Principais fatores de risco do câncer de mama

O que provoca o cancro da mama? O que sabemos e do que suspeitamos

Principais fatores de risco do câncer de mama

É o mais frequente entre as mulheres e a principal causa de morte entre os 35 e os 55 anos no sexo feminino. Todos os anos se registam entre cinco e seis mil novos casos de cancro da mama em Portugal.

Sabe-se que 5% a 10% têm origem genética, mas desconhecem-se as causas exatas dos restantes 90%.

Ao longo dos anos, elementos como as hormonas, a alimentação, o sedentarismo ou a obesidade têm vindo a ser associados ao cancro da mama, mas não é possível dizer que algum deles seja causa direta da doença. Além disso, nem todas as associações estão comprovadas pela ciência.

“A maior parte dos cancros da mama são doenças multifatoriais, mas não sabemos exatamente a causa.

Se existisse uma só causa, seria mais fácil encontrar a cura”, diz ao DN Fátima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro Clínico Champalimaud (CCC), a propósito do Dia Nacional da Luta contra o Cancro da Mama, que se assinala nesta terça-feira.

Existem alguns fatores de risco, mas a existência desses elementos não quer dizer que a pessoa vá necessariamente confrontar-se com a doença. “Há quem tenha vários fatores de risco e nunca desenvolva cancro, tal como há quem tenha a doença mas não tenha nenhum fator de risco”, ressalva a especialista.

Cancro é uma doença do nossos genes

O cancro não é uma agressão externa. “É uma doença dos nossos genes, que todos os dias sofrem agressões, como o sol, o tabaco ou a poluição.

O nosso sistema está feito para que haja uma correção dessas alterações, mas, quando são de uma ordem de grandeza que ultrapassa a capacidade de o corpo as corrigir ou quando existe uma falha no sistema de correção [como nos cancros hereditários], acumulam-se alterações nos genes. As células ficam tão alteradas que se tornam malignas”, esclarece Fátima Cardoso.

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As células normais nascem, diferenciam-se – tornando-se especialistas a exercer determinada função – e, ao chegar a determinada altura, morrem naturalmente.

“As células malignas perdem a sua capacidade de se diferenciar e concentram todas as suas forças a crescer, a multiplicar-se. Ganham a capacidade de ser imortais“, explica a investigadora do CCC.

Assim, prossegue, “há fatores de risco que ou aumentam as agressões às células ou alteram a capacidade de correção dessas mesmas alterações”.

Fátima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro Clínico Champalimaud.

© Leonel de Castro/Global Imagens

Genes, idade, género e hormonas

Apenas se pode falar em causas do cancro da mama quando a doença é hereditária. Para 5% a 10% dos casos há uma causa genética – como a alteração no gene BRCA – que aumenta em até 80% a probabilidade de uma pessoa sofrer da doença.

Nesses casos, quando se sabe que se tem a mutação genética, podem tomar-se algumas medidas preventivas, como as cirurgias profiláticas, prevenção através de fármacos ou vigilância proativa.

De resto, o que existe são fatores que aumentam a probabilidade de ocorrência da doença.

A idade e o género são fatores generalistas, amplamente aceites pela comunidade científica.

“Sabe-se que o cancro da mama é bastante mais provável na mulher e que, apesar de ter aumentado a deteção em mulheres mais jovens, a possibilidade de ter a doença aumenta com a idade”, diz ao DN Catarina Santos, especialista em cirurgia oncológica da mama no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Os fatores relacionados com o ambiente hormonal também são assumidos pelos especialistas como comprovados.

“Quanto maior exposição a hormonas femininas – estrogénio e progesterona – a mulher tiver, maior a probabilidade de ter cancro da mama”, refere a médica-cirurgiã.

Por isso, prossegue, “quanto mais precoce a menarca [primeira menstruação] e mais tardia for a menopausa, o que implica mais ciclos ao longo da vida”, maior é o risco de vir a desenvolver cancro da mama.

Não ter filhos e não amamentar também são fatores de risco confirmados.

A explicação, refere Fátima Cardoso, está relacionada com o facto de a mama só se desenvolver completamente quando a mulher tem uma gravidez que é levada a termo, ou seja, quando a mama forma leite.

“Nessa altura, as células da glândula mamária completam a sua diferenciação. E, quanto mais especializada é a célula, menos se divide. Por isso é que a gravidez e o aleitamento são fatores protetores da doença.”

A gravidez e o aleitamento são fatores protetores da doença

Já a terapêutica hormonal de substituição, usada para atenuar os efeitos da menopausa, aumenta o risco de uma mulher vir a desenvolver cancro da mama. “Se for mesmo necessária, recomendamos que não se tome durante mais do que cinco anos”, afirma a diretora da Unidade da Mama do CCC.

Os tratamentos de fertilidade e a pílula são, segundo Catarina Santos, “fatores que ainda são discutíveis, mas cada vez surgem mais evidências de que podem estar associados a esta patologia”. Como existem poucas décadas de utilização de ambos, não há estudos conclusivos.

“Começam, no entanto, a surgir dados que mostram que uma exposição prolongada à pílula anticoncecional pode estar associada a um aumento do risco”, indica a médica-cirurgiã do IPO, ressalvando que esse risco parece desaparecer no momento em que a toma é suspensa – o que geralmente acontece nas idades em que o cancro não é tão frequente.

Sobre a pílula, Fátima Cardoso destaca, ainda, que “sofreu uma grande evolução ao longo dos anos, sendo que, com as novas, o aumento do risco é muito limitado”. Por outro lado, apresenta benefícios ao nível da prevenção do cancro do ovário, o que acaba por “anular” os perigos para o cancro mama.

Alimentação, stress e depressão

É difícil fazer estudos na área da nutrição e do cancro, razão pela qual, segundo as especialistas consultadas, há muita desinformação sobre o tema. Não raras vezes, surgem estudos a associar o consumo de determinado alimento ao aparecimento da doença, mas, por agora, não existem provas científicas de que algum alimento seja protetor ou causador do cancro da mama.

Já neste mês, por exemplo, um estudo de investigadores da Escola de Saúde Pública TH Chan de Harvard, nos Estados Unidos, publicado no International Journal of Cancer, concluiu que as mulheres que ingeriram altos níveis de carne processada, como bacon e salsichas, tinham mais 9% de risco de contrair cancro da mama do que aquelas que comiam pouco esse tipo de alimento.

Catarina Santos afirma, no entanto, que, embora existam várias suspeições, “não há nenhum alimento que se tenha demonstrado como sendo um fator de risco”.

“Não há evidências demonstradas”, sublinha, destacando que existem alguns aspetos de alimentação que podem pesar.

“Se contribui para a obesidade ou se tem uma dose elevada de hormonas adicionais, acaba por condicionar, mas não há nenhum alimento em particular que se assuma como um fator de risco significativo.”

Também é comum ouvir dizer que o consumo de açúcar está relacionado com o aparecimento da doença. “Ouve-se que as células tumorais se alimentam de açúcar, mas não são só as tumorais. São todas. Tudo o que comemos é transformado em determinado tipo de açúcar que as células podem metabolizar, mas isso não é específico das tumorais”, alerta Fátima Cardoso.

“Ouve-se que as células tumorais se alimentam de açúcar, mas não são só as tumorais. São todas.

Existem também teorias que relacionam o stress e a depressão com o desenvolvimento de tumores malignos na mama.

“Todos conhecemos pessoas nas quais o cancro apareceu depois de uma situação muito difícil na vida, como a perda de um ente querido ou uma doença prolongada.

Não se pode dizer que esteja totalmente entendida a razão pela qual isso acontece, mas suspeita-se de que pode ser porque o stress e a depressão afetam o sistema imunitário”, avança a investigadora do CCC.

Inatividade física, obesidade e tabaco

A inatividade física não é uma evidência clara quando falamos de fatores de risco para o cancro da mama. “Mas os principais estudos mostram que, para quem já teve cancro, o exercício diminui o risco de recidiva da doença. Não evita que a pessoa tenha cancro, mas é sempre bom ter uma vida saudável, porque faz que a saúde seja globalmente melhor”, prossegue.

Embora não esteja provado como fator de risco inequívoco, a obesidade também tem sido relacionada com um aumento da incidência desta patologia. Segundo Catarina Santos, é tida como um elemento importante nas sociedades ocidentais.

“Nesta área, existem vários fatores em estudo, um deles relacionado com o tecido adiposo.

É aí que são produzidas as hormonas femininas após a menopausa, pelo que ser obeso tem esse inconveniente: a pessoa tem mais bem-estar porque tem mais hormonas, mas tem mais exposição hormonal, o que pode ser um contributo para a doença”, refere a especialista em cirurgia oncológica da mama.

O cancro da mama não é dos que estão mais associados ao tabaco – como o do pulmão, por exemplo -, mas este também pode ter alguma influência no desenvolvimento da doença.

“Faz mal quando as mulheres começam a fumar muito jovens (sobretudo na adolescência), porque a mama não está completamente desenvolvida.

A agressão do tabaco nessas idades tem um impacto maior porque a glândula mamária ainda está imatura”, avança Fátima Cardoso.

Outros fatores associados

Segundo Catarina Santos, existem outras condições associadas a esta patologia, como a existência de história familiar (independentemente de existir ou não uma causa genética), a exposição a radiação para tratamento de outros tumores e a existência de lesões benignas na mama.

Atendendo aos fatores que se sabe que podem aumentar a probabilidade de ocorrência do cancro da mama, Fátima Cardoso reconhece que “há alguns estilos de vida que podem ajudar a diminuir o risco”, mas “não podemos evitar que o cancro nos bata à porta”.

No entanto, termina com um alerta: “Há uma coisa que todos podemos fazer que tem uma importância enorme na sobrevida, que é o diagnóstico precoce. Quanto mais precocemente for detetado, maiores as probabilidades de cura.

Esteja atenta aos sinais de alarme, recorra ao médico de imediato e faça a mamografia regularmente.”

Источник: https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-out-2018/o-que-provoca-o-cancro-da-mama-o-que-sabemos-e-do-que-suspeitamos-10091854.html

Principais fatores de risco do câncer de mama

Principais fatores de risco do câncer de mama

O câncer de mama é o câncer mais comum e o que mais leva à morte entre as mulheres. Entender os fatores de risco nos ajuda a identificar as mulheres mais propensas a terem o câncer e a reduzir sua incidência.

É bom salientar que quando falamos em fatores de risco, nos referimos a situações que aumentam a probabilidade do câncer aparecer.

Mulheres com fatores de risco não necessariamente virão a ter câncer, assim como a ausência de fatores de risco não elimina a chance de tê-lo.

Obviamente, quanto mais fatores de risco um indivíduo possui, maiores são suas chances de desenvolver determinada doença.

No caso específico do câncer de mama, cerca de 70% das mulheres acometidas não apresentam um fator de risco claramente identificável. Porém, quando comparamos mulheres com fatores de risco e mulheres sem fatores de risco, a incidência de câncer é claramente maior no primeiro grupo.

Este texto abordará apenas os fatores de risco. Para saber mais sobre câncer de mama leia: CÂNCER DE MAMA | Sintomas, auto exame e diagnóstico

Fatores de risco para câncer de mama que não podem ser alterados

Sexo feminino

Este é meio óbvio. Mulheres têm 100 vezes mais chances de ter câncer de mama que homens. Nos EUA, anualmente são diagnosticados quase 200.000 novos cânceres de mama em mulheres contra apenas 2.000 em homens.

Idade

O risco de câncer de mama aumenta abruptamente a partir do 45 anos de idade, chegando ao seu pico ao redor dos 65-70 anos. Cerca de 77% das mulheres com câncer de mama têm mais de 50 anos.

Enquanto o risco de câncer de mama em mulheres de 30 anos é de apenas 1 em 2000, em mulheres de 75 anos o risco é de 1 para 10.

Etnia

Brancos (caucasianos) são o grupo étnico com maior incidência de câncer de mama. Negros apresentam um risco levemente menor, porém, sua mortalidade é maior devido a tumores mais agressivos e ao fato desta população ser mais pobre e ter menos acesso a meios diagnósticos precoces. Hispânicos e asiáticos apresentam cerca de 30% menos risco de câncer de mama que brancos.

História familiar

Ter um parente de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco de tê-lo em 1.8 vezes. Ter dois parentes de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco em 2.9 vezes. Se você tem um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama antes dos 40 anos, então seu risco de também tê-lo antes dos 40 aumenta em 5.7 vezes.

Entretanto, apesar destes dados, apenas 15% das mulheres com câncer de mama apresentam história familiar positiva. Os outros 85% dos casos ocorrem em mulheres sem história familiar.

A história familiar também é importante na identificação de algumas mutações genéticas que favorecem o surgimento do câncer de mama. Quando vários familiares apresentam a doença, provavelmente estamos lidando com um família que possui mutações nos genes BRCA1 e BRCA 2. Mulheres com estes genes alterados apresentam 65% de chance de virem a ter câncer de mama até os 70 anos.

Os genes BRCA 1 e BRCA 2 são responsáveis por algo em torno de 5% de todos os câncer de mama. Portanto, a imensa maioria dos casos não estão relacionados a estas mutações.

Para saber mais detalhes sobre os genes BCRA1 e BRCA, leia: CÂNCER DE MAMA | Genes BRCA1 e BRCA2

História pessoal de câncer de mama

Quem já teve câncer de mama uma vez, apresenta 4 vezes mais riscos de ter um segundo câncer de mama, seja na mesma ou na outra mama. Atenção: estou me referindo a um novo câncer de mama e não a recorrência do primeiro.

Lesões benignas da mama

A maioria das lesões benignas da mama não acarretam em maior risco de câncer de mama. Entre elas podemos citar fibroadenoma simples, alterações fibrocísticas, papiloma e ectasia ductal. Porém, algumas lesões como a hiperplasia ductal atípica e a hiperplasia lobular atípica são fatores de risco reconhecidos, aumentando em cerca de 5x o risco de câncer de mama.

Idade da menarca (primeira menstruação) e da menopausa

Mulheres com menarca precoce (antes dos 12 anos) e/ou menopausa tardia (após os 55 anos) apresentam maior risco de câncer de mama (leia: PRIMEIRA MENSTRUAÇÃO – MENARCA).

Radiação na região do tórax

Pessoas com história prévia de câncer submetidas a radioterapia na região torácica, como no tratamento do linfoma (leia: LINFOMA HODGKIN | LINFOMA NÃO HODGKIN), pessoas expostas a radiação como os sobreviventes da bomba atômica ou pessoas que que entraram em contato com material radioativo, como em acidentes de usinas nucleares, apresentam maior risco de câncer de mama. Este risco é ainda maior se a exposição ocorreu durante a juventude.

Altura

Não sabe bem o porquê, mas mulheres mais altas apresentam maior risco de câncer de mama. Mulheres com mais de 1,75 metro apresentam 20% mais risco que mulheres abaixo de 1,60 metro.

Densidade das mamas

Mulheres com mamas mais densas apresentam maior risco de câncer de mama e uma maior dificuldade em diagnosticá-lo pela mamografia. Atenção: a densidade da mama não necessariamente tem a ver com seu tamanho.

Fatores de risco para câncer de mama que podem ser alterados

Idade do primeiro filho e número de filhos

Mulheres que têm o primeiro filho cedo apresentam menor risco de câncer de mama quando comparadas com mulheres que só dão a luz após os 30 anos de idade. Mulheres com o primeiro filho antes dos 20 anos apresentam menos riscos que mulheres com o primeiro filho aos 25 anos, que por sua vez, apresentam menor risco que as mulheres com primeiro parto após os 30 anos.

Mulheres acima dos 40 anos que nunca tiveram filhos são as que apresentam maior risco, cerca de 30% maior que mulheres com filhos. Estima-se que cada filho reduza em 7% o risco de câncer de mama.

Amamentação

Amamentar reduz o risco de câncer de mama. Estima-se uma redução de 4.3% para cada 12 meses de amamentação realizada. Mulheres com prole grande e com longo tempo de amamentação estão mais protegidas.

Pílulas anticoncepcionais

Existe controvérsia sobre a influência dos anticoncepcionais no câncer de mama. Atualmente aceita-se que haja um pequeno aumento no risco, que desaparece após sua suspensão. Porém, existe uma grupo de especialista que contesta a metodologia dos trabalhos que mostram esta relação. O fato é que, mesmo que haja aumento de risco, este é pequeno.

Terapia de reposição hormonal

A terapia de reposição hormonal, principalmente a que combina estrogênio com progesterona, está relacionada a um maior risco de câncer de mama. Este efeito, porém, só ocorre quando o uso é feito por mais de 2-3 anos.

Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA | Definições e consequências)

Quanto maior o tecido gorduroso, maior o risco de câncer de mama. Mulheres com IMC maior que 33 kg/m2 apresentam 27% mais risco que mulheres com IMC normal. Este risco é ainda maior em mulheres após a menopausa.

Consumo de álcool (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO)

O consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama. Quanto maior o consumo, maior o risco. O álcool ainda parece potencializar os risco da terapia de reposição hormonal.

Atividade física

Exercícios físicos diminuem o risco de câncer de mama, independente do seu efeito na redução de peso. Mesmo 40 minutos de caminhada 3x por semana já é suficiente para reduzir o risco. Mulheres que praticam exercícios mais intensos, como até 10 horas semanais de caminhada ou 3 horas semanais de corrida, chegam a ter até 40% menos chance de desenvolver câncer de mama.

A Sociedade Americana de Oncologia recomenda 45 minutos diários de exercícios por pelo menos 5 dias por semana.

Trabalho noturno

Mulheres que trabalham em turnos noturnos apresentam um risco maior de câncer de mama. Isto provavelmente ocorre por alterações na secreção dos hormônios circadianos como a melatonina, que ocorre normalmente durante a madrugada, mas que é inibida pela luz artificial.

Mitos sobre os riscos para o câncer de mama

Uso de sutiã

Ao contrário do que ultimamente tem corrido a internet por e-mails, não há nenhuma comprovação científica de que o uso de sutiã aumente o risco de câncer de mama.

Na verdade, o único trabalho que mostrou uma discreta elevação de risco apresentava uma falha metodológica, já que o número de mulheres obesas e com mamas densas, conhecidos fatores de risco, que usavam sutiã era maior que o de mulheres magras.

Existe também um livro chamado “Dressed to Kill” dos autores Sydney Ross Singer e Soma Grismaijer que levantam a hipótese do sutiã causar câncer de mama. Este livro é baseado em teorias e não há trabalhos científicos publicados que as comprovem.

Portanto, à luz do atual conhecimento científico, pode-se afirmar que o sutiã não causa câncer de mama.

Aborto

Tanto o aborto induzido quanto o aborto espontâneo não aumentam o risco de câncer de mama

Desodorantes antitranspirante (antiperspirante)

Mais um dos rumores levantados por correntes de e-mail. Não há nenhum embasamento científico e a própria teoria por trás do mito é falha já que o corpo não elimina toxinas pelo suor. Nosso suor é composto em 99% apenas de água e sais minerais.Quem elimina toxinas no nosso organismo são os rins e o fígado.

Portanto, usar desodorantes não causa câncer de mama.

Implantes mamários de silicone

Implantes de silicone não aumentam o risco de câncer de mama, porém, eles podem criar cicatrizes e dificultar a visualização de tumores pela mamografia, sendo muitas vezes necessária a realização de incidências adicionais nas radiografias.

Cafeína

Não existem trabalhos que atestem qualquer relação entre consumo de cafeína e câncer de mama.

Mamografias rotineira

Outro rumor comum é de que a exposição ao radiação em mamografias realizadas anualmente possa aumentar o risco de câncer de mama. Isto também é mito uma vez que a radiação usada em cada exame é extremamente baixa. Na verdade, recebemos anualmente aproximadamente o dobro de radiação de uma radiografia apenas pela exposição solar natural do dia-a-dia.

Traumas

Não há nenhum estudo que demonstre relação entre traumas na mama e o desenvolvimento de câncer de mama.

Источник: https://www.mdsaude.com/ginecologia/cancer-de-mama-fatores-de-risco/

Fatores de risco para o cancro | SNS24

Principais fatores de risco do câncer de mama

Um fator de risco é algo que aumenta a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver uma doença. No entanto, apesar de poderem influenciar, não se sabe ao certo de que forma provocam a doença.

Quais os fatores de risco para o cancro?

O cancro, como qualquer outra doença, tem fatores de risco que tornam as pessoas mais suscetíveis ao seu desenvolvimento. Os fatores de risco para o cancro podem dividir-se em:

  • controláveis:
    • exposição ambiental
    • estilos de vida (por exemplo, alimentação e atividade física)
    • infeções por determinados vírus, bactérias ou parasitas
  • não controláveis:
    • idade
    • predisposição genética
    • etnia

A exposição ambiental é fator de risco?

Sim. Todos os dias estamos expostos a agentes nocivos e tóxicos. A exposição prolongada a muitos destes agentes, designados por carcinogénicos, pode aumentar o risco de cancro.

Quais os tipos de agentes carcinogénicos mais comuns?

Os agentes carcinogénicos podem ser divididos em dois tipos:

  • químicos – todos os poluentes atmosféricos a que estamos expostos diariamente, como gases (dos automóveis e das chaminés industriais) e produtos sintéticos (colas, tintas, entre outros), mas também alguns químicos presentes em alimentos processados
  • físicos – a radiação ultravioleta, transmitida pelo sol, a radiação X que é transmitida pelos equipamentos médicos de radiologia e material radioativo existente, por exemplo, nas minas de urânio

O estilo de vida pode ser um fator de risco?

Sim. Está comprovado que estilos de vida saudáveis diminuem a probabilidade de desenvolver cancro. Assim ter estilos de vida incorretos, como maus hábitos alimentares, fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso e ser sedentário, são considerados fatores de risco elevados para o cancro.

A alimentação é um fator de risco?

Sim. Uma dieta pobre em frutas e legumes, pouco variada e abundante em gorduras e açúcares é um grande fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças, incluindo o cancro do estômago e intestino. A obesidade está associada ao cancro devido à multiplicação desordenada e descontrolada das células alteradas.

Uma alimentação saudável é fundamental para a manutenção de um bom estado de saúde e qualidade de vida.

O tabagismo provoca que tipos de cancro?

O consumo de tabaco está associado ao aumento de risco de cancro da cavidade oral, faringe, laringe, traqueia, esófago, pâncreas, pulmão e bexiga.

O alcoolismo provoca que tipos de cancro?

O consumo exagerado e prolongado de bebidas alcoólicas aumenta o risco de cancro de cabeça e pescoço, esófago, fígado, mama e cólon.

As pessoas sedentárias têm maior risco de ter cancro?

Sim. As pessoas sedentárias têm maior risco de desenvolver cancro de mama, do cólon, esófago e do útero. A prática de exercício físico de forma regular e moderada é fator preventivo de várias doenças.

Quais as infeções que são fatores de risco para o cancro?

Alguns estudos na área da oncologia demonstram que as infeções por determinados vírus, bactérias ou parasitas aumentam o risco de determinados tipos de cancro. São exemplos:

  • vírus Epstein-Barr – este vírus provoca a mononucleose e está associado a alguns tipos de linfoma e cancro da cabeça e pescoço
  • vírus da hepatite B e hepatite C – as infeções crónicas por estes vírus causam hepatocarcinoma (cancro do fígado)
  • vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) – a infeção pelo VIH compromete o sistema imunitário, aumentando o risco para vários tipos cancros, nomeadamente, linfomas, sarcoma de Kaposi, entre outros
  • vírus do papiloma humano (HPV) – Alguns tipos deste vírus são classificados de alto risco e são responsáveis pelo desenvolvimento de quase todos os cancros de colo do útero. Este tipo de vírus está ainda implicando nos cancros da orofaringe, vagina, pénis e canal anal
  • helicobacter pylori – a infeção por esta bactéria está associada a um tipo cancro gástrico e ao linfoma de MALT
  • schistosoma hematobium – um parasita presente em África e que está associado ao cancro da bexiga

O envelhecimento é um fator de risco?

Sim. A idade é o principal fator de risco para muitos tipos de cancro, uma vez que o envelhecimento das células origina o desenvolvimento do cancro.
Cerca de um quarto dos novos casos de cancro são diagnosticados em pessoas com idade entre os 65 e 74 anos. Assim, recomenda-se uma vigilância reforçada a partir dos 50 anos.

O que significa ter predisposição genética?

As síndromes de cancro hereditário, são um fator de risco levado, representando cerca de 5 a 10 % de todos os cancros.

Indivíduos que possuem familiares próximos com cancro, especialmente numa idade jovem, podem ter um risco mais elevado de desenvolver a doença.

Por exemplo, uma mulher cuja mãe ou irmã tenha tido cancro da mama, tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver este cancro do que outra mulher que não tenha a mesma história familiar.

Existem testes para diagnosticar a predisposição genética?

Sim. Os testes genéticos para pesquisa de mutações de cancro hereditário podem ser pedidos pelo médico assistente, em caso de suspeita de síndrome hereditário, e encaminhado para consulta de oncogenética.

Como se pode fazer prevenção do cancro?

Ao evitar fatores de risco como fumar, hábitos alimentares errados, exposição prolongada ao sol e adquirir hábitos de vida saudáveis (como exercício físico regular, alimentação equilibrada, beber água, etc.) pode reduzir-se fortemente o risco de desenvolver certos tipos de cancro. Infelizmente nem todos os cancros podem ser evitados.

No entanto, quanto mais cedo for diagnosticado, maior é a probabilidade de cura. Por esta razão, é tão importante vigiar alterações no seu corpo e realizar regularmente o autoexame da mama, testículos e pele. O seu médico pode, também, aconselhar a realização de exames regulares de rastreio, tais como:

  • mamografia
  • pesquisa de sangue oculto nas fezes
  • exame ginecológico com citologia (papanicolau)
  • toque rectal
  • análises ao sangue
  • entre outros

Para determinar quais os testes mais apropriados para cada pessoa, o médico terá em conta a idade, a história familiar de cancro, a etnia e outros possíveis fatores de risco existentes.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Oncologia

Источник: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-oncologicas/fatores-de-risco-para-o-cancro/

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