Tipos de diarreia (infecciosa, com sangue, amarela e verde) e o que fazer

Diarreia: alimento infectado é principal causa; veja como evitar e tratar

Tipos de diarreia (infecciosa, com sangue, amarela e verde) e o que fazer

Quase todo mundo já passou pela situação e sabe o quanto é desagradável: a vontade é incontrolável e não dá coragem de ficar longe de um banheiro.

Embora existam inúmeras doenças ou situações capazes de provocar diarreia, a maior parte dos quadros agudos tem origem infecciosa, ou seja, é uma reação do organismo contra bactérias, vírus, parasitas, toxinas. Os agentes podem ser transmitidos por bebida ou comida contaminada, ou ainda de pessoa para pessoa, por hábitos inadequados de higiene.

Sintomas

Para ser definido como diarreia, o quadro deve incluir:

  • Fezes amolecidas ou líquidas;
  • Necessidade de evacuar mais de três vezes ao dia.

Também podem estar presentes:

  • Dor abdominal em cólica;
  • Suor frio;
  • Febre;
  • Náuseas e vômitos;
  • Sensação de peso no abdômen;
  • Sensação de esvaziamento incompleto do intestino;
  • Presença de sangue e/ou pus nas fezes.

O problema pode ser:

  • Agudo: durar apenas de um a 14 dias;
  • Crônico: quando dura quatro semanas ou mais.

Complicações

O grande temor relacionado à diarreia aguda é a desidratação (perda de água no organismo), além da perda de eletrólitos no sangue (como sódio e potássio) ou até perda de sangue. Todas essas complicações podem levar à morte se não tratadas a tempo.

Já as diarreias crônicas podem afetar a absorção de nutrientes, gerando desnutrição, emagrecimento e queda da função imunológica.

Ocorrências

As chamadas doenças diarreicas, associadas a infecções, são a nona principal causa de morte no mundo todo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) referentes a 2016, ano em que essas enfermidades causaram 1,4 milhão de mortes.

A maior preocupação é com as crianças —após a pneumonia, essa é a segunda principal causa de mortalidade infantil.

Como o tema faz parte das chamadas Metas do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU), as estatísticas mais confiáveis para diarreia são para essa população.

Cerca de 1,7 bilhão de crianças têm o quadro a cada ano, e 525 mil indivíduos menores de 5 anos morrem por causa dela.

O Brasil registrou a morte de 2.738 crianças por diarreia em 2000. Em 2015, foram 1.564 e, em 2016, 1.593.

O número de mortes por diarreia vinha apresentando queda ao longo da última década, mas voltou a crescer associada à pneumonia, gripe e, principalmente, à desnutrição.

A água contaminada é o maior fator de risco e o problema se concentra onde não existe água encanada e saneamento básico.

Causas

Veja as causas mais comuns de diarreia:

– Bactérias: os microrganismos podem se multiplicar nos alimentos ou na água e causar infecções quando ingeridos. Os mais frequentes são por Salmonella spp, Shiguella spp e Escherichia coli.

Toxinas: substâncias naturais produzidas por bactérias como S.aureus, Clostridium spp, B.cereus, Vibrio spp (vibrião da cólera), entre outras.

– Vírus: como o da hepatite A, rotavírus e norovírus.

Parasitas: como Cryptosporidium enteritis, Entamoeba histolytica (amebíase) e Giardia lamblia (giardíase).

– Outros agentes: fungos, substâncias químicas, metais pesados e agrotóxicos também podem causar diarreia.

Medicamentos: remédios como antibióticos, laxantes, antiácidos, drogas contra o câncer, orlistat (remédio para emagrecer) podem interferir no funcionamento do intestino.

– Síndrome do intestino irritável (SII): uma alteração exclusivamente da motilidade do trato gastrointestinal por causas que ainda não são totalmente conhecidas.

– Intolerância alimentar: a intolerância à lactose (açúcar do leite) acomete grande parte da população, chegando a 70% em algumas regiões do Brasil. Flatulência e dor abdominal costumam acompanhar o quadro. Certos tipos de açúcar, como frutose, sorbitol, manitol ou xilitol, também podem causar diarreia em algumas pessoas.

– Alergia alimentar: a alergia ao leite de vaca ocorre em lactentes, quando começam a ingerir fórmula, ou, mais raramente, pelo próprio leite materno, quando a mãe ingere leite de vaca.

A alergia é um processo imunológico relacionado à proteína do leite e as consequências podem ser anemia, baixo ganho de peso, quadros pulmonares e de pele. A diarreia pode ser aquosa ou sanguinolenta.

Soja, certos cereais, ovos ou frutos do mar também podem causar alergia e provocar diarreia em algumas pessoas.

– Doenças inflamatórias intestinais: são doenças autoimunes crônicas (como doença de Crohn e retocolite ulcerativa) que necessitam de tratamento específico e acompanhamento com especialista. Apresentam-se com quadro de diarreia crônica, sanguinolenta, dor abdominal, eventualmente febre e perda de peso.

– Doença celíaca: é uma doença geneticamente determinada e mediada por um processo imunológico, mas não é uma alergia. Pacientes com a doença têm uma lesão na mucosa do intestino delgado, desencadeada pela ingestão de glúten (proteína presente no trigo, cevada e centeio). Essa lesão leva à má absorção dos nutrientes com consequente diarreia e desnutrição.

– Cirurgias do trato gastrointestinal: procedimentos cirúrgicos como a retirada de apêndice ou vesícula.

– Ansiedade: pessoas que sofrem desse transtorno mental ou passam por uma situação de estresse agudo podem ter uma liberação tão forte de adrenalina que afeta a motilidade do trato gastrointestinal.

– Cafeína ou álcool em excesso: quem exagera no café ou na bebida alcoólica pode ter o problema.

Quando ir ao pronto-socorro?

Os sinais de alerta que determinam avaliação médica são:

  • Febre alta, normalmente maior que 38,5 ºC;
  • Diarreia severa que não melhora após 24h;
  • Desidratação*;
  • Presença de vômitos que impedem a hidratação;
  • Diarreia com sangue;
  • Diarreia por mais de duas semanas;
  • Diarreia em crianças menores de 1 ano, pacientes idosos e/ou imunossuprimidos;
  • Crianças que recusam hidratação ou alimentação durante o quadro de diarreia;

*Sinais de desidratação: olhos fundos, boca seca, muita sede, diminuição da diurese e em bebês afundamento da fontanela (moleira).

Atenção: crianças e idosos devem ser levados ao pronto-socorro antes (se os sintomas não melhorarem em 24 horas ou conforme orientação do profissional de saúde), pois podem se desidratar com maior facilidade. Além disso, também é importante reportar a ocorrência de mais casos na família ou conhecidos, pois pode se tratar de um surto, onde outras medidas de controle podem ser realizadas e evitar novos casos.

Quem tem diarreias brandas com frequência deve procurar o médico?

A maior parte das doenças que causam diarreia e que necessitam de atenção e cuidados com tratamentos específicos são quadros graves, acompanhados de perda de peso, anemia, comprometimento da capacidade de trabalho ou estudo e da vida pessoal do indivíduo. Alguns sinais alertam para necessidade de investigação da diarreia, nesse caso:

  • Duração superior a 30 dias, presença de febre;
  • Perda de peso;
  • Presença de sangue nas fezes.

Porém, mesmo não sendo um quadro grave, algumas patologias quando diagnosticadas e com as orientações adequadas ao paciente possuem melhora significativa da qualidade de vida, como por exemplo, a intolerância à lactose.

Diagnóstico

Em muitos casos de diarreia aguda não é necessário nenhum exame, apenas o relato do paciente, pois a maioria dos quadros é viral e autolimitada (ou seja, passa sozinha de três a sete dias, em média).

Já quando o quadro é grave ou de longa duração, o diagnóstico do agente causador da diarreia é feito por testes laboratoriais, que pode incluir exames de fezes, de sangue, cultura de bactérias ou pesquisa de vírus.

Também pode ser necessária a coleta de urina ou líquor, de acordo com a suspeita, ou análises de amostras de alimentos ou água, em casos de suspeita de contaminação. Os exames são importantes no caso de surtos, para orientar medidas de controle.

Nos casos de diarreia crônica, outros tipos de exames também podem ser solicitados, como teste de tolerância à lactose, exames para detectar alergias, anemia, presença de sangue oculto nas fezes ou anticorpos no sangue, endoscopia ou colonoscopia (em alguns casos com biópsia), tomografia computadorizada do abdômen ou ressonância magnética, entre outras.

Tratamento

A maioria dos quadros de diarreia aguda infecciosa não requer tratamento medicamentoso específico, por se tratar quase sempre de vírus, apenas cuidados com hidratação —ingestão de muito líquido, como água potável e sucos naturais.

Para evitar a desidratação, o profissional de saúde deve receitar o uso de Soluções de Reidratação Oral ou soro caseiro* após as evacuações. Eles estão disponíveis em qualquer farmácia ou posto de saúde.

Para os casos mais graves, o paciente deve ficar no hospital ou até ser internado para receber soro por via endovenosa (pela veia), além de outros cuidados. Nos casos de suspeita de bactérias ou parasitas (que, em geral, envolvem febre e sangue nas fezes), são indicadas drogas específicas (antibióticos ou antiparasitários).

Analgésicos também podem ser prescritos em casos de dor e febre, bem como probióticos que ajudam a recompor a flora intestinal.

Já para as doenças não infecciosas, o tratamento depende do diagnóstico e costuma ser de longo prazo. Doenças inflamatórias intestinais envolvem terapias individualizadas, com medicamentos que atuam no sistema imunológico.

Nos casos de intolerância à lactose recomenda-se a exclusão desse tipo de açúcar da dieta ou o uso de enzimas por via oral ao ingerir o alimento. Nas alergias alimentares é preciso eliminar o causador da reação, bem como nos casos de doença celíaca, a intolerância grave e permanente ao glúten (presente no trigo e na cevada).

Também podem ser indicados suplementos alimentares para corrigir eventuais deficiências nutricionais decorrentes do quadro.

*Como preparar o soro caseiro

Em um litro de água mineral, filtrada ou bem fervida (mas já fria), misture uma colher pequena (tipo cafezinho) de sal e uma colher grande (tipo sopa) de açúcar. Mexa bem e ofereça o dia inteiro em pequenas colheradas.

Como ajudar quem está com diarreia?

É importante ficar atento aos sinais de alerta para levar a pessoa com diarreia ao pronto-socorro, se necessário, e oferecer água, sucos e, eventualmente, soro ou soluções de reidratação.

Apesar de alguns profissionais sugerirem que se evite refeições gordurosas ou condimentadas durante a diarreia, a recomendação oficial é que a dieta habitual seja mantida (bem como a amamentação, no caso dos lactentes).

Não ofereça antidiarreicos ou remédios para enjoo sem orientação médica.

Prevenção

Infelizmente não há vacinas para a maioria dos agentes causadores de doença diarreica, exceto para determinados tipos de rotavírus e contra a hepatite A —ambas fazem parte do calendário oficial do Ministério da Saúde. Portanto, a principal forma de se evitar uma infecção intestinal é adotar todos os cuidados possíveis no preparo dos alimentos e beber apenas água potável, tratada ou fervida. Confira algumas dicas:

Verduras cruas e frutas devem sempre ser higienizadas e desinfetadas antes do consumo;

Lave bem as mãos com água e sabão após usar o banheiro, antes das refeições, ao trocar fraldas, cuidar do animal de estimação e antes de preparar a comida. Quem trabalha em refeitórios ou restaurantes deve utilizar luvas ao manipular os alimentos;

Lave bem as superfícies da pia e os utensílios;

Não deixe os alimentos preparados muito tempo fora da geladeira, em temperatura ambiente —duas horas depois já é possível que bactérias e toxinas se multipliquem;

Evite consumir produtos de origem animal (como carnes bovina e suína, aves, ovos, peixes e frutos do mar) crus ou mal cozidos se não tiver certeza de como foram conservados; também evite leite e derivados que não sejam pasteurizados;

– A implantação de sistemas públicos de água tratada e de esgoto reduziu drasticamente os casos de diarreia, mas águas de bica, fontes e mesmo algumas águas engarrafadas produzidas sem os devidos cuidados ou clandestinas são responsáveis por grande parte dos surtos veiculados por água.

Fontes:Alexandre Naime Barbosa, infectologista, professor da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia); Márcia Wehba, assessora médica em gastroenterologia do Fleury Medicina e Saúde; Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo; OMS (Organização Mundial da Saúde); National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos).

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Источник: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/02/05/diarreia-alimento-infectado-e-principal-causa-veja-como-evitar-e-tratar.htm

Diarreia Aguda

Tipos de diarreia (infecciosa, com sangue, amarela e verde) e o que fazer

Diarreia aguda é definida por aumento do número de evacuações ou diminuição da consistência de fezes, sendo necessário um mínimo de três evacuações diárias, algumas definições de diarreia utilizam o peso das fezes considerando o volume fecal maior que 200-250 gramas ao dia como compatível com quadro de diarreia, essa definição, entretanto, do ponto de vista prático, é difícil, por esse motivo a escolha pela definição clínica. Do ponto de vista prático, os pacientes com queixa quase que invariavelmente referem alteração da consistência das fezes, não mostrando muita atenção àqueixa quando ocorre o aumento de evacuações isoladamente.

A duração do quadro deve ser menor do que duas semanas, pacientes com diarreia por períodos maiores que esse apresentam a chamada diarreia persistente, já períodos maiores que 4-8 semanas definem diarreia crônica.

Em 90% dos casos a Diarreia aguda apresenta uma causa infecciosa e a ingestão de água e alimentos contaminados com microorganismos patogênicos é a principal fonte de transmissão da doença, no caso de Diarreia aguda não-infecciosa é notável a ausência de sintomas constitucionais, os quadros,  em mais de 80% dos casos, são autolimitados, porém as diarreias agudas infecciosas ainda representam uma das cinco principais causas de mortalidade mundial principalmente considerando os casos que ocorrem em países de poucos recursos.

Etiologia

São causas frequentes de Diarreia aguda as seguintes:

Causas não-infecciosas

-Medicações ou uso de outras substâncias osmóticas;

-Substâncias contendo magnésio;

-Síndrome de má-absorção;

-Medicações que causam diarreia por outros meios (principalmente antibióticos como clavulonato).

Vírus

-Calicivirus, entre eles os Norovírus (antes denominado de Norwalk);

-Rotavírus.

Bactérias

-Vibrio cholera;

-Escherichia coli;

-Shigella;

-Salmonella;

-Campylobacter;

-Yersinia enterocolitica.

Toxinas

-Estafilococos;

-Clostridium;

-Bacillus cereus;

-E.coli.

Em geral, o quadro se inicia por conta da secreção intestinal aumentada secundária a uma toxina bacteriana, nesses casos a diarreia costuma ocorrer precocemente em relação à ingestão de toxinas, podendo ocorrer com poucos minutos da mesma.

Assim o tempo de aparecimento da Diarreia aguda pode sugerir o diagnóstico, instalação abrupta sugerindo, por exemplo, a possibilidade de toxinas bacterianas, podendo ocorrer em minutos até seis horas, como as toxinas pré-formadas do S.aureus e Bacillus cereus.

O Norovírus pode apresentar quadro superagudo de vômitos com diarreia aparecendo horas depois, o que ajuda a diferenciar das diarreias mediadas por toxinas.

As diarreias que ocorrem entre 8 a 16 horas da ingestão sugerem quadros virais ou por Clostridium perfringens e os quadros que aparecem em tempo maior sugerem infecções virais e principalmente bacterianas.

Uma evolução com sintomas sistêmicos, incluindo rigidez de nuca, sugere, por exemplo, listeriose, lembrando que gestantes que fizeram consumo de leite pasteurizado apresentam possibilidade 20 vezes maior de desenvolver infecção por listeria.

As diarreias podem ainda ser divididas conforme local anatomicamente provável em:

Alta: proveniente do intestino delgado, os episódios diarreicos são mais volumosos. Causa síndrome disabsortiva associada com esteatorreia.

Baixa: evacuações em pouca quantidade, frequentes, associadas a tenesmo e urgência fecal.

A mais importante causa de gastrienterite infecciosa são os norovírus, anteriormente denominados de vírus norwalk, que cursam com quadro inicialmente proeminente de náuseas e vômitos.

As infecções por esse agente são mais frequentes no inverno, com transmissão via alimentar e pessoa-pessoa e taxa de ataque alta acima de 50%, usualmente os pacientes apresentam resolução completa dos sintomas em três dias.

Os norovírus usualmente acometem crianças com mais de quatro anos de idade e adultos jovens.

O rotavírus são outra causa de diarreia por vírus, pode causar quadro semelhante, mas por vezes mais proeminente, tipicamente se disseminam em meses de inverno e em crianças de 4 meses a 4 anos de idade, a maioria dos adultos infectados são assintomáticos ou pouco sintomáticos, sintomas dispépticos associados são frequentes.

A presença de febre é mais frequente em diarreias inflamatórias, por bactérias como a Shigella, mas mesmo as diarreias por toxinas podem causar, geralmente nesses casos a febre é baixa acompanhada de quadro inicial de dor abdominal em cólica e vômitos com evolução rápida para diarreia, com recuperação usual em 12 a 48 horas, uma fonte usual dessa toxina é a dieta rica em proteínas como churrascos e em maionese, ovos e saladas.

A diarreia inflamatória caracteriza-se por evacuações frequentes, mas usualmente de pouco volume, com presença de muco, sangue ou pus, febre nesses casos é comum e pode ser maior que 38,5 graus, dor abdominal também é frequente e principalmente tenesmo.

No caso das diarreias inflamatórias, o uso de antibióticoterapia deve ser considerado, mas algumas causas de diarreia com sangue podem piorar sua evolução com antibiótico, o exemplo clássico é a Escherichia coli entero-hemorrágica, que cursa com diarreia sanguinolenta, mas usualmente sem febre e principalmente sem tenesmo (dor à evacuação), também cursa com ausência de leucócitos fecais, quando nesses pacientes se faz uso de antibióticos ou agentes que diminuem a motilidade como a loperamida, que aumenta a chance de complicações como a púrpura trombocitopênica trombótica e síndrome hemolítico-urêmica.

A salmonellose, que é uma das causas possíveis de diarreia inflamatória infecciosa, tem curso subagudo, com febre por 1-2 dias e curso com diarreia por 5-7 dias, na maioria dos casos os pacientes apresentam gastroenterite simples, mas podem evoluir ainda com diarreia inflamatória, a febre pode em casos eventuais ser alta, pode ser transmitida por quase todos alimentos além de transmissão interpessoal. Os pacientes com prótese valvar ou riscos de bacteremia podem se beneficiar do uso de antibióticos.

A shigelose, causada por Shigella, por sua vez, tem um período de incubaçãoo de um a dois dias, cursa inicialmente com dor abdominal em cólica seguida de febre e diarreia, que nas formas leves pode não ser sanguinolenta, mas nas formas piores costuma ser associada a febre alta, tenesmo e diarreia frequente, com presença de sangue oculto nas fezes em virtualmente 100% dos casos.

O campylobacter, por sua vez, costuma ocorrer mais em imunodeprimidos, com período de incubação de dois a cinco dias, mas pode cursar com diarreia inflamatória em mais de 60% dos casos.

A escherichia coli entero-toxigênica tem período de um a dois dias, que inicia com quadro relativamente leve com dores abdominais e vômitos, frequente em viajantes, mas nem todos pacientes apresentam quadro de diarreia inflamatória, ao contrário da E.

coli entero-invasiva que traz sintomas inflamatórios frequentemente.

Outra possibilidade diagnóstica é a de diarreia associada ao uso de antibióticos, que pode evoluir ou não com enterocolite, os principais antibióticos associados são  clindamicina, cefalosporinas, amoxacilina/clavulonato, quando não é causada pelo clostridium dificile costuma ser um quadro leve e autolimitado, ocorrendo durante ou imediatamente após o curso de antibioticoterapia, nesses pacientes o uso de probióticos poderia ter algum benefício embora ainda sem evidência para se  fazer uma recomendação formal.

O clostridium dificile constitui na principal causa de colite infecciosa em pacientes hospitalizados, mas apenas 10-20% dos casos de diarreia associada a antibióticos. A transmissão dessa infecção nosocomial ocorre através das mãos de funcionários ou entre os próprios pacientes.

A doença só ocorre após a administração de antibióticos, que levam a redução da flora intestinal normal, possibilitando a proliferação do C. difficile. Estes, passam a produzir toxinas citopáticas que, quando em quantidade suficiente, causam a denominada colite pseudomembranosa.

Em geral ocorre precocemente após o uso de antibióticos, mas é descrita até seis meses após seu uso.

A diarreia pode ser aquosa ou sanguinolenta e costuma vir acompanhada de dores abdominais e febre. Leucócitos e eritrócitos nas fezes são positivos.

Outra causa de diarreia, que merece comentários adicionais é a cólera, que dificilmente ocorre fora de regiões epidêmicas em países subdesenvolvidos, é causada pelo Vibrio cholerae.

A diarreia é causada por uma enterotoxina que ativa a adenilato-ciclase intestinal que aumenta a produção de AMP-cíclico, pode causar uma diarreia explosiva e fatal, que permanece mesmo após parada de ingestão alimentar com perda de volume de 1 litro por hora, podendo evoluir com morte em três horas.

O uso de antibióticos como ciprofloxacina por dois a três dias e hidratação melhora o prognóstico dos pacientes com sobrevida na maioria dos casos.

A giardíase pode apresentar-se como quadro de diarreia infeccioso agudo, mas que em geral aparece com quadro crônico, mas eventualmente pode-se apresentar com quadro agudo ou subagudo.

A quase totalidade dos casos é transmitida por água contaminada, sintomas como perda de peso e dor abdominal são frequentes, mas febre é incomum e a diarreia não costuma ser inflamatória, o diagnóstico pode ser feito por exame protoparasitológico de fezes ou sorologia, e metronidazol 500 mg EV a cada 8 horas por 5-7 dias é o tratamento de escolha.

Exames Complementares

A maioria dos pacientes não tem necessidade de exames complementares. Pacientes com comorbidades, toxemiados, com hipotensão, diarreia inflamatória importante e imunodeprimidos têm indicação da realização de exames complementares que incluem:

-Hemograma completo, eletrólitos e função renal.

Exames de fezes incluem leucócitos fecais, que são frequentemente positivos em pacientes com diarreia inflamatória. A presença de leucócitos fecais sugere como agentes etiológicos como Shigella, Campylobacter e E.coli entero-invasiva.

A coprocultura e eventualmente hemoculturas fazem o diagnóstico etiológico dos quadros diarreicos e são indicadas em imunodeprimidos, pacientes com quadro de hipotensão e e toxemia ou que não responderem a antibióticoterapia empírica.

Em pacientes com uso de antibiótico recente deve ser considerado o diagnóstico de toxina por clostridium dificile. O diagnóstico definitivo é feito pela pesquisa das toxinas A e B do Clostridium nas fezes.

A pesquisa pelo ELISA tem uma sensibilidade de 92% e especificidade de quase 100%, as culturas não devem ser utilizadas para diagnóstico, pois podem detectar clostridium sem toxina funcional.

Outros exames são dependentes de características específicas da apresentação.

Tratamento

O tratamento é principalmente de suporte, com a desidratação representando a causa de 50% das mortes, assim a hidratação é muito importante no manejo desses pacientes. A terapia de reidratação oral é a escolha, sendo eficaz em mais de 90% dos casos, com a hidratação parenteral sendo reservada para casos com hipotensão, taquicardia e desidratação grave.

Em casos com diarreia inflamatória sanguinolenta, com evolução ruim com hipotensão ou portadores de doenças graves, tem indicação de pesquisa de agentes bacterianas e quinolonas como ciprofloxacina 500 mg a cada 12 horas por três a cinco dias ou cefalosporinas de segunda geração como a cefuroxima 500 mg a cada 12 horas são boas opções.

O tratamento dos sintomas como dor abdominal e vômitos deve ser sempre realizado, já o tratamento sintomático da diarreia é controverso.

O uso de antidiarreicos como a loperamida é opcional e estudos demonstraram a segurança em seu uso em pacientes sem diarreia inflamatória não prejudicando a evolução dos pacientes, a loperamida é usada em dose inicial de 4 mg com uso de 2 mg a cada novo episódio de diarreia, com dose máxima diária de 16 mg ao dia (os comprimidos são de 2 mg), efeitos colateriais incluem constipação e piora da dor abdominal. O racecadotril pode ser utilizado, pois como inibidor da encefalinase pode diminuir a quantidade de água em cada evacuação, a medicação é entretanto cara e com benefício sintomático mínimo. O uso de probióticos apesar de disseminado tem benefício questionável e não deve ser rotineiramente utilizado.

Após quadros de Diarreia aguda, pode ocorrer casos transitórios de deficiência lactase, particularmente na população asiática a deficiência parcial ou total da lactase é frequente, mas mesmo na população caucasiana em que sua deficiência é mais rara é descrita em 25% dos adultos, esta pode ser piorada nestes quadros.

Em geral, a deficiência de lactase apresenta-se como sintoma crônico, mas sempre após Diarreia aguda recomenda-se evitar lacticínios com retorno destes após duas semanas.

Referências

Guerrant RL, Van Gilder T, Steiner TS, et al. Practice guidelines for the management of infectious diarrhea. Clin Infect Dis 2001; 32:331.

Musher DM, Musher BL. Contagious acute gastrointestinal infections. N Engl J Med 2004; 351:2417.

Thielman NM, Guerrant RL. Clinical practice. Acute infectious diarrhea. N Engl J Med 2004; 350:38.

Источник: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/6615/diarreia_aguda.htm

Diarreia

Tipos de diarreia (infecciosa, com sangue, amarela e verde) e o que fazer

Quadros de diarreia podem ocorrer em algum momento da vida, mas é importante identificar quando é necessário intervenção médica, principalmente quando se trata de crianças e idosos, que podem desidratar muito depressa.

As principais características da diarreia são o aumento do número de evacuações e a perda de consistência das fezes, que se tornam aguadas. Uma das complicações mais perigosas é a desidratação. Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade, até em menos de 1 dia.

Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da quantidade de urina são sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano — constituído por cerca de 75% de água –, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio e potássio.

Veja também: Listas de alimentos que devem ser consumidos e evitados em casos de diarreia

Causas de diarreia

Embora estejamos acostumados a relacionar diarreia à intoxicação alimentar (logo pensamos no que comemos antes do episódio, tentando identificar alguma comida diferente do habitual), há muitas causas possíveis:

  • Toxinas bacterianas como a do estafilococus;
  • Infecções por bactérias como a Salmonella e a Shighella;
  • Infecções virais;
  • Disfunção da motilidade do tubo digestivo;
  • Parasitas intestinais causadores de amebíase e giardíase;
  • Efeitos colaterais de algumas drogas, por exemplo, antibióticos, altas doses de vitamina C e alguns medicamentos para o coração e câncer;
  • Uso de antibióticos;
  • Abuso de laxantes;
  • Intolerância a derivados do leite pela dificuldade de digerir lactose (açúcar do leite);
  • Intolerância ao sorbitol, adoçante obtido a partir da glicose.

Tipos de diarreia

  • Diarreia comum: Caracteriza-se normalmente por provocar apenas fezes soltas e aguadas e durar no máximo 2 semanas. Ocorre mais em crianças. Pode estar associada a uma combinação de estresse, remédios e alimentos.

    Por exemplo, excesso de gorduras, de cafeína, mudança do tipo de água ingerida ou mesmo ansiedade diante de acontecimentos importantes podem provocar esse tipo de diarreia;

  • Diarreia infecciosa: Comum em crianças, provoca além dos sintomas da diarreia comum, febre, perda de energia e de apetite. É causada por vírus e bactérias.

    Se não for convenientemente tratada, pode demorar até 1 semana para os sintomas desaparecerem;

  • Diarreia crônica: Dura mais de 2 semanas seguidas, mesmo que os casos de evacuações típicas de diarreia sejam pontuais durante esse período. Nesses casos, é necessário investigar a causa.

    As mais frequentes são intolerâncias alimentares (como à lactose ou ao glúten) e a síndrome do intestino irritável.

  • Amebíase: Pode ocasionar desde leve dor de estômago e flatulência até febre, prisão de ventre, debilidade física e fezes aguadas com manchas de sangue.

    É causada por um protozoário que invade o sistema gastrintestinal transportado por água ou comida contaminada.

    Infecção típica dos trópicos, manifesta-se também nos habitantes de regiões de clima temperado;

  • Giardíase: Causada pela giárdia, um protozoário, seus sintomas variam da simples dor estomacal à diarreia persistente ou à presença de fezes pastosas.

    Outros sintomas também podem aparecer: desconforto abdominal, eructação (arroto), dor de cabeça e fadiga. A giárdia espalha-se no aparelho digestivo através da ingestão de água e alimentos contaminados. Também pode ser transmitida por relações sexuais ou por excrementos;

  • Intolerância à lactose: Algumas pessoas não conseguem digerir a lactose, açúcar encontrado no leite e seus derivados, porque não produzem uma enzima chamada lactase. Entre seus sintomas, destacam-se tanto diarreia quanto prisão de ventre, desarranjos estomacais e gases.

O que consumir e o que evitar se estiver com diarreia

  • Não deixe de comer. Em geral, pessoas com diarreia associam comida à disfunção gastrintestinal e suspendem toda a alimentação. Tal medida, além de agravar o quadro de desidratação, suspende o fornecimento dos nutrientes necessários para o organismo reagir.

    Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas.

    Esses alimentos dão mais consistência às fezes e a banana, especialmente, é rica em potássio;

  • Suspenda a ingestão de alimentos com resíduos: saladas, bagaço de frutas, sementes e outros que contenham fibras;
  • Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia.

    Como a água não repõe a perda de sódio e potássio, procure suprir essa necessidade com soro caseiro ou outros líquidos que contenham tais substâncias.

    Chás de camomila, erva-doce e hortelã, por exemplo, podem ajudar;

  • Pessoas com pressão alta, diabetes, glaucoma, doenças cardíacas ou com histórico de derrames devem consultar o médico antes de ingerir bebidas que contenha sódio porque correm o risco de elevar a pressão;
  • Evite café, leite e sucos de frutas;
  • Evite consumir álcool, que é um desidratante poderoso;
  • Evite alimentos muito temperados ou com alto teor de gordura (frituras, alguns cortes de carne, embutidos etc.) até que as fezes voltem ao normal;
  • Não faça uso de adoçantes à base de sorbitol;
  • Evite consumir leite e derivados, principalmente se tiver intolerância à lactose. Lembre-se, porém, de suprir a necessidade de cálcio ingerindo alimentos como salmão, tofu etc.

Quando procurar ajuda médica

Diarreia pode ser sintoma inicial de várias doenças graves: úlcera gastrointestinal, alguns tipos de câncer, aids e de patologias que acarretam a má absorção dos nutrientes. Não se descuide e procure assistência médica imediatamente:

  • Se os sintomas não passarem em 1 ou 2 dias. Crianças e idosos desidratam muito depressa. É preciso estar alerta;
  • Em caso de crianças, se elas tiverem mais de 3 ou 4 episódios de diarreia e estiverem bebendo pouco líquido. Caso estejam bebendo líquidos e urinando normalmente, procurar um médico se a criança estiver com diarreia por 2 dias ou se tiver mais que 6 a 8 episódios em um único dia;
  • Se houver sinais de desidratação, como apatia, boca seca e choro sem lágrimas;
  • Se houver presença de sangue nas fezes que adquirem coloração preta ou avermelhada;
  • Se as fezes adquiriram aspecto volumoso e com traços evidentes de gordura indicativos de má absorção;
  • Se os episódios de diarreia forem repetidos e, principalmente, se eles se alternarem com crises de prisão de ventre (sintomas sugestivos de tumores intestinais).

Recomendações para evitar a diarreia

  • Não se esqueça de lavar bem as mãos várias vezes por dia e, especialmente, antes das refeições;
  • Não deixe de ferver a água de rios, lagos, riachos ou mesmo a de torneiras nos locais em que não seja tratada, se tiver necessidade de bebê-la;
  • Não beba refrigerantes ou outra bebida qualquer no próprio vasilhame. Use um copo limpo;
  • Faça gelo com água tratada ou fervida.

Perguntas frequentes sobre diarreia

Como saber se a diarreia é sintoma de uma infecção?

Geralmente, diarreias decorrentes de infecções começam repentinamente. Outros sinais incluem febre, náuseas e vômito.

Diarreia é o mesmo que disenteria?

Não. A disenteria é um quadro clínico caracterizado por inflamação do intestino, o que causa dor abdominal e diarreia com sangue, muco ou pus.

A inflamação pode ter várias causas, geralmente infecções por bactérias e vírus ou verminoses. Uma das causas mais comuns é a ingestão de alimentos ou água contaminados pela bactéria Shigella.

Embora o tratamento geralmente seja simples, é necessário procurar ajuda médica imediatamente, pois há risco de desidratação.

Como identificar diarreia em crianças?

Bebês que ainda não ingerem alimentos sólidos podem ter fezes mais líquidas, mas ainda assim, em geral elas não são totalmente líquidas.

Nesses casos, fique atento ao número de evacuações e em mudanças na consistência. Também procure assistência se houver fezes aquosas por mais de 24 horas.

Lembre-se que bebês e crianças desidratam muito rapidamente, possivelmente em menos de 1 dia, daí a importância de estar sempre atento.

Como preparar o soro caseiro?

O soro é extremamente importante porque repõe não só a água, mas eletrólitos essenciais para o organismo. Use 1 litro de água mineral, filtrada ou fervida. Misture uma colher pequena (café) de sal e uma grande (sopa) de açúcar. Se usar água fervida, espere esfriar para fazer a mistura. Tome em colheradas ao longo de todo o dia.

Источник: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/diarreia/

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