Principais sinais e sintomas da próstata

Não é só câncer de próstata: conheça 4 doenças urológicas que afetam homens

Principais sinais e sintomas da próstata

Quando falamos em “doenças de homem”, é comum que o câncer de próstata seja o primeiro problema a aparecer na mente. E não é por menos, afinal, a cada ano cerca de 68 mil indivíduos descobrem ter esse tipo de tumor, que é o segundo mais frequente na população masculina, atrás apenas do câncer de pele, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Mas, obviamente, o câncer não é o único problema que atinge a próstata e outros órgãos dos sistemas reprodutivo e urinário masculino —que estão todos aí, juntos e misturados na parte de baixo do seu corpo.

A seguir, apresentamos quatro doenças urológicas não tão conhecidas por muitas pessoas para reforçar a importância dos cuidados com a saúde do homem e da consulta regular (ao menos uma vez por anos) com o urologista, especialmente após os 40 anos, pois quanto antes esses problemas forem identificados, mais fácil tende a ser o tratamento.

1. Hiperplasia benigna da próstata (HPB)

É o aumento da próstata devido à ação da testosterona, que atinge principalmente homens a partir dos 45 anos. O problema pode causar obstrução parcial ou total da uretra, prejudicando a vida sexual e também o dia a dia da pessoa.

O indivíduo pode apresentar dificuldades para urinar —jato fraco de xixi, necessidade de fazer força para urinar ou terminar a micção —, aumento do tempo para esvaziar a bexiga, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, necessidade de ir várias vezes ao banheiro para fazer xixi, urgência urinária (necessidade de urinar para não ter o risco de fazer nas roupas) e necessidade de levantar à noite para a micção. Alguns pacientes chegam até sentir dor ou desconforto na hora do xixi.

Além do avanço da idade, outros fatores que influenciam o desenvolvimento da hiperplasia benigna da próstata são diabetes, hipertensão, obesidade, baixo nível de HDL (o popular colesterol bom), inflamação na próstata, sedentarismo e genética.

O diagnóstico normalmente é feito pela história clínica do paciente e outros exames, como o toque retal e a ultrassonografia da próstata.

Para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata são indicados medicamentos que atuam na dilatação e no relaxamento da próstata, o que diminui a resistência ao fluxo de urina, além de outros remédios que servem para diminuir o tamanho da glândula e aliviar o esvaziamento da bexiga.

Caso os sintomas permaneçam, os procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados. Entre eles estão a chamada ressecção transuretral da próstata (RTU). Nela, é feita uma raspagem e retirada do miolo do órgão. O tratamento com laser também é muito indicado pelos urologistas.

Com a técnica, é possível alcançar uma desobstrução grande da uretra e, comparado com a RTU, tem a vantagem de menor sangramento, menor tempo de internação e menor necessidade de irrigação vesical.

Já para as glândulas que estiverem acima de 100 g, o tratamento mais recomendado é a prostatectomia, uma cirurgia que retira parte da glândula.

Outro procedimento que passou a ser usado mais recentemente é a embolização da próstata, que bloqueia a passagem do sangue para as regiões “doentes” do órgão, o que diminui a compressão da uretra e reduz ou acaba com a dificuldade de urinar.

A embolização tem como vantagem a liberação do paciente no mesmo dia além, de manter a ejaculação —a maioria dos tratamentos para hiperplasia benigna da próstata, até mesmo os medicamentos, leva o paciente a parar de ejacular (mas a ereção e o orgasmo são mantidos).

Porém, a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) não recomenda a embolização para tratar a doença pois acredita que os resultados do tratamento publicados em estudos são questionáveis. O procedimento é aprovado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina).

2. Prostatite

Processo inflamatório ou infeccioso na glândula prostática, que interfere no funcionamento do órgão, na liberação do PSA (antígeno prostático específico) e impacta no funcionamento do trato urinário, repercutindo na qualidade da micção.

Normalmente, essa doença atinge os homens na faixa dos 20 aos 40 anos e também depois dos 60 anos, que tenham a imunidade baixa. Existem vários tipos de prostatites, mas as mais comuns são: aguda e crônica.

A primeira é causada por bactérias e frequentemente está relacionada à infecção urinária, isso porque o xixi passa no meio da próstata, então, a infecção da urina pode levar o mesmo problema na glândula.

Além disso, em situações em que ocorre a manipulação da próstata, por conta da biópsia, por exemplo, pode ocorrer a doença.

Os indícios da prostatite aguda são: febre alta, mal-estar geral, calafrios, dores nas costas, nos músculos, nas articulações e no períneo (região que fica entre o ânus e o escroto).

Já os sintomas urinários são dor ao urinar, necessidade frequente de fazer xixi durante o dia e a noite e urgência miccional. Há também uma dificuldade em esvaziar completamente a bexiga.

O tratamento é feito com antibióticos e geralmente dura, pelo menos, 14 dias.

Já a prostatite crônica é uma doença que pode ter causa bacteriana ou por infecção de micro-organismos e permanecer no corpo por meses e até anos. Normalmente, tem como sintomas uma dor ou desconforto na região pélvica, que é persistente ou recorrente e pode ou não estar associada com sintomas urinários e sexuais.

Outros sinais desse tipo da doença é a dor na região do períneo, do abdome inferior, nos testículos e no pênis, principalmente durante ou após a ejaculação. Pode ter sintomas obstrutivos e irritativos e eventualmente sangramento no sêmen e disfunção sexual.

O tratamento da prostatite crônica leva mais tempo, com duração de três meses ou mais com o uso de antibióticos.

3. Bexiga hiperativa

A doença é caracterizada por problemas de micção característicos, como a urgência, muitas vezes súbita, em fazer xixi. Geralmente, o sintoma é acompanhado do aumento na frequência de idas ao banheiro, inclusive durante à noite.

Homens a partir dos 50 anos já podem desenvolver a bexiga hiperativa, mas ela é mais comum depois dos 75 anos, pois a partir dessa idade ocorrem mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, como a diminuição da capacidade da bexiga em segurar a urina e o enfraquecimento muscular na região pélvica.

Na hora de realizar o diagnóstico da doença, o urologista leva em consideração se o paciente apresenta os sintomas mencionados, além de prescrever exame de urina e ultrassom das vias urinárias para descartar outras condições.

O tratamento inclui fisioterapia para fortalecer a região pélvica e medicamentos.

Nos casos mais intensos, pode-se indicar o uso de toxina botulínica na bexiga ou até mesmo o implante de um neuromodulador (dispositivo semelhante a um marca-passo que vai controlar o funcionamento da bexiga).

4. Estenoses de uretra

As uretrites (infecções da uretra) —que geralmente decorrem de doenças como tuberculose, do uso de sonda ou de manipulações cirúrgicas da uretra — podem causar cicatrizes no canal por onde passa a urina e o sêmen. Então, esse tecido fibroso acaba por entupir de forma parcial ou totalmente a uretra, gerando as chamadas estenoses.

Como resultado dessa doença surgem os problemas de micção. Entre eles, o fluxo reduzido de urina é o primeiro sintoma.

Depois, aparecem a dificuldade em fazer xixi (como o jato duplo), o gotejamento de urina após a micção, a necessidade de urinar mais vezes que o habitual, vontade maior de ir ao banheiro durante à noite, a ardência no momento da micção e, em alguns casos, incontinência urinária.

O diagnóstico da doença se dá pelo histórico do paciente, mas também serão necessários exames laboratoriais para descartar qualquer outro tipo de enfermidade.

O principal teste realizado é a uretrocistografia miccional, na qual se injeta contraste na uretra até a bexiga e, com a ajuda do raio-x, é possível visualizar todo o trajeto dessa via.

Outros exames podem ser realizados, como a endoscopia da uretra e a ressonância magnética.

O tratamento depende da extensão do estreitamento na uretra.

É possível que o urologista indique uma uretrotomia interna, na qual, com a ajuda de um endoscópico, se faz um corte no ponto obstruído para abri-lo.

Também podem ser determinadas as chamadas uretroplastias, que são técnicas diferentes de plástica do canal uretral, que vão depender não só da extensão, como também da localização da lesão.

Fontes:Alberto Antunes, professor de urologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e chefe do setor de próstata no HC (Hospital das Clínicas), em São Paulo; Arnaldo Fazoli, urologista do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e fellowship em cirurgia laparoscópica e robótica pelo Hospital Clínic de Barcelona; Carlos Sacomani, urologista e coordenador geral do departamento de disfunções miccionais da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia); Francisco Cesar Carnevale, professor da FMUSP e chefe do serviço de radiologia vascular Intervencionista do HC (Hospital das Clínicas) e do Hospital Sírio Libanês, ambos em São Paulo; José Genilson Alves Ribeiro, professor de urologia da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense); Rafaella Eliria, médica e mestre em neurociências pela UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro); Ricardo Vita, urologista e coordenador da área de hiperplasia benigna da próstata da SBU e Stenio Zequi, cirurgião oncologista e head do departamento de cirurgia urológica do A.C.Camargo Câncer Center, em São Paulo.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/05/nao-e-so-cancer-de-prostata-conheca-4-doencas-urologicas-que-afetam-homens.htm

10 sinais de câncer de próstata que todo homem deve saber

Principais sinais e sintomas da próstata

O câncer de próstata é um tipo de câncer muito comum nos homens, especialmente após os 50 anos de idade.

Em geral, este câncer cresce muito lentamente e grande parte das vezes não produz sintomas na fase inicial.

 Por esse motivo é muito importante que todos os homens façam regularmente exames para confirmar a saúde da próstata.

Esses exames devem ser feitos a partir dos 50 anos, para a maioria da população masculina, ou a partir dos 45 anos, quando existe histórico deste câncer na família ou quando se é de descendência africana.

Sempre que surgirem sintomas que possam levar a suspeitar de alguma alteração na próstata, como dor ao urinar ou dificuldade para manter a ereção, é importante consultar um urologista para fazer exames de diagnóstico, identificar o problema e iniciar o tratamento mais adequado. Confira os 6 exames que avaliam a saúde da próstata.

Nesta conversa, o Dr. Rodolfo Favaretto, urologista, fala um pouco sobre o câncer de próstata, seu diagnóstico, tratamento e outras dúvidas de saúde masculina:

Principais sintomas

Os sintomas do câncer de próstata normalmente só aparecem quando o câncer se encontra numa fase mais avançada. Por isso, o mais importante é fazer os exames de rastreio do câncer, que são o exame de sangue PSA e o toque retal. Estes exames devem ser feitos por todos os homens a partir dos 50 anos ou a partir dos 40, caso exista histórico do câncer em outros homens da família.

Ainda assim, para se saber se existe risco de ter algum problema na próstata é importante estar atento a sintomas como:

Para saber se você tem risco de estar com um problema na próstata, assinale, na lista anterior, o que está sentindo.

O fato de ter risco de um problema na próstata não significa que seja câncer, já que outros problemas, como prostatite ou hipertrofia benigna da próstata, são mais frequentes. Ainda assim, se surgirem alguns destes sintomas deve-se consultar um urologista.

Assista o vídeo seguinte e confira quais os sintomas que indicam problemas na próstata e quais os exames que podem ser feitos:

Sintomas do câncer avançado

Nos casos mais avançados, em que a próstata está muito aumentada e o câncer está mais desenvolvido, podem surgir outros sintomas mais graves, como:

  • Dor ao urinar ou ejacular;
  • Presença de sangue na urina ou esperma;
  • Jato de urina fraco;
  • Dificuldade para ter uma ereção;
  • Incontinência urinária ou fecal.

Além disso, se o câncer tiver se espalhado para outras regiões do corpo, também é comum a presença de outros sintomas menos específicos como dor constante nas costas, fraqueza nas pernas ou insuficiência renal.

Nos estágios mais avançados o tratamento é mais difícil, mas ainda assim é importante procurar o médico para que ele avalie a extensão da doença e se outros órgãos foram atingidos, adequando o tratamento.

Como confirmar o diagnóstico

Uma vez que este câncer não causa sintomas no início da sua evolução, a melhor forma de avaliar se existe câncer se desenvolvendo na próstata consiste em fazer o exame de toque retal e o exame de sangue PSA.

Se durante o toque retal o médico palpar um nódulo ou se o exame de sangue PSA estiver muito alterado, a próstata deve ser investigada através de uma biópsia, que irá retirar pequenos pedaços da próstata para depois serem analisados em laboratório. Entenda como é feita a biópsia e quando está indicada.

Estádios do câncer de próstata

Caso seja confirmada a existência de câncer de próstata é fundamental identificar o estadiamento do câncer para orientar o tratamento.

Os principais estádios do câncer de próstata são:

  • T0: não existem evidências de tumor;
  • T1: tumor que não foi identificado por palpação ou exame de imagem;
  • T2: tumor primário que está limitado à próstata;
  • T3: tumor que além da próstata também afeta a cápsula prostática e que pode afetar as vesículas seminais;
  • T4: tumor que invade outras estruturas próximas, como esfíncter, reto ou músculos;
  • N0: não existem metástases nos nódulos linfáticos próximos à próstata;
  • N1: existem metástases nos nódulos linfáticos próximos da próstata;
  • M0: não existem metástases à distância;
  • M1: existem metástases em outros órgãos, ossos ou nódulos linfáticos mais afastados da próstata.

O grau do câncer permite definir o melhor tratamento e entender quais as chances de cura.

Possíveis causas do câncer de próstata

Não existe uma causa específica para o desenvolvimento do câncer de próstata, no entanto, alguns fatores estão associados a um maior risco de ter este tipo de câncer, e incluem:

  • Ter um parente de primeiro grau (pai ou irmão) com histórico de câncer de próstata;
  • Ter mais de 50 anos de idade;
  • Fazer uma dieta pouco equilibrada e muito rica em gorduras ou cálcio;
  • Sofrer de obesidade ou ter excesso de peso.

Além disso, homens de etnia Afro-americana também têm duas vezes mais chances de ter câncer de próstata, do que qualquer outra etnia.

Como é feito o tratamento

O tratamento para câncer de próstata deve ser orientado por um urologista, que escolhe a melhor forma de tratamento de acordo com a idade do paciente, gravidade da doença, doenças associadas e expectativa de vida.

Os tipos de tratamento que, normalmente são mais utilizados incluem:

  • Cirurgia/prostatectomia: é o método mais utilizado e consiste na retirada completa da próstata através de uma cirurgia. Saiba mais sobre a cirurgia para câncer de próstata e a recuperação;
  • Radioterapia: consiste na aplicação de radiação em determinadas áreas da próstata para eliminar as células de câncer;
  • Tratamento hormonal: é usado para os casos mais avançados e consiste no uso de remédios para regular a produção dos hormônios masculinos, aliviando os sintomas.

Além disso, o médico também pode recomendar apenas a observação que consiste em fazer consultar regulares no urologista para avaliar a evolução do câncer. Este tipo de tratamento é mais utilizado quando o câncer está numa fase inicial e a evoluir muito lentamente ou quando o homem tem mais de 75 anos, por exemplo.

Estes tratamento podem ser usados individualmente ou combinados, dependendo do grau de evolução do tumor.

Источник: https://www.tuasaude.com/sintomas-de-cancer-de-prostata/

Prostatite

Principais sinais e sintomas da próstata

A prostatite é o termo clínico utilizado para designar a inflamação da próstata, podendo ser subdividida em prostatite crónica e prostatite aguda consoante o tempo de evolução dessa mesma inflamação.

A próstata inflamada pode ter origem em diferentes fatores, sendo que o mais comum é a propagação de uma infeção urinária com origem na uretra ou na bexiga (uretrite ou cistite) que é transmitida à próstata dando origem a uma infecção na próstata.

Esta infeção, em fase aguda, pode originar inflamação da próstata – próstata “inchada” – e inclusive condicionar retenção urinária aguda (incapacidade súbita para urinar). Esta é uma patologia benigna, relativamente comum em pessoas com problemas de próstata prévios (ex.

Hipertrofia benigna da próstata) que condicionam doenças do trato urinário, nomeadamente esvaziamento vesical incompleto ou infeções urinárias de repetição.

Prostatite aguda, prostatite crónica

Como referido previamente existem 2 grandes tipos de prostatite: a prostatite aguda e a prostatite crónica.

Prostatite aguda – a prostatite aguda é a inflamação súbita da próstata, geralmente relacionada com uma infeção aguda que condiciona febre, aumento do volume da próstata, aumento da temperatura da próstata e que pode evoluir inclusive para a formação de abcessos da próstata e retenção urinária aguda.

Prostatite crónica – a prostatite crónica é uma inflamação crónica da próstata, relacionada com um aumento do número das células inflamatórias no tecido prostático e que pode estar associado ou não à presença de bactérias ou outros microoganismos.

Nestes casos o quadro sintomático usualmente é mais ténue, descrevendo-se desconforto pélvico, sensação de peso sobre a região púbica, desconforto perineal (região entre a raiz do escroto e o ânus), necessidade imperiosa de urinar (urgência) ou aumento do número de micções ao longo do dia (poliaquiuria).

Em alguns casos a prostatite crónica pode ser englobada no âmbito do síndrome da dor pélvica crónica. Nestas situações predomina a dor ou desconforto pélvico persistente ou recorrente a que se associam sintomas do trato urinário inferior, da esfera sexual ou intestinal, e para a qual não se identifica uma origem infecciosa ou outras causas orgânicas.

Prostatite – causas

As infeções urinárias são a principal causa para as prostatites agudas, sendo estas denominadas prostatites infecciosas.

Estas são geralmente provocadas por bactérias (Escherichia coli, Pseudomonas, Klebsiela e Proteus) que migram da bexiga ou da uretra para a próstata.

A presença de infeções urinárias frequentes, problemas de esvaziamento da bexiga, uso de sonda vesical e uretrites de repetição aumentam a probabilidade de vir a desenvolver uma prostatite bacteriana.

Saiba, aqui, tudo sobre infecção urinária.

Em jovens a prostatite geralmente possui um espectro microbiológico distinto dos idosos. Nestes são mais frequentes as prostatites por agentes infecciosos sexualmente transmissíveis como a clamidea, trichomonas e neisseria.

No caso da prostatite crónica, esta pode resultar de episódios de prostatite aguda infecciosa que não foram corretamente tratados (prostatite crónica bacteriana) ou por fenómenos inflamatórios locais, na maioria dos casos, de origem desconhecida (prostatite crónica abacteriana ou não infecciosa). O trauma local repetitivo presente em algumas atividades como o ciclismo, andar de mota ou a cavalo pode dar origem a estes fenómenos inflamatórios crónicos da próstata, independentes de processos infecciosos.

Algumas condições psicológicas como o stress, a depressão, a ansiedade podem aumentar a predisposição para o aparecimento de queixas inespecíficas (sensação de peso pélvico, desconforto a urinar, ejacular ou defecar, dor pélvica ou perineal, etc) localizadas à região da próstata, sem que se consiga identificar qualquer causas para essas dores – a esta condição dá-se o nome de Síndrome de Dor Pélvica Crónica.

Alguns casos de prostatite podem evoluir com a formação de granulomas (prostatite granulomatosa), um fenómeno desregulado de resposta imunológica local a uma agressão – cirurgia, alergias ou determinadas bactérias (ex. tuberculose genito-urinária). Nestes casos a próstata fica muito endurecida e nodular, podendo ser confundida à palpação com o cancro da próstata.

Prostatite – sintomas

Os sinais e os sintomas variam consoante o doente e o tipo de prostatite presente e nalguns casos podem inclusive cursar sem queixas (prostatite assintomática). Nestes casos o diagnóstico é obtido mediante a realização de uma biópsia da próstata que revela um infiltrado anormal de células inflamatórias sem que o doente refira qualquer sintoma.

Na maioria dos casos a prostatite aguda cursa com:

  • Febre e tremores;
  • Dificuldade e dor a urinar;
  • Sensação de esvaziamento vesical incompleto;
  • Dor perineal ou pélvica;
  • Mal estar geral;
  • Urina turva ou com mau cheiro.

Os sintomas da prostatite crónica costumam ser mais discretos e indolentes, manifestando-se por:

  • Dificuldade em esvaziar a bexiga totalmente;
  • Desconforto ou dor a urinar, ejacular ou defecar;
  • Necessidade imperiosa de urinar várias vezes ao dia ou de se levantar durante a noite para urinar;
  • Desconforto referido a nível do ânus ou alterações do intestino, períneo, região supra-púbica ou escroto.

A prostatite é transmissível?

A prostatite não é uma doença transmissível de pessoa para pessoa. No entanto, a infeção urinária subjacente à prostatite pode ser contagiosa, nomeadamente quando relacionada com infeções por doenças sexualmente transmissíveis.

Assim, o contágio pode ocorrer durante a relação sexual (passar de uma pessoa para outra) se um dos elementos estiver contaminado com um agente sexualmente transmissível.

Esse microorganismo pode dar origem a uma uretrite ou cistite, podendo então evoluir para uma infeção da próstata.

Prostatite – diagnóstico 

O diagnóstico da prostatite é feito pelo médico urologista (especialista em urologia)
com base na história clínica e no exame objetivo. Alguns exames auxiliam no estabelecimento do diagnóstico e no planeamento do tratamento, nomeadamente a análise microbiológica da urina (antes e após a massagem prostática) ou a análise microbiológica do esperma.

A inflamação da próstata costuma cursar com PSA elevado: na prostatite aguda este aumento é transitório e pode aumentar 5 a 10x o seu valor basal, voltando progressivamente para valores normais após o tratamento.

Na prostatite crónica é frequente encontrar o PSA alto, com valores flutuantes, cujos aumentos são de menor amplitude do que na prostatite aguda (PSA oscilante).

O doseamento do PSA não deve ser utilizado para o diagnóstico ou para avaliação da resposta terapêutica dado ser pouco específico e não ter valor prognóstico para estes casos.

A ecografia ou eventualmente a tomografia computorizada (TC ou TAC) está indicada nos casos em que seja necessário caracterizar melhor a próstata, como seja nas prostatites crónicas ou quando existe a suspeita de abcessos prostáticos.

Na prostatite aguda deve ser evitada a realização da massagem prostática ou manipulação prostática com sonda ecográfica endorectal pelo risco de libertação massiva de microrganismos para a corrente sanguínea e dar origem a uma sépsis (infeção generalizada).

Complicações da prostatite

As complicações mais graves da prostatite aguda são a sépsis, a retenção urinária aguda e a formação de abcessos prostáticos.

Nestes casos mais graves pode ser necessário o internamento hospitalar, a drenagem do abcesso ou a introdução temporária de uma sonda vesical para facilitar a saída da urina.

A prostatite crónica causa impotência?

Embora muitos autores defendam que a inflamação crónica da próstata possa condicionar a longo prazo o aparecimento de disfunção eréctil ou impotência sexual, ainda não existem dados seguros sobre esta relação entre prostatite e disfunção eréctil.

No caso da fertilidade no homem, esta pode realmente diminuir nos casos de prostatites de repetição, levando mesmo ao desenvolvimento de infertilidade. Este fenómeno pode ser secundário a lesão local dos ductos ejaculatórios ou à transmissão da infeção aos testículos e/ou ao epidídimo, levando à disfunção destes órgãos responsáveis pela produção, maturação e transporte dos espermatozóides.

Prostatite tem cura?

Na vasta maioria dos casos a prostatite aguda tem cura, através da antibioterapia dirigida. No entanto, a cura pode não ser definitiva, havendo o risco de recidiva especialmente se não forem tratadas as restantes situações que predispõem o aparecimento das infeções urinárias.

O tratamento da prostatite crónica é difícil, engloba diversas terapêuticas dirigidas aos sintomas e à diminuição do grau de inflamação da próstata, mas que geralmente não curam o doente.

Saiba, de seguida, como tratar a prostatite.

Prostatite – tratamento

O tratamento da prostatite deve ser realizado de acordo com o tipo de prostatite e consoante a presença ou ausência de infeção.

Os medicamentos (ou remédios) que se usam frequentemente no tratamento da prostatite infecciosa são os antibióticos, geralmente por um mínimo de 14 dias para as prostatites agudas ou 4 a 6 semanas para as prostatites crónicas bacterianas.

Podem associar-se também os anti-inflamatórios (ex. ibuprofeno) ou os analgésicos para aliviar a dor e o desconforto. A utilização de alfa-bloqueantes (ex. Tansulosina) está recomendada para melhorar a eficácia da antibioterapia e melhorar as queixas miccionais do doente.

Em relação ao tratamento ou remédio caseiro o melhor complemento natural à medicação prescrita pelo médico é a ingestão abundante de água. Fazer uma boa hidratação, bebendo muita água ou líquidos como chá, etc. é uma importante medida, contribuindo para a cura e acima de tudo para a prevenção das prostatites infecciosas (profilaxia).

Nos casos de síndrome de dor pélvica crónica ou prostatite crónica não bacteriana os banhos de assento (sentar-se no bidé com água quente por 15 a 20 minutos, ou então, um banho de imersão de água quente na banheira) podem ser uma mais-valia para o relaxamento da musculatura pélvica e na diminuição das queixas de desconforto ou dor pélvica. Nestes casos a medicação baseia-se sobretudo em anti-inflamatórios (ex. ibuprofeno em comprimidos), fitoterapia (extratos naturais de plantas com propriedades anti-inflamatórias, relaxantes musculares e inibidores de 5-alfa-redutase ex. Serenoa repens, pigeum africanum, sementes de abobora, etc ) e analgesia oral. Existem ainda alguns estudos que demonstraram um discreto benefício clínico com a acupunctura, os exercícios pélvicos, relaxantes musculares ou a massagem prostática.

A prostatite persistente ou recorrente deve ser investigada quanto à presença de abcessos na próstata e eventuais fatores que predisponham às infeções urinárias (esvaziamento vesical incompleto, litíase vesical, cateter vesical, etc). Estes factores devem ser tratados de modo eficaz para prevenir novos episódios de prostatite.

A duração da terapia varia com o tipo de prostatite, podendo mesmo ser necessária nalguns casos, medicação crónica para alívio dos sintomas.

O doente deve tomar a medicação conforme a prescrição médica e acabar a terapêutica apenas quando for indicado. O tratamento incompleto de uma prostatite aguda poderá dar origem a uma prostatite crónica, de difícil resolução, menor probabilidade de cura e maior tempo de recuperação.

Como prevenir a prostatite?

Para prevenir a prostatite devem ser adoptados todos os mecanismos necessários para evitar as infeções do trato urinário baixo, como seja o reforço da hidratação oral, as micções regulares, assegurar esvaziamento vesical completo, etc.

Existem alguns doentes com síndromes de dor pélvica crónica que relatam que determinados cuidados na alimentação poderão promover uma melhoria nos sintomas.

Estes sugerem que se devem evitar alimentos como o café, o picante, os citrinos (laranjas, limão, etc.), bebidas gaseificadas ou o vinho verde, uma vez que estes alimentos poderão agravar os sintomas.

No entanto, a eficácia destas medidas é variável de pessoa para pessoa e ainda não existem certezas sobre a sua utilidade em todos os doentes.

Источник: https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/urologia/prostatite/

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