove. Esse cerume comprimido pode agir como uma rolha e só sai com o auxilio de um otorrinolaringologista.

Como já dito, o ouvido não precisa ser limpo, ele mesmo é capaz de expulsar o cerume e as impurezas.

O cotonete além de poder ferir o canal auditivo, ainda impede a “autolimpeza” do ouvido (leia: CERÚMEN | Cera do ouvido).

Uso frequente de fones de ouvido

Uso frequente de dispositivos que ocluem o canal do ouvido, como aparelhos auditivos, fones de ouvido (auriculares) ou tampões de mergulho também predispõem à otite externa.

Dermatite de contato

Dermatite de contato alérgica pode levar à otite externa (por exemplo, alergia a brincos ou produtos químicos em cosméticos ou shampoos), assim como outras condições dermatológicas, como, por exemplo, psoríase ou dermatite atópica.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da otite externa são dor, coceira, sensação de entupimento e corrimento de líquido do ouvido. A dor de ouvido na otite externa costuma ser muito forte e piora quando se puxa ou aperta a orelha. É possível surgirem alguns linfonodos palpáveis no pescoço do lado do ouvido acometido.

Ao exame com o otoscópio é possível notar o canal auditivo muito edemaciado e avermelhado, sinais típicos de inflamação.

A febre só costuma surgir nos casos mais graves.

Otite externa necrotizante (Otite externa maligna)

Otite externa maligna, também chamada de otite externa necrotizante, é uma complicação grave e potencialmente fatal de otite externa bacteriana aguda.

Mais comum em pacientes diabéticos, idosos e imunocomprometidos, ela ocorre quando a infecção se espalha a partir da pele aos ossos e espaços da medula da base do crânio (também envolvendo tecidos moles e da cartilagem da região temporal).

Pacientes com otite externa necrotizante normalmente têm dor forte e corrimento purulento. Edema, vermelhidão e franca necrose da pele do canal auditivo podem ser evidentes ao exame otoscópico. Paralisia de nervos cranianos são um sinal de mau prognóstico.

A otite externa maligna pode levar a abscesso cerebral e à meningite bacteriana.

O diagnóstico é auxiliado pela ressonância magnética ou tomografia computadorizada, mostrando progressão da infecção para as estruturas ósseas. Pacientes suspeitos de terem otite externa maligna devem ser imediatamente encaminhados a um otorrinolaringologista.

Tratamento

A maioria das pessoas com otite externa pode ser tratada em casa.

Em alguns casos, seu médico vai lavar o ouvido com água e peróxido de hidrogênio antes de começar o tratamento. Este procedimento acelera a cura, removendo as células mortas da pele e o excesso de cera do ouvido.

A prescrição de medicamentos em gotas para ouvido servem para reduzir a dor e inchaço causado pela otite externa. Essas gotas normalmente contêm uma combinação de corticoides, antifúngicos e antibióticos. Não use medicamentos por conta própria, antes de pingar qualquer remédio no ouvido para tratar uma otite é preciso ter certeza que o tímpano não está perfurado.

A aplicação correta das gotas é essencial para que estas atinjam o canal do ouvido:

  • Deite-se de lado ou incline a cabeça para o ombro oposto.
  • Preencha o canal do ouvido com gotas.
  • Deite-se de lado por 20 minutos e coloque uma bola de algodão no canal do ouvido.

Você deve começar a se sentir melhor dentro de 36 a 48 horas o início do tratamento. Se a sua dor piorar ou não houver sinais de melhora neste período de tempo, ligue para seu médico. Analgésicos ou anti-inflamatórios  em comprimidos podem ser usados para alivio da dor.

Evite molhar os ouvidos  durante o tratamento. Durante o banho, você pode colocar uma bola de algodão revestido com vaselina na orelha. Evite nadar por pelo menos dez dias após início do tratamento. Evite também usar aparelhos auditivos e fones de ouvido até a dor desaparecer.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/otorrinolaringologia/otite-externa/

Otite externa: causas, tratamento e como prevenir

OTITE EXTERNA (ouvido de nadador)

A otite externa (CID 10 – H60) é uma infecção no canal auditivo externo, que pode acometer desde a porção mais externa da membrana do tímpano até o pavilhão auricular comumente chamado de orelha.

Trata-se de uma infecção bacteriana originária da superfície do ouvido e que invade a profundidade da pele.

Uma das causas da otite externa é o acúmulo de água no canal auditivo, pois o ambiente úmido auxilia o crescimento bacteriano. Por isso, a otite externa também pode ser chamada de ouvido de nadador ou do surfista.

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Além disso, colocar os dedos, cotonetes ou outros objetos nos ouvidos pode danificar a fina camada de pele que reveste o canal auditivo, causando este tipo de infecção.

O tratamento para otite externa costuma envolver uso de analgésicos para aliviar a dor e antibióticos para eliminar a bactéria.

Remédios caseiros também funcionam, mas é preciso cuidado na hora de escolher o tratamento feito em casa.

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Sintomas de Otite externa

A otite externa apresenta como sintomas dor intensa, que pode ficar pior ao tocar a orelha. Outros sintomas incluem:

  • Coceira
  • Sensação de ouvido entupido
  • Secreção amarela ou marrom
  • Em casos mais graves, pode haver inchaço e vermelhidão.

Causas

A otite externa é uma infecção que é normalmente causada por bactérias encontradas na pele – microrganismos que vivem nas mãos da própria pessoa. Há casos de otites externas que são causadas por fungos ou vírus.

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Quando a otite externa ocorre, um dos fatores que contribuem é algum problema nas defesas naturais dos canais auditivos externos do ouvido.

Em cada um de nós há glândulas que secretam uma substância cerosa (cerume), que a partir das secreções eliminadas formam uma fina película impermeável sobre a pele dentro de seu ouvido que recolhe a sujeira, células mortas e outros organismos.Por ser uma substância ácida, também protege do crescimento de bactérias

Fatores de risco

Para que a bactéria atinja o canal auditivo interno, alguns fatores de risco contribuem. São eles:

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  • Nadar em águas sem tratamento adequado
  • Ter um canal auditivo mais estreito, que facilita a entrada de bactérias
  • Agredir o canal auditivo com cotonetes, dedos ou outros objetos
  • Uso de certos dispositivos, como fones de ouvido ou tampões
  • Alergia a sabonetes, xampus, brincos e outros
  • Excesso de umidade no ouvido, como transpiração, tempo úmido e acúmulo de água no ouvido.

Diagnóstico de Otite externa

O médico provavelmente irá diagnosticar a otite externa com base na análise dos seus sintomas. Dependendo da avaliação inicial, a gravidade dos sintomas ou o estágio da otite externa.

Se a infecção não responde ao tratamento, pode ser retirada uma amostra de secreção da orelha para análise em laboratório.

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Tratamento de Otite externa

Medicamentos analgésicos, podem ser usados para aliviar a dor de ouvido. Além disso, o médico ou médica pode receitar um medicamento em gotas para utilizar diretamente no ouvido. Algumas medidas podem tomadas em casa para ajudar a tratar otite externa, como fazer uma bolsa de água quente para encostar na orelha afetada e aliviar a dor.

Em casos graves, o canal auditivo deve ser cuidadosamente limpo por um otorrinolaringologista. Às vezes, se o canal auditivo está muito inchado, pode ser aplicado um antibiótico local. Por vezes é necessária a internação hospitalar para uso de antibióticos mais fortes, principalmente em pacientes com baixa resistência geral (diabéticos, imunossuprimidos etc).

Medicamentos para Otite externa

Os medicamentos mais usados para o tratamento de otite externa são:

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  • Amoxilina
  • Arflex
  • Azitromicina
  • Cefalexina
  • Cetoprofeno
  • Ciprofloxacino
  • Otosporin
  • Otosynalar
  • Paracetamol

É importante lembrar, porém, que só um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

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Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Buscando ajuda médica

Se você observar sintomas de otite externa, busque atendimento de emergência se houver ou marque uma consulta com um médico. Os sintomas para prestar atenção são::

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Especialistas que podem diagnosticar otite externa são:

  • Clínico geral
  • Otorrinolaringologista
  • Pediatra

Convivendo/ Prognóstico

Durante o tratamento de otite externa, é importante manter os ouvidos secos e evitar irritações. Por isso, siga as recomendações:

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  • Não faça natação ou outra atividade na água
  • Evite voar
  • Não use fones de ouvido ou outros dispositivos
  • Evite contato do ouvido com água durante o banho até que o problema desapareça
  • Use um secador de cabelo para secar cuidadosamente o ouvido depois de chuveiro.

Complicações possíveis

A otite externa, geralmente, é curada sem grandes problemas. No entanto, algumas complicações podem ocorrer:

  • Perda temporária da audição
  • Otite externa crônica
  • Infecção na pele ou reação alérgica
  • Infecção secundária
  • Dano à cartilagem auricular.

Referências

Revisado por: Prof. Dr José Ricardo Gurgel Testa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista – CRM SP 54308

Clínica Mayo

Источник: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/otite-externa

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