Riscos da bactéria Staphylococcus aureus

Staphylococcus aureus: entenda o que é a bactéria que pode causar sepse, a infecção generalizada

Riscos da bactéria Staphylococcus aureus

Abaixo, entenda o que são os estafilococos, que tipo de doença podem causar, os sintomas e tratamentos:

O que são os estafilococos?

Os estafilococos são um tipo de bactéria. A espécie mais frequente é justamente o Staphylococcus aureus, mas existem dezenas de outras. Os estafilococos estão presentes na superfície de pele de cerca de 20% das pessoas, e no nariz de 30% dos adultos, o que é considerado normal.

De acordo com o Dr. Juvêncio Furtado, médico infectologista e professor na Faculdade de Medicina do ABC, existem os estafilococos chamados “domiciliares” ou “comunitários”, normalmente sensíveis a antibióticos e que causam infecções menos graves. Mas há também os “hospitalares”, que são bem mais resistentes.

“O que está na nossa pele geralmente não causa doenças, exceto em pessoas que tenham a imunidade muito comprometida”, explica. Já pessoas que passam mais de 72 horas em ambientes hospitalares podem ser colonizadas por estafilococos mais resistentes.

Alguns resistem, inclusive, ao antibiótico meticilina e são conhecidos pela sigla SARM. “A mesma bactéria, em ambientes diferentes, pode adquirir características de resistência maior”, diz o Dr. Furtado.

Essas bactérias podem ser perigosas quando caem na corrente sanguínea, porém são raros os casos em que os estafilococos comuns causem infecções graves. De acordo com a Dra. Ana Escobar, médica pediatra e colunista do G1, isso pode ocorrer principalmente por meio de lesões na pele.

“Quando a pele está íntegra, a bactéria não faz nada. Mas se houver um corte, ela pode penetrar”, explica a Dra. Ana. Além de infecções na própria pele, os estafilococos podem atacar também outros órgãos distantes.

“Depende um pouco do sistema imunológico de cada pessoa. O nosso sistema geralmente é muito eficaz”, diz a médica. Em alguns casos, menos comuns, o micro-organismo também pode ser ingerido pela boca, em alimentos contaminados, e se espalhar pelo corpo no trato gastrointestinal.

Também nos chamados “traumas fechados”, possivelmente provocados por quedas, pancadas ou outros acidentes comuns entre crianças, a bactéria pode se alastrar internamente, sem dar sinais visíveis.

Quais são os sintomas de infecção?

Os estafilococos têm um grande “poder de invasão”, diz a Dra. Ana, e por isso a infecção pode se desenvolver rapidamente. Para impedir uma contaminação mais agressiva, é preciso estar atento aos sintomas de infecção.

São sinais de que um processo infeccioso pode ter começado:

  • febre
  • mal-estar
  • dores no corpo
  • cansaço excessivo
  • vômitos

Quando houver esses sintomas, um médico deve ser procurado. O diagnóstico ainda nas primeiras 24 horas é decisivo, inclusive para uma eventual confirmação da presença do Staphylococcus aureus. Isso porque ela age rápido no corpo. “Normalmente, demora um dia ou dois para a coisa evoluir”, explica a médica.

As infecções estafilocócicas estão entre as que evoluem mais rapidamente – assim como aquelas provocadas por outro tipo de bactéria, os meningococos, o que levou os médicos do menino Arthur a diagnosticarem uma meningite.

Segundo o Dr. Furtado, o uso exagerado e, às vezes, desnecessário de antibióticos leva à seleção de bactérias mais resistentes. Ainda são raros os casos de contaminação grave com os estafilococos “comunitários”, presentes normalmente na pele, mas isso pode acontecer.

“Já tive um paciente que se cortou fazendo a barba. São poucos casos, mas o uso inadequado de antibióticos pelas pessoas acaba promovendo essas bactérias mais resistentes do que as habituais.”

Para que isso aconteça, continua, é necessária a soma de dois elementos raros: uma baixa imunidade do paciente e a entrada na corrente sanguínea de um grande número de bactérias mais resistentes.

Segundo a Dra. Ana Escobar, a melhor forma de evitar infecções bacterianas por estafilococos é lavar com água e sabão as mãos e o local lesionado por um corte, pequeno acidente, espinhas, etc. “Se saiu sangue, é preciso lavar com água e sabão, sempre o melhor desinfetante, e ficar de olho se começar a aparecer algum sinal de infecção”, ensina.

Se o machucado demorar para cicatrizar ou se houver sinais de inflamação, como vermelhidão, pus ou dor excessiva, é melhor procurar um médico rapidamente. O mesmo vale para casos de “trauma fechado”. É preciso ir ao médico quando houver febre e mal-estar após o incidente.

Para prevenir a contaminação de alimentos por bactérias também é preciso lavá-los bem – assim como as mãos e os utensílios –, evitar que fiquem muito tempo em temperatura ambiente e cozinhá-los cuidadosamente.

Se não for logo identificada e tratada, a infecção pode atingir vários órgãos ao mesmo tempo. “Quando começa a ter uma progressão, a coisa não melhora, pode ser uma bactéria mais resistente”, diz o Dr. Furtado, acrescentando que esse quadro clínico é chamado de “sepse” ou “septicemia”.

As bactérias podem provocar os mais diversos tipos de infecção: nos pulmões (pneumonia), nos ossos (osteomielite), no coração (endocardite), nas membranas que envolvem o cérebro (meningite), entre outras.

Quando a infecção atinge vários órgãos de forma descontrolada, ocorre um “choque séptico”, um quadro ainda mais grave que o da sepse. Quando isso ocorre, a chance de mortalidade é de aproximadamente 80%.

O choque, entretanto, é algo mais comum em pacientes já hospitalizados. Isso pode ocorrer após um agravamento da infecção generalizada, atingindo todo o organismo de forma sistêmica.

A queda da pressão arterial é o que leva à falência múltipla dos órgãos e, consequentemente, à morte. “O nosso corpo fica como se fosse um campo minado. No fim, ele não consegue proteger mais nada e essas minas começam a estourar”, acrescenta Dra. Ana. “Isso afeta a capacidade de manter a pressão arterial, um fluxo sanguíneo adequado, oxigenação do sangue, etc.”

O tratamento contra os estafilococos, assim como para todas as outras bactérias, se faz com antibióticos. No entanto, para cada bactéria utiliza-se um antibiótico específico. Somente o médico pode avaliar qual receitar. “Dependendo do quadro clínico, dos exames, o médico pode supor qual bactéria está afetando o paciente”, diz a Dra. Ana.

“Se a infecção for muito grave, não dá tempo de esperar os resultados dos exames. O médico pode administrar dois ou três antibióticos ao mesmo tempo e, depois, deixar somente o mais adequado”, completa.

No caso da infecção generalizada, os médicos avaliam o quadro da pessoa constantemente e realizam exames clínicos para identificar o tipo de bactéria. Os hospitais já têm protocolos estabelecidos para os casos de sepse.

O Dr. Furtado afirma que, às vezes, é preciso hierarquizar os antibióticos, conforme a gravidade do caso. “A maioria das infecções não evolui para a sepse, que é quando a infecção já chegou na corrente sanguínea. O médico presume qual antibiótico indicar conforme a evolução do quadro”, diz.

Além dos antibióticos, ele lembra que, nos casos de internação e infecção hospitalar, também é essencial controlar o volume de sangue no corpo e a pressão arterial.

Sepse é uma inflamação generalizada que atinge todo o organismo

Источник: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/04/staphylococcus-aureus-entenda-o-que-e-a-bacteria-que-pode-causar-sepse-a-infeccao-generalizada.ghtml

Staphylococcus aureus: sintomas, diagnóstico e tratamento

Riscos da bactéria Staphylococcus aureus

O Staphylococcus aureus, ou S. aureus, é uma bactéria gram-positiva presente normalmente na pele e na mucosa das pessoas, principalmente boca e nariz, sem causar danos ao organismo.

No entanto, quando o sistema imunológico está comprometido ou quando há alguma ferida, essa bactéria pode proliferar e atingir a corrente sanguínea, provocando a sepse, que corresponde à infecção generalizada, podendo levar à morte.

Essa espécie de estafilococos também é muito comum em ambientes hospitalares, por isso é importante evitar o contato com pacientes críticos no hospital e manter as mãos bastante limpas para evitar o contato com essa bactéria, pois o Staphylococcus aureus presentes nos hospitais geralmente apresentam resistência a vários antibióticos, o que faz com que seu tratamento seja difícil.

A infecção por S. aureus pode variar desde uma infecção mais simples, como a foliculite, por exemplo, até uma endocardite, que é uma infecção mais grave caracterizada pela presença da bactéria no coração. Dessa forma, os sintomas podem variar desde vermelhidão na pele, até dores musculares e hemorragias. 

Principais sintomas

Os sintomas da infecção por S. aureus dependem da forma de contágio, local que a bactéria se encontra e condições do paciente, podendo ser:

  • Dor, vermelhidão e inchaço da pele, quando a bactéria se prolifera na pele, levando à formação de abscessos e bolhas;
  • Febre alta, dores musculares, falta de ar e dor de cabeça forte, quando a bactéria consegue entrar na corrente sanguínea, geralmente devido a alguma lesão ou ferimento na pele, podendo se espalhar para diversos órgãos;
  • Náusea, dor abdominal, diarreia e vômito, que podem surgir quando a bactéria entra no organismo por meio de alimentos contaminados.

Pelo fato de poder ser encontrada naturalmente no organismo, principalmente na boca e no nariz, essa bactéria pode ser transmitida através do contato direto, gotículas presentes do ar por meio de tosse e espirros e por meio de objetos ou alimentos contaminados. 

Além disso, a bactéria pode atingir a corrente sanguínea por meio de ferimentos ou agulhas, sendo esta a forma mais frequente de infecção em pessoas que fazer uso de drogas injetáveis ou pessoas diabéticas de fazem uso de insulina.

A depender da intensidade dos sintomas da infecção, pode ser necessário que a pessoa fique internada e, às vezes, em isolamento até a que a infecção seja tratada.

Doenças causadas por Staphylococcus aureus

O Staphylococcus aureus pode provocar infecções leves e simples de serem tratadas ou infecções mais graves, sendo as principais:

  1. Foliculite, que é caracterizada pela presença de pequenas bolhas com pus e vermelhidão na pele provocada pela proliferação de bactérias no local;
  2. Celulite infecciosa, em que o S. aureus consegue penetrar a camada mais profunda da pele, causando dor, inchaço e vermelhidão intensa da pele;
  3. Septicemia, ou choque séptico, corresponde a uma infecção generalizada caracterizada pela presença da bactéria na corrente sanguínea, podendo atingir diversos órgãos. Entenda o que é o choque séptico;
  4. Endocardite, que é uma doença que acomete as válvulas cardíacas devido à presença da bactéria no coração. Saiba mais sobre a endocardite bacteriana;
  5. Osteomielite, que é a infecção do osso causada por bactérias e que pode acontecer por contaminação direta do osso por meio de um corte profundo, fratura ou implante de uma prótese, por exemplo;
  6. Pneumonia, que é uma doença respiratória que leva à dificuldade para respirar e pode ser causada pelo acometimento do pulmão por bactérias;
  7. Síndrome do choque tóxico ou síndrome da pele escaldada, que é uma doença de pele causada pela produção de toxinas pelo Staphylococcus aureus, provocando a descamação da pele;
  8. Intoxicação alimentar, que pode acontecer devido ao consumo de alimentos contaminados, principalmente embutidos, com toxinas produzidas por S. aureus.

As pessoas que possuem o sistema imune comprometido devido à doenças oncológicas, auto-imunes ou infecciosas, sofreram queimaduras ou feridas ou passaram por procedimentos cirúrgicos têm mais chances de desenvolver infecções por Staphylococcus aureus.

Por isso, é importante lavar bem às mãos e tomar as devidas precauções em ambientes hospitalares para evitar infecções por essa bactéria, além de consumir alimentos que fortaleçam o sistema imunológico. Entenda qual é a importância de lavar as mãos para evitar doenças.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito a partir do isolamento da bactéria, que é feito em laboratório de microbiologia a partir de uma amostra biológica, que é solicitada pelo médico de acordo com os sintomas da pessoa, podendo ser urina, sangue, saliva ou secreção de ferida.

Após o isolamento da bactéria é feito o antibiograma para verificar qual o perfil de sensibilidade do microrganismo e qual o melhor antibiótico para tratar a infecção. Saiba o que é o antibiograma e como entender o resultado.

Tratamento para S. aureus

O tratamento para S. aureus normalmente é definido pelo médico de acordo com o tipo de infecção e sintomas do paciente. Além disso, deve ser considerado se há outras infecções associadas, sendo avaliado pelo médico qual infecção representa maior risco para o paciente e que deve ser tratada mais rapidamente.

A partir do resultado do antibiograma, o médico pode indicar qual o antibiótico que terá mais efeito contra a bactéria, sendo o tratamento normalmente feito com meticilina ou oxacilina por 7 a 10 dias.

Staphylococcus aureus resistente à meticilina

O Staphylococcus aureus resistente à meticilina, também conhecido por MRSA, é muito comum principalmente em hospitais, tornando essa bactéria uma das principais responsáveis pelas infecções hospitalares.

A meticilina é um antibiótico fabricado com o objetivo de combater as bactérias produtoras de beta-lactamases, que são enzimas produzidas por algumas bactérias, incluindo o S.

aureus, como mecanismo de defesa contra determinada classe de antibióticos.

No entanto, algumas cepas de Staphylococcus aureus, principalmente as que são encontradas nos hospitais, desenvolveram resistência à meticilina, não respondendo ao tratamento com esse antibiótico.

Dessa forma, para tratar as infecções causadas por MRSA normalmente são utilizados glicopeptídeos, como vancomicina, teicoplanina ou linezolida por 7 a 10 dias ou de acordo com a orientação médica.

Источник: https://www.tuasaude.com/staphylococcus-aureus/

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