Posso beber álcool com remédios ou energéticos?

Posso beber álcool com remédios ou energéticos?

Posso beber álcool com remédios ou energéticos?

O uso de remédios junto com álcool é reconhecidamente danoso, mas por incrível que pareça, essa associação ainda é extremamente comum por parte da população.

A associação de bebidas alcoólicas com medicamentos pode levar a efeitos colaterais graves, inclusive com risco de morte. O álcool pode tanto potencializar os efeitos de um medicamento quanto neutralizá-lo. Pode também ativar enzimas que metabolizam o medicamento em substâncias tóxicas para o organismo.

Para entender como o álcool e outras substâncias são metabolizadas, leia a primeira parte deste texto: RESSACA E POR QUE FICAMOS BÊBADOS?

Neste artigo, vamos explicar quais são os remédios que não podem ser misturados com álcool e o que é o efeito antabuse.

Informações em vídeo

Antes de seguirmos em frente, assista a esse curto vídeo sobre os sinais e sintomas da intoxicação pelo álcool de acordo com a quantidade de bebida ingerida.

1. Álcool potencializando o efeito de um medicamento

Quando as enzimas que metabolizam o medicamento são as mesmas do álcool, estas ficam “ocupadas” processando o etanol, fazendo com que o remédio permaneça mais tempo e em maior concentração na corrente sanguínea. Em alguns casos esta pode ser a diferença entre a intoxicação ou não.

2. Álcool inibindo a ação de um medicamento

Este processo ocorre em bebedores crônicos. O estimulo alcoólico constante no fígado faz com que haja um aumento no número de enzimas hepáticas. Quando um medicamento chega no fígado há um excesso destas para metabolizá-lo, inativando a droga muito mais rapidamente do que de costume. Este excesso de enzimas podem permanecer por semanas após cessar-se o consumo de álcool.

O estimulo constante do etanol e seus metabólitos também podem gerar enzimas que transformam substancias não tóxicas em metabólitos tóxicos.

3. Álcool agindo no mesmo sítio dos medicamentos

Outra maneira de potencialização de remédios é quando estes, assim como o etanol, também atuam sobre o sistema nervoso central, como no caso de narcóticos e sedativos. Este sinergismo pode causar uma intensa e perigosa sedação.

4. Remédios aumentando o efeito do álcool

Alguns medicamento inibem as enzimas que metabolizam o álcool, aumentando seus efeitos e seu tempo de permanência no organismo, potencializando as lesões do álcool no organismo.

Alguns exemplos de interação álcool-medicamentos:

ANESTÉSICOS:

O uso de álcool dificulta a ação dos anestésicos, sendo necessária doses maiores para a indução anestésica em atos operatórios. Também potencializa os efeitos tóxicos destes medicamentos para o fígado.

ANSIOLÍTICOS (BENZODIAZEPINAS):

Aumentam o efeito sedativo, o risco de coma e insuficiência respiratória.

ANTABUSE (DISSULFIRAM) :

Antabuse ou Antabus é o principal nome comercial de uma droga chamada Dissulfiram, que inibe a enzima acetaldeído desidrogenase, impedindo a transformação do metabólito tóxico acetaldeído em ácido acético, que é menos tóxico (leia RESSACA E POR QUE FICAMOS BÊBADOS? para entender melhor este mecanismo). O acúmulo desta substância tóxica causa efeitos como vômitos, calor, sudorese, palpitação, cefaleia (dor de cabeça), hipotensão, dificuldade respiratória e até morte.

O Dissulfiram é uma substância usada no tratamento do alcoolismo, pois o mesmo faz com que pequenas doses de álcool provoquem efeitos muito desconfortáveis. O doente toma o primeiro copo e começa a se sentir mal, parando imediatamente de beber.

Isso acontece porque com o bloqueio da metabolização do acetaldeído, que é uma substância muito tóxica, sua concentração sanguínea chega a ficar 10 vezes maior do que acontece normalmente. Com isso, pequenas doses de álcool levam a níveis de acetaldeídos maiores do que ocorrem em muitos “porres”.

Em 15 minutos o paciente já começa a sentir os efeitos desagradáveis. Até pequenas quantidades de álcool como em doces e molhos podem causar os sintomas.

Elevadas doses de álcool em quem faz uso de antabuse podem ser fatais.

ANTIBIÓTICOS:

Existe um conceito de que misturar antibióticos e álcool é perigoso e pode inativar o primeiro. Isto é uma verdade parcial.

Realmente a associação de álcool com alguns antibióticos pode levar a efeitos graves do tipo antabuse, descrito acima. São eles:

  • Metronidazol (Flagyl®).
  • Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim®).
  • Tinidazole (Tindamax®).
  • Griseofulvin (Grisactin®).
  • Cefotetan.

Outros antibióticos como cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida também não devem ser tomados com álcool pelo perigo de inibição do efeito e potencialização de toxicidade hepática.

Em ralação aos outros antibióticos não há relatos de interação. Porém, deve-se lembrar que o álcool inibe o sistema imune e dificulta o combate contra agentes infecciosos. Portanto, não é inteligente beber enquanto se está com uma infecção.

Para saber mais sobre a relação entre antibióticos e bebidas alcoólicas, leia: Bebidas alcoólicas e antibióticos – Quais são os riscos?

ANTICOAGULANTES:

O álcool aumenta o efeito anticoagulante da Varfarina (Marevan®, Varfine®, Coumadin ®) podendo causar hemorragias. (leia: INTERAÇÕES COM A VARFARINA).

ANTICONVULSIVANTES:

Aumentam os efeitos colaterais e o risco de intoxicação enquanto que diminui a eficácia contra as crises de epilepsia (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas, tipos e como proceder).

ANTIDEPRESSIVOS:

Aumentam as reações adversas, o efeito sedativo e diminui a eficácia dos antidepressivos. Pode também causar picos hipertensivos (leia: ANTIDEPRESSIVOS: Escitalopram, Citalopram, Fluoxetina, Sertralina e Paroxetina).

ANTI-INFLAMATÓRIOS:

Aumentam o risco de úlcera gástrica e sangramentos. Aspirina (AAS) aumenta os efeitos do álcool. (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS)

ANTI-HIPERTENSORES:

Reduzem a eficácia, causam tonturas e arritmias cardíacas.

ANTI-HISTAMÍNICOS (ANTIALÉRGICOS):

Aumenta o efeito sedativo e causa tonturas e desequilíbrio.

HIPOGLICEMIANTES (ANTIDIABÉTICOS):

Também pode causar efeito antabuse. Uso agudo de etanol prolonga os efeitos enquanto que o uso crônico inibe os antidiabéticos.

PARACETAMOL:

Aumenta o risco de hepatite medicamentosa.

PROTETORES GÁSTRICOS:

Aumenta o efeito do álcool e os efeitos colaterais do medicamento.

E quanto a misturar álcool com bebidas energéticas?

A associação de álcool com energéticos tipo Red Bull tem sido cada vez mais comum entre jovens, principalmente em festas e casas noturnas.

As bebidas energéticas são ricas em substâncias estimulantes, nomeadamente cafeína, guaraná, taurina e efedrina.

Existe a falsa crença de que esses estimulantes retardariam os efeitos depressores do álcool, sendo possível beber em grandes quantidades e não ficar bêbado.

Algumas pessoas inclusive acreditam que as bebidas energéticas permitem que se conduza veículos mesmo após ingestão de grandes quantidades de bebidas alcoólicas.

Na verdade, a associação de álcool com energéticos realmente leva a percepção de uma menor embriaguez, porém, o fato é que, após testes de habilidades motoras, acuidade visual e reflexos, fica-se claro que a intoxicação pelo álcool é exatamente igual. Isso é extremamente perigoso pois o consumidor tem maior dificuldade em reconhecer que não está apto a conduzir ou efetuar outras tarefas motoras.

O consumidor fica tão bêbado quanto se não tivesse tomando energéticos, o problema é que ele não consegue se dar conta do fato. A inibição da percepção de embriaguez também faz com que as pessoas acabem ingerindo mais álcool do que conseguiriam se não estivessem tomando concomitantemente tantos estimulantes, facilitando a ocorrência de complicações como o coma alcoólico.

Assim como o álcool, todos essas substâncias estimulantes, quando em excesso, podem causar arritmias cardíacas. Como essa associação é normalmente feita em pessoas jovens e sadias, os risco de complicações são menores, porém, existem vários relatos de convulsões e morte súbita de origem cardíaca em pessoas que exageram nesta associação.

A cafeína também é um diurético e o seu abuso em conjunto com o álcool pode levar a desidratação e piorar os sintomas da ressaca no dia seguinte.

Como se pode comprovar, o álcool interage com as principais classes de drogas. Na dúvida opte pelo mais seguro, não consuma álcool se estiver usando medicamentos.

Источник: https://www.mdsaude.com/dependencia/alcool-e-remedios/

Cuidado! Energético em excesso faz mal para a saúde

Posso beber álcool com remédios ou energéticos?

Como o desejo de que o dia tenha bem mais de 24 horas não passará disso, ou seja, de um desejo, as pessoas vivem procurando maneiras de fazer o tempo disponível render.

Uma delas é mandar energéticos goela abaixo para ficar a mil.

O indício de que se trata de um comportamento cada vez mais corriqueiro vem do Serviço de Administração em Abuso de Substâncias e Saúde Mental, nos Estados Unidos.

Em um documento recente, o órgão revela que, entre 2007 e 2011, aumentou em 279% o número de indivíduos acima de 40 anos visitando o pronto-socorro após a ingestão da bebida. Prova de que não são apenas os jovens baladeiros que se entopem de latinhas.

Leia também: Energético ameaça o coração

Outro dado intrigante: em 2011, quase 60% desses atendimentos emergenciais estavam associados somente ao uso dos energéticos – isto é, não havia álcool ou drogas na jogada.

A situação americana está longe de surpreender especialistas brasileiros. Afinal, essa parece ser uma realidade também por aqui.

“Devido à rotina atribulada, muita gente já acorda cansada”, nota o cardiologista Daniel Pellegrino dos Santos, do Hospital do Coração, na capital paulista.

Daí, às vezes só com a ajuda da bendita cafeína, principal composto das bebidas estimulantes, para aguentar o tranco. Só que existe um limite para seu consumo. “Adultos, por exemplo, podem ingerir no máximo 2,5 miligramas de cafeína por quilo de peso”, informa Santos.

Isso significa que uma mulher de 60 quilos precisaria parar nos 150 miligramas. “Acontece que, nos energéticos, a quantidade de cafeína varia de 80 até 500 miligramas”, avisa a cardiologista Luciana Janot Matos, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Coração em risco

E o excesso cobra seu preço. Quem paga mais caro, geralmente, é o coração. “A cafeína instiga o sistema nervoso simpático a liberar hormônios estimulantes, como adrenalina e noradrenalina”, explica a médica.

Algo preocupante, pois essa dupla propicia o aumento da frequência cardíaca e o estreitamento dos vasos sanguíneos, fazendo a pressão decolar.

Em sujeitos com problemas prévios nas artérias – muitas vezes silenciosos -, o efeito eventualmente serve como estopim para um infarto ou derrame.

Esses hormônios excitantes ainda são capazes de fazer o coração bater em ritmo pra lá de apressado, quadro conhecido como arritmia. “Quando há um histórico de doença cardíaca, a aceleração pode ser fatal”, avisa Daniel Daher, presidente do Grupo de Estudos em Cardiologia do Esporte da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

O fato de seu coração estar aparentemente livre de enroscos não serve de argumento para abusar das latinhas. Especialmente para quem já atingiu os 40 anos de idade. “Com o passar do tempo, sobe a probabilidade de a pessoa ter sido exposta a fatores de risco como pressão alta, obesidade, tabagismo, dieta inadequada, entre outros”, lembra Daher.

Os energéticos seriam, então, um ingrediente extra na equação bombástica. Fora que uma parcela daqueles que à primeira vista esbanjam saúde – são magros, comem direito e fazem exercícios – possuem um risco aumentado de males cardíacos por causa da herança genética. Mais um motivo para espiar o rótulo e evitar se entupir de cafeína.

Bebida ácida

A recomendação vale por outras razões, como barrar a gastrite. Isso porque tanto a cafeína como os hormônios excitantes despejados na corrente sanguínea contribuem para a maior produção de ácidos que irritam a mucosa do estômago, o que explica a sensação de queimação.

O estado de agitação ainda favorece a ocorrência de tremores involuntários pelo corpo todo, inclusive nas pálpebras. Para piorar, no dia seguinte a tendência é sentir uma espécie de ressaca, com sonolência e tudo mais.

“Aí, crescem as chances de lançar mão da bebida novamente”, raciocina o cardiologista Rui Póvoa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Se as consequências da falta de comedimento já são temerosas nos adultos, imagine em crianças e adolescentes. “Eles são mais suscetíveis aos efeitos da cafeína. Sem contar que seu sistema cardiovascular está em formação”, enfatiza a cardiologista Grace Bichara, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

As preocupações vão além: é comum que os energéticos sejam misturados a bebidas alcoólicas. Segundo levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Unifesp, dos mais de 50 mil jovens entrevistados em 2010, pelo menos 60,5% relataram já ter consumido alguma bebida alcoólica, sendo que 15,4% adicionaram o energético ao copo.

“O perigo é que a mistura potencializa o efeito estimulante do álcool, motivando sua procura em outras ocasiões”, alerta Sionaldo Ferreira, professor de educação física da instituição. Levantamentos também apontam que a coordenação motora e o tempo de reação são afetados, abrindo brecha para acidentes.

A cafeína não está sozinha

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Embora a maioria das chateações decorrentes dos energéticos esteja relacionada à presença dessa substância, há prejuízos que se manifestam graças a outras características do líquido.

Sua acidez é um exemplo, como registra um estudo da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Nele, dentes bovinos, cuja composição é semelhante à dos nossos, foram imersos no líquido durante 15 minutos, quatro vezes ao dia, por cinco dias.

O resultado não foi nada positivo. “A bebida removeu o cálcio dos dentes e tornou a superfície do esmalte porosa”, atesta Lídia Morales Justino, professora de odontologia e orientadora da pesquisa.

“Isso cria condições para a deposição de corantes ali, culminando em mudança de cor”, completa.

Colocando tudo na balança – do coração ameaçado aos dentes manchados -, você há de convir que uma boa noite de sono ainda é a melhor pedida para repor as energias. Energético? Só de vez em quando e com moderação.

Gás natural

Falta disposição para trabalhar ou assistir às aulas da faculdade?  Antes de recorrer aos energéticos para encontrar o vigor perdido, que tal se questionar a quantas andam seu sono, sua dieta e a frequência na academia? É que os três fatores, quando levados a sério, fornecem a energia necessária para você aguentar o corre-corre. “Parece simples, mas a maioria das pessoas não dorme pelo menos oito horas diárias, tem uma alimentação desequilibrada ou não faz exercícios pelo menos quatro vezes por semana”, lamenta o cardiologista Daniel Daher, da SBC.

Os efeitos do excesso de energético pelo corpo

Contrações musculares

A descarga de adrenalina e noradrenalina no organismo pode desencadear contrações involuntárias nos músculos.

Fasciculação

Os níveis elevados de hormônios estimulantes correndo pela circulação fazem as pálpebras tremerem.

Infarto e avc

As substâncias que conferem excitação também geram endurecimento das artérias. No cérebro, o aperto pode levar a um derrame. No coração, a um ataque cardíaco.

Erosão dentária

O pH baixo dos energéticos fomenta um desequilíbrio bucal. Assim, o cálcio sai dos dentes, alterando a superfície do esmalte.

Gastrite

Os hormônios liberados por causa da cafeína da bebida favorecem a produção de ácidos no estômago. Isso explica a possibilidade de queimação.

Fontes: Daniel Pellegrino dos Santos, cardiologista do Hospital do Coração; Luciana Janot Matos, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein; Lídia Morales Justino, professora do curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina

Источник: https://saude.abril.com.br/alimentacao/energetico-em-excesso-faz-mal-para-a-saude/

Mistura remédio com álcool? Veja o que combinação pode causar no organismo

Posso beber álcool com remédios ou energéticos?

#Sextou e é Carnaval. A folia, geralmente, está associada ao consumo excessivo de álcool, mas se você está tomando algum remédio, é bom ficar atento. E não precisam ser só medicamentos de uso contínuo, como os utilizados para tratar hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, depressão ou mesmo infecções.

Até um simples analgésico para combater aquela dor de cabeça chata combinado com bebida alcoólica em excesso pode inibir ou aumentar o efeito e colocar sua saúde em risco.

Por ser solúvel, o álcool acessa rapidamente a corrente sanguínea e passa por vários órgãos do corpo, afetando, principalmente, o fígado. Os medicamentos, que são divididos por classes, como antibióticos, anti-inflamatórios e antidepressivos, por exemplo, quando chegam ao organismo são transformados em outras moléculas, que atuam no combate ao diagnóstico.

Contudo, grande parte dos medicamentos sofre ação de enzimas no fígado, onde o álcool tem ação direta e é metabolizado. Dessa forma, outras substâncias que dependem do fígado para funcionar, como alguns remédios, também sofrem alteração em seu metabolismo.

Isso pode resultar em reações adversas e aumentar a chance de hepatite aguda, por sobrecarregar o órgão. Em outras palavras, o álcool altera a quantidade ou a atividade de algumas enzimas utilizadas na biotransformação de vários medicamentos.

De acordo com Patrícia Moriel, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), 17% dos remédios podem causar danos ao serem consumidos com álcool em excesso.

Desse total, 15% podem causar interações graves e levar até mesmo a morte. Ela ressalta também que, na dúvida, a melhor opção é não beber aquela cervejinha ou vinho enquanto estiver fazendo uso de medicamentos.

Após ingerido, o álcool é transportado pelo sangue para todos os tecidos que contém água, sendo que suas maiores concentrações se encontram no cérebro, no fígado, no coração, nos rins e nos músculos. Cerca de 90% a 95% do álcool que ingerimos é metabolizado no fígado por enzimas (moléculas) especiais.

Essas enzimas dividem o álcool em várias substâncias, como acetaldeído e ácido acético. Depois, ele é eliminado pela urina e 5% por meio da respiração, transpiração e salivação.

Quais as consequências da interação entre álcool e psicotrópicos?

Tanto o álcool como os remédios psiquiátricos, chamados de drogas psicotrópicas, atuam no sistema nervoso central cerebral. Logo, se uma pessoa está fazendo um tratamento psiquiátrico e continua ingerindo bebida alcoólica, o efeito do remédio poderá ser afetado.

“Na psiquiatria, piora o tratamento da depressão, da ansiedade e de outros transtornos mentais. O álcool, inclusive, desorganiza a atividade elétrica cerebral, dificultando uma função vital básica, que é o sono”, explica Victor Bigelli de Carvalho, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e colaborador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Segundo o psiquiatra, na maioria dos casos o álcool potencializa o efeito dos psicotrópicos e, por consequência, aumenta a chance de efeitos colaterais, como tontura, náusea, palpitação e insônia, até casos mais graves, como parada respiratória, coma e morte.

Ele também pode inibir ou alterar o efeito, mas não cortar a ação completamente. No entanto, as reações dependem da quantidade de álcool ingerida e do tipo de concentração da medicação utilizada.

No caso da depressão, por exemplo, o álcool vai potencializar a doença, mas não a ação do medicamento em si. Por isso, segundo os especialistas, não se deve parar de tomar psicotrópico por causa da ingestão da bebida alcoólica.

Porém já existem novos antidepressivos com uma baixa interação com o álcool. Sendo assim, já é possível realizar um tratamento sem comprometer sua segurança.

“Agora, é bom sempre lembrar que o álcool joga contra o tratamento de qualquer transtorno mental agudo ou crônico por ação direta no cérebro.

De maneira geral, se estiver tomando psicotrópicos, não se deve ingerir bebida alcoólica”, explica Carvalho.

Todavia, cada caso deverá ser avaliado por um médico individualmente, pois cada organismo reage de uma forma diferente. Outro fator importante a ser destacado são os pacientes que tomam medicação psicotrópica sem prescrição médica.

Uma pesquisa realizada em abril do ano passado pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia), por meio do Instituto Datafolha, apontou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros.

O estudo detectou também que, embora muitas pessoas sejam atendidas por especialistas e tenham receita médica, elas simplesmente decidem alterar a dose prescrita por conta própria. Esse comportamento foi relatado pela maioria dos entrevistados, 57%. Além disso, familiares, amigos e vizinhos também foram citados como influenciadores na escolha da maioria dos medicamentos.

Em relação aos psicotrópicos que são misturados com álcool, tal comportamento é nocivo para a saúde, pois com a dose alterada, os efeitos colaterais também serão maiores. Outra coisa comum é “conseguir” uma receita médica com outras pessoas, ou até mesmo em mercados clandestinos.

Nesse caso, o risco é ainda pior, já que o paciente não foi avaliado por um profissional especializado e não conhece os efeitos que essa mistura pode causar. A recomendação é sempre procurar um médico para avaliação.

E outros tipos de remédios?

Há uma interferência no organismo porque o álcool é uma substância tóxica e, em geral, misturar remédios com bebidas não faz bem e pode haver interações. Essa combinação pode aumentar os efeitos colaterais da medicação, diminuir o efeito ou ainda alterar a distribuição no corpo. Porém, o resultado vai depender da concentração, do tipo de medicamento e da quantidade de bebida ingerida.

Os órgãos que mais podem ser prejudicados com essa combinação são o fígado, o cérebro, o estômago e o pâncreas. Além disso, diversas infecções também podem piorar.

Em geral, o álcool consumido fora da quantidade considerada saudável —aquela que o fígado consegue metabolizar normalmente, que são duas doses por dia para homem e uma para mulher (o equivalente a três dedos)— já pode acarretar em uma série de problemas para o organismo.

Assim como alguns alimentos e demais substâncias, a interação do álcool com bebida alcoólica pode, ainda, aumentar ou diminuir a absorção e a excreção do medicamento.

Fontes: Victor Bigelli de Carvalho, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e colaborador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas; Patrícia Moriel, farmacêutica e professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); Alfredo Salim Helito, clínico geral e médico da família do Hospital Sírio Libanês (SP); Elie Cheniaux, psiquiatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e Bruno Zilberstein, gastroenterologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/02/21/mistura-remedio-com-alcool-veja-o-que-mistura-pode-causar-no-organismo.htm

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