Síndrome respiratória aguda grave (SARS): o que é, sintomas e tratamento

Sars: o que é, sintomas, tratamento, transmissão

Síndrome respiratória aguda grave (SARS): o que é, sintomas e tratamento

Síndrome respiratória aguda grave ou Sars é uma doença causada por um vírus da família dos coronavírus, que inclui vírus causadores de resfriados, da síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers) e da Covid-19.

A Sars é considerada a primeira doença transmissível grave do século XXI. Foi considerada uma ameaça global em março de 2003, porém surgiu inicialmente na China, em 2002.

A doença foi controlada rapidamente graças a medidas eficientes de identificação e isolamento dos casos.

Leia também:  Coronavírus: a família de vírus que causou a pandemia de Covid-19 

O que é a síndrome respiratória aguda grave?

Asíndrome respiratória aguda grave (Sars) é uma síndrome respiratória grave provocada por um coronavírus.

O alerta global da Organização Mundial da Saúde (OMS) ocorreu no dia 12 de março de 2003 e descrevia-a como uma pneumonia atípica grave, transmitida de uma pessoa para outra, sem causa conhecida.

Os primeiros casos ocorreram em novembro de 2002 na China, e a OMS foi notificada em fevereiro de 2003. A doença se espalhou por vários países,provocando a morte de cerca de 800 pessoas.

A Sars é uma doença causada pelo Sars-CoV, da mesma família de vírus responsáveis por causar resfriados.

Como a doença não tem vacina ou tratamento eficiente, a forma encontrada para frear sua transmissão foi identificar os casos, realizar isolamento ou quarentena e identificar os contatos próximos estabelecidos entre os doentes.

A epidemia foi controlada ainda em 2003,com a OMS declarando que todos os surtos de Sars foram contidos no mundo no dia 5 de julho desse ano.

O vírus responsável pela doença não causou novos casos desde 2004 e, durante a epidemia, atingiu 26 países em cerca de seis meses.

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Agente causador da Sars

A Sars é causada pelo vírus Sars-CoV (coronavírus associado à Sars), um vírus da família dos coronavírus, que inclui vírus que circulam entre pessoas e outros animais e se destacam por, ao serem visualizados em microscopia eletrônica, lembrarem uma coroa (a palavra corona, em latim, significa “coroa”). O Sars-CoV teve seu genoma sequenciado em 2003 e mostrou não ter relação com outros coronavírus previamente conhecidos.

Antes da epidemia provocada pelo Sars-CoV, os vírus da família dos coronavírus eram considerados causadores apenas de infecções leves. Após o Sars-CoV, outras cepas de coronavírus surgiram e estão associadas a quadros graves de insuficiência respiratória: o Mers-CoV e o Sars-CoV-2.

Transmissão da Sars

A Sarsé transmitida por meio do contato direto de gotículas respiratórias, expelidas pelo doente ao tossir, espirrar e falar, com as membranas mucosas, como boca, nariz e olhos.

O vírus pode ser transmitido também pelo ar e, indiretamente, por meio do contato com superfícies contaminadas.

Um indivíduo saudável pode se contaminar ao tocar os objetos contaminados e, posteriormente, levar a mão à boca, ao nariz ou aos olhos.

Leia também: Isolamento vertical e horizontal – entenda a diferença

Sintomas da Sars

O Sars-CoV, após o contágio, pode permanecer incubado de dois a sete dias. Após esse período, surgem os sintomas da doença, os quais incluem febre alta (acima de 38 ºC), calafrios, dor de cabeça, dor muscular e mal-estar.

Os sintomas respiratórios, inicialmente, são leves.

Após cerca de uma semana, iniciam-se tosse seca e falta de ar, a qual pode ser acompanhada ou progredir para níveis baixos de oxigênio no sangue.

A pior evolução da doença cursa com ventilação mecânica. A maioria dos pacientes com Sars desenvolve pneumonia. A doença apresenta letalidade de 9,5%.

Tratamento da Sars

A Sars é uma doença viral que não apresenta tratamento específico,havendo apenas medidas de suporte, como hidratação e uso de próteses respiratórias. O tratamento do paciente é feito de maneira isolada de outros para evitar a propagação da doença.

Prevenção da Sars

A Sars, por ser transmitida, principalmente, pelo contato com partículas emitidas pelo doente ao falar, tossir ou espirrar, tem como forma de prevenção evitar o contato direto com o doente e sempre incentivar as pessoas doentes a cobrirem o nariz e a boca ao tossir ou espirrar. Além disso, é fundamental a lavagem frequente das mãos com álcool e sabão ou utilizar álcool 70% para a higienização. Os profissionais da saúde, ao tratar os doentes com Sars, devem se proteger utilizando adequadamente os equipamentos de proteção individual.

Leia também: 10 formas de se prevenir de gripes e resfriados

Relação entre Sars e Covid-19

O Sars-CoV-2 e o Sars-CoV são vírus que podem provocar síndrome respiratória aguda grave.

Os vírus Sars-CoV e Sars-CoV-2 são da família dos coronavírus e são responsáveis por provocar síndrome respiratória aguda grave.

Enquanto o Sars-CoV provoca a Sars, o Sars-CoV-2 (coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2) desencadeia a Covid-19.

O Sars-CoV-2 apresenta menor taxa de mortalidade que o Sars-CoV, entretanto, uma diferença marcante entre eles é o fato de o primeiro ser mais transmissível.

Saiba mais: Dicas para se prevenir da H1N1 (gripe A)

Infecções respiratórias que podem se tornar uma síndrome respiratória aguda grave

Algumas infecções respiratórias podem se agravar e se tornar uma síndrome respiratória aguda grave, sendo esse o caso de infecções pelo H1N1 e Sars-CoV-2.

De acordo com o Ministério da Saúde, é considerado como síndrome respiratória aguda grave o “indivíduo com síndrome gripal que apresente: dispneia/desconforto respiratório ou pressão persistente no tórax ou saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada dos lábios ou rosto”.

Por síndrome gripal, o Ministério da Saúde entende que a possui o indivíduo com “quadro respiratório agudo, caracterizado por, pelo menos, dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos”.

Após o início da pandemia de Covid-19 em 2020, os casos de síndrome respiratória aguda aumentaram de maneira abrupta.

Vale salientar, no entanto, que nem todos os casos da síndrome são explicados pela infecção por Sars-CoV-2, pois, como mencionado, outras infecções respiratórias podem desencadear o problema.

O aumento do número de casos sem explicação, no entanto, pode indicar subnotificação de vítimas fatais em decorrência da Covid-19.

Por Vanessa Sardinha dos Santos
Professora de Biologia

Источник: https://brasilescola.uol.com.br/doencas/sindrome-respiratoria-aguda-grave-sars.htm

Como é feito o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave?

Síndrome respiratória aguda grave (SARS): o que é, sintomas e tratamento

Autores*: Mariana Dinamarco Mestriner, Letícia de Melo Elias, Gabriella Yuka Shiomatsu, Vitor Yukio Ninomiya, Ricardo Tadeu de Carvalho.

Você sabia que o novo coronavírus é chamado de SARS-CoV-2 pela ciência? O próprio nome nos alerta para a sua complicação mais grave, a Síndrome Respiratória Aguda Grave. É principalmente ela que causa os óbitos e as internações por covid-19.

A sigla SARS, que vem do inglês, significa “Síndrome Respiratória Aguda Grave”. Já a sigla “CoV” faz referência a coronavírus, a família do vírus. O número 2 indica que ele é muito semelhante a outro, o SARS-CoV.

Em outras palavras, o vírus causador da covid-19 é denominado “coronavírus 2 causador da síndrome respiratória aguda grave”.

Apesar de a maioria dos pacientes se recuperar completamente com cuidados domiciliares, aproximadamente 14% desenvolvem a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição grave responsável pela maior parte dos óbitos pela covid-19. Afinal, como é feito o tratamento da SRAG? Tire suas dúvidas aqui!

O que é Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)?

Para que uma pessoa seja considerada um caso suspeito de infecção pelo novo coronavírus, ela deve apresentar Síndrome Gripal (SG). De acordo com a Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais, a SG é caracterizada por:  

Síndrome Gripal (SG): pelo menos dois dos seguintes sinais e sintomas:

  • febre (temperatura maior que 37,8ºC) ou sensação febril;
  • calafrios;
  • dor de garganta;
  • tosse;
  • nariz escorrendo (coriza);
  • alterações no olfato ou no paladar.

Em crianças também pode ser considerada a obstrução nasal. Em idosos, pode haver confusão mental, desmaios, sonolência, irritabilidade e falta de apetite. 

Existem alguns sintomas que indicam que um paciente pode estar apresentando a forma mais grave da doença e que, portanto, deve ser internado para tratamento hospitalar. Esses pacientes desenvolvem a SRAG, que é caracterizada pelos sintomas da SG associados a pelo menos um dos seguintes sintomas:

  • falta de ar ou desconforto para respirar;
  • sensação de pressão no peito;
  • saturação de oxigênio abaixo de 95%;
  • coloração azulada de lábios ou rosto (cianose).

Isso mostra que a falta de ar não é a única forma de identificar a SRAG, além de não estar presente em todos os casos.

Por esse motivo, diante da suspeita de covid-19, deve-se procurar atendimento médico para melhor avaliação e acompanhamento.

  Além disso, crianças, idosos e população de risco devem ser avaliados com ainda mais cautela, já que podem manifestar a forma grave da doença de maneiras diferentes da citada. 

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É importante lembrar que, apesar do nome, o novo coronavírus não é o único capaz de causar SRAG.

Outras infecções respiratórias, como as pneumonias bacterianas e a gripe causada pelo vírus Influenza, também podem se apresentar com os mesmos sintomas.

Por isso, diante dos sinais de gravidade, o médico analisará todos os sinais, sintomas e exames para ver qual é o diagnóstico mais provável para cada caso.

No entanto, vale lembrar que muitas vezes não será possível aguardar o resultado de um exame de identificação do microrganismo causador da SRAG para iniciar o tratamento.

Nesses casos, o profissional da saúde precisará tomar atitudes ágeis para salvar a vida do paciente.

Porém, no contexto em que a covid-19 é a principal causa de SRAG, o médico notificará o Governo e comunicará a família sobre a suspeita de SRAG por covid-19. Havendo a positividade dos exames, confirma-se o caso.

Como é feito o tratamento da SRAG?

A SRAG é uma condição grave, que pode evoluir rapidamente para complicações respiratórias e para óbito. Por esse motivo, os pacientes com esse diagnóstico devem ser internados para tratamento dentro de um hospital, na enfermaria ou nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A escolha do local depende da gravidade do quadro.

O tratamento da SRAG causada pelo coronavírus, assim como o das formas leves da covid-19, está em estudo e pode variar entre países e entre hospitais. Geralmente, os pacientes necessitam de ajuda para facilitar a chegada de mais oxigênio aos pulmões.

Para isso, um oxigênio extra é fornecido pelo nariz — por meio de tubos finos (cânulas nasais) — ou diretamente na traqueia, órgão que leva o ar do ambiente ao pulmão, por meio da intubação.

Outras medidas incluem hidratação com líquidos, como o soro fisiológico, que podem ser ingeridos ou administrados diretamente pela veia do paciente, junto ao uso de medicamentos para dor e febre.

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Por se tratar de uma condição grave, os pacientes com SRAG devem ser internados e acompanhados de perto por profissionais da saúde.

Dado o risco de instabilidade clínica dessa condição, torna-se fundamental a checagem dos principais sinais vitais, como a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a concentração de oxigênio no sangue.

Adicionalmente, podem ser realizados alguns exames complementares como os exames laboratoriais, eletrocardiograma e exames de imagem (principalmente a tomografia computadorizada da região do tórax), dependendo da condição de cada paciente.

Quando é necessária internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)?

As UTIs são setores do hospital capazes de oferecer o chamado Suporte Avançado de Vida (SAV) para pacientes graves. Entre os pacientes internados com SRAG, uma parcela necessita desses cuidados intensivos, que só podem ser oferecidos nas UTIs. Assim, algumas das principais indicações são:

  • intubação: dificuldade respiratória que exige instrumentação hospitalar específica;
  • choque: falência na circulação, reduzindo o suprimento adequado de oxigênio ao organismo;
  • rebaixamento do nível de consciência: alteração do nível de responsividade do paciente aos estímulos externos;
  • aumento considerável na frequência respiratória;

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Felizmente, a maioria dos casos de covid-19 é leve e apresenta um tempo limitado quanto a apresentação dos sintomas e tende a se resolver pela ação do próprio organismo, com recuperação completa e sem necessidade de internação.

Entretanto, a doença pode evoluir para formas mais graves, como a SRAG, mesmo que o paciente não apresente fatores de risco. Por isso, precisamos estar sempre atentos aos sinais de gravidade e procurar atendimento médico sempre que houver suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Assim, o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave poderá ser iniciado o mais rápido possível.

*As diretrizes para diagnóstico e tratamento da COVID-19 do Ministério da Saúde se encontravam fora do ar no dia 26 de junho de 2020, quando este texto foi escrito. Lembramos, também, que estes protocolos estão em constante aprimoramento e podem ser alterados com frequência.

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*Este post foi escrito pelos alunos da Faculdade de Medicina da UFMG pela parceria da SES-MG com o projeto Adote sua Vizinhança em Tempos de covid-19.

Este texto foi redigido conforme as evidências disponíveis até 23/07/2020.

Источник: https://coronavirus.saude.mg.gov.br/blog/77-tratamento-da-srag

Covid-19: O que se sabe e não se sabe sobre a pandemia

Síndrome respiratória aguda grave (SARS): o que é, sintomas e tratamento

A doença respiratória covid-19, causada por um novo coronavírus, detetado em dezembro na China, disseminou-se pelo mundo, tornando-se numa pandemia, e foi diagnosticada em Portugal em 02 de março.

Eis o que se sabe (e não se sabe) sobre a covid-19, com base em informação divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, Direção-Geral da Saúde (DGS), especialistas e estudos científicos:

O QUE É A COVID-19?

É a doença respiratória provocada pelo SARS-CoV-2, um coronavírus que nunca tinha sido identificado em humanos.

Covid-19 significa doença causada por um coronavírus descoberto em 2019, o coronavírus-2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV-2).

A nova doença infecciosa apresenta sintomas semelhantes à gripe sazonal e a duas outras doenças respiratórias provocadas por coronavírus: a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV), que apareceu pela primeira vez na China em 2002, e a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV), detetada em 2012 na Arábia Saudita.

O QUE É UM CORONAVÍRUS?

É uma família de vírus (com a forma de uma coroa) que circulam entre os animais, como morcegos, camelos e aves, sendo que alguns infetam pessoas.

Até à data, segundo a DGS, são conhecidos oito coronavírus que infetam e podem provocar doença nos humanos.

Normalmente, estes vírus afetam o sistema respiratório, podendo a infeção ser semelhante a uma constipação ou evoluir para uma doença grave como a pneumonia.

Os morcegos são considerados os reservatórios naturais destes vírus, transmitidos habitualmente aos humanos através de outro animal.

O coronavírus que causou a MERS foi transmitido por camelos às pessoas, enquanto o coronavírus que provocou a SARS passou de gatos-de-algália (civetas) para os humanos.

No caso do coronavírus da covid-19, não é claro ainda qual o animal que serviu de hospedeiro ao vírus e o transmitiu às pessoas.

Vírus muito semelhantes foram identificados em morcegos e pangolins, mas não é seguro, ainda, qual o envolvimento destes animais no aparecimento do SARS-CoV-2 nos humanos.

QUANDO É QUE FOI DETETADO O NOVO CORONAVÍRUS?

Em dezembro de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, tendo-se espalhado rapidamente ao resto do mundo.

Os primeiros casos de covid-19 foram associados a um mercado de venda de animais vivos, que foi encerrado em 01 de janeiro de 2020.

Em 11 de janeiro, cientistas chineses divulgaram a sequenciação genética do SARS-CoV-2, uma informação importante para o avanço do estudo do novo coronavírus e da nova doença infecciosa.

O QUE É UMA PANDEMIA?

É uma doença infecciosa que se propagou pelo mundo.

A OMS declarou a covid-19 uma pandemia em 11 de março de 2020.

Além de ser uma pandemia, a covid-19 é, desde 30 de janeiro, uma emergência de saúde pública internacional.

COMO SE TRANSMITE A INFEÇÃO?

Transmite-se entre pessoas, possivelmente através de gotículas que são expelidas do nariz ou da boca quando uma pessoa infetada tosse, espirra ou fala.

As gotículas podem ser inaladas, mas também cair em superfícies, como mesas, maçanetas de portas e corrimões.

As pessoas podem ficar infetadas ao tocarem com as mãos nestas superfícies e depois no nariz, na boca ou nos olhos.

O SARS-CoV-2 pode sobreviver em diferentes materiais algumas horas, como cobre e cartão, ou poucos dias, como plástico e aço inoxidável. Contudo, a quantidade de vírus viável para causar infeção vai diminuindo com o passar do tempo.

A transmissão do vírus pode ocorrer cerca de dois dias antes de uma pessoa infetada manifestar sintomas.

Contudo, a pessoa é mais infecciosa no período em que apresenta sintomas, mesmo que ligeiros.

QUAL O PERÍODO DE INCUBAÇÃO DO CORONAVÍRUS?

Estima-se que o período de incubação, entre a exposição ao vírus e o aparecimento de sintomas, ronde 1 a 14 dias.

QUAL O PERÍODO DE INFEÇÃO?

Estima-se que dure, em média, entre 7 e 12 dias em casos moderados e até duas semanas nos casos graves.

COMO SE MANIFESTA A COVID-19?

Na maioria dos casos, a infeção apresenta sintomas ligeiros a moderados ou é assintomática (sem sintomas).

Os sintomas mais comuns são tosse, febre e dificuldade em respirar.

Menos frequentes são a fadiga, dores musculares, de cabeça e garganta, congestão nasal, conjuntivite, diarreia, perda de olfato e paladar e irritação cutânea.

A covid-19 pode surgir como uma simples constipação ou evoluir, de forma mais grave, para uma pneumonia com insuficiência respiratória aguda, falência dos rins ou de outros órgãos e levar à morte.

O agravamento da situação clínica pode acontecer rapidamente, em regra durante a segunda semana da doença.

Grande parte das pessoas recupera, no entanto, sem necessitar de cuidados hospitalares e, aparentemente, sem ficar com sequelas.

Sendo uma infeção assintomática, isto é, uma pessoa pode infetar-se e infetar outras pessoas sem o saber, o controlo da propagação da covid-19 é mais difícil quando comparado com as infeções respiratórias semelhantes MERS (2012 e 2015) e SARS (2002 e 2003).

COMO SE DIAGNOSTICA A COVID-19?

Através de uma análise às secreções do nariz e da garganta que confirmará ou não a presença de material genético do vírus.

QUEM FICA INFETADO?

O vírus infeta desde crianças a idosos, mas não de igual modo.

Nas crianças, a covid-19 é, em geral, menos severa. Os especialistas admitem como possíveis explicações o facto de terem uma imunidade inata mais forte e menos recetores para o vírus entrar nas células do sistema respiratório.

Em contrapartida, as pessoas com mais de 70 anos e ou com doenças crónicas, como doenças cardiovasculares, renais, respiratórias, diabetes e cancro, apresentam maior risco de desenvolver manifestações mais graves da doença, que podem conduzir à morte, por terem as defesas do organismo mais debilitadas.

Não há evidência de que as mães transmitam o novo coronavírus aos filhos na gravidez, no parto ou na amamentação.

QUEM FOI INFETADO FICA PROTEGIDO CONTRA UMA NOVA INFEÇÃO?

À partida uma pessoa que é infetada por um vírus e recupera fica imune a uma nova infeção causada por esse mesmo vírus, uma vez que ganhou anticorpos contra o vírus.

Sendo a infeção provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2 recente, não se sabe ainda quais os níveis de anticorpos adquiridos e se são efetivamente protetores, se neutralizam o vírus.

Além disso, uma vez adquirida essa imunidade, não se sabe se é duradoura ou não.

A imunidade a outros coronavírus não é duradoura, ronda entre ano e meio e três anos, de acordo com virologistas.

Os testes serológicos, que na prática consistem na recolha de uma amostra de sangue, são importantes para aferir o grau de imunidade a uma doença, ao permitirem detetar, no soro sanguíneo, os níveis de anticorpos específicos para um vírus como o SARS-CoV-2.

EXISTE TRATAMENTO PARA A COVID-19?

Não existe tratamento, apenas medicação dirigida para sintomas, sinais e infeções secundárias desencadeadas pela própria doença.

Equipas de cientistas e laboratórios farmacêuticos estão a testar vários medicamentos para a covid-19.

Enquanto não surge um fármaco direcionado para a doença, usam-se experimentalmente medicamentos que foram concebidos para combater outras patologias.

O uso hospitalar de medicamentos para a malária, provocada por um parasita, e para a doença do vírus Ébola foi autorizado para tratar os doentes com covid-19 mais graves, mas a sua eficácia e segurança têm sido questionadas em diversos estudos.

Recentemente, a revista médica britânica The Lancet divulgou um estudo que concluiu que os antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina, que se revelaram promissores para o novo coronavírus em testes laboratoriais, podem aumentar o risco de morte de doentes com covid-19.

Na sequência do estudo, França, Itália e Bélgica interromperam o uso de hidroxicloroquina em doentes com covid-19 por razões de segurança.

Portugal aconselhou a suspensão do tratamento de doentes com covid-19 com este medicamento, que está aprovado também para doenças autoimunes, como a artrite reumatoide.

Por sua vez, a OMS suspendeu os ensaios clínicos em curso até nova avaliação em junho.

Estudos contraditórios referem, por um lado, que o antiviral Remdesivir, desenvolvido originalmente para combater infeções causadas pelo vírus Ébola e pelo coronavírus da MERS, tem ajudado na recuperação de alguns doentes com covid-19 hospitalizados e, por outro, que a sua eficácia não está suficientemente comprovada.

O tratamento, igualmente experimental, com soro sanguíneo de doentes recuperados tem sido aplicado a outros pacientes, em situações muito específicas e graves, e não é isento de riscos, como a intolerância.

Antibióticos são administrados para combater infeções oportunistas causadas por bactérias.

E VACINA, HÁ?

Não existe vacina para a covid-19, nem para outras doenças humanas provocadas por coronavírus.

Das 125 vacinas candidatas para a covid-19, à data de 27 de maio, 10 estavam a ser testadas em pessoas, ainda em fases iniciais, segundo a OMS.

Não se sabe, por isso, quão seguras e eficazes são para prevenir a doença e qual o grau de proteção que conferem, se duradouro ou não.

A primeira vacina candidata começou a ser testada em humanos, com uma rapidez considerada sem precedentes, em 16 de março, nos Estados Unidos.

Outras se seguiram, e com a promessa de estarem prontas em prazos cada vez mais curtos: ano e meio, início do próximo ano e segundo semestre deste ano.

O desenvolvimento de uma vacina – que induz a produção de anticorpos específicos contra um agente infeccioso, neste caso o SARS-CoV-2 – demora tempo porque tem de passar por sucessivos testes de segurança e eficácia.

Depois de descoberta, uma vacina terá ainda de ser produzida, distribuída e administrada em larga escala, como é o caso para a covid-19, o que dilata mais os prazos.

Em média, uma vacina demora 10 anos a ser produzida.

Na pior das hipóteses, pode-se não conseguir uma vacina segura e eficaz para a covid-19.

Ou então, a conseguir-se, poderá não ser dada a toda a gente, priorizando-se as pessoas em maior risco.

NÃO HAVENDO VACINA, COMO SE EVITA A INFEÇÃO?

A melhor forma de uma pessoa evitar ser infetada ou infetar outras pessoas é manter a distância física, entre um e dois metros, lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou solução alcoolizada, desinfetar objetos e superfícies, tossir e espirrar para o antebraço ou um lenço descartável e usar máscara em espaços públicos fechados, embora a sua utilização, de forma generalizada, não seja consensual.

VAI HAVER SEGUNDA VAGA PANDÉMICA DE COVID-19?

É uma incógnita, apesar de a Organização Mundial da Saúde considerar cada vez mais improvável essa possibilidade a partir dos modelos de previsão com que trabalha.

Источник: https://expresso.pt/coronavirus/2020-05-31-Covid-19-O-que-se-sabe-e-nao-se-sabe-sobre-a-pandemia

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