Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

Compulsão alimentar: saiba como tratar e prevenir esse distúrbio

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

3 de outubro de 2018

  |  Tempo de leitura: 5 minutos

A compulsão alimentar é considerada um distúrbio alimentar caracterizado pela ingestão exagerada de alimentos. Essa ingestão ocorre mesmo sem a presença de fome ou necessidade física do alimento. Em geral, a pessoa compulsiva perde o controle sobre o que está ingerindo e em qual quantidade. Dessa forma, come alimentos em grandes quantidades em um curto espaço de tempo.

Um indivíduo que apresenta episódios de compulsão alimentar, na grande maioria das vezes, ingere alimentos calóricos independentemente da sensação de fome.

Principais sintomas

Sabemos que todo mundo tem um momento em que exagera na comida. Fato que ocorre mais comumente em festas de final de ano. Logo, comer demais esporadicamente é considerado uma situação normal. No entanto, comer demais se tornar um transtorno quando se torna um hábito e foge do controle. A compulsão alimentar é identificada quando a pessoa passa a ser dependente da comida.

Quando o sujeito passa a se alimentar com maior frequência do que o necessário, mesmo não sentindo fome, um sinal vermelho deve ser aceso. Ele pode ser um compulsivo alimentar e alguns sinais podem ser observados:

  • A pessoa come mais rápido do que o normal;
  • Passa a comer quando não está com fome;
  • Continua comendo mesmo quando já está saciado e após ter ingerido quantidades maiores que o necessário;
  • Come sozinha ou escondida das outras pessoas;
  • Pode apresentar problemas afetivos e vício em jogos de azar e bingos;
  • Sente-se triste ou culpada por comer demais.

Como tratar

Assim como os demais distúrbios alimentares, nos quadros de compulsão alimentar o tratamento deve ser multidisciplinar. O indivíduo deve receber acompanhamento médico, psicológico, nutricional e em muitos casos medicamentoso. O psiquiatra deve orientar e ser o responsável por prescrever o remédio para o controle de ansiedade, por exemplo.

É importante ressaltar que o trabalhamento não deve se resumir ao uso de medicação. É importante que o paciente trabalhe sua mente, buscando ampliar a consciência que tem sobre si. Psicólogo e paciente devem trabalhar para compreender os gatilhos da ansiedade e estabelecer estratégias de controle.

Recomenda-se também a prática de exercícios físicos e atividades relacionadas à atenção, como a meditação e yoga. Além de manterem o corpo saudável, também ajudam na produção de endorfina e no controle da ansiedade.

Quais são os riscos associados à compulsão alimentar?

Pessoas com compulsão alimentar têm maior risco de desenvolver:

  • Cálculo renal quando a pessoa consome muito cálcio;
  • Diminuição da capacidade respiratória; apnéia do sono
  • Doenças como a diabetes tipo 2, hipertensão e níveis de colesterol alto;
  • Gastrite; hérnia de hiato;
  • Insuficiência cardíaca e problemas vasculares;
  • Outros distúrbios alimentares como a bulimia ou anorexia;

É relevante destacar que a compulsão alimentar causa obesidade em 75% dos casos. Os riscos destacados acima são problemas decorrentes desse aumento de peso.

Compulsão alimentar e Obesidade

Diversos estudos demonstram a associação entre obesidade e compulsão alimentar. Estima-se que cerca de 40% dos pacientes que decidem realizar uma cirurgia bariátrica sofram com a compulsão alimentar.

Os pacientes que apresentam compulsão alimentar têm maior frequência de recaídas após o tratamento para a perda de peso, maior incidência de transtornos psicológicos como depressão, abuso de álcool e drogas, transtornos de personalidade e insatisfação com a imagem corporal quando comparados com obesos não compulsivos.

Na cirurgia bariátrica ocorre a redução do estômago. Cria-se um componente restritivo no qual a quantidade de alimentos ingerida é intensamente diminuída, levando a perda de peso duradoura.

A limitação imposta pela operação pode representar grande risco aos pacientes compulsivos, tornando-se difícil a adaptação à nova condição alimentar.

Por este motivo, é muito importante que pacientes que decidam submeter-se a uma cirurgia de redução de estômago sejam acompanhados por um psicólogo.

Como prevenir

É possível prevenir a compulsão alimentar por meio de algumas estratégias simples.

  • Manter um horário fixo para realizar as refeições;
  • Alimentar-se a cada três horas, evitando intervalos longos sem alimento;
  • Mastigue mais vezes e mais lentamente;
  • Manter uma dieta equilibrada aliada a condições saudáveis de sono e exercícios físicos.

Ao realizar as refeições em um horário rotineiro, o indivíduo consegue comer a quantidade apropriada para aquela refeição. O hábito de se alimentar a cada 3h permite que a pessoa não chegue faminta à próxima refeição.

Evita assim exagerar nas quantidades e também comer de forma acelerada. Quando estamos com muita fome, o primeiro impulso é comer tudo o que vem pela frente e repetir em seguida.

Entretanto, nosso cérebro leva cerca de 20 minutos, a partir da primeira garfada, para registrar que o estômago está cheio.

Para manter a dieta equilibrada procure incluir nas refeições alimentos que aumentam a sensação de saciedade:

  • Folhas verdes, como o alface, rúcula e agrião
  • Abobrinha e berinjela;
  • Frutas como a laranja, o mamão e a banana.

Leia também:

? Compulsão: 6 tipos que você precisa conhecer

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Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental.

Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

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Источник: https://www.vittude.com/blog/compulsao-alimentar/

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

→ O que é: o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é um distúrbio psiquiátrico caracterizado por episódios frequentes de ingestão compulsiva de alimentos em curto espaço de tempo.

Ao contrário do que ocorre na bulimia nervosa, o paciente com TCAP não apresenta comportamento purgativo compensatório, ou seja, ele não induz vômitos, pratica atividades físicas intensas nem consome diuréticos ou medicamentos para emagrecer após os episódios de alimentação compulsiva.

→ Sintomas: o paciente com transtorno da compulsão alimentar periódica come de forma descontrolada grandes quantidades de alimentos, muitas vezes mesmo sem estar com fome. Sentimento de angústia, descontrole e vergonha estão frequentemente presentes.

→ Tratamento: a forma mais eficaz de tratamento é através da psicoterapia. Medicamentos também podem ser usados, tais como antidepressivos, topiramato ou lisdexanfetamina. Cerca de 7 em cada 10 pacientes conseguem controlar sua doença.

O que é o transtorno da compulsão alimentar periódica?

Quase todo mundo já teve um ou mais episódios nos quais acabou comendo muito mais do que o necessário para matar a fome e depois ficou sentido-se empanturrado e arrependido. Férias, datas festivas ou viagens são ocasiões especiais em que esse tipo de comportamento pode surgir.

Se esses episódios de alimentação compulsiva ocorrerem de forma esporádica, e o paciente sentir que o comer demais foi uma decisão voluntária, apesar de não muito inteligente, não há motivos para preocupação.

Por outro lado, se os episódios de compulsão alimentar são frequentes, incontroláveis e despertam no indivíduo uma intensa sensação de culpa, angústia e vergonha, podemos estar diante de uma doença psiquiátrica chamada transtorno da compulsão alimentar periódica.

No TCAP, o paciente não consegue parar de comer, mesmo quando já não tem mais fome e está com o estômago incomodamente cheio. Muitas vezes, por vergonha do seu comportamento, ele se esconde no quarto ou no banheiro para poder continuar comendo.

O transtorno da compulsão alimentar periódica distingue-se da bulimia nervosa pela ausência de comportamento compensatório após a ingestão compulsiva. No TCAP não há vômitos nem abuso de diuréticos ou medicamentos para emagrecer (leia: BULIMIA NERVOSA – O que é, Sintomas e Tratamento).

Estima-se que cerca de 3% da população sofra de TCAP. Destes, 2/3 são mulheres e 1/3 homens. Mais de 75% desses pacientes apresentam sobrepeso (IMC maior que 25 kg/m² – Leia: CALCULE O SEU PESO IDEAL).

O início do quadro compulsivo costuma ser durante a adolescência ou nos primeiros anos da vida adulta, mas a maioria dos pacientes só procura atendimento médico por volta dos 35-40 anos de idade.

Critérios diagnósticos

Segundo o mais recente Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5),  o diagnóstico do transtorno da compulsão alimentar periódica requer a identificação de cada um dos seguintes 5 critérios:

1. Episódios de compulsão alimentar nos quais o paciente come, dentro de um período de 2 horas, uma quantidade de alimentos que é definitivamente maior do que aquela que a maioria das pessoas comeria em período de tempo e condições semelhantes.

Durante os episódios de compulsão, os pacientes sentem que não têm controle sobre a situação. Eles não conseguem parar de comer nem controlar a quantidade de comida ingerida.

2. Os episódios de compulsão apresentam pelo menos três das seguintes características:

  • Comer mais rapidamente do que o normal.
  • Comer até sentir-se desconfortavelmente cheio.
  • Comer grandes quantidades de alimentos quando não se tem fome.
  • Comer sozinho por causa da vergonha provocada pela quantidade de alimentos consumidos.
  • Sentindo-se enojado de si mesmo, deprimido ou com intensa sensação de culpa depois de comer demais.

3. Os episódios devem ter ocorrido, em média, pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses.

4. Não há comportamentos compensatórios inadequados, como aqueles observados na bulimia nervosa.

5. Os episódios de compulsão alimentar não ocorrem apenas durante o curso de bulimia nervosa ou anorexia nervosa.

A gravidade do transtorno da compulsão alimentar periódica é baseada no número de episódios de ingestão compulsiva de alimentos:

  • Leve – 1 a 3 episódios por semana.
  • Moderado – 4 a 7 episódios por semana.
  • Grave – 8 a 13 episódios por semana.
  • Extremo – 14 ou mais episódios por semana.

Fatores de risco

Tal como acontece com a maioria dos transtornos mentais não existe uma causa específica para o transtorno da compulsão alimentar. Esse distúrbio tem origem multifatorial, sendo resultado da soma de fatores genéticos, psicológicos e ambientais.

Semelhantemente ao que ocorre com os outros distúrbios alimentares, a presença de níveis anormalmente baixos do neurotransmissor serotonina parece estar associado à compulsão alimentar.

Um mal funcionamento de partes do cérebro que controlam o apetite, como o hipotálamo, também podem estar envolvidos, tornando o paciente viciado em comida e incapaz de desencadear a sensação de saciedade enquanto come.

Entre os fatores de risco para o transtorno da compulsão alimentar, os mais comuns são:

  • História familiar de distúrbios alimentares.
  • Obesidade.
  • Depressão.
  • História de agressão física ou abuso sexual.
  • Ter sofrido Bullying.
  • Exposição frequente a comentários negativos sobre a forma, peso ou hábitos dietéticos.
  • Participação em atividades esportivas de alto nível, que exijam excelente forma física.
  • Baixa autoestima.
  • Ter menos de 25 anos.

Patologias psiquiátricas associadas

A associação com outros transtornos mentais é muito comum, sendo essa incidência bem maior que na população em geral. Estudos mostram que entre os pacientes que sofrem de transtorno da compulsão alimentar, as taxas de distúrbios associados são:

Sintomas

Conforme explicado nos critérios para o diagnóstico, o paciente com TCAP apresenta episódios nos quais costuma comer mais do que precisa, mesmo quando não tem fome, só interrompe a ingestão quando está sentindo-se fisicamente mal e, geralmente, por vergonha, esconde-se nos momentos de compulsão.

O paciente pode conseguir esconder a doença da família durante muitos anos. Alguns sinais que devem servir de alerta para os amigos e familiares são:

  • Obesidade associada à clara e manifesta insatisfação com o peso.
  • Frequentes flutuações de peso ao longo de meses ou anos.
  • Uso de roupas muito largas para esconder a aparência física.
  • Sintomas depressivos.
  • Isolamento social.
  • Baixa autoestima.
  • Presença de comida escondida dentro do quarto.
  • Restos ou migalhas de comida espalhados por locais inusitados da casa, como banheiros ou armários.
  • Sumiço frequente de comida da dispensa ou da geladeira.

Ao longo dos anos, o transtorno da compulsão alimentar aumenta o risco do paciente desenvolver doenças físicas, tais como diabetes tipo 2, problemas nas articulações, doenças cardíacas, refluxo gastroesofágico (DRGE), pedra na vesícula, colesterol elevado e alguns distúrbios respiratórios relacionados ao sono.

Tratamento

Os objetivos do tratamento do transtorno compulsivo alimentar periódico são reduzir os episódios de compulsão e, quando necessário, ajudar o paciente a perder peso e alcançar um IMC saudável.

A psicoterapia é o tratamento de escolha para o TCAP. Modalidades, como a terapia cognitiva comportamental, a psicoterapia interpessoal e a terapia comportamental dialética são formas de psicoterapia eficazes contra o comportamento compulsivo.

Programas de perda de peso sob supervisão médica são geralmente indicados somente depois do paciente ter o seu transtorno alimentar controlado, pois a dieta pode servir de gatilho para mais episódios de compulsão alimentar.

Os pacientes obesos ou com excesso de peso com transtorno compulsivo que não respondem à psicoterapia devem ser tratados com medicamentos. Algumas opções reconhecidamente eficazes são:

Quando feito corretamente, a taxa de sucesso do tratamento é de cerca de 70%, ou seja, 7 em cada 10 pacientes conseguem se ver livres dos episódios de compulsão.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/psiquiatria/transtorno-da-compulsao-alimentar/

Transtorno de compulsão alimentar periódica

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

O transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) é uma perturbação alimentar grave em que a pessoa consome frequentemente grandes quantidades de comida e sente-se incapaz de parar de comer. Quase toda a gente abusa ocasionalmente na quantidade de alimentos ingerida, como em épocas festivas.

Mas para algumas pessoas, comer excessivamente de forma descontrolada e de forma ocasional ultrapassa a linha do que é normal.

Quando se tem TCAP, é possível sentir embaraço em comer demasiado e querer parar, mas um sentimento de compulsão impede que se resista aos desejos intensos de continuar a comer.

Fatores de risco:

Os fatores que aumentam o risco de desenvolver transtorno de compulsão alimentar periódica incluem:    •    História familiar;    •   Problemas psicológicos: as pessoas que têm sentimentos negativos contra si mesmos e as suas capacidades e realizações têm maior tendência a desenvolver TCAP;    •    Fazer dieta;

   •    Idade entre o final da adolescência e a idade adulta inicial.

Causas:

A causa exata do transtorno de compulsão alimentar periódica ainda não é conhecida, mas como outras perturbações alimentares, parece resultar da combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais.

O TCAP tem sido associado com outras perturbações de saúde mental, uma vez que cerca de metade das pessoas apresentam uma história de depressão, apesar de a natureza exata da ligação ser desconhecida.

Várias pessoas relatam que emoções negativas como angústia, tristeza, aborrecimento ou ansiedade podem desencadear um episódio de alimentação compulsiva. Comportamento impulsivo e certos problemas psicológicos parecem ser mais comuns em pessoas com TCAP.

Sintomas:

Pessoas com transtorno de compulsão alimentar periódica apresentam vários dos seguintes sintomas semanalmente durante pelo menos 3 meses:    •    Episódios frequentes de comer quantidades excessivas de comida;    •    Sentimentos frequentes de ser incapaz de controlar o que se come em quantidade e qualidade;    •    Comer mais rapidamente que o habitual;    •    Comer até estar desconfortavelmente cheio;    •    Comer grandes quantidades de comida mesmo não tendo fome;    •    Comer sozinho por embaraço da quantidade de comida ingerida;    •    Sentimentos de repulsão, depressão ou culpa após comer em excesso. Pessoas com TCAP tendem a apresentar também:    •    Flutuações de peso;    •    Sentimentos de baixa autoestima;    •    Perda de desejo sexual;

   •    Fazer dieta frequentemente.

Diagnóstico:

De forma a diagnosticar o transtorno de compulsão alimentar periódica, é realizada uma avaliação psicológica, que inclui uma discussão acerca dos hábitos alimentares.

São frequentemente realizados outros testes para verificação de problemas de saúde associados à TCAP como níveis de colesterol elevados, hipertensão arterial, problemas cardíacos, diabetes, doença do refluxo gastroesofágico e algumas perturbações respiratórias durante o sono.

Estes testes podem incluir:    •    Exame físico;    •    Análise sanguínea e urinária;

   •    Consulta num centro de análise do sono.

Tratamento:

O tratamento do transtorno de compulsão alimentar periódica pode ser complicado porque as pessoas sentem embaraço e tentam esconder o problema. Por vezes nem os familiares e amigos se apercebem do problema. As perturbações alimentares requerem um plano de tratamento ajustado às necessidades de cada paciente.

O objetivo do tratamento para esta condição é ajudar a pessoa a recuperar o controlo sobre os seus hábitos alimentares.

O tratamento geralmente envolve uma combinação das seguintes estratégias:    •    Psicoterapia: a terapia cognitiva comportamental tenta alterar a forma de pensar e agir em relação à comida, e tenta incutir técnicas práticas para desenvolver atitudes saudáveis em relação à comida e peso, bem como usar abordagens para alterar a forma como a pessoa responde a situações stressantes;    •    Medicação: antidepressivos;    •   Aconselhamento nutricional: que ensina regras de uma alimentação saudável e restaura padrões alimentares normais;

   •    Terapia de grupo ou terapia familiar: o apoio de membros da família é muito importante para a recuperação do paciente.

Complicações:

A manutenção de maus hábitos alimentares que são comuns em pessoas com transtorno de compulsão alimentar periódica pode conduzir e problemas de saúde sérios.

As maiores complicações da TCAP são as que resultam da obesidade:    •    Diabetes;    •    Hipertensão arterial;    •    Colesterol elevado;    •    Perturbações da vesícula biliar;    •    Doença cardíaca;    •    Dispneia (falta de ar);    •    Certos tipos de cancro;    •    Problemas menstruais;    •    Mobilidade reduzida;

   •    Problemas de sono.

Источник: https://mymedfarma.com/pt/guia-da-saude/15-psiquiatria/2563-transtorno-de-compulsao-alimentar-periodica

Transtorno Compulsivo Alimentar Periódico (TCAP) – entenda o drama » Dr. Paulo Gustavo Ribeiro Endocrinologista e Metabologista

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

A obesidade é provocada, em linhas gerais, por um desequilíbrio entre ingesta calórica e gasto energético.

Do lado da balança em que predomina a ingesta calórica excessiva há vários padrões alimentares incorretos, mas alguns se destacam pela relação muito estreita com distúrbios psicológicos, dentre eles encontra-se o Transtorno Compulsivo Alimentar Periódico (TCAP), uma entidade vivida de forma dramática por muitos pacientes que se encontram acima do peso, mas frequentemente negligenciada durante seu tratamento.

E o que é o TCAP?

O TCAP é classificado como um Transtorno Alimentar, juntamente com outras doenças psiquiátricas ligadas a este tópico, como a Bulimia Nervosa, a Anorexia Nervosa e outros transtornos alimentares sem classificação.

É um distúrbio em que o indivíduo ingere de maneira rápida e incontrolável uma grande quantidade de alimento em um curto período de tempo e, logo após o episódio, sente culpa e/ou repulsa por si próprio.

Não há, entretanto, em comparação a Bulimia Nervosa, hábitos purgativos como tentativa de induzir vômito ou uso de laxantes.

A quantidade de alimento ingerida costuma ser muito maior do que a consumida normalmente por outras pessoas e isto desperta um sentimento de vergonha no portador da doença, o que faz com que este hábito seja solitário na maioria dos casos, longe da vista dos seus pares. O constrangimento também pode impedir que o paciente relate estes episódios compulsivos ao médico, tornando seu diagnóstico e tratamento ainda mais difícil.

De acordo com a 4ª edição do DSM – IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – TR) os critérios para o diagnóstico de TCAP são:

A – Episódios recorrentes de compulsão alimentar periódica (excesso alimentar e perda de controle)

B – Comportamentos associados à compulsão alimentar (pelo menos 3):

1- Comer rapidamente

2- Comer até sentir-se cheio

3- Comer grandes quantidades de comida mesmo sem estar faminto

4- Comer sozinho por embaraço pela grande quantidade de comida

5- Sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após a compulsão

C – Acentuada angústia pela compulsão alimentar

D – Frequência de duração da compulsão alimentar: média de 2 dias por semana por 6 meses

E –  Não se utiliza de métodos compensatórios inadequados (ex: purgação)

Estima-se que no Brasil cerca de 6,5% dos homens e 5,5% das mulheres que apresentam sobrepeso ou obesidade tenham critérios para TCAP.

Quanto mais acima do peso o indivíduo, maior será a frequência de TCAP e é mais comum que este grupo de pacientes sofram de outros transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, tenham traços de personalidade impulsiva, baixa autoestima, entre outros, em comparação a outros indivíduos obesos. Além disto, é mais comum que seus horários alimentares sejam caóticos, que já tenham se submetido a diversos tipos de tratamentos dietéticos, incluindo dietas “da moda” e alguns métodos radicais, refletindo uma tendência de pensamento de “ou tudo ou nada”, ou seja, não conseguem ter uma atitude de moderação com relação ao hábito alimentar.

Como abordar o indivíduo com TCAP?

O tratamento do TCAP não deve centrar-se apenas na figura do médico endocrinologista, ele deve ser multidisciplinar com acompanhamento obrigatório do psicólogo, nutricionista e médico psiquiatra.

Cabe ao nutricionista verificar a distribuição dos horários da dieta, a composição da mesma, quais os horários mais frequentes dos episódios compulsivos, que tipo de alimento serve para disparar estas crises e quais auxiliarão a aumentar a sensação de saciedade, com que velocidade o indivíduo come, como é a mastigação, verificar o diário alimentar do paciente, suas preferências alimentares, etc.

O psicólogo, na maioria das vezes, optará por uma linha de tratamento conhecida por terapia cognitivo comportamental, onde abordará quais os “gatilhos” emocionais para estes episódios, como ele se sente em relação ao comer compulsivo, verificar a concomitância de outros distúrbios psicológicos associados e que possam estar favorecendo a recorrência da compulsão alimentar e propor técnicas para melhora do autocontrole do indivíduo.

O médico endocrinologista, em conjunto com o psiquiatra, abordará o tratamento medicamentoso, que costuma resultar em ótimo benefício para este grupo de pacientes, além de verificar a concomitância de outras doenças que podem surgir em um indivíduo com excesso de peso e que podem levar a piora do aumento do apetite, como o diabetes, por exemplo.

Acima de tudo, o paciente precisa ser colaborativo e confiar na equipe que está acompanhando seu caso, relatar em detalhes seus hábitos alimentares e como se sente diante deles é a chave para o sucesso terapêutico, por mais difícil (e constrangedor) que isto inicialmente possa ser. Desta forma, o diagnóstico do TCAP, quando ele existir, poderá ser feito de maneira acertada e o tratamento melhor direcionado.

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Источник: http://endocrinologistasp.med.br/transtorno-compulsivo-alimentar-periodico-tcap-entenda-o-drama/

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