Saiba quais são os riscos do Jogo da Asfixia

Jogos Mortais

Saiba quais são os riscos do Jogo da Asfixia

Praça Rui Barbosa, centro de Curitiba. O tradicional largo margeado pelos pontos do transporte coletivo e pelo comércio é, segundo a Prefeitura de Curitiba, um dos lugares mais movimentados da cidade. Estima-se que diariamente 300 mil pessoas passem pela região da Matriz. Homens, mulheres, jovens e idosos.

Trabalhadores, desocupados, gente de bem e também a bandidagem. Ambiente, sem dúvida, impróprio para deixar uma criança sozinha. Agora imagine deixar, em sã consciência, uma criança totalmente desacompanhada em uma praça pela qual circulam nada menos que 3 bilhões de pessoas diariamente.

Saiba que essa praça existe e se chama “Internet”.

À vista dos pais, o ambiente pode parecer inofensivo em um primeiro momento. Bastam alguns cliques, porém, para descobrir que grande parte dos conteúdos publicados na forma de divertidos desafios são, na realidade, nocivos e perigosos podendo inclusive acabar em tragédia.

Jogo da asfixia, desafio do desodorante, desafio da canela, desafio do cronômetro, jogo do desmaio, e centenas de outros. De um lado, jovens rs em busca de audiência.

Do outro, crianças e adolescentes comuns que, sem saber, colocam a vida em risco participando de brincadeiras mortais.

“Jogo da asfixia” ou “Choking Game”. Entre as mais populares, a brincadeira consiste basicamente em prender a respiração e, por meio de manobras mecânicas, interromper a passagem do ar ao cérebro, provocando tonturas e desmaio.

Em pesquisa recente, realizada sob chancela da universidade francesa Paris Ouest e do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a psicóloga brasileira Juliana Guilheri, coletou dados que apontam que o número de vídeos nacionais, estimulando a prática, saltaram de 500 em 2012, para 15.000 em 2016.

Números preocupantes, considerando a quantidade de usuários menores de idade que acessam a rede todos os dias no território nacional.

De acordo com o Comitê Gestor da Internet no Brasil, 86% das crianças e adolescentes brasileiros, com idades entre 9 e 17 anos, possuem perfis ativos nas redes sociais.

Em números, são mais de 24 milhões de menores com acesso livre e, praticamente desassistido à rede mundial.

De acordo com Fabiana Vasconcelos, psicóloga clínica e fundadora do Instituto Dimi Cuida voltado à informação e prevenção dessas práticas o perigo reside justamente na aparência de segurança que a navegação representa.

“Pelo fato dos acessos serem feitos dentro do ambiente doméstico, debaixo dos olhos dos responsáveis, muitos pais acabam deixando de prestar atenção ao que os filhos acessam e só ficam sabendo depois que o pior aconteceu”, explica.

Fatais

Jogo da asfixia, desafio do desodorante, desafio da canela, jogo do desmaio são alguns exemplos destas brincadeiras sem graça. Foto: Marco Charneski

Nos últimos 3 anos, o número de crianças queimadas, mutiladas, feridas e até mortas por conta das brincadeiras se tornou mais evidente.

Como, porém, muitos casos não são registrados, não há dados oficiais que apontem exatamente o número de vítimas. Segundo o Instituto Dimi Cuida, entre 2014 e 2016, nove mortes foram oficialmente atribuídas aos jogos online. Hoje este número certamente é maior.

No Paraná, a morte de um jovem de 21 anos, em 2016, na cidade de Apucarana, chamou a atenção. Ele inalou gás butano em resposta a um desafio online.

Mais recentemente, em fevereiro desse ano, a pequena Adrielly Gonçalves, de 7 anos, entrou para a triste estatística depois de inalar desodorante. O caso foi registrado no estado de São Paulo, onde há pouco mais de um ano o jovem Gustavo Detter, 13, também morreu por participar de um desafio de não oxigenação.

Risco que atrai

Não é preciso que alguém perca a vida, no entanto, para constatar o perigo dessas brincadeiras. A estudante curitibana Elisa*, 14, aceitou participar do “jogo do desmaio”, proposto por um colega de escola. O caso aconteceu no final do ano passado, em uma escola particular, em Curitiba.

“Aceitei por curiosidade. Me disseram que dava uma tontura e a gente apagava”, disse. Depois do passo a passo, o susto. “Não lembro como foi, mas acordei na enfermaria da escola. Eu não só desmaiei como tive convulsões e todo mundo ficou apavorado.

A enfermeira disse que poderia ter sido muito mais grave”, afirma.

Segundo a neurofisiologista clínica, diretora do Centro de Epilepsia e Neurologia de Curitiba e professora da UFPR, Ana Chrystina Crippa, as consequências da não oxigenação cerebral são graves, pelo fato de botarem em risco órgãos nobres do organismo como rins, coração e cérebro.

“Diante de uma situação na qual o corpo se encontre impedido de receber oxigênio, a ação automática do corpo é tentar preservar esses três órgãos. A partir de três minutos sem ar, o cérebro já sofre lesões.

A partir dos 6 minutos, morre”, explica. Outras práticas, como a inalação de determinados químicos pode comprometer o bombeamento de sangue ao organismo.

“Além do risco de morte, impedir a circulação do oxigênio pode trazer sequelas graves à saúde”, diz.

Voltando à pesquisa feita pela psicóloga Juliana Guilheri, um questionário realizado com 1.395 estudantes, em 16 escolas do sudeste e centro-oeste do Brasil, apontou que 40% delas afirmaram ter participado de jogos similares.

Dez por cento destas chegaram a desmaiar. “Virou problema de saúde pública.

É preciso estabelecer políticas que incentivem o monitoramento, não apenas do tempo de acesso à Internet entre crianças e adolescentes, mas também do conteúdo que é acessado”, ressalta a neurofisiologista Ana Chrystina Crippa.

Para a psicóloga do centro de comunicação do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP), Rosiclea Rodrigues, um dos motivos que leva tantos jovens a aceitarem esses desafios é o sentimento “transgressor”, comum à idade.

“Sem noção do perigo no qual se envolvem, os jovens topam qualquer coisa para serem aceitos pelo grupo, impressionar os amigos ou provarem a si mesmos que são capazes. Nem que, pra isso, tenham chegar aos limites”, explica.

De acordo com Fabiana Vasconcelos, do Instituto Dimi Cuida, o universo de desafios da Internet não está restrito aos jogos de asfixia. “Tem inúmeros desafios.

Uns piores que outros como colocar a mão no formigueiro, tomar um copo de água fervendo de canudinho ou colocar álcool no corpo e acender um fósforo, para, em seguida, mergulhar na piscina.

São situações de risco gravíssimo que passam despercebidas pelas gerações mais velhas, que não são nativas digitais”, diz.

Prevenção

“O conteúdo tem que fazer bem pra quem assiste. Trazer alegria, fazer rir, sem desafiar ou botar em risco a saúde”, diz o r Felipe.

Foto: Marco Charneski

Para a Fabiana, a principal forma de prevenção às brincadeiras de risco da Internet é o diálogo e o monitoramento do conteúdo acessado em casa. “A ideia de privacidade no Brasil está distorcida.

É preciso sim, que os pais saibam exatamente o que tem sido visto pelos filhos na rede. É importante que os responsáveis estejam atentos aos ídolos das crianças, e ajudem a discernir se os heróis não são, na verdade, os vilões da história”, diz.

Entre as novas gerações de rs isso está mudando. O curitibano Felipe Calixto, de 17 anos, começou a publicar vídeos em seu canal em 2011.

A plataforma, que já conta com mais de um milhão de seguidores, encontra no humor a principal fonte de curtidas. “Não é legal ter sucesso apelativo. O conteúdo tem que fazer bem pra quem assiste.

Trazer alegria, fazer rir, sem desafiar ou botar em risco a saúde de ninguém. Sucesso só é legal se faz bem pra todo mundo”, argumenta.

Sinais

Para saber se seu filho anda participando de brincadeiras arriscadas, alguns sinais podem ser observados.

Olhos vermelhos e irritados, por conta de hemorragias retinais – indicando supressão de ar, ou estrangulamento, pontos vermelhos ao redor das pálpebras e da região do peito, desorientação após sair do quarto ou passar muito tempo sozinho, dor de cabeça, odor excessivamente forte ou consumo de desodorante fora do comum.

Источник: https://tribunapr.uol.com.br/cacadores-de-noticias/centro/jogos-mortais/

Sufocação: por que acontece e quais os riscos às crianças?

Saiba quais são os riscos do Jogo da Asfixia

Crianças, principalmente as pequenas, têm a tendência de levar tudo o que pegam à boca. Nessa fase da vida, é assim que meninas e meninos experimentam o mundo.

Apesar de ser um comportamento natural e que faz parte do desenvolvimento dos pequenos, pais, familiares, responsáveis e cuidadores de crianças precisam estar sempre atentos para evitar que as crianças acidentalmente engulam algo perigoso e acabem se engasgando ou sufocando.

No Brasil, a sufocação é o tipo de acidente que mais tira a vida de crianças com menos de um ano de idade. Mas quais são os motivos que levam esse acidente a ser tão perigoso para meninas e meninos – principalmente quando são bebês? Saiba tudo neste artigo.

Por que crianças são mais vulneráveis à sufocação e ao engasgamento?

Devido a características físicas e comportamentais próprias do desenvolvimento infantil, crianças, especialmente as menores de três anos de idade, são mais propensas a sofrerem acidentes relacionados à sufocação ou engasgamento.

Sufocação

A sufocação ocorre quando há a cobertura total ou parcial do nariz e/ou da boca de uma pessoa, que resulta na dificuldade ou impossibilidade de respirar. Entre bebês menores de um ano de idade, o risco de sufocação é muito alto devido a sua falta de capacidade de escaparem por si mesmos de uma situação de perigo.

Bebês não possuem habilidade motora para retirar sozinhos de seu rosto algum objeto que esteja dificultando sua respiração. Assim, se uma almofada ou cobertor acidentalmente cobre seu nariz e sua boca enquanto estão sem supervisão – como na hora de dormir – eles podem acabar perdendo a vida por não conseguirem respirar e não terem a capacidade de saírem dessa situação.

Já entre as crianças um pouco maiores, sua curiosidade e tamanho pequeno podem representar um risco, pois elas podem acabar presas em locais fechados onde a passagem de ar não seja possível, como em baús de brinquedo ou porta-malas de um carro.

Engasgamento

O engasgamento acontece quando há obstrução das vias aéreas, o que impede que o ar chegue aos pulmões.

Crianças possuem as vias aéreas superiores (boca, garganta, esôfago e traqueia) bem menores que as de um adulto. Assim, alimentos ou objetos de tamanhos quase insignificantes, como um amendoim ou um botão, podem obstruir totalmente a entrada de ar para os pulmões caso fiquem presos em sua garganta acidentalmente.

Seus dentes também são menores do que os de um adulto, o que dificulta a trituração adequada dos alimentos na boca. Além disso, são pouco experientes em coordenar os esforços de mastigar e engolir. Por isso é tão importante estarmos atentos para evitar acidentes na hora de alimentar meninas e meninos.

Para dificultar ainda mais, crianças costumam querer falar, brincar e rir enquanto comem e isso aumenta as chances de o alimento ser aspirado de forma involuntária, provocando o engasgamento.

Em nosso site, você encontra diversas dicas que irão te ajudar a evitar acidentes com sufocação e engasgamento. Clique aqui e confira.

Dados sobre sufocação e engasgamento

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2016, 826 crianças e adolescentes morreram devido a acidentes com sufocação e o engasgamento. Essa foi a terceira principal causa de óbitos por motivo acidental entre meninas e meninos dessa faixa etária no país.

Crianças de até um ano de idade foram a maior parte (77%) das vítimas desse tipo de acidente: 636 bebês morreram devido a sufocação ou engasgamento naquele ano.

Em relação às internações de meninos e meninas de zero a 14 anos por acidentes no Brasil, foram registradas 508 hospitalizações em decorrência de sufocação ou engasgamento, a maioria desses casos (56%) aconteceram com crianças de um a quatro anos.

Ao observarmos os tipos de acidentes envolvendo sufocação e engasgamento que foram responsáveis pelo maior número de mortes de crianças e adolescentes de zero a 14 anos, vemos que 33% dos óbitos foram classificados como “inalação do conteúdo gástrico”, que inclui a asfixia ou sufocação causada por vômito ou alimento regurgitado, 32% como “risco não especificado à respiração” e 23% como “inalação ou ingestão de alimentos causando obstrução do trato respiratório”.

Como podemos observar, é muito importante que os responsáveis pelas crianças estejam sempre atentos para evitar esse tipo de acidente, principalmente com crianças de zero a quatro anos, na hora de dormir e alimentar os pequenos. Com medidas simples de prevenção é possível evitar 90% das mortes acidentais de meninas e meninos. Informe-se sobre o assunto e garanta sempre a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes.

Quer saber mais sobre a prevenção desse e outros tipos de acidentes com crianças? Inscreva-se em nosso curso para Familiares e Responsáveis. É totalmente gratuito e online.

Источник: https://criancasegura.org.br/noticias/sufocacao/sufocacao-por-que-acontece-e-quais-os-riscos-as-criancas/

Sobre a Medicina
Deixe uma resposta

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!: