Remédios para tratar e prevenir a gota e efeitos colaterais

Alopurinol (remédio para baixar ácido úrico)

Remédios para tratar e prevenir a gota e efeitos colaterais

O alopurinol, também conhecido pelo nome comercial Zyloric, é um medicamento que tem como ação a redução da produção de ácido úrico pelo organismo, sendo útil, portanto, na prevenção das crises de artrite gotosa e de alguns tipos de cálculos renais.

A redução nos níveis sanguíneos de ácido úrico começam a ser perceptíveis já no segundo dia de tratamento e o efeito máximo do medicamento é atingido com cerca de 1 a 2 semanas.

Atenção: este texto não pretende ser uma bula completa do alopurinol. Nosso objetivo é ser menos técnico que uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações objetivas e em linguagem acessível ao público leigo.

Para que serve

O ácido úrico presente no nosso organismo é produzido a partir da purina, que é um conjunto de compostos orgânicos presentes em diversos tipos de alimentos, principalmente naqueles de origem animal. Cerca de 40% das nossas purinas são obtidas pela dieta e os 60% restantes são produzidos pelo nosso próprio organismo.

A transformação da purina em ácido úrico é catalisada por uma enzima chamada xantina oxidase. A inibição dessa enzima, que é o mecanismo de ação do alopurinol, reduz a transformação das purinas em ácido úrico, provocando, assim, uma redução da concentração deste último no sangue.

Portanto, o alopurinol é um medicamento que é utilizado sempre que desejamos reduzir os níveis de ácido úrico no sangue, como são os casos dos pacientes que têm gota ou cálculos renais que surgem por excesso de ácido úrico na urina.

É importante destacar que o alopurinol é um fármaco indicado para a prevenção e não para tratamento da gota. Os pacientes com crise aguda de gota devem ser medicados com anti-inflamatórios até a resolução do quadro. Se o paciente não toma alopurinol, este só deve ser iniciado após o fim da crise de artrite gotosa, como forma de prevenção de crises futuras.

Para saber mais sobre o ácido úrico e a gota, leia:

  • Ter ácido úrico elevado é perigoso?
  • Gota – Causas, Sintomas e Tratamento.

Nomes comerciais

O alopurinol é um medicamento que já pode ser encontrado sob a forma genérica.

Entre as marcas comerciais, o nome mais famoso é o Zyloric, que é o medicamento de referência para a substância alopurinol.

No Brasil, o alopurinol também pode ser encontrado sob o nome Lopurax; já em Portugal, além do Zyloric, existem também as marcas Zurim e o Uriprim.

Como tomar

A alopurinol é comercializado sob a forma de comprimidos de 100 mg e 300 mg.

O tratamento deve ser iniciado com doses de 100 mg por dia, com incrementos de 100 mg a cada 2 a 4 semanas de forma a se atingir um valor de ácido úrico no sangue menor que 6 mg/dl. O ideal é tentar encontrar a menor dose que seja eficaz para controlar o ácido úrico.

A dose máxima diária de alopurinol é de 800 mg, mas a maioria dos pacientes consegue controlar os níveis de ácido úrico com cerca de 300 mg.

Quando a dose do medicamento precisa ser maior que 300 mg por dia, indicamos que a dose total seja dividida em 2 tomas diárias (ex: 200 mg de 12/12 horas, caso a dose total necessária seja de 400 mg).

Efeitos colaterais

O alopurinol é um fármaco presente no mercado há mais de 40 anos e seus efeitos adversos são bastante conhecidos. Aqui, vamos falar apenas dos mais comuns ou mais graves.

Apesar de ser um medicamento que previne os ataques de gota, nos primeiros dias de uso ocorre um efeito paradoxal, havendo um aumento do risco de surgirem crises de artrite gotosa.

Se isso ocorrer, o paciente deve manter o medicamento na mesma dose e a crise deve ser tratada com colchicina ou anti-inflamatórios.

A elevação da dose, caso necessária, só deve ser feita após completa resolução dos sintomas.

Os pacientes que tiveram crise de gota recente devem começar a tomar o alopurinol antes da interrupção da colchicina ou do anti-inflamatório, de forma a prevenir um recaída da crise nos primeiros dias.

Cerca de 5% dos pacientes desenvolvem reação alérgica ao alopurinol, manifestada por rash de pele. Na maioria dos casos, a reação é leve e melhora com a suspensão ou com a redução da dose do medicamento.

Reações graves (ocorrem em menos de 1% dos casos)

Reações alérgicas graves, como a síndrome de Stevens-Johnson, são raras, mas já foram diversas vezes descritas em pacientes que estavam tomando alopurinol (leia: Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica). Essa reação são mais comuns nas populações de origem asiática.

A Insuficiência renal provocada por nefrite intersticial é outro problema pouco comum, mas que está bastante relacionada ao uso do alopurinol.

Contraindicações

A principal contraindicação ao alopurinol é uma história de reação alérgica ao medicamento. Se o paciente tiver tido uma reação leve, uma dose mais baixa pode ser tentada. Se ainda assim houver reação, o medicamento deve ser suspenso indefinidamente.

Se já na primeira reação o quadro alérgico for de moderada a grande intensidade, o medicamento deve ser suspenso sem que doses mais baixas sejam testadas.

O alopurinol não deve ser iniciado durante uma crise de gota, pois há risco de agravamento do quadro. Porém, se o paciente já faz uso do alopurinol e ainda assim apresenta uma crise de gota, a dose deve ser mantida até a resolução do quadro. Quando o paciente estiver assintomático, um aumento da dose deve ser considerado.

O alopurinol não deve ser usado na gravidez, exceto quando não houver alternativas mais seguras e quando a doença em si representar um risco para a mãe ou para o feto maior que o próprio medicamento.

Caso possível, o medicamento também deve ser evitado durante a amamentação.

Interações medicamentosas

A azatioprina é o medicamento que mais sofre influência do alopurinol. Quando utilizados em conjunto, a dose da azatioprina deve ser reduzida para 1/4.

Pacientes medicados com algum anti-hipertensivo da classe dos inibidores da ECA (Enalapril, Ramipril, Lisinopril…) ou com o antibiótico amoxicilina apresentam um risco maior de reações alérgicas.

Antiácidos, como o bicarbonato de sódio, reduzem a eficácia do alopurinol.

A alopurinol pode aumentar o efeito anticoagulante da varfarina (leia: VARFARINA – Marevan,Varfine, Coumadin).

Источник: https://www.mdsaude.com/bulas/alopurinol/

Gota: da prevenção ao tratamento

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Em geral, o inchaço e a dor atingem primeiro o dedão do pé  Foto: Gustavo Arrais/SAÚDE é Vital

Inchaço e dores intensas nas juntas, sobretudo no dedão do pé, são os principais sinais da gota, doença inflamatória causada por uma sobrecarga de ácido úrico no sangue – condição que os médicos chamam de hiperuricemia. Quando o excesso de produção dessa substância não é eliminado pelos rins, ela acaba se acumulando nas articulações. Nesses pontos, o depósito dá origem a cristais de urato, despertando os surtos dolorosos da doença, um tipo de artrite.

O DNA está por trás da encrenca. Algumas pessoas produzem ácido úrico aos montes ou não conseguem eliminá-lo adequadamente pelos rins – daí porque ele aparece em alta concentração no sangue, contribuindo para o surgimento da gota.

De onde vem tal ácido úrico?

Ele surge no organismo a partir da decomposição de uma substância chamada purina. Esta, por sua vez, tem duas fontes. A primeira, interna, deve-se a um processo natural de renovação das células.

Quando uma delas morre, seu DNA se desintegra, dando origem a moléculas de purina. Esse mecanismo responde por 80% do ácido úrico no corpo.

Os outros 20% vêm dos alimentos ricos na substância, entre eles carnes vermelhas, anchovas, aspargos, cogumelos e pães doces.

Hábitos que levam à obesidade e à síndrome metabólica – quadro marcado por problemas como hipertensão, colesterol alto e diabetes – elevam o risco de ter gota. O abuso de medicamentos como diuréticos e ácido acetilsalicílico são outros fatores desencadeadores do sofrimento.

Onde a dor pega

A gota, em geral, afeta uma articulação por vez, começando preferencialmente pelo dedão do pé e se expandindo para as juntas do joelho, tornozelo e atingindo até mão, punho e cotovelo.

A frequência e a duração dos episódios variam de pessoa para pessoa. Algumas podem ter uma crise súbita que desaparece para nunca mais voltar.

Mas, na maioria das vezes, o problema tem início com surtos de curta duração – uma semana, em média – e que demoram a reaparecer.

Se a gota não for tratada, as dores e o inchaço vão ficando cada vez mais corriqueiros, com impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes.

Sinais e sintomas

– Dor nas articulações, sobretudo no dedão do pé– Inchaço– Vermelhidão na pele– Rigidez nas articulações

– Elevação de temperatura

Fatores de risco

– Homens são mais propensos a ter gota do que mulheres– O distúrbio aparece, em geral, entre os 40 e os 50 anos de idade

– Excesso de carne, peixes e frutos do mar na dieta aumentam o risco da doença

– Ingestão exagerada de álcool (sobretudo cerveja, que tem alta concentração de purina)
– Alto consumo de refrigerante– Abuso de medicamentos como diuréticos e ácido acetilsalicílico– Obesidade– Colesterol alto

– Predisposição genética

A prevenção

Como cerca de 20% do ácido úrico no corpo vem da alimentação, quem tem predisposição à gota deve pegar leve na ingestão de itens que aumentam a formação da substância, como carnes, peixes e frutos do mar, embutidos, feijão e grão-de-bico.

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O álcool também deve ser evitado, porque reduz a eliminação do ácido úrico pelos rins. A cerveja é uma das bebidas que mais exigem moderação nesse caso: além de álcool, ela tem cevada, cereal repleto de purina, a molécula cuja decomposição estimula a produção do ácido.

A melhor sugestão é optar por um menu equilibrado, farto em vegetais e não tão carregado desses itens perigosos. Refrigerantes e sucos industrializados integram a lista dos malfeitores.

A atividade física também é bem-vinda, porque ajuda na manutenção do peso e na prevenção das desordens que intensificam o risco de aparecimento das dores nas juntas – durante as crises, claro, é preciso suspender a malhação.

O diagnóstico

Em primeiro lugar, é bom esclarecer: nem todo mundo com alto nível de ácido úrico no sangue vai necessariamente ter gota. A carga genética que atua na capacidade de eliminação do excesso pela urina determina o aparecimento (ou não) da doença. Além disso, os problemas nas articulações podem ser consequência de outros distúrbios, como reumatismo e artrose.

Na consulta, o reumatologista vai levantar a história clínica do paciente, informando-se de eventuais casos de gota na família – este, sim, um fator de risco relevante. Um exame de sangue apontará se as taxas de ácidos úrico estão altas.

A questão é que, algumas vezes, mesmo durante as crises, os índices estão dentro da faixa normal. Então o médico pode solicitar que seja colhido o líquido da articulação alterada.

O material será analisado para detectar a presença de cristais, achado que contribui para fechar o diagnóstico.

O tratamento

Não há cura para a gota, mas a doença pode ser controlada. Repouso e uso de bolsas de gelo no local afetado são providências bem-vindas para atenuar as dores, normalmente bastante intensas. Também como forma de reduzir o martírio, o médico receita anti-inflamatório e analgésico.

Para direcionar o tratamento com foco na prevenção de novas crises, o reumatologista investigará se a doença é causada pela hiperproduçãode ácido úrico, forma mais rara do distúrbio. Nesse caso, ele vai prescrever remédios para baixar a síntese da substância pelo organismo.

Se o acúmulo de ácido úrico se deve a falhas na sua eliminação pela urina, causa mais frequente da gota, a receita indicará um medicamento capaz de estimular esse processo.

Em ambos os casos, os comprimidos devem ser tomados diariamente, e surtos graves e frequentes exigem que o tratamento se estenda pela vida toda – sempre com acompanhamento do especialista para ajustar a dosagem e contornar efeitos colaterais dos medicamentos.

Aos remédios se juntam as recomendações sobre dieta, com ênfase na moderação de alimentos repletos de purina. Pacientes acima do peso serão orientados ainda a adotar hábitos capazes de eliminar os quilos extras, apostando em cardápios mais leves e aderindo a um programa de exercícios físicos adequado ao seu perfil.

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Источник: https://saude.abril.com.br/medicina/gota-da-prevencao-ao-tratamento/

Colchicina trata gota e requer cuidado, pois dose usual é perto da tóxica

Remédios para tratar e prevenir a gota e efeitos colaterais

A colchicina é um dos mais antigos medicamentos em uso: há registro de que no Egito antigo a substância já era indicada para tratar dores e inflamações articulares, como o é na atualidade.

O que é colchicina?

Trata-se de um medicamento do grupo dos alcaloides que tem potente ação anti-inflamatória e deriva de uma planta chamada Colchicum autumnale (açafrão do prado). Devido às suas características, ela só pode ser comercializada sob receita médica.

Para quais problemas a colchicina é usada?

Esse medicamento tem um longo histórico de uso na medicina e, por isso, quando bem indicado, é considerado seguro. Contudo, é importante que você utilize o medicamento de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado, sempre com prescrição médica.

A medicação pode ser indicada para o tratamento e prevenção das seguintes condições:

  • Crises agudas de artrite gotosa crônica (a popular gota)
  • Febre Familiar do Mediterrâneo (FFM)
  • Esclerodermia
  • Poliartrite (associada à sarcoidose e psoríase)
  • Doença de Peyronie

A literatura médica esclarece que a colchicina também é utilizada nos casos de pericardite aguda e recorrente (inflamação na membrana que envolve o coração), prevenção de síndrome pericárdica, cirrose biliar primária ou decorrente de hepatite, dermatite herpetiforme, doença de Paget, trombocitopenia crônica, púrpura trombocitopênica, pseudogota e fibrose pulmonar idiopática. Tais indicações não constam da bula, por isso a utilização do medicamento para esses problemas é chamada de off-label.

Entenda como ela funciona

O seu mecanismo de ação (farmacodinâmica) ainda não está totalmente esclarecido, mas sabe-se que a colchicina bloqueia o processo inflamatório da gota atuando no citoesqueleto [rede de microtúbulos presente nas células].

“O resultado disso é uma desestruturação que interrompe a ação dos leucócitos —glóbulos brancos mediadores da inflamação— impedindo o seu avanço”, explica o farmacologista Aleksander Zampronio, professor titular e pesquisador do Departamento de Farmacologia da UFPR.

Já na febre familiar do mediterrâneo, sua ação é ainda menos compreendida. Contudo, o medicamento parece inibir os mediadores da inflamação.

Apresentações disponíveis

Colchis® é a marca de referência da colchicina. Esse princípio ativo não consta da Rename 2020 (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais).

Apresentações e doses disponíveis:

Em geral, o uso da colchicina é por tempo determinado. Mas o fármaco pode se tornar de uso contínuo em quadros específicos, como na febre familiar do mediterrâneo. É esperado que a droga comece a fazer efeito já nas primeiras 24 a 48 horas após a administração da primeira dose, aliviando a dor e a inflamação.

As vantagens e desvantagens da colchicina

Os especialistas consultados afirmam que a colchicina tem como maior vantagem ser relativamente segura. Além disso, ela não apresenta efeitos colaterais graves como sangramento, úlcera, gastrite ou insuficiência renal.

Por outro lado, sua maior desvantagem é que a dose terapêutica é muito próxima da dose tóxica. Daí a recomendação de que ela jamais seja usada sem orientação médica. Soma-se a isso o fato de que boa parte dos pacientes pode ter diarreia ao utilizá-la.

Saiba quais são as contraindicações

O medicamento não pode ser usado por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família já teve reação semelhante à substância) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro componente de sua fórmula.

Fique também atento na presença das seguintes condições:

  • Doenças gastrointestinais
  • Doenças hepáticas
  • Doenças cardíacas
  • Doenças renais
  • Gravidez
  • Discrasia sanguínea (algum tipo de alteração no sangue)

Crianças e idosos podem usá-lo?

A recomendação do uso da colchicina não se aplica à população infantil nos casos de gota. O fabricante adverte que não há estudos de segurança nesse grupo. Contudo, a literatura médica sobre o medicamento prevê sua indicação na população pediátrica, a partir dos 4 anos, nos casos de febre familiar do mediterrâneo.

“Entre os idosos, a indicação é admitida, mas é preciso estar atento às condições de fígado e rins desses pacientes, além do uso de outros medicamentos que poderiam potencializar a toxidade do medicamento.

Sem esses cuidados, não dá para indicar o remédio para os mais velhos”, afirma Liz Ribeiro Wallim, médica especialista em clínica médica e reumatologia do HUC (Hospital Universitário Cajuru), em Curitiba.

Qual é a melhor forma de consumir o remédio?

A orientação é de que ele seja ingerido com água e no período indicado pelo profissional da saúde.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

Não. No entanto, siga as instruções de seu médico sobre o esquema de doses diárias.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Tome-o assim que lembrar, mas esteja atento aos efeitos do medicamento, que podem durar por horas e, portanto, prejudicar atividades que exijam maior atenção e concentração. Se você sempre se esquece de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para se lembrar.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Este medicamento é tido como bem tolerado, seguro e eficaz quando usado em doses adequadas e pelo menor tempo possível. Apesar disso, os efeitos colaterais mais comuns se relacionam ao trato gastrointestinal.

Algumas pessoas poderão observar os seguintes problemas:

Manifestações comuns

  • Diarreia
  • Vômito
  • Náusea
  • Fadiga
  • Dor de cabeça

Manifestações incomuns ou raras

Interações medicamentosas

Algumas medicações não combinam com a colchicina. E quando são usadas em conjunto com o remédio, podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise o médico, o farmacêutico ou dentista caso esteja fazendo uso (ou tenha feito uso recentemente) das substâncias abaixo descritas. Essa lista é apenas um exemplo e não exclui outros fármacos com o mesmo efeito.

  • Antibióticos (como a eritomicina)
  • Antivirais (ritonavir ou atazanavir)
  • Medicamentos para tratar doenças autoimunes como artrite reumatoide (ciclosporina)
  • Antifúngicos (cetoconazol)
  • Fármacos para o coração (verapamil)
  • Medicações usadas na terapia de dependência ao álcool (dissulfiram)

Até o momento há pouca informação sobre a interação com fitoterápicos. No entanto, informe seu médico, caso faça uso contínuo desses itens. Quanto aos suplementos, o fabricante adverte que a colchicina pode reduzir a absorção da vitamina B-12.

Estou grávida? Posso usar a colchicina?

Como o fármaco pode ultrapassar a placenta, ele poderia provocar malformação fetal. Caso você tenha gota, use este medicamento e descubra que está grávida, informe imediatamente seu médico para que ele possa reavaliar a estratégia de tratamento.

Colchicina e amamentação

Converse com seu médico sobre sua intenção de amamentar. Assim, ele poderá avaliar seu quadro e orientá-la sobre as melhores soluções para a continuidade do seu tratamento com a colchicina no pós-parto. A medida é essencial porque o medicamento pode ser excretado no leite materno.

A colchicina corta o efeito do anticoncepcional?

Até o momento não há evidências de que o fármaco anule o efeito de nenhum tipo de contraceptivo.

Existe interação com exames laboratoriais?

Sim. O fabricante informa a possibilidade de levar a resultados falso- positivos em testes de urina para eritócitos e hemoglobina, além de interferir no teste 17- hidroxicorticosteroides totais, que avaliam metabólitos hormonais, especialmente pelo método Reddy, Jenkins e Thorn.

Antes de se submeter a esses testes, comunique o médico solicitante ou o pessoal do laboratório sobre o uso da colchicina.

Devo evitar consumir algum tipo de alimento?

Não são conhecidas interações com alimentos, exceção feita à toranja. Contudo, de acordo com o farmacêutico Marcelo Polacow, que é também vice-presidente do CRF-SP, a ingestão de bebidas alcoólica ou o uso da medicação por pessoas que abusam do álcool aumentam a chance de toxicidade gastrintestinal.

“O álcool eleva as concentrações plasmáticas de ácido úrico, podendo diminuir a eficácia do tratamento preventivo da colchicina e piorar a gota”, diz o especialista.

Ela pode afetar minha fertilidade?

Alguns estudos indicam que pode haver redução na contagem de espermatozoides, o que pode ser revertido com a suspensão do uso do medicamento. Entre as mulheres, porém, não há evidências científicas de que o medicamento possa influenciar esse quadro.

Cuidados essenciais ao usar o medicamento

– Fique atento à validade do remédio, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;

-Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;

– Ingira o comprimido inteiro. Evite esmagá-lo, cortá-lo ao meio ou mastigá-lo (ele pode ferir sua boca ou garganta, além de começar a ser absorvido em outra parte do corpo que não é a planeja);

– Respeite o limite da dosagem indicada;

– Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15 °C e 30 °C;

– Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso às crianças;

– Nunca descarte o remédio no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de medicamentos. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em PDF) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos – FIOCRUZ) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia (São Paulo). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Qual é a relação entre colchicina e covid?

A colchicina é um entre os muitos medicamentos que cientistas estudaram (ou estão estudando) para tratar a infecção provocada pelo novo coronavírus.

Segundo Gustavo Lenci Marques, médico especializado em cardiologia e clínica médica e professor da PUCPR e da UFPR, um dos motivos para a pesquisa científica do uso da colchicina contra a covid-19 foi o fato de esse medicamento já ter demonstrado sucesso em reduzir a mortalidade de pacientes infartados, que apresentam quadros inflamatórios importantes, exatamente como os pacientes da covid.

O maior estudo feito até aqui, o COLCORONA (Montreal Heart Institute-MHI), concluiu que a colchicina é eficaz “na prevenção do fenômeno da 'tempestade de citocinas' e na redução das complicações associadas à covid-19”.

A declaração é do líder do estudo, Jean-Claude Tardif, diretor do Centro de Pesquisa do MHI e professor de Medicina da Universidade de Montreal, no Canadá.

[A pesquisa ainda não havia sido publicada no momento do fechamento deste texto].

Marques, porém, observa: “A notícia é boa, mas não fantástica. Quando observamos o trabalho a fundo, descobrimos que não há significância estatística, ou seja, não se pode descartar que os benefícios ocorreram por acaso. No entanto, evitar hospitalizações foi o melhor resultado”.

O especialista acrescenta que tal conclusão não autoriza o uso do medicamento como forma preventiva por pessoas que ainda não tiveram covid. As pesquisas realizadas até o momento observaram somente pacientes com diagnóstico fechado.

Fontes:Liz Ribeiro Wallim, médica especialista em clínica médica e reumatologia do HUC (Hospital Universitário Cajuru), e professora da Escola de Medicina da PUC-PR; Gustavo Lenci Marques, médico especialista em cardiologia e clínica médica, professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Ele mantém um canal no ; Aleksander Zampronio, professor titular e pesquisador do Departamento de Farmacologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná); Marcelo Polacow, farmacêutico e vice-presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo); Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) e assessora técnica do CRF-SP. Revisão técnica: Amouni Mourad.

Referências: ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); CDC (Centers for Disease Control and Prevention); Sadiq NM, Robinson KJ, Terrell JM. Colchicine. [Atualizado em 2020 Jun 13]. In: StatPearls [Internet].

Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK431102/; Dasgeb B, Kornreich D, McGuinn K, Okon L, Brownell I, Sackett DL. Colchicine: an ancient drug with novel applications. Br J Dermatol.

2018;178(2):350-356. doi:10.1111/bjd.15896.

Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/03/02/colchicina-trata-gota-outras-doencas-e-pede-cuidado-dose-e-quase-toxica.htm

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