Pediculose Pubiana (chato): sintomas e tratamento

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Pediculose Pubiana (chato): sintomas e tratamento

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A pediculose, popularmente conhecida como infestações de piolhos, é uma doença parasitária contagiosa que pode surgir na cabeça, corpo, cílios, sobrancelhas ou na região dos pêlos pubianos.

Como ectoparasitas, os piolhos vivem no exterior do hospedeiro, utilizando do sangue humano como sua fonte de nutrição, o que pode causar sensação de coceira e formigamento na região afetada.

O piolho é pequeno e sem asas, pode ser visto a olho nu e a sua infestação ocorre do contato direto com o cabelo de uma pessoa infectada ou através de objetos compartilhados.

Nos últimos trinta anos observou-se um aumento significativo na incidência de casos devido a multiplicação rápida do parasita, que, ao longo de sua curta vida de trinta a quarenta dias, é capaz de depositar mais de duzentos ovos.

Crianças em idade escolar são as mais atingidas pelo tipo capilar, com maior incidência em meninas, mas podem abranger qualquer sexo e idade, inclusive os adultos.

Tipos de piolhos

Parasitando os seres humanos, existem basicamente três tipos de piolhos:

Piolhos pubianos

Popularmente conhecidos como “chatos”, os piolhos pubianos são causados pelos Pthirus pubis e atingem tanto homens quanto mulheres a partir da puberdade, agarrando-se aos pêlos da região genital o que faz com que a doença seja considerada uma DST. O parasita pode viver também nos pelos das coxas, nádegas e parte inferior do abdômen.

Piolhos corporais

Piolhos corporais são causados pelos Pediculus humanus humanus e frequentes em casos que os hábitos de higiene são precários, onde se agarram nas roupas do corpo e de cama, infectando o hospedeiro a partir do tecido.

Piolhos capilares

Causados pelos Pediculus humanus capitis, os piolhos capilares são os mais comum entre os tipos de piolho e vivem agarrados aos cabelos e atacam o couro cabeludo, especialmente atrás das orelhas. Em crianças pequenas podem, às vezes, se desenvolver nas sobrancelhas e cílios.

Causas

Os piolhos são parasitas adquiridos através do contato próximo de objetos ou pessoas contaminadas, independente de sexo, idade, raça ou classe social. Em casos de piolhos corporais, a higiene precária é uma causa essencial.

As lêndeas consistem nos ovos do piolho depositados pelas fêmeas próximo ao couro cabeludo. Sua cor é semelhante a minúsculos pontos amarelos e brancos, visualmente parecida com caspa capilar, porém mais agregadas aos cabelos. São depositadas cerca de dez por dia, com o tempo médio de oito dias para o nascimento de um novo piolho. Após a eclosão, a casca permanece presa ao couro cabeludo.

Piolhos adultos e ninfas

Os piolhos adultos vivem cerca de três a quatro semanas, enquanto as ninfas se tornam adultas em cerca de uma a duas semanas após saírem do ovo. Os piolhos são pequenos, do tamanho de uma semente de gergelim, possuem a cor acastanhada ou preta e gostam de se reproduzir em áreas quentes, podendo sobreviver em até dois dias fora do cabelo até mover-se a um novo hospedeiro.

Como ocorre a transmissão do piolho?

Os piolhos são mais comuns em ambientes aglomerados e se espalham facilmente. A transmissão ocorre de maneira semelhante às causas, como:

  • Contato com uma pessoa que possua piolhos, como colegas de trabalho, colegas escolares ou que dividem a mesma casa;
  • Partilha de objetos de uso capilar, como chapéus, escovas, tiaras, entre outros;
  • Partilha de roupas e roupas de cama infestadas. Se guardá-las antes de exterminar os piolhos a propagação do parasita será auxiliada;
  • No caso de piolhos pubianos, contato íntimo entre as regiões pubianas durante o ato sexual.

Quanto a transmissão de piolhos, é importante salientar:

  • Piolhos de humanos são incapazes de infectar animais de estimação ou serem transmitidos por eles;
  • Piolhos capilares não são sinais de falta de higiene, pois estes são contraídos a partir do contato próximo independente dos cuidados com os cabelos;
  • Piolho não é transmitido sem contato, pois este não voa ou pula.

Grupos de risco

As crianças entre 3 a 12 anos que vão para creche, pré-escola e escola primária são as principais preocupações, principalmente por parte de seus pais. Crianças desta idade costumam brincar muito perto e ter mais contatos capilares, como através da divisão de objetos entre os amigos.

Ambientes escolares tendem a ficar em alerta em épocas mais quentes, estação que costuma ter mais indícios de infestações. Adultos que convivem com estas crianças também possuem maiores chances de serem infestados com piolhos.

Sintomas do piolho

Em geral, os piolhos causam cócegas, pela sensação de algo se movendo acima da pele, e coceiras intensas, reação da saliva liberada quando o parasita se alimenta do hospedeiro. Casos intensos geram dificuldade para dormir e manchas vermelhas provenientes dessas coceiras.

É possível a contaminação de piolhos não acompanhada de sintomas, como em crianças que não reportam queixas de coceira.

Diagnóstico

Com o uso de um pente fino e boa iluminação é possível detectar a existência de piolhos, devendo estar alerta mesmo com uma única lêndea encontrada. O diagnóstico de uma infestação de piolhos deverá ser confirmado após encontrar uma ninfa ou piolho adulto vivo, caso contrário, provavelmente a infestação não está mais ativa e não precisará ser tratada.

Se você não tem certeza quanto a infestação de piolhos, deverá efetuar o diagnóstico com o médico especializado, que recolherá informações dos sintomas e do ambiente de convivência que o paciente está incluído. Os especialistas podem variar de acordo com o  tipo da doença:

Pelo clínico geral, pediatra ou dermatologista será indicado shampoos a serem utilizados para tratar a infestação.

Tratamento para piolho

O tratamento para piolho pode ser feito a partir de shampoos, cremes e loções inseticidas, em maioria adquiridos direto na farmácia. Métodos caseiros também são indicados, principalmente a crianças, por não serem tóxicos. Caso o problema persista ou seja mais grave, consulte um médico para ser receitado o uso de algum antibiótico oral.

Independente do método de tratamento escolhido, deve-se seguir as seguintes orientações:

  • A remoção das lêndeas e piolhos pode ser realizada com uma pinça ou pente fino;
  • Piolhos ou lêndeas nunca devem ser estourados com a unha, pois caso tenha alguma ferida nos dedos você pode contrair algum tipo de infecção;
  • Os cuidados do tratamento devem ser seguidos até ter certeza que não há mais a presença de nenhum piolho ou lêndea.

Remédios para piolhos

Algumas substâncias usadas incluem:

  • Deltametrina;
  • Permetrina;
  • Piretrina;
  • Malathion;
  • Lindano.

Os medicamentos mais usados para tratar piolhos são:

  • Ivermectina: medicamento antiparasitário de via oral, para casos graves;
  • Dimeticona: silicone que imobiliza o piolho provocando asfixia e desidratação. Obstrui os orifícios respiratórios combatendo e prevenindo seu aparecimento. Não é eficaz para lêndeas. Pode ser utilizado por crianças, grávidas e lactantes;
  • Octano-1,2-diol: álcool que ataca e envolve os piolhos, que secam por dentro e morrem;
  • Óleo de coco: bloqueia a respiração dos piolhos, os levando à morte.

Shampoos medicinais para piolho:

  • Deltacid: shampoo medicinal;
  • Escabin: shampoo, loção ou sabonete medicinal.

Para usar o shampoo medicinal, enxague e seque o cabelo antes de aplicar o medicamento no couro cabeludo. Deixe o produto em torno de 10 minutos agindo e, em seguida, enxágue-o.

Deve-se verificar se há piolhos ou lêndeas em torno de 8 a 12 horas. Se encontrar piolhos vivos, deve repetir a aplicação após uma semana de uso. Se o problema ainda persistir, converse com seu médico para indicar outro tratamento.

Vinagre e azeite

Em grávidas, lactantes e crianças com menos de dois anos não é indicado o uso de substâncias com inseticida. Nestes casos, indica-se extrair os piolhos com um pente fino molhado. O processo é demorado e o vinagre ou azeite podem ser utilizados para ajudar na remoção.

Aqueça o vinagre ou azeite até ficar morno e misture-o com o condicionador ou água, aplique e abafe com uma touca de plástico. O processo irá dissolver a camada que envolve as lêndeas, impedindo a fixação no fio do cabelo. Este método não matará os parasitas, somente irá facilitar a retirada deles com o pente fino.

Chá de Arruda

O chá de arruda elimina os piolhos e ajuda acalmar a coceira no couro cabeludo.

  • 40 g de folhas de arruda;
  • 1 litro de água fervente.

Modo de preparo e uso:

  1. Colocar as folhas de arruda na água fervente e deixar em infusão por 10 minutos;
  2. Aplicar o chá ainda morno nos cabelos e deixar agir por 30 minutos;
  3. Lavar com shampoo neutro;
  4. Com os fios ainda molhados, passar o pente fino para remover os piolhos mortos e as lêndeas.

Citronela

O aroma intenso do spray de citronela afasta os insetos, incluindo os piolhos.

  • 150 ml de glicerina líquida;
  • 150 ml de tintura de citronela;
  • 350 ml de álcool;
  • 350 ml de água.

Modo de preparo e uso:

  1. Misturar os ingredientes e fechar bem o recipiente;
  2. Aplicar no couro cabeludo e deixar agir por alguns minutos.

Óleos

Aplique um dos seguintes óleos em proporções iguais em todo o couro cabeludo e deixe-o agir durante a noite:

  • Óleo de lavanda;
  • Óleo de hortelã-pimenta;
  • Óleo de eucalipto.

Pela manhã, lave o cabelo com um shampoo para cabelos oleosos.

Álcool canforado

Borrife o álcool canforado em todo o cabelo para evitar infestações de piolhos.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico.

As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento.

Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Durante o período de infestação de piolho, deve-se lavar roupas e outros pertences pessoais do infectado separadamente. Pentes, escovas, presilhas e outros acessórios de cabelo devem ser mergulhados em água com a temperatura de 60 ºC com sabão durante 10 minutos.

Enquanto estiver sob tratamento dos piolhos capilares, deve-se evitar secar os fios com secador de cabelos. O indivíduo infectado deve ser afastado da escola e/ou ambiente escolar, para evitar espalhar o problema. Pessoas em seu convívio próximo devem ficar atentas se não possuem indícios da existência do piolho.

Aos piolhos pubianos, deve-se evitar relações sexuais, a fim de proteger seu parceiro, pois preservativos não impedem o contato dos pelos pubianos.

Complicações

Coçar freneticamente as mordidas provocadas pelos piolhos pode levar a abertura de feridas e infecções, tal como a pioderma, causada quando a bactéria estafilococos, que vive em nossa pele, contamina a ferida aberta.

A infestação de piolhos não será resolvida sem o devido tratamento, pois o ciclo de vida do parasita se repete em torno de cada três semanas.

Caso não elimine também a origem do problema, como tratar outras pessoas que tiveram contato com o infectado, os parasitas podem voltar.

Prevenção

Piolhos capilares são difíceis de prevenir por se tratar de transmissão por aglomeração e não por higiene e derivados, mas seguem as adequações que podem ser feitas para evitar a infestação:

  • Não dividir pertences pessoais, principalmente os que têm contato direto com o couro cabeludo;
  • Com um pente fino, inspecionar os fios à procura de piolhos e lêndeas;
  • Nas crianças, observar quando coçam frequentemente a cabeça;
  • Influenciar inspeção das crianças nas escolas;
  • Não omitir caso aconteça alguma manifestação de piolho e influenciar para que outros não omitam também, pois dessa forma o tratamento é limitado a alguns e não evita  com que o parasita se espalhe.

Para a prevenção dos demais piolhos também é aconselhado:

  • Manter uma boa higiene corporal;
  • Tomar cuidado com locais de uso público;
  • Não partilhar toalhas e roupas íntimas;
  • Garantir a escolha cuidadosa do parceiro sexual;
  • Lavar roupas, lençóis, almofadas, ursos de pelúcia, entre outros, regularmente.

Fique alerta a qualquer sinal de coceira e examine com frequência a cabeça das crianças. A infestação de piolhos é algo comum, tal como o tratamento é simples e ao alcance de todos.

Para garantir sua saúde e a de seus familiares, compartilhe este artigo para que todos estejam cientes dos danos que este parasita pode causar.

Источник: https://minutosaudavel.com.br/o-que-e-pediculose-piolho-tratamento-remedios-e-sintomas/

Infestações

Pediculose Pubiana (chato): sintomas e tratamento

Dirk Elston, MD,

Elizabeth A. Abel, MD

Artigo original: Elston D, Abel EA. Infestation. ACP Medicine. 2011.

[The original English language work has been published by DECKER INTELLECTUAL PROPERTIES INC. Hamilton, Ontario, Canada. Copyright © 2014 Decker Intellectual Properties Inc. All Rights Reserved.]

Tradução: Keli Cristina Polese.

Revisão técnica: Dr. Lucas Santos Zambon.

NOTA DO REVISOR TÉCNICO: Doenças ectoparasitárias, como a pediculose, a escabiose, a tungíase e a larva migrans cutânea, são muito comuns em comunidades carentes no Brasil. É freqüente a presença de infestação severa e conseqüentes complicações.

Apesar disso, programas de controle para essas doenças são quase inexistentes, e as mesmas estão comumente sendo negligenciadas tanto pelos profissionais e autoridades de saúde quanto pela população afetada (Heukelbach et al., 2003b).

Como conseqüência, o controle de ectoparasitas em populações carentes tem sido raramente debatido no Brasil e em outros países onde doenças parasitárias são comuns (Heukelbach et al., 2002).

Estima-se que até dois terços da populacão de favelas de grandes cidades e de comunidades carentes rurais são afetados por pelo menos uma ectoparasitose, mais comumente pelo piolho, pelo ácaro Sarcoptes scabiei (“sarna”) e/ou pela pulga Tunga penetrans (“bicho de pé”) (Wilcke et al., 2002a)

Escabiose

A escabiose é causada pela infestação com Sarcoptes scabiei, um ectoparasita que fura a camada corneana da pele humana, formando tocas nas quais ele deposita seus ovos.

O período de incubação é de 2 a 6 semanas, em uma pessoa que não tenha sido exposta previamente. Durante este tempo, o hospedeiro desenvolve uma hipersensibilidade retardada a antígenos de ácaros.

Em reinfestações, os sintomas ocorrem em pessoas sensíveis dentro de 24 a 48 horas após a exposição.3

O ácaro da escabiose não sobrevive por mais de 48 horas afastado do hospedeiro. Portanto, a maioria das infestações são transmitidas através do contato pessoal direto pele-a-pele e contato sexual.

3 No entanto, a transferência do organismo pode ocorrer por exposição a fômites contaminados, tais como roupas de cama, roupas ou móveis, o que é uma causa comum de epidemias de escabiose em casas de repouso e outras instituições.3,4

Características Clínicas

A escabiose provoca coceira intensa, a qual é normalmente pior à noite. Os locais característicos da infestação são nos dedos, na face flexora do pulso, nas axilas, nas nádegas, no umbigo, no pênis e no escroto, e nos seios e mamilos das mulheres. A doença é mais generalizada em bebês e crianças em comparação aos adultos.

A toca da Sarcoptes fêmea pode ser vista em uma linha ziguezague irregular na camada córnea da pele, com um ponto preto em uma das extremidades que indica a presença do ácaro [veja Figura 1].

Lesões secundárias representam reações imunológicas aos ácaros e, geralmente, aparecem como pequenas pápulas eritematosas e vesículas com edema e marcas de arranhão em volta [veja Figura 2]. O tipo e o número de lesões dependem predominantemente do estado de imunidade do hospedeiro.

Ocasionalmente, lesões nodulares, que podem se assemelhar à histiocitose X (Granulomatose de Células de Langerhans) ou linfoma, ocorrem como uma reação de hipersensibilidade às partes de ácaros retidas.

Menos lesões ocorrem em pessoas que tem o hábito de fazer uma boa higiene e a condição pode ser mascarada naqueles que estão utilizando esteroides tópicos. Infecção bacteriana secundária com impetiginização é comum, especialmente em crianças e pacientes idosos que atritam ativamente suas lesões.

Apresentações atípicas de sarna foram descritas em pessoas imunodeprimidas, incluindo pacientes transplantados de órgãos sólidos, pacientes com linfoma ou leucemia e pacientes com AIDS.

Prurido e arranhões, com a eliminação de ácaros e tocas, podem ser mínimos em pacientes nos quais falta uma resposta imunológica do hospedeiro, permitindo a milhares de ácaros se reproduzirem e se desenvolverem.3 Escabiose encrostada, a qual foi originalmente descrita na Noruega, está associado a lesões de hiperqueratose difusas e profundas fissuras na pele.

A escabiose encrostada pode se desenvolver em pacientes malnutridos ou com importante deficiência mental e em pacientes institucionalizados. A condição é altamente contagiosa, devido ao grande número de ácaros presentes na pele esfoliada.

Figura 1 – A toca da Sarcoptes fêmea frequentemente aparece como uma linha irregular de vários milímetros a alguns centímetros de comprimento na camada córnea.

Figura 2 – Lesões típicas de sarna são pequenas pápulas eritematosas e vesículas com edema circundante.

A forma grave de sarna com características clínicas incomuns que consistem em lesões crostosas e uma difusa dermatite papular pruriginosa, tem sido descrita em pacientes infectados pelo HIV.3,5 Nestes pacientes a instituição de múltiplos tratamentos pode ser necessária, por causa da grande população de ácaros e a resposta imunológica enfraquecida dos pacientes.

Fragmentos da Pele

Uma raspagem da pele que demonstre a presença de ovos de ácaros ou produtos de ácaros pode confirmar o diagnóstico de escabiose. Uma lâmina cirúrgica Nº 15 é usada para raspar em uma ou mais tocas. Solução salina ou solução de óleo mineral é usada para remover os fragmentos da lâmina.

Os fragmentos são, então, colocados em uma lâmina de vidro com uma lamela e examinada sob um microscópio de baixo poder de magnificação. A raspagem é positiva se é observada uma fêmea grávida, ovos ou matéria fecal (pelotas fecais) [veja Figura 3]. O rendimento é maior em tocas que ainda não estão escoriadas, as quais podem ser difíceis de encontrar.

Por essa razão, se a raspagem é negativa, mas a suspeita clínica de escabiose é alta, o paciente deve ser tratado de forma empírica. O exame histopatológico de uma amostra de biópsia da pele, também, é uma fonte de diagnóstico; caso esse revele o ácaro ou a toca superficial na pela e seu conteúdo.

6 Em casos atípicos ou sutis de sarna, microscopia de epiluminescência ou reação em cadeia de polimerase (PCR) podem ser úteis na confirmação do diagnóstico.

7,8 Microscopia de epiluminescência, que permite a visualização da pele abaixo da derme papilar superficial, é capaz de detectar a presença de sarna dentro de minutos, sem nenhum desconforto para o paciente. A PCR pode amplificar o DNA do S. Scabiei quando o número de ácaros é tão pouco que o diagnóstico por meio padrão é inconclusivo.

Figura 3 – Observação da Sarcoptes scabiei ou seus ovos e fezes confirmam o diagnóstico de escabiose. A magnificação é de 400 vezes.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial clínico inclui erupções medicamentosas, urticária papular, foliculite, dermatite atópica, dermatite herpetiforme e dermatite de contato, principalmente a partir da fibra de vidro. Escabiose crostosa pode ser confundida com eczema.

A urticátia papular é uma erupção intensamente pruriginosa causada por uma reação de hipersensibilidade a picadas de alguns insetos, como: pulgas, percevejos e escabiose animal.

As lesões ocorrem como pequenas pápulas que podem ter um ponto central, ocorrendo frequentemente em grupos que tem a pele exposta.

Tratamento Inicial

Depois de um banho para limpeza, o paciente deve deixar a pele secar e esfriar, e, então, aplicar a escabicida sobre todo o corpo, com excessão do rosto e do couro cabeludo. Cuidados devem ser tomados para incluir as dobras da pele, os dedos dos pés e a pele sob as unhas.

A medicação é aplicada para que fique de 8 a 12 horas, usualmente durante a noite. Pela manhã, o paciente deverá tomar banho e trocar de roupa. Todas as roupas usadas dentro de 2 dias antes do tratamento, além de toalhas e roupa de cama, deverão ser lavados em água quente ou à seco.

Cadeiras e colchões deverão ser aspirados.

O tratamento de primeira linha para a escabiose não complicada é permetrina a 5% pomada (Elimite, Acticin); outros escabicidas disponíveis incluem o lindano a 1%, ou hexacloreto de gama-Benzeno, loção ou pomada (Kwell, Gamene); loção de benzoato de benzila a 10% ou 20%; pomada crotamiton (Eurax); e pomada a 6% de enxofre precipitado [veja Tabela 1]. Ivermectina (Ivermectin), embora não seja aprovada pela FDA[1] como um escabicida, tem mostrado resultados promissores em diversos testes.

A Permetrina, um piretroide sintético com baixa toxicidade, provou ser segura e eficaz em bebês, crianças e mulheres grávidas.9 As piretrinas naturais, as quais são derivadas de flores de crisântemo, têm maior toxicidade e menos atividade inseticida do que os piretroides sintéticos.

A baixa toxicidade do fármaco é um resultado da sua rápida quebra para metabólitos inativos. A pomada de permetrina pode ser usada com segurança em crianças e bebês com mais de 2 meses, e em idosos. Acticin é uma forma da permetrina em uma base que tem uma viscosidade mais baixa para promover a facilidade de aplicação.

Escabicidas alternativos que podem ser utilizados em crianças pequenas e gestantes ou lactantes incluem: pomada crotamiton e pomada de enxofre. A pomada de enxofre a 6% manipulada pode ser aplicada três vezes: no momento do diagnóstico, após 24 horas e em 1 semana.

A pomada crotamiton é aplicado por 2 ou mais dias consecutivos, mas é menos eficaz do que a permetrina. A permetrina parece ser mais eficaz do que crotamiton em taxas de cura clínica e parasitária.9

Lindano é lipofílico e pode acumular-se na gordura, além de ligar-se no tecido cerebral. Reações tóxicas podem ocorrer em pacientes que têm absorção aumentada; bebês e crianças pequenas, que têm uma maior proporção de superfície da pele para o volume corporal do que os adultos, são especialmente suscetíveis.

Foi relatado que o tratamento excessivo com lindano causa toxicidade do sistema nervoso central, o que resulta em convulsões e ataques epiléticos.

10 Em 2003, a FDA publicou uma mudança de rótulo para o lindano, enfatizando seu uso como tratamento de segunda linha;  o tratamento com lindano deve ser considerado apenas se outros medicamentos tenham falhado ou não possam ser tolerados (informações sobre lindano podem ser encontradas na internet em http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/PostmarketDrugSafetyInformationforPatientsandProviders / ucm110452.htm). A loção de lindano deve ser usada com cautela em pessoas com menos de 49.9 kg ou 110 lb; seu uso em bebês não é recomendado.11 Contudo, o baixo custo, a facilidade de aplicação e a experiência com a droga fizeram lindano um dos escabicidas mais comumente prescritos; a FDA considera que os benefícios de lindano superam os riscos quando o medicamento é usado como instruído.

A ivermectina oral é outra opção de tratamento que foi encontrada para ser seguro e eficaz em crianças tão jovens quanto 6 a 12 meses e em pacientes com HIV positivo. Uma dose oral única de 200 µg/kg de ivermectina foi utilizada para tratar escabiose sem complicações em 11 pacientes saudáveis e em 11 pacientes com infecção do HIV.

13 A compensação foi documentada pela negativação das raspas de pele em 2  e 4 semanas após o término do tratamento e a cura foi alcançada em todos os pacientes saudáveis e em 8 dos pacientes infectados com HIV.

As vantagens de uma medicação oral são a sua facilidade de uso, ausência de dermatite associada ao tratamento e o aumento da resiliência. Em um estudo comparativo da ivermectina via oral e a permetrina tópica foi descoberto que uma única aplicação de permetrina é superior que a dose única de ivermectina.

Duas doses de ivermectina foram necessárias para a erradicação da sarna. A falta de atividade ovicida da ivermectina pode explicar a diferença de eficácia entre as duas drogas.

14 A ivermectina é tóxica para as células nervosas e musculares dos invertebrados, mas pode não ser eficaz contra os estágios mais jovens do parasita que não tem um sistema nervoso desenvolvido. A permetrina atua nas fases inicias do ciclo de vida do parasita, e a aplicação tópica assegura a concentração adequada da droga na pele.14

A ivermectina oral tem sido usada para controlar surtos de infestações de sarna em ambientes institucionais4,15; ela pode vir a ser a escolha de tratamento em asilos e outras instituições nas quais o tratamento tópico é impraticável.

A ivermectina tópica também está sendo investigada para o tratamento de sarna. Setenta e cinco pacientes foram considerados curados, com base em exames clínicos e parasitológicos, dentro de 48 horas após uma única aplicação da ivermectina. Prurido residual pós-sarna, algo que persistiu em 50% dos pacientes, foi tratado eficazmente com uma segunda aplicação de ivermectina dentro de 5 dias.16

Tabela 1 Tratamento com Drogas para infestações de Sarna
     Rota      DrogaDosagemEficácia RelativaComentários
Tópica      Permetrina       5% pomadaAplicação única total no corpo, deixando por 8-12 horas.Tratamento de primeira linha.Eficaz e seguro para uso em crianças com mais de dois meses, mulheres grávidas e idosos; se falha do tratamento, uma segunda aplicação é dada uma semana depois.
Crotamiton pomadaAplicação no corpo todo em dois ou mais dias consecutivos.Tratamento alternativo de primeira linha.Seguro para crianças e mulheres grávidas, mas menos eficaz do que a permetrina.
Pomada 6% de enxofre precipitado3 aplicações totais no corpo: no diagnóstico, 24 horas após, e após 1 semana.Tratamento alternativo de primeira linha.Seguro para bebês e crianças pequenas; deve ser manipulada.
Lindano loção a 1%*Aplicar uma vez por semana deixando por 8 horas, durante 2 semanas.Tratamento de segunda linha;Considerar se fracasso do tratamento de primeira linha.Associado com neurotoxicidade; indicada se outros medicamentos falharam ou não foram tolerados; deve ser usado com precaução em pessoas com peso

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/acp-medicine/6024/infestacoes.htm

Autor: Eduarda Cerdeira, Patrícia Zlamalik, Joana Queiroz-Machado, Liliana Beirão

Última atualização: 2018/02/11

Palavras-chave: Pediculose púbica, Doenças da pele, Parasitas, Infeções sexualmente transmissíveis

A pediculose púbica é um problema de saúde causado pelo parasita Phthirus pubis (nomes populares: “piolhos púbicos”, “chatos”). É habitualmente transmitida por contacto sexual ou íntimo com pessoa infestada, e está muitas vezes associado a condições socioeconómicas precárias.

O principal sintoma é a comichão (prurido) na região púbica, mas outras zonas do corpo com presença de pelos podem também ser afetadas (membros, tronco, face). É possível observar a olho nu a presença de lêndeas e piolhos nas áreas afetadas e manchas azuladas na pele, causadas pelo parasita.

O tratamento é eficaz, deve ser extensível aos parceiros sexuais dos últimos 3 meses e inclui medicamentos (a maior parte das vezes de aplicação tópica na pele), cuidados específicos com as roupas e reavaliação 1 semana após o fim do tratamento.

Deve ser realizada a pesquisa de infeções sexualmente transmissíveis nos indivíduos com pediculose púbica.

Pediculose púbica

A pediculose púbica é uma doença infeciosa causada pela infestação com o parasita Phthirus pubis, também conhecida por “piolhos púbicos” ou ”chatos”. A infeção é transmitida por contacto sexual, corporal íntimo ou, menos frequentemente, pelo contacto com objetos infestados como peças de vestuário ou toalhas.

O parasita infesta os pelos terminais da região púbica e à volta do ânus. Tipicamente, o parasita não está adaptado para rastejar mas pode ser encontrado nos pelos das pernas, antebraços, peito ou face (incluindo pestanas). O tempo de vida do parasita adulto é inferior a 1 mês. Durante esse tempo, a fêmea deposita ovos, que, em média, requerem 1 semana de incubação.

O parasita adulto não consegue sobreviver mais do que 24 horas sem se alimentar de sangue.

É uma doença contagiosa?

Trata-se de uma doença muito contagiosa, que é transmitida através do contato sexual, mas pode ser veiculada por contacto indireto por meio de vestuário, pelas roupas da cama ou mesmo toalhas contaminadas. Este parasita não infeta cães, gatos ou outros animais de pelo, pelo que não constituem focos de infestação.A utilização do preservativo não previne esta doença.

Sintomas

A principal queixa é a comichão (prurido) na região púbica. As lêndeas e/ou piolhos localizados nos pelos são visíveis a olho nu.

Podem ser observadas manchas de cor azul clara (“maculae cerulae”) com < 1 cm, pápulas vermelhas no local das picadas, para além de crostas e manchas cor de ferrugem derivadas dos excrementos do parasita.

Os piolhos adultos infestam o pelo terminal da área genital e podem também estar presentes no pelo corporal e facial, incluindo sobrancelhas e pestanas (típico nas crianças). Pequenas nódoas de sangue poderão ser observadas na roupa interior. É comum aparecerem, também, gânglios aumentados nas virilhas.

Tratamento dos contactos e parceiros sexuais

Os parceiros sexuais dos últimos 3 meses devem também ser tratados. O doente infestado e o(s) seu(s) contacto(s) sexual(ais) devem evitar contacto íntimo e sexual até todos os indivíduos terem tratado a infestação.

A presença de piolhos púbicos nas crianças não é necessariamente indicador de atividade sexual, pois podem ser transmitidos por contacto físico não genital entre conviventes próximos.

Estes piolhos podem também ter utilidade forense, como por exemplo em casos de abuso sexual, pelo conteúdo de sangue e consequentemente material genético (ADN) do(s) hospedeiro(s).

Medidas preventivas

Os indivíduos com pediculose púbica não devem partilhar peças de vestuário, roupa de cama ou objetos de higiene pessoal.A transmissão por contacto no assento da sanita não é possível.

A doença não se previne pelo uso de preservativo. A única forma de evitar o contágio é pela abstinência sexual e de contactos íntimos.

Deve ser dada especial atenção às condições sanitárias, nos casos de grupos de pessoas vivendo em condições de sobrelotação.

Conclusão

A pediculose púbica é uma doença infeciosa causada por um parasita, habitualmente transmitida por contacto sexual. Pode causar prurido genital. O tratamento deve ser estendido aos parceiros sexuais.

Referências recomendadas

Tem alguma dúvida? Fale connosco

Источник: http://www.metis.med.up.pt/index.php/Pediculose_p%C3%BAbica

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