Quinina: o que é e para que serve

Que relação tem a água tônica com a cloroquina e a COVID-19?

Quinina: o que é e para que serve

Ainda falta muito para que as notícias falsas deixem de circular a internet. Em tempos de pandemia do novo coronavírus, que provoca a doença COVID-19, muitas pessoas acabam se vendo em situação de desespero para conseguir evitar a contaminação, ou ainda se tratar.

Até o momento, no entanto, não existe uma medicação comprovada contra a COVID-19, apenas alguns testes sendo feitos com medicamentos já existentes, como a cloroquina. Muito tem se falado sobre este remédio que, inclusive, vem sendo usado na automedicação, o que pode trazer vários riscos para a saúde.

A notícia falsa mais recente, que começou a circular na internet nesta semana, envolve a bebida água tônica, que é vendida em supermercados e lanchonetes, e tem sabor levemente amargo, mas mesmo tempo doce, similar ao de um refrigerante, sendo usada também ainda como ingrediente de drinks alcoólicos. No vídeo que viralizou, uma mulher segura uma lata do produto e mostra que ele contém uma substância chamada quinina, dizendo ser usada como base da cloroquina. Ela diz que está comprando água tônica no supermercado e sugere que a sua ingestão seria recomendada para o tratamento da COVID-19.

Veja:

O que aconteceu com o bom senso? O que houve com o respeito à ciência? O que passa pela cabeça de uma pessoa que acha que pode curar a covid-19 com água tônica? pic..com/EbzWIdlAXU

— Walfrido Warde (@WalfridoWarde) April 15, 2020

Logo, muitas pessoas começaram a se perguntar se o que ela estava falando é verdade.

Água tônica tem quinina? É eficaz para o tratamento da COVID-19? É a mesma coisa que ingerir cloroquina? O Canaltech foi atrás de esclarecer esse mal-entendido e conversou com Cedric Graebin, professor de química orgânica e medicinal na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Seropédica/RJ) e autor do podcast Moleculas.

Qual a relação da substância com os produtos?

Primeiramente, ele explicou qual é a relação da quinina com a água tônica, revelando que se trata de um produto natural da classe dos alcaloides, encontrado na casca de uma árvore chamada Cinchona, e vem sendo utilizada desde o século XVIII para tratar a malária.

“Foi utilizada como antimalárico até o surgimento dos antimaláricos de origem sintética (isto é, produzidos a partir de síntese orgânica) nos anos 1940. A água tônica é uma bebida doce gaseificada onde se dissolve o pó de quinina.

A quinina é muito amarga e, na forma dessa bebida doce (que chamamos de 'água tônica'), o gosto amargo dela é parcialmente mascarado”, disse o professor.

Mas e a cloroquina? O que ela tem a ver com a quinina e a água tônica? De acordo com Cedric, o medicamento que age como um antimalárico possui similaridades com a quinina em sua estrutura química, pois ambos possuem um anel chamado de quinolina na química orgânica. Por isso, dizer que a quinina é a base da cloroquina é mentira, o certo seria dizer que a quinina serviu de inspiração para criar a cloroquina. Veja a semelhança:

Reprodução: Cedric Graebin

“A quinina, por ser o primeiro produto descoberto, serviu de inspiração para a síntese de vários antimaláricos com estruturas similares, que chamamos de antimaláricos quinolínicos: cloroquina, amodiaquina, mefloquina, primaquina e tafenoquina. É importante ressaltar aqui que, embora as estruturas sejam similares, elas não são iguais. Pequenas alterações em uma molécula orgânica podem levar a profundas mudanças na atividade biológica que é observada”, alerta Cedric.

Então, não funciona

Cedric diz que a dose de quinina em uma lata de água tônica é muito baixa e que seria muito difícil que disso saísse um efeito benéfico, contando que a FDA, por exemplo, órgão regulador de saúde norte-americano, limita o máximo de 83 miligramas de quinina por litro de bebida.

O professor deixou claro, portanto, que a água tônica não tem relação nenhuma com as reações da cloroquina, e que ingerir a bebida não é um tratamento eficaz.

“O teor de quinina na água tônica hoje (era mais no passado) está (na média) em 83 mg por litro de água tônica (cada lata tem 0,35 L, então dá perto de 29 mg/lata). A dose antimalárica de quinina em um comprimido era de 500 ou 1000 mg.

Mesmo que funcionasse (não funciona e não há evidências de que funcione), você se prontificaria a tomar DEZESSETE latas de água tônica em menos de 30 minutos (para atingir a dose de 500 mg) ou TRINTA E QUATRO (para 1000 mg) em meia hora?”, questiona e alerta o profissional.

Imagem: Reprodução

Quais são os perigos da ingestão da cloroquina?

O professor reforça que não existe nenhum artigo científico que fale sobre uma possível atividade da quinina contra a COVID-19, ressaltando que a eficácia da cloroquina também não está comprovada. “Estão sendo feitos vários ensaios clínicos ao redor do mundo para observar se ela tem algum efeito em pacientes humanos.

Por outro lado, os efeitos adversos da quinina e da cloroquina são bem conhecidos, pois são fármacos que foram e são utilizados há muito tempo para o tratamento da malária”, revela o professor, citando ainda que existe o risco de episódios de arritmia cardíaca com o seu uso, principalmente quando são administradas doses mais altas.

“É um risco bem real e tem sido observado em uma boa parte dos ensaios clínicos para a COVID-19. Um deles, em Manaus, teve o recrutamento interrompido na semana passada por causa do óbito de 11 pacientes decorrentes dessa arritmia no grupo que usava a dose mais alta”, exemplifica.

Imagem: Reprodução

Graebin ressalta, mais uma vez, que a automedicação é perigosa, pois as pessoas podem estar apostando na eficácia de uma substância sem saber se, de fato, haverá qualquer efeito benéfico, se arriscando a sofrer efeitos adversos causados por essas moléculas. “Ao acreditarem que a substância tem efeito benéfico ou 'protetor', isso pode levar as pessoas a não tomarem as precauções recomendadas pelas autoridades sanitárias, pois elas sentem-se 'protegidas'”, completa.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.

Источник: https://canaltech.com.br/saude/que-relacao-tem-a-agua-tonica-com-a-cloroquina-e-a-covid-19-163432/

Quinino

Quinina: o que é e para que serve

tratamento de malária resistente à cloroquina ou outros fármacos causada por P. falciparum, em associação com pirimetamina mais sulfadiazina ou sulfadoxina.

Contra-indicações de Quinino

pacientes com hipersensibilidade conhecida à quinina, gravidez e lactação , asma , deficiência da glicose -6-fosfato desidrogenase, neurite óptica, história de febre , hemoglobinúria e púrpura trombocitopênica, miastenia grave, hipoglicemia e zumbidos nos ouvidos. Quinino Injetável não deve ser usado por via de administração intramuscular endovenosa direta.

Advertências

Quinino deve ser usado com cautela em pacientes com fibrilação atrial e naqueles com antecedentes do angioedema cutâneo ou distúrbios auditivos e visuais.

A administração endovenosa de Quinino Injetável pode provocar hipotensão e falha respiratória aguda, que pode ser prevenida mediante injeção endovenosa lenta de soluções altamente diluídas, recorrendo-se à forma de administração oral tão logo seja possível.

Quinino deve ser evitado ao máximo em mulheres grávidas, visto ser tóxico para concepto, embora em alguns casos mais graves os riscos de malária para o feto sejam considerados superiores aos do medicamento. Malformações congênitas em humanos foram reportadas após altas doses (até 30 g) em mulheres que tentaram abortar.

O uso em mulheres que amamentam deve ser cauteloso, uma vez que a quinina é excretada em pequenas quantidades no leite materno. O uso em idosos (acima de 65 anos) requer rigoroso acompanhamento médico. Interações medicamentosas: aumento nos níveis plasmáticos de digoxina foram demonstrados após a administração concomitante de quinina.

Recomenda-se a determinação periódica dos níveis plasmáticos de digoxina naqueles pacientes que recebem tais drogas concomitantemente por períodos prolongados. O uso concomitante de antiácidos contendo alumínio pode retardar ou diminuir a absorção da quinina.

Os alcalóides da chinchona, incluindo a quinina, apresentam o potencial de deprimir o sistema enzimático hepático que sintetiza os fatores vitamina K-dependentes. O efeito hipoprotrombinêmico resultante pode intensificar a ação de warfarina e outros anticoagulantes orais.

A quinina pode potencializar os efeitos dos agentes bloqueadores neuromusculares, especialmente a succinilcolina e tubocurarina, o que pode resultar em dificuldades respiratórias. Alcalinizantes urinários, tais como, acetazolamida e bicarbonato de sódio podem aumentar os níveis sangüíneos da quinina, com conseqüente aumento dos efeitos tóxicos adversos. A quinina apresenta antagonismo com a cloroquina.

Reações adversas / Efeitos colaterais de Quinino

sistema hematológico: hemólise aguda, púrpura trombocitopênica, agranulocitose e hipoprotrombinemia.

Sistema nervoso central: distúrbios visuais, incluindo visão confusa com fotofobia , diplopia , diminuição do campo visual e alterações visuais de cores; zumbido no ouvido, surdez e vertigem ; dor de cabeça, náusea, vômito , febre , apreensão, agitação, confusão e síncope .

Reações dermatológicas e alérgicas: rash cutâneo (urticária , pápulas ou escarlatina), prurido , vermelhidão da pele, suor e ocasionais edemas da face. Sistema respiratório: asma . Sistema cardiovascular: angina , hipotensão e falha cardíaca podem ocorrer após a administração da infusão endovenosa lenta.

Sistema gastrintestinal: náusea e vômito , diarréia , dor abdominal, hepatite . Os sistemas conhecidos como chinchonismo (zumbido no ouvido, dor de cabeça, alteração de atividade auditiva, obnubilação, náusea e diarréia ). Apesar de causarem mal-estar ao paciente não são indicativos de necessidade de descontinuação da terapia com quinina.

Quinino – Posologia

comprimido: adultos: 2 comprimidos (650 mg) a cada 8 horas por um período de 10 a 15 dias. Crianças: até 1 ano: 1/4 de comprimido a cada 12 horas; de 1 a 3 anos: 1/2 comprimido a cada 12 horas; de 4 a 6 anos: 1 comprimido a cada 12 horas; de 7 a 11 anos: 1 comprimido a cada 8 horas, por um período de 10 a 15 dias.

Injetável: adultos: dissolver o conteúdo de uma ampola em 300 ml de cloreto de sódio 0,9% e administrar via infusão endovenosa lenta por pelo menos uma hora, ou de preferência 4 horas.

Esta dose pode ser repetida após 6 a 8 horas, até que o estado do paciente permita a continuação do tratamento por via oral, não podendo exceder a dose máxima diária de 3 ampolas (1,8 g).

Crianças: a dose usual é de 25 mg/kg de peso, que deve ser administrada por infusão endovenosa lenta por período superior a uma hora, ou de preferência 4 horas, sendo que metade desta dose deve ser dada inicialmente e a outra metade após cerca de 6 a 8 horas.

Em crianças a administração endovenosa deve ser usada apenas quando a via oral não é bem tolerada. Tanto em crianças como em adultos, o tratamento endovenoso deve ser substituído pelo oral, tão logo o quadro da doença esteja sob controle, sendo que o número ótimo de dose é de 4 a 12.

– Superdosagem: os sintomas mais comuns da superdosagem são: zumbido no ouvido, tontura, rash cutâneo e distúrbios gastrintestinais. Com doses muito altas podem ocorrer também efeitos cardiovasculares e no sistema nervoso central que já foram mencionados no item de reações adversas.

O tratamento da superdosagem inclui inicialmente a remoção de qualquer resíduo de quinina no estômago por meio de lavagem gástrica ou por indução de êmese . Medidas adequadas para manutenção da pressão sangüínea e função renal devem ser tomadas. Respiração artificial pode ser necessária.

Podem ser necessários também oxigênio e sedativos, além de outras medidas de suporte. Deve-se manter o balanço de líquidos e eletrólitos com soluções intravenosas. A acidificação da urina com cloreto de amônia pode promover a excreção renal de quinina. Entretanto, na presença de hemoglobinúria, a acidificação da urina pode aumentar o bloqueio renal . A quinina pode ser prontamente dialisável por hemodiálise e/ou hemoperfusão. A evidência de angioedema ou asma pode requerer o uso de epinefrina, corticosteróides a anti-histamínicos. Na fase aguda da amaurose tóxica (catarata negra) causada pela quinina, a administração intravenosa de vasodilatadores pode ser empregada.

Источник: https://noticias.4medic.com.br/bula/quinino/

Sobre a Medicina
Deixe uma resposta

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!: