Síndrome do jaleco branco: o que é e como controlar

Hipertensão arterial sistêmica usando o MAPA para diagnóstico

Síndrome do jaleco branco: o que é e como controlar

A hipertensão arterial está presente em 35% da população adulta e é considerada uma assassina silenciosa, visto que não dá sintomas e acaba destruindo órgãos vitais como cérebro, rins, coração ao longo dos anos de forma irreversível.

As pesquisas mostram que 30% dos hipertensos tomam medicamentos sem necessidade por apresentarem a famosa hipertensão do jaleco branco e não terem a oportunidade de fazer um diagnóstico correto da sua doença.

Neste artigo comento sobre o diagnóstico errado de hipertensão e como podemos corrigir essa situação.

O que é hipertensão arterial sistêmica?

A Pressão arterial presente dentro dos vasos sanguíneos pode ultrapassar os valores considerados padrões para idade, peso e doenças associadas. Quando isso acontece, chamamos de pressão alta ou hipertensão arterial sistêmica.

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Partindo do que chamamos pressão normal, ou seja, 120/80 mmHg, o que estiver acima desses valores, de maneira geral chamamos de hipertensão.

Existem exceções que comentarei mais adiante.

Medida correta da pressão arterial

A principal causa da hipertensão arterial sistêmica

Ao se deparar com o diagnóstico de pressão elevada, logo vem a pergunta: quais as causas da hipertensão?

Falar de causas da pressão alta implica em descrever uma doença familiar, composta por 250 genes espalhados na população e que ao se juntarem num grau maior ou menor de sua presença naquele indivíduo, irá determinar se a hipertensão será leve, moderada ou grave.

Vou tentar enfatizar de outra maneira:

Trocando em miúdos, se um pai tem pressão alta e a mãe não tem hipertensão arterial, o filho terá uma redução da carga genética e terá sim pressão alta, porém num grau inferior ao pai.

Já se os dois cônjuges tiverem pressão elevada, o filho terá a doença em dobro, muito mais agressiva por ter somado a carga genética.

Pressão alta não tem cura e salvo algumas doenças raras renais, o indivíduo é obrigado a tratar a vida inteira para evitar complicações como infarto agudo do miocárdio ou insuficiência renal crônica.

Quando olhamos pacientes em hemodiálise, lembre-se que a maioria era hipertenso, não sabia e quando foi descobrir já era tarde!

Medida da pressão arterial no pulso com aparelho digital

Quais os sintomas da pressão alta?

Falar de sintomas de pressão alta é muito simples, se resume em dizer que a grande maioria das pessoas não sente nada, por isso usamos a expressão assassina silenciosa.

As pessoas que afirmam ter dor de cabeça, tontura, tremores pelo corpo, falta de ar, dor no peito, não podem atribuir exclusivamente como sintomas de pressão elevada.

Muitas doenças que estão se desenvolvendo com a elevação da pressão acabam mostrando seus sintomas, como esquecimento, problemas de circulação, retenção de líquidos, entre outras.

A regra é simples, a pressão alta é silenciosa, não sentimos nada!

Precisamos medir a TA, ou seja, aferir os níveis de pressão arterial anualmente de forma segura para fazer o diagnóstico correto.

O paciente deve permanecer sentado e descansado

O que acontece no corpo quando temos hipertensão arterial?

As complicações da hipertensão ocorrem em todos os órgãos do corpo:

1- Olhos

Retinopatia

Perda da visão

Micro – AVC isquêmico que é o entupimento da microcirculação com prejuízo cognitivo e desenvolvimento de microencefalopatia, também chamada de leucoencefalopatia.

Esse é o substrato para o Alzheimer!

3- Coração

Arritmias

Hipertrofia ou sobrecarga ventricular esquerda

Infarto agudo do miocárdio

4- Circulação sanguínea

Hipertrofia das paredes das artérias

Aneurismas, abaulamento das paredes das artérias em qualquer lugar do corpo

Aterosclerose que é a deposição de colesterol nas paredes dos vasos que ocorre por pressão do sangue contra a parede do vaso.

– No cérebro chamamos de AVC

– No coração chamamos de infarto

– Na circulação das pernas chamamos de trombose

Na prática é a mesma chamamos de nomes diferentes a mesma doença apenas para localizar a complicação e escolher o especialista certo para aquela área.

5- Rins

A pressão arterial não controlada, literalmente “seca” os rins, ou seja, faz com que o sistema de filtração do sangue se desintegre e acaba com isso numa retenção de líquidos que só se resolve com a hemodiálise.

Aferir pressão arterial não é tarefa simples e nem sempre confiável

Muitos fatores influenciam no momento de medir pressão arterial, indo desde a calibração do aparelho, posição do braço no momento do exame, nível de descanso, e ainda o nível de ansiedade.

Vivemos numa sociedade em constante estresse e medir pressão arterial em momentos de correria não vai mostrar a real situação do paciente.

7 Passos para medir corretamente a pressão arterial:

1- Descanse pelo menos 30 minutos antes de medir;

2- Sente em um móvel confortável e coloque seu braço sobre uma superfície firme e descanse sobre ela;

3- Certifique-se de que o profissional que vai medir seja habilitado;

4- Pergunte quando foi a última calibração do aparelho, pois deve ser feita pelo menos uma vez no ano;

5- Não fume ou tome café 2 horas antes, muito menos ingira bebida alcóolica;

6- Não medir pressão com nervosismo ou ansiedade;

7- Repetir a medida pelo menos 3 dias no mesmo local e horário.

Como saber se estamos com hipertensão arterial?

Para concluir se uma pessoa está com pressão alta, devemos analisar uma série de fatores como idade, doenças associadas como diabetes, colesterol elevado, infarto do miocárdio prévio, história familiar, nível de ansiedade e usando uma tabela o Cardiologista consegue enquadrar o paciente e concluir se aqueles níveis de pressão estão adequados.

A ansiedade por exemplo é um fator que aumenta a pressão de forma ocasional e distorce o diagnóstico.

Quando falamos em pressão arterial de 120/80 mmHg como normal, o mesmo não se aplica para um diabético ou infartado, pois nesses casos esse valor já é considerado elevado e necessita de tratamento.

O aparelho de pressão digital não é melhor que o aneróide

O grande erro ao medir a pressão arterial

Muitos pacientes tem alteração no estado emocional ao chegar no serviço de saúde e certamente isso faz com que a pressão fique elevada.

Pressão arterial normal normal em casa e elevada no consultório é típico de pelo menos 30% da população e merece sempre ser esclarecido com outros exames mais profundos.

Tratar pessoas com pressão elevada somente no consultório traz risco de Hipotensão com sérias complicações no idoso.

A hipertensão arterial do avental branco

Hipertensão do avental branco é o fenômeno de elevação da pressão na frente do médico e a normalização quando volta para o seu ambiente doméstico.

Hipertenso do jaleco branco é um paciente que foi mal diagnosticado, sendo esse erro frequente em até 30% dos diagnósticos.

A decepção do paciente com pressão arterial baixa ou simplesmente pressão baixa em sua casa e receber uma notícia no consultório que tem pressão alta é imensa e para que este paciente não piore ainda mais sua qualidade de vida é necessário um diagnóstico correto.

Então, entenda o seguinte:

Se for realizado um exame adequado para o caso e foi afastada a hipertensão do avental branco, comemore e tenha uma vida saudável.

Para os casos que confirmaram a presença de hipertensão do jaleco branco, cuidado, é um aviso que a doença está próxima e que deve redobrar os cuidados com a saúde e de acordo com suas doenças associadas como diabetes, doença renal, colesterol elevado, infarto prévio, poderá ser necessário sim o uso de medicamentos.

Somente o Cardiologista tem a habilidade de decidir o melhor tratamento.

Como ter certeza que não tenho hipertensão arterial do jaleco branco?

Para melhor diagnóstico, seja como confirmação ou exclusão de pressão alta, nada melhor que realizar um Mapa de 24 horas.

Trata-se de um aparelho instalado no braço do paciente que fica com o registrador na cintura e é programado para medir a pressão em casa automaticamente durante 24 horas.

A tabela de medidas permite que o médico esclareça com 100% de certeza a condição da pressão daquele paciente.

Teste da respiração lenta

Uma alternativa que o médico pode usar no consultório caso não tenha acesso ao MAPA de 24 horas é o teste de respiração lenta.

Neste teste, o médico pede para o paciente respirar de forma lenta durante 1 minuto, sendo cada ciclo respiratório de inspiração e expiração de 10 segundos.

Depois disso ele mede a pressão e consegue diagnosticar com 78% de precisão se o paciente tem hipertensão ou não.

Á partir do momento que o paciente aceita o diagnóstico, se engaja nas mudanças do estilo de vida e toma os medicamentos quando indicados, terá uma vida absolutamente normal.

E sim, a pressão alta não tem cura e deve ser tratada para o resto da vida!

Em resumo, evitar erros no diagnóstico de hipertensão arterial traz menos complicações ao paciente que usa medicamentos sem necessidade, como hipotensão, AVC ( Acidente Vascular Cerebral ) isquêmico noturno e do ponto de vista financeiro traz uma redução significativa nos custos dos medicamentos públicos usados por pelo menos 30% dos pacientes sem necessidade.

Utilizar métodos seguros com MAPA ( Monitorização ambulatorial da pressão arterial sistêmica ) ou fazer um teste de respiração lenta no consultório é uma excelente alternativa para resolver essa questão.

Para clínicas que desejam utilizar esse exame de rotina em seus pacientes, uma opção viável é contratar uma empresa de Telemedicina que fornece o aparelho em comodato e interpreta os exames com laudos a distância sendo entregue em minutos.

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Источник: https://telemedicinamorsch.com.br/blog/hipertensao-arterial

Síndrome do Jaleco Branco – Entenda suas causas e como evitar!

Síndrome do jaleco branco: o que é e como controlar

Enquanto muitos jovens sonham com a carreira médica e em finalmente poderem usar os famosos trajes típicos da profissão, outras pessoas sofrem só de pensar em aproximar-se de um.

Essa é a chamada síndrome do jaleco branco, algo muito comum e que jamais deve ser visto pelos profissionais da saúde como banal, pois afeta diretamente o desempenho dos tratamentos propostos aos seus pacientes.

Tamanho é o problema que ele já é reconhecido como uma síndrome  que além de dificultar diagnósticos e tratamentos, ainda pode gerar maiores complicações. Por isso, é importante que a questão seja evidenciada e debatida para que as pessoas consigam tratar o desconforto e impedir que ele evolua para um quadro mais grave. 

A gestão de uma clínica médica deve se preocupar com todo tipo de paciente, oferecendo um atendimento humanizado e acolhedor. A seguir, confira as principais informações sobre a síndrome do jaleco branco. Acompanhe!

O que é a síndrome do jaleco branco?

Também conhecida como latrofobia ou fobia irracional de médicos, a síndrome do jaleco branco está relacionada a dificuldade de certas pessoas em lidar com o ambiente hospitalar, de clínicas ou consultórios médicos.

Assim, surgem alguns sintomas como:

  • ansiedade exacerbada;
  • tontura;
  • tremedeira;
  • taquicardia;
  • tensão muscular;
  • náuseas;
  • gritos e choros, no caso das crianças;
  • adiamento dos exames de rotina por medo;
  • aumento da pressão arterial;
  • agitação e descontrole físico e emocional etc.

A sua forma mais comum e menos grave também é conhecida como “hipertensão do jaleco branco” ou “hipertensão de consultório”. Nesses casos, a pressão arterial se eleva repentinamente na presença de um médico ou profissionais da saúde que utilizem o vestuário branco.

Em outros momentos, fora desse tipo de ambiente, a situação é normalizada. Uma das formas de descobrir se o paciente é mesmo hipertenso ou não é fazendo a aferição da pressão em casa, com o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial).

Então, é preciso muita cautela para que uma hipertensão não seja diagnosticada de maneira enganosa, pois o médico pode prescrever medicamentos que, na verdade, não se aplicam ao real estado de saúde da pessoa.

Quais são as principais causas da síndrome do jaleco branco?

Embora a síndrome possa afetar pessoas de todas as idades, a literatura médica aponta que a maior parte dos casos tem a sua origem na infância. O medo de agulhas, intervenções cirúrgicas e até de alguns medicamentos pode persistir por toda a vida. A seguir, listaremos algumas das principais causas dessa síndrome.

Experiências negativas

Uma experiência negativa é capaz de gerar um trauma difícil de ser contornado. Histórias de outras pessoas, falta de confiança e até mesmo vergonha também podem influenciar.

Além do mais, o ambiente médico ou hospitalar já carrega um certo peso associado a situações desagradáveis como doenças, lesões, acidentes, mortes etc. Assim, se na infância alguma pessoa passou por uma experiência ruim relacionada a médicos ou hospitais, pode ter um trauma que perdura por toda a vida.

Notícias negativas sobre a medicina

Notícias divulgadas na mídia falando sobre casos de erro médico, cirurgias malfeitas, efeitos colaterais de medicamentos ou tratamentos, entre outros casos, podem fazer com que as pessoas desenvolvam um medo de que isso aconteça com elas. Por isso, muitas evitam a todo custo qualquer tipo de contato com os profissionais da área da saúde, pois têm uma imagem negativa do ambiente hospitalar em seus imaginários.

Resistência ao abandono de vícios

No caso de pessoas que são dependentes de bebida alcoólicas ou outras substâncias químicas e daquelas que têm uma alimentação desequilibrada, entre outros tipos de hábitos pouco saudáveis, o medo pode ter origem nos seus vícios. Isso porque elas sabem que o que fazem é errado.

O médico poderá propor um tratamento para que elas deixem de lado esse comportamento, mas dificilmente será efetivo, pois o abandono por questões diversas é o cenário mais comum.

A hostilidade, de fato, pode gerar um desconforto em pacientes mais sensíveis, que desenvolvam o receio de ter que enfrentar o médico e algum problema de saúde. A ansiedade acumulada acaba provocando outras manifestações somáticas, que reforçam tal aversão.

Quais são as possibilidades de tratamento desse tipo de síndrome?

Cada caso se manifesta de uma maneira, com intensidades e causas diferentes. Portanto, o tratamento vai depender muito de uma avaliação criteriosa e cuidadosa de um profissional qualificado para o propor o tratamento ideal para cada pessoa.

Normalmente, o tratamento requer atenção não só com a saúde física, mas sobretudo com o equilíbrio mental. Nesse sentido, é muito importante a ajuda de psicólogos, psiquiatras e terapeutas, por exemplo.

Inclusive, pode ser necessário que outros métodos sejam utilizados para controlar o medo e a ansiedade, como:

  • terapia em grupo;
  • técnicas de relaxamento;
  • consultas via telefone ou internet;
  • locais diferenciados, que não lembrem hospitais e clínicas médicas;
  • companhia constante de pessoas durante a consulta;
  • profissionais que não utilizem o vestuário médico.

O bom relacionamento com o paciente é fundamental, tentando deixá-lo mais confortável e satisfeito. Assim, espera-se conseguir abrir um caminho para identificar a origem do problema e, aos poucos, solucioná-lo antes que ocasione maiores prejuízos à saúde.

Tratamentos como a terapia cognitivo-comportamental e a hipnose, feita por psicólogos, podem ser alternativas para reverter esse medo. Tratam-se de atividades feitas em consultório psicológico, em que o profissional induz o paciente a lidar com esse problema e reverter os seus traumas no seu subconsciente.

Quais são os riscos da síndrome do jaleco branco não tratada?

Dois tipos básicos de problema podem ocorrer se a síndrome do jaleco branco não for tratada devidamente. Ambos caracterizam situações graves e que podem se desenvolver mais, caso o paciente não busque uma solução para o seu problema.

O primeiro é que o paciente começa a protelar as consultas e exames médicos, o que afeta diretamente o seu estado de saúde. Sem acompanhamento e uma certa regularidade no check-up, a prevenção e o tratamento de males e doenças ficam comprometidos.

Além disso, não tratar as causas e os sintomas da síndrome pode fazer com que ela evolua para situações mais graves. Muitas pessoas chegam a apresentar crises fortes de pânico, quadros depressivos, entre outros.

Também é possível que outras fobias se desenvolvam por consequência da síndrome do jaleco branco, como a hipocondria e a anosofobia, que caracterizam o medo irracional de adquirir doenças.

As pessoas com esse quadro começam a ter preocupação excessiva e sempre que apresentam qualquer sintoma comum, como de um resfriado simples ou uma mancha pequena na pele, pensam que estão com uma doença grave. Quando isso acontece, essas pessoas sofrem porque não têm coragem de marcar uma consulta com o médico e ao mesmo tempo pensam que estão contaminadas com uma patologia irreversível.

E você, já conheceu de perto algum caso de síndrome do jaleco branco? É papel do médico conversar com essas pessoas e tentar convencê-las de que ele está ali apenas para ajudá-las e que não julgará os seus comportamentos. Conversar com os familiares desses pacientes também é importante, para que juntos se chegue a uma solução, como a busca por um atendimento psicológico.

Você já atendeu pacientes com esse tipo de síndrome? Para ajudar, baixe o nosso e-book “passo a passo para gestão de atendimento eficiente” para ter mais um suporte neste tipo de conduta.

Источник: https://www.shosp.com.br/blog/sindrome-do-jaleco-branco

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