Tratamento da Bromidrose para eliminar o chulé e o ce-cê

Cecê: tecnicamente bromidrose axilar

Tratamento da Bromidrose para eliminar o chulé e o ce-cê
Imagem: Morgan Sarkissian em Unsplash

O cecê, tecnicamente chamado de bromidrose axilar, é uma condição muito comum em adolescentes e adultos e acontece quando o suor corporal, que é normal, vem acompanhado por um mau cheiro.

A palavra cecê ou CC vem de “cheiro de corpo” e sua origem é incerta.

O odor característico é resultado da ação de bactérias que se proliferam nas regiões mais quentes do corpo, como axila e virilha, e na maior parte dos casos pode ser combatido com medidas de higiene e remédios naturais.

História

Atualmente, a palavra cecê faz parte dos dicionários brasileiros, que apontam a década de 1940 como a origem da palavra. Segundo essa versão, o termo foi criado em uma propaganda de sabonete que chegou ao Brasil naquela época, importado dos Estados Unidos.

Em um período de forte industrialização, com o surgimento de diversos novos produtos, entre eles itens de higiene, os publicitários foram importantes para o estabelecimentos de “diferentes discursos em torno da substituição do natural pelo artificial, segundo apontam os pesquisadores Elizabete Kobayashi (UFSCar) e Gilberto Hochman (Fiocruz) no artigo “O “CC” e a patologização do natural: higiene, publicidade e modernização no Brasil do pós-Segunda Guerra Mundial”.

Naquele contexto, segundo o artigo, o publicitário Rodolfo Lima Martensen foi responsável por fazer uma versão do comercial norte-americano para o Brasil.

Martensen, então, teria traduzido a expressão body odor – “B.O.” – literalmente para “cheiro de corpo”, criando a sigla “C.C.” para imitar o modelo de sigla usado pelos americanos.

O próprio publicitário reivindica em um livro a autoria do termo, que depois se popularizou.

Segundo os pesquisadores, “a incorporação do verbete “Cê-cê – s. m. – cheiro de corpo, fedor de suor; cê-cê” ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pode ser considerada um indicador de que a preocupação com os odores naturais ainda se faz presente e de que a campanha conseguira ganhar a atenção dos potenciais consumidores.”

Existe, porém, outra versão para a palavra, relatada pela pesquisadora Lélia Gonzales na palestra “Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira”.

A autora traz relatos de que, no Brasil escravista, os homens brancos cheiravam roupas usadas por mulheres negras para se excitarem durante as noites de núpcias com mulheres brancas.

Ela relata que era comum a “utilização desse santo remédio chamado catinga de crioula (depois deslocado para o cheiro de corpo ou simplesmente cc).”

Bromidrose

Se as duas origens possíveis para o termo cecê apontam para discriminações, a bromidrose não se trata simplesmente do cheiro – ela tem como sintoma característico o odor intenso, que é aquele que chega a ser desagradável tanto para a pessoa quanto para quem está em volta. O cheiro ruim é resultado do encontro entre o suor produzido pelas glândulas apócrinas e as bactérias que se alojam nas partes do corpo em que essas glândulas se localizam.

Existem glândulas sudoríparas espalhadas por toda a extensão da pele e elas são as responsáveis pela produção do suor, uma secreção natural cuja principal função é regular e manter estável (na casa dos 36,5 ºC) a temperatura do corpo – o que explica o suor em pessoas com febre, por exemplo. Existem no corpo humano dois tipos de glândulas sudoríparas: as écrinas e as apócrinas.

O primeiro grupo têm função termorreguladora e está distribuído ao longo de toda a superfície do corpo desde o nascimento do bebê, permanecendo ativo até a velhice. O suor que essas glândulas eliminam pelos poros é constituído basicamente por água e alguns sais que não se decompõem, de modo que elas praticamente não exalam nenhum cheiro.

Já as glândulas apócrinas se desenvolvem em no início da adolescência e apenas em algumas regiões do corpo, como axilas, área genital, couro cabeludo e ao redor dos mamilos.

O suor que secretam é eliminado através dos folículos pilosos e, além de água e alguns sais, contém restos celulares e do metabolismo que podem produzir odores desagradáveis quando expostos à ação de bactérias e fungos, em ambientes em que calor, umidade e falta de luz sejam predominantes.

  • Dez dicas de como acabar com chulé

São esses odores que recebem o nome de bromidrose, que é definida pelo Manual Merck como uma “condição de odor fétido devido à ação de bactérias e leveduras que decompõem o suor e restos celulares”.

Quando o cheiro se concentra na região da axila, a condição é chamada de bromidrose axilar, popularmente conhecida como cecê, o “cheiro do corpo”, e há também a bromidrose plantar, ou chulé, que é quando os sintomas se manifestam nos pés.

Bromidrose axilar

A bromidrose axilar só se manifesta em adolescentes e adultos, já que é apenas nessas fases da vida que as glândulas apócrinas estão ativas. Na infância elas ainda não se desenvolveram e na velhice os níveis hormonais inibem seu funcionamento. Uma boa higiene cotidiana e o uso de medidas paliativas é a única forma de evitar o aparecimento do desagradável cecê.

Se o cheiro de cecê for muito forte, pode ser necessário procurar um médico dermatologista, que é o profissional indicado para avaliar caso a caso. O tratamento é baseado na interferência sobre as bactérias que habitam a pele nas regiões mais quentes.

Os casos mais sérios podem exigir o uso de antibiótico tópico, para modificar o tipo e a quantidade das bactérias presentes nessas regiões, ou ainda um tratamento de longo prazo.

Podem ser necessários medicamento com ação bactericida, fungicida e antimicótica para acabar com o cecê.

Além da ação de micróbios, diabetes, alcoolismo, alimentos como cebola, alho e pimentas, alguns antibióticos e certos hormônios podem ser os responsáveis pela alteração no cheiro do suor, deixando-o com características desagradáveis.

Se o cecê for algo mais cotidiano do que clínico, como acontece na maior parte dos casos, alterar os hábitos de higiene deve ser suficiente para acabar com o cecê nas axilas.

Se o maior problema for o cheiro, opte por desodorantes ao invés de usar antitranspirantes (também chamados de antiperspirante), que são os indicados para casos de sudorese intensa.

Entenda a diferença entre os dois produtos na matéria: “Desodorantes e antitranspirantes são a mesma coisa?”

Os tratamentos a serem indicados não têm o objetivo de curar a bromidrose, mas irão atuar para controlar a transpiração excessiva nas áreas de maior risco.

Dicas de como acabar com o cecê

  • Esteja sempre atento à higiene pessoal;
  • Seque bem a pele depois do banho, especialmente a pele das axilas e entre os dedos dos pés;
  • Prefira sabonetes antissépticos e desodorantes antiperspirantes;
  • Troque de roupas todos os dias;
  • Use produtos para eliminar os odores durante a lavagem das roupas;
  • Evite roupas de tecido sintético, especialmente as meias. Prefira peças de puro algodão;
  • Deixe os sapatos ventilarem após o uso;
  • Prefira calçados abertos e fabricados com matérias-primas naturais.

Existem alternativas caseiras que ajudam a aliviar o suor na região das axilas, como aplicar leite de magnésia após o banho ou usar um talco caseiro de bicarbonato de sódio com amido de milho (misturados em proporções iguais). Você também pode fazer o seu próprio desodorante caseiro. Mas fuja da automedicação! Se o cheiro de cecê se tornou um transtorno recorrente, consulte um dermatologista para orientar o tratamento adequado.

Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia e Drauzio Varella (site)

Veja também:

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Источник: https://www.ecycle.com.br/6247-cece-bromidrose.html

BROMIDROSE AXILAR (mau cheiro das axilas)

Tratamento da Bromidrose para eliminar o chulé e o ce-cê

O mau odor corporal provocado pelo suor é chamado de bromidrose, termo de origem grega: bromos = mau cheiro + hidros = suor.

Popularmente conhecido como cê-cê, a bromidrose é um fenômeno relativamente comum após a puberdade, mas que também pode ocorrer em alguma crianças.

Sua origem costuma ser o suor das axilas e está relacionada a um tipo específico de glândula sudorípara (glândula produtora de suor).

Neste artigo iremos explicar como surge o mau cheiro, quais são os fatores que favorecem o aparecimento do mau odor axilar e corporal, e como é feito o tratamento da bromidrose.

Temos um artigo exclusivo sobre o mau odor dos pés, chamado bromidrose plantar e conhecido popularmente como chulé: COMO ACABAR COM O CHULÉ.

Como surge o mau odor nas axilas?

O mau cheiro do nosso corpo, principalmente das axilas, tem origem no suor. Mas se suamos no corpo inteiro, por que o suor das axilas apresenta mais odor que do resto do corpo?

O nosso suor é um líquido naturalmente sem odor, produzido pelas glândulas sudoríparas localizadas na pele. Existem dois tipos de glândulas sudoríparas: écrinas e apócrinas.

A glândulas écrinas são as mais comuns e estão distribuídas por toda a superfície da pele. O suor produzido por essas glândulas é composto por 99% de água e 1% de sais minerais, como cloreto de sódio (sal) e ureia.

A principal função das glândulas écrinas é controlar a temperatura do nosso corpo, por isso, transpiramos toda vez que está muito quente ou quando fazemos exercícios. O suor das glândulas écrinas serve para esfriar o nosso corpo, ajudando-o a se manter entre 36ºCe 37ºC.

As glândulas apócrinas, por sua vez, só estão presentes em algumas partes do corpo, como nas axilas, virilhas, região ao redor dos mamilos e do ânus. As glândulas apócrinas surgem entre os 8 e 14 anos de idade e produzem um tipo de suor completamente diferente, mais oleoso, que não evapora e não tem função de controlar a temperatura do corpo.

Tanto as glândulas écrinas quanto as apócrinas produzem um suor inicialmente sem odor. Porém, devido à ação de bactérias presentes na pele, como a espécie Corynebacterium, as gorduras presentes no suor das glândulas apócrinas são digeridas e transformadas em ácidos voláteis, que apresentam odor forte e desagradável.

Fatores que favorecem o aparecimento do mau odor corporal

Todo mundo tem glândulas apócrinas e apresenta algum grau de odor nas axilas e nas virilhas. Algumas pessoas, porém, apresentam um mau odor corporal acima da média, difícil de ser controlado. Homens e jovens pós-puberais são o grupo com maior incidência de bromidrose.

Estudos mostram que as pessoas com mau cheiro corporal são aquelas que apresentam um maior número de glândulas apócrinas. Nesses indivíduos, as glândulas também costumam ser maiores do que nas pessoas que não apresentam relevante mau cheiro nas axilas.

Além dos fatores genéticos, que determinam as caraterísticas das glândulas apócrinas, há também outras condições que podem contribuir para o mau cheiro corporal.

Principais fatores que contribuem para o mau cheiro nas axilas:

  • Tipo e a quantidade de bactérias presentes na pele.
  • Excesso de suor.
  • Má higiene pessoal.
  • Obesidade.
  • Diabetes mellitus.
  • Tabagismo.
  • Micose nas axilas.
  • Ingestão excessiva de alguns alimentos, tais como cebola, curry, alho ou pimenta.
  • Ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.
  • Uso de antibióticos, como a penicilina.

Como tratar o mau cheiro nas axilas?

Existem diversas modalidades terapêuticas disponíveis para o tratamento do odor corporal. O tratamento escolhido deve considerar a causa do mau odor e o grau de comprometimento na qualidade de vida do paciente.

Em geral, o tratamento objetiva dois alvos: controlar a quantidade de suor e reduzir o número de bactérias na pele.

Abaixo, listamos algumas opções simples para aliviar o mau cheiro das axilas:

  • Lavar as axilas pelo menos duas vezes por dia com sabão antibacteriano.
  • Usar desodorante antitranspirante para diminuir o suor nas axilas.
  • Não repetir roupas, pois o suor seco é causa frequente de mau odor.
  • Raspar os pelos da axila para retirar bactérias e suor seco que ficam aderidos aos mesmos.
  • Atenção à dieta.
  • Tratar problemas na pele que possam estar perpetuando o cheiro, como micoses.
  • Tomar banho diariamente.

Se o paciente apresentar hiperidrose (suor excessivo), o tratamento desta condição é necessário para controlar o mau cheiro. Opções incluem iontoforese, uso de toxina botulínica e até cirurgia para remoção das glândulas sudoríparas.

Explicamos com mais detalhes as causas e os tratamentos da hiperidrose no seguinte artigo: HIPERIDROSE – Suor em excesso.

Se as suas axilas produzem mau cheiro e as dicas acima não funcionarem, procure um dermatologista, que é o especialista indicado para esses casos.

Outras opções de tratamento para o mau cheiro das axilas que podem ser indicados pelo dermatologista incluem:

  • Remoção definitiva dos pelos das axilas.
  • Uso de antibióticos tópicos nas axilas, como clindamicina ou eritromicina.
  • Lipossucção para remoção das glândulas apócrinas da axila.
  • Tratamento a Laser das glândulas apócrinas.

Referências

Источник: https://www.mdsaude.com/dermatologia/bromidrose-mau-cheiro-axilas/

É verdade que criança pode ter “cecê”?

Tratamento da Bromidrose para eliminar o chulé e o ce-cê

Tem cheiro mais gostoso do que o de nossas filhas e de nossos filhos? Cheirar a cabeça, os pés, as mãos, os corpinhos e as roupinhas dos pequenos tem até o poder de nos dar uma energia extra no dia a dia, além de criar a memória olfativa deste vínculo tão lindo.

Quando toda essa magia é interrompida por um cheirinho ruim e azedo, muitos pais ficam assustados. Afinal, não se espera que o “cecê” apareça antes da puberdade. Mas é isso mesmo: algumas crianças desenvolvem bromidrose – o nome correto desta condição.

Para entender por que isso acontece, conversamos com Ana Cristina Opolski, dermatologista do Hospital IPO; Juliana Toma, médica dermatologista; e Loretta Campos, pediatra e consultora de aleitamento materno e de sono infantil. Respire fundo e vamos lá!

Suor não tem cheiro

O relato mais comum dos adultos que percebem o famigerado “cecê” das crianças é relacionado à atividade física infantil: normalmente, o cheirinho é percebido em dias de aulas de educação física na escola ou de atividades intensas em casa. Esse pode ser o sinal, mas não a justificativa. As especialistas explicam, de forma unânime, que transpiração não tem odor.

“É apenas quando o suor se mistura com bactérias na pele que um cheiro ruim pode surgir”, esclarece Juliana. “Geralmente, é autolimitado ou facilmente controlado. No entanto, às vezes, torna-se mais crônico, difícil de controlar e pode afetar a qualidade de vida da pessoa”, prossegue, contando também que a bromidose independe de sexo e etnia.

Atenção à limpeza das axilas e das roupas

A hiperidrose pode colaborar para esse quadro – trata-se do aumento do suor para manter a temperatura do corpo, especialmente durante e depois de exercícios físicos. Loretta explica que, aliada aos hábitos de higiene da criança, a condição pode fazer com que apareça o “cecê”.

Sem julgamentos aqui: pode ser apenas que, na pressa, não esteja sendo feita a limpeza necessária das axilas. Ou, ainda, que a criança tome banho sozinha e não lave as axilas apropriadamente.

O estado das roupas no momento do uso pode ser colocado no mesmo grupo de atenção no que se refere a “cecê” infantil. A pediatra conta que camisetas já contaminadas por bactérias (via de regra, as que estavam com suor, foram tiradas, receberam interação de bactérias e acabaram reusadas) fazem surgir ou agravam o mau odor nas axilas das crianças.

Estes casos são simples de resolver:

– Avalie a rotina de higienização – tanto da pele da criança quanto de suas roupas.

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– Banhos diários, com sabonete adequado indicado por médico, e atenção especial às axilas.

– Todas as camisetas devem ser lavadas após um uso, evitando assim o reuso das peças.

Alimentação x “cecê”

Há ocasiões em que o mau cheiro das axilas vem de dentro para fora, sem haver necessariamente a interação de transpiração com bactérias. É no prato que está a chave desses quadros. “A ingestão de alguns alimentos, como alho, curry e cebola, pode interferir”, afirma Ana Cristina.

Vale o teste: que tal tirar esses ingredientes mais fortes das receitas por um tempo para ver se o “cecê” da criança desaparece?

“Cecê” pode ser sinal de puberdade precoce?

Sim, pode, e isso deve ser investigado se as situações anteriores não se aplicarem à criança em questão. A avaliação dos hormônios por um pediatra ou endocrinologista pediátrico é essencial para determinar se é este o caso.

Alguns sinais simultâneos podem dar a pista, como o nascimento de pelos pubianos ou nas axilas. Ana Cristina destaca que os indícios de puberdade não são esperados antes dos 8 anos nas meninas e antes dos 9 anos nos meninos.

Outras doenças e condições relacionadas ao “cecê” infantil.

As especialistas ouvidas mencionaram também que algumas doenças e condições de saúde podem estar relacionadas ao surgimento da bromidrose.

É importante deixar claro que o “cecê” não é um sintoma delas, apenas algo que pode ter ligação e facilitar a compreensão de mães e pais que já saibam que as crianças são portadoras de fenilcetonúria (uma doença muito rara detectada no teste do pezinho) ou diabetes, por exemplo.

Criança com “cecê” pode usar desodorante?

Pode, desde que seja indicado por um médico especialista (pediatra ou dermatologista) e desenvolvido especificamente para a pele infantil. Os desodorantes para crianças são hipoalergênicos, sem fragrância e sem álcool.

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Источник: https://bebe.abril.com.br/saude/e-verdade-que-crianca-pode-ter-cece/

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